quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

UM NOVO CICLO




Tem um novo ciclo aproximando de sua existência, não desvie dele,
é hora de deixar os bastidores e se apresentar no palco da sua vida.
Há espectadores na platéia, o teatro não está vazio, haverá de ter aplausos,
não desperdice a chance de brilhar para o mundo, para a vida.
Há dentro dessa alma valores invisíveis, talentos ocultos, pura magia.
Não deixe a pagina da sua história em branco, rabisque nela sua essência.
Faça uma assepsia na sua alma, a reboque, pinte-a novamente, renove-a,
jogue fora os entulhos que guardou, os ressentimentos que ficou.
Há um novo ciclo chegando, restaure os seus amores, reinvente seus abraços,
refaça os sonhos, os caminhos, tudo esta dentro de você, de sua alma.
Tenha um novo olhar sobre sua trajetória, sobre seus anseios e planos.
Abandone todo e qualquer sentimento de medo, de indecisão.
Dê um ultimato as incertezas, é preciso ter coragem para ser feliz.
A fugacidade da sua vida não lhe permitirá permanecer na duvida,
insista...faça de sua passagem por aqui, algo maravilhoso, esplêndido.
É agora...
Não basta ser diferente... o universo o quer melhor.
Feliz...

Ari Mota
 





terça-feira, 29 de dezembro de 2009

O MEU SILÊNCIO















Tenho percebido uma quietude maior de minha alma,
parece que uma nevoa silenciosa cai sobre mim.
O meu eu, foi tomado pela solidão da própria existência.
Estou em paz...
O meu grito transformou-se em um leve sussurro, só eu me escuto.
Estou em conversa comigo mesmo, com minha essência.
Estou em silencio...
Gritei, pelos quatro ventos, ninguém me ouviu, não obtive eco.
Renunciei ao murmúrio do mundo, ao vozerio das pessoas, calei-me.
Decidi viver sem ter ressonância dos conflitos imaginários, sem conjecturar.
Abandonei a avaliação das coisas e pessoas... pela infinita contemplação.
Vivo com os olhos, contemplo o sol no nascente e no poente, espero a lua chegar.
Percebo as crianças que passam, rosas vermelhas que brotam, e a beleza do mar.
Tomei caminhos de consciências e ideais libertários, fiquei livre...
Abstive da interferência demasiada no destino e caminhos que não eram os meus.
O meu silêncio só não é maior, porque ainda, e vez por outra, ouso um ruído,
são ondas de sangue que pulsam, tangem dentro do peito, querendo viver...
Vivo de forma intensa... todos os meus sentimentos, sou aprendiz de mim mesmo.
Abraço enamoradamente minha alma, bailamos no salão da vida, apaixonadamente.
Passei a viver em silêncio...
Só pra me encontrar...

Ari Mota

domingo, 27 de dezembro de 2009

UMA LINDA MULHER
















Em retrospectiva, convivi com quatro gerações de lindas mulheres,
todas com belezas distintas, valores de época, e sonhos de amanha.
Umas só banhavam-se, outras o faziam com perfumes, outras já eram perfumadas.
E elas despontavam pela vida, como uma flor que desabrocha no mais lindo jardim.
Traziam o sorriso enigmático da feminilidade absoluta, riam pra mim.
Mais entre si... encontrei abismos invisíveis, existências diferenciadas.
A primeira geração foi minha Avó, passou entre nós como parideira, chocadeira,
teve muitos filhos, eram tantos tios que não sei o nome de todos, são muitos.
A segunda geração foi minha Mãe, a via sempre como lavadeira e cozinheira,
sabe fazer seus quitutes como ninguém, são doces inigualáveis, saborosos.
A terceira geração foi minha esposa, mãe exemplar, tem seus filhos entre as asas,

os amam com tamanha intensidade, que os incomoda, os sufoca... e eles adoram.
A quarta geração é minha filha... não tem nada das demais, é ela e seus sonhos,
no intimo feminino quer filhos, quer amá-los, alimentá-los e não dispõe de tempo.
Independeu-se... escolhe seus amores, tem seu próprio vôo, seu próprio andar.
Encontra-se na fronteira do poder masculino, sabe decidir, escolher, comandar,
sem perder a sutileza e o aroma de uma rosa, de uma flor, brilha como uma estrela.
De todas as mulheres que descrevi, eu na verdade tenho uma preferência: todas.
A ultima geração é o equilíbrio do amor, da convivência, da continuidade,
tem todas as qualidades das demais, sem perder a liberdade... a ousadia,
devemos não temê-la... só nos basta... amá-la incondicionalmente.
Ela é uma espécie rara de rosa, que brotou em nossos jardins.
Ela é o amor.

Ari Mota

sábado, 26 de dezembro de 2009

VENCER














Pense grande...
Se fores... um aventureiro, sair floresta adentro como um bandeirante,
não garimpe turmalinas, procure encontrar as esmeraldas.
Se fores... alpinista suba a sentinela de pedra, o Monte Aconcágua nos Andes,
apenas como parte de seu aprimoramento, depois, almeje chegar ao rosto do céu,
lá pelas bandas do Himalaia... alcance o topo do mundo, o Everest.
Se fores... um velejador, treine na lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio,
mas prepare seu barco para enfrentar o Atlântico, rumo ao velho mundo.
Se fores... um atleta não esqueça que um milésimo de segundo, um apenas,
vale mais que uma hora, para quem quer chegar e vencer.
Comece agora a ser o melhor, cresça, desafie o seu destino.
O universo só lhe cobrará, se você não tentar... e ele nunca lhe dará limites.
Reinvente seus vôos, seus sonhos, amplie o horizonte da sua alma, agora.
Seja o melhor no que faz, vença todos os dias, em todas as circunstâncias.
Conquiste, sem humilhar o vencido... supere, sem menosprezar o derrotado.
Ao amealhar suas coisas, o faça sem as subtrair de outrem.
Saiba usar jóias sem ostentá-las, que elas sejam apenas um adorno a sua beleza.
Que seu dinheiro não seja instrumento de poder, apenas resultado do trabalho.
Que saiba respeitar os subalternos, os indivíduos e suas diferenças,
e principalmente entender que os outros também vencem, não os inveje.
Pense grande...mas, descubra a grandeza das pequenas coisas, observe,
as borboletas... tenha amores, sinta o vento, o sol, e o perfume das flores.
Mas, que nessa trajetória vença com humildade, suba no topo, comemore,
não deixe ser acometido pela vaidade...ela poderá ofuscar sua vitória.

Ari Mota

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

RENASCER



Que neste natal façamos diferente.
Que tenhamos coragem de reconstruir o bem.
Ele habita dentro de nossas almas.
Que o presente não seja uma coisa,
seja indelevelmente um sentimento.
Preferencialmente um afeto, e que seja eterno.
Que a fugacidade da matéria, não sobreponha ao amor que nos falta..
E que por muito tempo possamos explicitar nosso carinho,
e que nossa benignidade possa pulverizar o mundo.
Nada adiantará amar as pessoas somente em Dezembro,
a solidão é mais longa, esta mais distante, e as diferenças também.
A fome não ocorre uma só vez, é uma necessidade orgânica e eterna,
e muita das vezes ela tem outro sentido... fome de justiça, de ética e respeito.
A adversidade da raça humana é infinita, nossa luta também o é.
E efêmero é esboçar afeto no natal.
Que saibamos compreender o ciclo natalino,
na verdade ele permite sazonar a alma, e faz florescer o amor.
Não dê uma coisa, ofereça um abraço, um sorriso, estenda um olhar amigo,
respeite as individualidades, o livre arbítrio, contribua com a felicidade dos outros,
faça a sua parte como pessoa, como cidadão,
julgue menos,
faça mais,
fale menos,
ame mais,
sorria,
cante,
encante.
Renasça...
Comece agora... a ser melhor.

Ari Mota

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

OS MELHORES DO ANO














Pediram-me para promover os melhores do ano, sai pelo mundo,
estive, nas Américas, Oceania, Ásia, África, Europa, e até nos pólos, não os encontrei,
resolvi procurá-los em cenários estranhos que pareciam sair de sonhos surrealistas,
fui das florestas de pedra de Madagascar ao lago de sal boliviano solar de Yuni,
depois passei no campo de golfe do diabo, vale da morte, USA, e voltei.
Numa noite de insônia, resolvi procurá-los na rua onde moro, os achei.
O melhor Ambientalista do ano era meu vizinho, eu não sabia, não o conhecia,
um jardineiro de primeira, tem um Bonsai, e a anos o rega com carinho e amor.
Na casa em frente, escolhi o Escritor do ano, poeta, escritor de noites frias, solitário,
o seu melhor poema chama-se Liberdade, de tamanha sensibilidade, só tem o título,
deixou a pagina em branco...como sempre acreditou na liberdade,
não poderia impor suas palavras a ninguém, hoje todos escrevem abaixo de seu título.
Adiante, eu encontrei o Advogado do ano, nunca antecipadamente julgou alguém,
e sempre colocou a justiça antes das leis, e errou menos, libertou mais, aprisionou menos.
E excetuando Oscar Niemeyer, tínhamos na rua também o Arquiteto do ano, um visionário,
projetou um país justo... moradia, educação e trabalho para todos, chama-se Utopia.
Mas o Economista do ano, foi um assalariado, ganha o mínimo, que para o governo é o máximo,
reside na outra quadra, ninguém sabe seu nome e de seus filhos, nem o convida para um chá.
E em frente à casa do economista, mora um Engenheiro, que recebeu o de Engenharia,
cansado da álgebra linear, voltou-se para calculo estrutural, e projetou uma ponte,
ela faz ligação entre a alma e o corpo, há quem queira transitar nela, eu sou um.
O premio de Medicina ficou com o vizinho que reside no casarão da esquina,dizem,
que ele tem feito algumas curas, sem cobrar as consultas, e não fornece receituário,
fala diretamente com a alma das pessoas, cuida da alto estima, dos sonhos, do amor.
Mas o maior premio, o da Paz, ficou com um andarilho que é nosso vizinho, mora na rua,
passa sorrido todos os dias, traz com ele algumas borboletas, um cão e a felicidade.
Os escolhi por que nunca procuraram os holofotes e suas obras falam de loucura e amor.

Ari Mota

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

AUSÊNCIA














Nos fins de tarde, quando chegava em casa, ele estava na varanda a me esperar,
era um abraço que não acabava, as vezes eu até pedia para parar, incomodava.
Excedia no carinho, no afago, sabia o meu perfume, e conhecia o meu olhar.
Sentava no sofá, e calado ouvia minhas lamurias e desabafo, e imóvel ficava.
Eu sempre o tive como um confidente, sabia dos meus segredos, dos meus medos,
ele me olhava ternamente, e eu a ele, nosso amor transcendia o entendimento,
depois saíamos para caminhar, e ele sempre ali ao meu lado, o meu guardião.
E sempre, e todas as vezes, eu lhe contava o meu dia, repartíamos tudo,
minhas incertezas, minhas angustias, minhas gargalhadas e conquistas.
Ele festejava a minha volta, o meu retorno, eu sempre e nunca me senti sozinho.
Quando a vida por vezes me pressionava, ele era minha proteção, me amava.
Certa vez, adoeci, fiquei por dias na cama, ele ficou ao meu lado, o tempo todo.
Ele era discreto, só me ouvia, o fiz, o meu muro de lamentações, ele adorava.
Certo dia estava enraivecido com o mundo, cheguei e lhe fiz um grande discurso,
estava inconformado com as diferenças e as injustiças, estava possesso,
ele só não me aplaudiu, por que assim que terminei, não teve jeito, chorei,
e ele chorou comigo... ficamos em silencio o resto da noite, não dormimos.
E quando ia para os meus combates, ele no portão, me desejava sorte.
Eu seguia confiante, eu tinha alguém para no final do dia, ouvir minhas historias.
Um dia, ele não estava na varanda, o encontrei no sofá...dormindo, um sono eterno.
Corri, busquei um veterinário...
Ele teve que partir...cumpriu o seu papel, perdia ali o meu amigo PUSK.
Ele era mais que um cão...
Hoje quando chego, a varanda está vazia... sua alma continua ao meu lado,
vez por outra, percebo uma lagrima no chão, inadvertidamente ele a deixa cair.
Que falta ele me faz...

Ari Mota

sábado, 19 de dezembro de 2009

ABRA A PORTA



















Sabe o que você precisa fazer... abra a sua gaveta e retire a chave,
abra o porão onde você aprisionou sua alma, liberte-a agora.
Faça com que ela corra livre, quanto tempo a deixou intolerante,
a inibiu em ver o mundo, as diferenças, os caminhos e descaminhos.
Talvez por excesso de zelo, não a deixou sentir o frio, e os vendavais,
não a deixou sentir o medo da solidão, estradas solitárias, vazias.
Liberte-a agora, não há mais tempo, ela precisa sentir a dor do amor,
a ausência do abraço, o brotar de lagrimas que caem face abaixo.
É agora, o tempo da escolha, deixe-a dançar livre nos bailes da vida,
não determine horário para chegar ou sair, deixe-a seguir o vento..
Que ela possa dançar na chuva, beira mar, em qualquer lugar.
Provavelmente irá na descoberta, não deter-se mais as diferenças,
perderá o olhar critico, não distinguirá mais cores, credos, ideologias.
Apertará a mão, sem ver o anel nos dedos, abraçará sem identificar o perfume.
Olhará nos olhos, sem ver as perolas no colo, nem os rubis nos brincos,
e ao encontrar alguém, não observará a roupa de seda, ou a pulseira de ouro.
Amará todas as pessoas... as afortunadas, as nem tanto e as miseráveis.
E verá uma única diferença entre elas... a infinita individualidade de cada uma. 
Liberte-a agora, sua alma carece de um dia inteiro de silencio, deixe-a só.
Ao amanhecer abra a porta, deixe-a sair, não mostre o norte, nem o sul..
Irá desbravar o mundo, conhecerá outros universos, voará livre.
Transforme-se em porto, um dia ela voltará...

E ao voltar, em seus braços contará suas desventuras e venturas,
soluçará em seu colo, e dormirá encostada em seu peito, forte.
E perceberá que valeu ter vivido uma vida de combates.
Liberte-a que ela voltará.

Ari Mota

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

A VIDA EM UM SORRISO















Caminho todas as manhas de forma habitual... e feliz.
Nas minhas manhas encontro com vários tipos, diversas personalidades,
uns correm, outros andam simplesmente, uns em silêncio,
outros ouvindo algo, já encontrei um que estava dançando sozinho.
E muitos passam por mim falando, talvez com a própria alma,
uns de preto, outros coloridos, magros, obesos, outros nem tanto,
sempre encontro os desesperados, os calmos, os solitários como eu.
Nos últimos meses, duas senhoras de forma e expressão antagônica,
passam por mim...e não pude deixar de percebê-las:
A primeira, ar sisudo, olhar introvertido, andar abstraído,
traz em sua mão um terço, ora desesperadamente, ferozmente.
Passa por mim, e não me vê, e por diversas vezes procuro o seu olhar,
não os encontro, são olhares de arrogância, gestos vaidosos,
manifestação presunçosa... como se Deus fosse sua propriedade,
e que somente ela o representa nesta fugaz vida terrena.
Passa e não percebe as pessoas, os pássaros, em fim... o mundo.
Tem uma manifestação facial carregada de ódio, desdém,
parece-me que traz na sua personalidade aversão ao encontro.
A segunda, foi acometida de alguma doença, tem uma paralisia,
sente dificuldade de locomoção, e tem o uso de uma bengala.
Mas, caminha... sorrindo, traz consigo uma revoada de borboletas,
em vez do terço segura firme a bengala, não acena com as mãos,
o faz com um sorriso, aberto, livre, sem mácula, aventuroso.
Celebra a vida, sem tê-la na íntegra, olha tudo e todos, brilha.
Aprendeu que a vida é uma existência imprevisível, vive em um sorriso.
Sorri pra vida, para as pessoas, para o mundo, e para ela mesma.
Quando a encontro é minha melhor oração do dia.

Em seu sorriso encontro... paz, perseverança e Deus.

Ari Mota

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

O TREM E A ALMA














Quando despertava para vida, eu tinha duas metades,
e um dia na plataforma da estação, numa destas partidas,
a vida levou uma delas, e quando o trem apitou lá curva,
ainda deu tempo da despedida.
E a que foi embora, era a revolução, e ela prometera mudar o mundo,
mudar as pessoas, revolucionar os direitos, fortalecer os deveres,
distribuir melhor as coisas, educar os homens, conservar a natureza,
e assim o trem a levou, quase não deu tempo de dizer adeus.
E a outra metade, ficou com o estalar dos trilhos,
o repique do maquinista no apito, as badaladas do sino,
um lagrima que sutilmente ficou no chão, e a estação ficou só,
e metade de mim também.
E até hoje clamo pelo retorno, sem a outra metade fica difícil viver,
o trem a levou, foi como um seqüestro.
Metade de mim era revolução, e numa destas tardes cinzentas,
ela parece que fugiu naquele trem, e ainda, e como se não bastasse,
até hoje aquele sino da estação soa indelevelmente na minha alma,
maldito trem, até hoje não voltou, metade de mim foi embora.
E sempre estou ali na estação, a espera... sempre a espera.
E quando olho lá na curva, a ilusão me abraça,
e até o apito vez por outra, soa...
Mas a estação esta vazia, como a minha alma.
Já não vejo a bilheteria, o telegrafista, o guarda freio,
o mestre de linha, o feitor, e nem tão pouco o chefe do trem.
Levaram metade de mim...
O trem já não volta mais, a estação vazia, minha alma também.
Metade de mim o trem levou, certa vez cheguei a pensar,
que a metade que foi embora naquele trem,
se enroscou com o meu amigo “che”, mas sei que não deu tempo.
Mesmo assim, vez por outra, vou a estação, vejo fantasmas,
e de mim mesmo.
Porque metade de mim é revolução, e a outra também.


Ari Mota

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

O ESPELHO














Não esqueça que no final do dia terás que olhar no espelho.
Não esqueça que poderá reconstruir todas as coisas... menos a palavra.
Não esqueça também que a vida será sempre um eco... tudo voltará.
Portanto, procure as palavras para a abordagem, fale suavemente,
dê preferência as palavras que não machuquem, não saia ferindo,
não grite, se porventura tiver que gritar, que seja de alegria,
não faça de suas palavras uma arma que fere, sem sangrar,
use-a de forma singela, fale de amor, fale de tolerância,
caso não tenha mais o que falar...no silêncio tem-se todas as palavras.
E a vida sempre nos devolve o que não lhe pertence, ela imita o mar.
Não deseje desventura para outrem, não espalhe desafeto, desamor.
Procure não desconstruir os sentimentos, a alma de alguém.
Viva sua vida, conspire a seu favor, ao seu crescimento.
Não esqueça que no final do dia terás que olhar no espelho,
se tem por costume dissimular, usar o disfarce para existir,
o espelho sempre no silêncio da noite, tem o hábito de nos assustar.
Portanto, caso não queria ver as mascaras que usou no dia,
tire-as ao entrar para dormir no final de suas noites, essencial,
não fitar repentinamente sua face no espelho, pode não te encontrar.

Ari Mota

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

A MENINA AMOR













Phan Thi Kim Phuc é a menina da foto...
Em 1972 sua aldeia foi atacada pela irracionalidade humana,
correu desesperada para um templo, ele também foi bombardeado.
Na época ela tinha 9 anos de pura inocência, desconhecia o ódio.
A bomba de napalm atingiu 65% do seu corpo... não queimou a alma.
Correu junto com seu irmão para a vida e sobreviveu, ao horror dos homens.
Ficou 14 meses internada e fez 17 cirurgias, as cicatrizes ainda doem na pele.
Hoje ela tem 45 anos, certo dia entendeu que não poderia mudar o passado,
e resolveu atuar no presente, ela é ativista de direitos humanos da UNESCO.
A catástrofe daquele dia destruiu muitas vidas, a maioria inocente, puros,
a barbárie humana ceifava almas, destruía sonhos, dizimava amores,
foram momentos de medo, padecimento atroz, incompreensão.

A estupidez humana tentou em vão, desconstruir uma alma,
ela é símbolo dela mesma, uma sobrevivente da sua própria força.

Sobreviveu ao desamor, a incivilidade, conheceu a insolência do adulto,
e tinha motivos para jamais acreditar na vida, no futuro e na verdade.
Como as bombas não queimaram sua alma, a deixaram por inteira,
ela disse: “ ESTIVE NO INFERNO E PERCEBI QUE, SE MANTIVESSE
O ÓDIO, NUNCA SAIRIA DELE “.
A imprensa fez de Phan Thi Kim Phuc um símbolo da Guerra do Vietnã,
ela fez dela... amor.


Ari Mota

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

O PREDADOR



















Na praça percebi a chegada de um colibri... lindo voar, 
um bater de asas que expressava uma infinita liberdade,
veio para uma abordagem, para sugar o néctar de uma linda flor,
o fez, e num vôo em reversão, tomou seu rumo, e foi embora,
não tateou e nem feriu a flor, ela permanecera como estava.
Logo após, tem-se a chegada de uma abelha, para colher o pólen,
a colheita fora sutil, fragmento por fragmento, um cuidado sem igual,
afastou-se em prece, levara num vôo veloz a vida para toda uma colméia.
Quase que se encontraram em vôo, a borboleta aterra na flor,
confundem-se belezas, fundem-se nas maravilhas de um arco-íris.
A natureza festeja, dançam: colibri, abelha, borboleta e eu.
E o universo em festa faz brilhar com mais intensidade o sol.
Vê que de repente...
Um passante toma com as mãos a linda flor, a decepa, e a lança no chão.
A perplexidade toma conta de todos nós, revela uma aflição, uma dor.
Em lagrimas, colibri, abelha e a borboleta desaparecem rumo ao infinito.
Na inocência foram questionar o criador... por que a tamanha brutalidade?
Depois de um bom tempo, voltaram felizes, sorridentes, brilhantes.
Dirigiram-se a outras flores, reiniciaram tudo novamente,
desta feita, com mais intensidade, mais entrega, mais amor.
Disseram-me que o criador... disse-lhes que todas as criaturas são livres,
são possuidoras de vontade própria, podem dizer verdades e mentiras,
amar e odiar, rir e chorar, apreender e ou permanecer na escuridão,
construir caminhos ou se perder na própria existência.
Colibri, abelha e a borboleta continuaram fazendo a sua parte, sua história.
Uma história de harmonia, beleza e invariavelmente de amor.
Atravessei a rua, fui para a minha casa... em silencio.

Achando que pela primeira vez, o criador omitiu, iludiu aquelas criaturinhas.
O homem pode ter vontade, tem o livre arbítrio, só não pode destruir,
e se o faz, torna-se pequeno, menor, um predador.


Ari Mota


domingo, 13 de dezembro de 2009

LIBERTAR A ALMA














Quando do meu rompimento para a vida, recebi um corpo e uma alma.
E ao longo da caminhada tive que edificar duas grandes obras.
O destino inda foi complacente comigo, me permitiu decidir,
e disse-me que o corpo seria finito e a alma persistiria eternamente,
e diante disso teria que construir duas moradias para a minha alma.
Coexistiram assim dois caminhos a percorrer, aprisionar ou libertar.
Na juventude decidi construir um presídio, guardei minha alma lá.
Foram ao longo dos anos, entrando naquela cela minúscula,
o preconceito... que adormeceu ao meu lado e no chão, por vários anos.
Depois a arrogância ficou nos meus pés, dia e noite, sem trégua.
E logo em seguida a iniqüidade, que num canto da cela, olhava-me.
Como a vida me permitira decidir, inferi o engano, o falso, a ilusão.
Numa noite de nevoeiro, sorrateiramente fugi, cortei as correntes.
No dia seguinte, logo pela manha, como ainda me restava material,
dei principio, a uma grande e ultima obra, a obra da minha vida.
Na montanha mais próxima, construí em aclive, uma rampa,
a ultima e derradeira morada da minha alma, a chamei de Resiliência.
Meus vôos são diários e até noturnos, não me permito, não voar,
e são minhas companhias: a sensatez, o equilíbrio e o caráter,
mais também lançam-se no ar, e ao meu lado, a felicidade,
a liberdade, algumas bailarinas loucas, e as borboletas.
E somos todos livres...temos um pouco de ternura e loucura,
Nossas acrobacias embelezam a nós e ao universo, somos felizes.

Meus vôos levaram-me ao encontro da humildade, e ela,
ensinou-me a vencer em silencio e perder sem ser humilhado.
Passei a construir e a doar Asas, a quem habilitasse a voar,
Descobri uma multidão ávida para voar livre e profundo.


Ari Mota

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

UM LIVRE AMOR

















Eu não a quero como empréstimo, uma coisa que devolve,
não quero tê-la com a obrigatoriedade de restituição.
Não a quero como uma coisa, um objeto banal,
um sentimento lacônico, um ficar, uma breve emoção,
um talvez, um beijo conciso, um olhar de curta duração.
Eu a quero livre, sem proposta, sem troca, sem dar ou receber.
Que possamos conjugar nossas almas, nossos dias e noites.
E que nossa convivência não crie ressentimentos,
que não ajam subterfúgios na hora da verdade.
E que cada um saiba reverenciar os desejos e sonhos um do outro.
Que vivamos sem desculpas evasivas, crises existenciais.
Não a quero pra mim...
Eu preciso que fique ao meu lado, a vida toda.
Sem perder a vivacidade do estilo, e o brilho que lhe é peculiar.
Mas, preciso que permaneça sem amarras, sem correntes.
Quando me abraçar, e meus braços envolve-la... te aquecer.
Não lançarei âncora, para nunca zarpar sem destino.
Quero que voe, que decole a qualquer hora, qualquer dia,
que suas asas possam pulsar quando bem entenderes.
Não quero presa a mim, nem eu a você.
Se um dia resolver ir embora... vá me amando...
Só preciso que me ame.
E eu à você.



Ari Mota



quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

SENTADO NA PRAÇA













Eu sempre volto ao meu passado, sempre volto a minha cidadezinha,
Ontem passando por lá, avistei um amigo de infância sentado na praça.
Recordei de antigas conversas, antigos medos, de antigas frustrações.
Ele, enquanto vivíamos juntos, transbordava hesitação em viver a vida.
Não amou, com medo de não ser amado, fugiu do risco da entrega,
tinha pavor da incerteza do talvez, não sentiu o calor de uma outra alma.
Não casou com medo de ser abandonado, resolveu sentir o frio da solidão,
tinha receio de roubar um beijo, e sentir o suor da outra pele em desejos.
Não esboçou um abraço, um afago, não deu carinho e nem recebeu.
Parece-me que se abraçou tanto, que não soube abrir suas próprias asas.
Não saiu de lá, com medo de se perder pelos caminhos e não saber voltar.
Ficou sentado na praça...
Quando sentei ao seu lado, buscamos à memória, surgiu nossas historias,
abri o livro da minha vida, por analogia, a minha não foi melhor que a dele,
nem a dele melhor que a minha, cada um viveu a sua vida, teve sua trajetória.
O que na verdade nos diferenciou foi as paginas do livro da minha vida,
cada folha que passava estava repleta de palavras, parecia um rascunho,
como sempre andei no limite do risco, errei muito, usei muito a borracha,
apaguei, rabisquei, desenhei, projetei, retirei algumas paginas,
amassei outras, enfim tentei tantas vezes que perdi a conta, nunca desisti.
Estou escrevendo a minha historia...
O meu amigo não quis abri o livro da sua vida...acho que está em branco.
Estamos envelhecendo, eu e ele, nossos cabelos já estão brancos,
nossas rugas já acentuadas tornaram-se visíveis no rosto.
Notório é a manifestação do tempo... em mim pela luta, nele por medo.
Ari Mota

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

O NASCER DE UM AMBIENTALISTA

















Haverá um tempo que nossas ações serão julgadas,
e nenhum tribunal provará a inocência do homem.
Nossa torpeza, nossa voracidade pelo vil metal,
nosso pseudo avanço tecnológico, nos colocará como réus..
O universo não conspirará a favor da raça humana,
estamos viciando nosso habitat, lesionando o ecossistema,
e colocando em demanda a natureza.
Somos predadores, cínicos, inexatos e pretensiosos.
Tornamo-nos assassinos em série, tiranos,
nossa imbecilidade imortalizou-se.
No inicio matávamos pelo prazer da conquista, do poder.
Hoje caracterizou-se que somos o único ser, que mata por ódio.
Barbarizamos nossa própria espécie, e como se não bastasse,
estamos em escala gigantesca alterando nossa biodiversidade.
Somos assassinos...
Matamos nossos pássaros, nossas borboletas,
devastamos nossas matas, poluímos nossos rios e mares,
destruímos nossas plantas, e maculamos nosso ar.
Somos pretensiosos...
E ainda escrevemos na história que somos semelhança de Deus.
Essas foram as palavras proferidas por um ambientalista,
a beira de um igarapé em São Miguel da Cachoeira,
uma região conhecida como cabeça do cachorro,
e também sabida, como um vazio cartográfico, um nada.
Sejamos realista...
Lá, só estava o ambientalista e um índio.
E o índio da etnia werekena, desconhecia o português.

Ari Mota

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

OS DEUSES ESTÃO SURDOS
















Tenho um habito estranho, procuro sempre um templo para orar,
e todas as vezes que nele adentro, procuro encontrá-lo vazio,
minhas preces são voltadas para o silêncio, para a serenidade,
procuro calar-me, abstenho-me de falar, aflora meu lado taciturno.
Silencio-me diante da alma, tento recorrer a mim mesmo.
Durante uma vida procurei Deus, e o encontrei no silêncio.
Ele fez moradia dentro da minha alma, construiu ali um templo.
Vivo assim, como somos vizinhos cada um respeita o silêncio do outro.
Passamos um pelo outro a todo momento, a toda hora, por toda a vida.
Entre nós não existe obediência, submissão, temor...
Eu não tenho medo dele, nem ele de mim, acordamos ser livres, eu e ele..
Em um fim de noite, eu e ele estávamos na varanda olhando o luar,
Perguntei-lhe? Porque os Deuses estão surdos.
A sua sapiência o fez gargalhar o resto da noite, sem parar.
Já sabia o porque da pergunta...o porque da indagação.
- Minha residência é próxima de um galpão onde grupos oram, gritam.
Clamam a presença de Deus de forma veemente,
berram, choram muito e impertinentemente.
Ele olhou-me ternamente...falou-me do livre arbítrio entre os homens.
Mostrou-me de forma simples, o quando é impotente diante da vontade.
Disse-me que cada um poderia chamá-lo de qualquer maneira,
ele estaria sempre ali, estendendo sua mão e sua alma.
Eu continuei achando que tem Deuses surdos...
Ele me abraçou e continuou a gargalhar,
fomos dormir.

Ari Mota

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

A REVOLUÇÃO DAS FLORES
















Como foi difícil aceitar que falhamos...
Queríamos uma revolução de valores, de direitos e deveres.
Éramos um povo em construção...
As ruas eram nossas, a consciência também.
Combateram-nos com a ponta da baioneta, aos gritos.
Nossos professores nos preparam para uma batalha de palavras.
Mas, calaram nossa voz, sufocaram nossa liberdade, perdemos.
Perdemos tanto que até hoje, não ficamos sabendo que perdemos.
Tiraram-nos o direito de saber...
Encurralaram-nos, nas favelas, nos salários ínfimos, na burocracia,
na ausência de cultura, na má distribuição de serviços públicos,
nas péssimas escolas, e nos manipulam através da mídia.
Deram-nos líderes pífios, discursos fáceis.
Vivem na soberba, e estimulam a miserabilidade do povo.
Os mantêm reféns do estado, não exaltam a individualidade.
Não estimulam o crescimento, os mantêm incultos.
E a impunidade é tamanha que corrupção é uma disposição moral.
E político é sinônimo de corrupto.
Crápulas, vil, não nos respeitam.
E nós... rimos, assistimos na TV, lemos os jornais, e ai?
Hoje acordei injuriado...
“pra não dizer que não falei das flores” vou caçar borboletas,
e depois soltá-las...é obvio.

Ari Mota

domingo, 6 de dezembro de 2009

O ANJO




















Eu estava andando pela vida, sem muito entender o porque.
Perambulava pelas ruas, pelas calçadas, pelas cidades,
estava a procura, sempre olhando em volta, olhares de busca.
Queria encontrar um esteio para o meu caminhar.
Reclamava uma companhia para estar comigo até o fim.
Até que um dia...
Não consegui resistir aos seus encantos, ao seu olhar.
A queria apenas para um passeio na praça, nas tardes de domingo.
Uma coisa passageira, fugaz, uma coisa pequena, sem compromisso.
Mas inadvertidamente toquei sua mão, macia, suave, terna.
Depois não resisti, e roubei um beijo, e logo em seguida um abraço.
Não teve como não desejar o depois...
Permaneci ao seu lado toda a minha vida, e você também.
Abrimos caminhos, cruzamos mares revoltos, altas marés.
Nossa vela quebrou em varias noites de tempestades,
outras vezes era o vento, desaparecera do nosso mar.
Mas, quando o sol nascia para nós, zarpávamos novamente.
Dois aventureiros no mar da vida, sem destino.
E quando desembarcávamos em terra firme,
e tínhamos que subir montanhas íngremes, desafiadoras,
as vezes tomava suas mãos para ajudá-la a subir,
mas muitas das vezes você tomou a minha, na subida.
Caminhamos assim em terra e no mar,
você me socorreu mais do que eu a você.
Hoje resolvi mudar seu nome, tudo em nome do amor.
Esteve ao meu lado a vida toda,
de agora em diante vou chamá-la,
de meu ANJO.

Ari Mota

sábado, 5 de dezembro de 2009

AMIGO




















Tenho um amigo, que o encontro uma vez ao ano.
Moramos distante um do outro desde a juventude.
Embora tão distante e com encontros anuais,
ele é meu melhor amigo, acredito ser eu o seu também.
Nunca fui em nenhuma festa em sua casa, nem ele na minha.
Nunca perguntei a ele as coisas que amealhou, nem ele a mim.
Nunca me abordou com indiferença, nem eu a ele.
Das minhas conquistas quase não teve conhecimento,
e eu também não tive com as dele.
Quando o meu pai foi viajar, quando transformou-se em universo,
ele estava ao meu lado.
Quando o dele também se foi, colhi suas lagrimas,
como vez com as minhas.
Ao longo de nossas vidas nunca distribuímos desafetos,
houve sempre apreço um ao outro, a deferência era recíproca.
A distancia e o tempo inexiste entre nós.
Quando meninos, pactuamos um ser sempre amigo um do outro.
Nossa amizade ultrapassou o tempo, ou nossa meninice não passou.
Não fomos contaminados com a rudeza do cotidiano.
Ficou a inocência da juventude.
A pureza do encontro.
A certeza que um ampararia o outro nos momentos mais difíceis.
Entre nós dois existe uma coexistência de almas.
Como o destino tem nos brindado com momentos de felicidade,
não nos convocou ainda para um socorrer o outro.
Tenho um amigo...
Independente da distancia e do tempo.

Ari Mota

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

TEMPO DA ESCOLHA







Houve um tempo em minha vida, que foi o tempo da escolha,
naquela tenra idade, sem parâmetro, sem superfície,
tive que esboçar um perfil para formatar minha alma,
demarcar uma trajetória, escolher um caminho,um rumo,
tive que delinear uma personalidade para a minha existência.
Não teve jeito...fui acampar na montanha mais próxima,
fiquei mais perto das estrelas, dormi ao luar.
Pela manha, a vida se apresentou como sempre, não muito clara,
o dia chegou indistinto, em metáforas.
E distante dos meus olhos, num voo solitário, magnânimo,
suntuoso, uma águia observava serenamente o mundo.
Em contra partida, um corvo se aproximou acintosamente,
com aquela ostentação ruidosa, que lhe é peculiar.
Após um logo tempo, compreendi o sinal da vida.
Era o tempo da escolha...
O corvo tinha a homogeneidade do homem ignorante,
que necessita de plateia para viver seu dia,
vive em comunidade, e só se fortalece assim.
A águia, por analogia, comparei ao homem sábio,
necessita de solidão, inclusiva para morrer,
é raro,alguém encontrá-la morta,
morre solitária no pico mais alto e mais distante.
Daquele dia em diante, esforço-me para não perde
de vista a águia, e como ela, necessito de solidão
para viver minha vida.

Ari Mota

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

O MARATONISTA










Eu me lembro quando na juventude, todos nós tínhamos um sonho.
Era um grupo pequeno, mas os sonhos eram grandes,imensos.
Eram colocados na roda de amigos, de varias formas e tamanho.
Um sonhava ser medico... hoje é o melhor que conheço.
Outro queria ser engenheiro...constrói pontes pelo mundo,
soube recentemente que tem uma tendência especial,
constrói pontes também entre as almas separadas,
é o mais forte do grupo, o mais intenso, índole impecável.
Tem um que o conheço muito bem, metamorfoseou-se,
anda entretido com as palavras, transfigurou-se em poeta.
Tem um que foi assistir Woodstock e até hoje não chegou,
dizem que esta vindo a pé, não sei por onde, mas esta vindo.
Outro não se conformou com as diferenças do mundo,
saiu a procura de justiça, tombou no povoado de Higueras,
na selva de Santa Cruz de La Sierra, sozinho, abandonado.
Um deles despertava já naquela época mais que um sonho,
um nocivo pesadelo, queria o poder, tirania, é um político.
Já o mais versado de todos, já tinha o poder da persuasão,
comercializa a fé, burla os incautos, é o mentiroso de plantão.
Mas...
O melhor de todos, o que tinha o sonho mais primoroso,
foi e é, aquele que sonhava vencer uma maratona.
Dia desses, passei por ele na estrada, continua correndo.
Nunca venceu...cada ano sua colocação,
distancia cada vez mais do primeiro lugar.
O que me impressiona não é o fato de nunca ter vencido,
nem de nunca ter desistido do seu sonho.
O que me impressiona é o sorriso que ele traz no rosto.
Desde menino... era feliz.

Ari Mota

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

IR EMBORA









Estou pensando em sair por ai, sem destino.
Mas...
Preciso de uma companhia para segurar em minhas mãos.
Preciso de um corpo para me aquecer em noites frias.
Preciso de uma pessoa que seja minha bussola, para me guiar,
quando me perder nos caminhos da vida.
Estou pensando ir embora para lugares distantes, remoto,
onde se ouve o vento, onde se vê o anoitecer e o por do sol,
um lugar despovoado... pode ser beira mar, nas montanhas,
fundamental que seja salpicado de silencio e solidão.
Estou necessitando ouvir minha alma, se possível tocá-la.
Ela, dia desses gritou comigo, reclamou guarida, afago.
Não sabia o que fazer com tamanha dor, tamanho desespero.
Durante muito tempo dei atenção aos outros,
fiquei sem me olhar no espelho, olhar para dentro,para a alma.
Cansei de olhares de desfaçatez, olhares que me rotulavam,
olhares que etiquetavam-me, legendavam-me.
Tornei-me uma marca, num letreiro de beira de estrada.
Vivi tacitamente o que fora convencionado nas relações sociais.
Deixei de ser eu...
Preciso partir, para encontrar comigo mesmo.
Vamos bem devagar... contando estrelas e borboletas.
Vamos contar historia de amor um para o outro.
Você cuida de mim e eu de você, pra sempre.
Vamos voar, correr, se preciso até morrer juntos.
Morrer é invariavelmente uma grande viagem...
Estou ali na esquina...te esperando.

Ari Mota

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

UMA VIDA ESPECIAL








Eu tenho um amigo, que nossas vidas esbarraram uma na outra,
quando nasceu minha filha, a dele também.
Depois chegou o meu filho e o dele também chegou.
Emoções idênticas, chegadas resplandecentes, desafios,
resignação, renuncia da própria vida para o esteio de outras.
Encontramos todos os dias, em diversas situações e lugares.
Sempre, ele adianta as conquistas do filho com louvor e esmero.
O cuidado, a atenção, a sua solicitude ao filho é magnífica.
Uma entrega total, algo incondicional, incomum.
Nossos filhos cresceram, e cada um trilhou seu caminho,
escolas diferentes, amigos diferentes e destino.
O meu tem em seus combates a certeza que não pode esmorecer,
acorda como um espadachim para sobreviver as rudezas do dia,
e procura dormir como um poeta apaixonado, em noites de luar.
Nossos filhos são filhos da diferença, mais são iguais...
O meu é lúcido, um sobrevivente do mundo competitivo.
O filho do meu amigo tem mais pureza na alma,
É ESPECIAL.
Ao longo de nossas vidas preservamos a equidade entre eles,
mesmo porque a intensidade de nosso amor por eles é o mesmo.
Eu e meu filho aprendemos mais com eles...do que eles conosco.
Eu e meu amigo temos filhos diferentes,
um não é mais que o outro, apenas diferentes.
O filho dele chegou para existir de forma especial,
o meu de forma comum.

Ari Mota

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

LIMITE









Desde menino, naquela cidadezinha do interior,
já tinha percebido quanto o meu andar seria difícil.
Naquela época encontrei no dicionário a palavra limite.
Assustei com o significado: Extremo, satisfeito, contentar-se.
A carreguei vida a fora, a levei no bolso, nas costas.
A luta foi de tamanha intensidade, que até tornou-se nobre,
tive que dar uma outra forma no significado de limite.
Passei a interpretá-lo como fim, como a morte.
E descobri que morrer era uma coisa menor,
perverso seria não viver, viver com intensidade.
Mas,como a vida brincava comigo, brinquei com ela.
Na descoberta, mais que contrair os músculos faciais,
descobri que sorrir era muito pouco, gargalhar também.
Fiz da minha vida, uma festa, mesmo sozinho estava feliz.
Tive poucos amigos, mas os que passaram em minha vida,
bastou-se, eram por inteiro, plenos,absolutos.
Tive poucos amores, mas os que tive, os amei de todas as formas.
Em poucos bailes dancei, poucas bocas beijei, poucas camas deitei.
Mas o fiz de forma veemente, com grandeza de alma.
Fiz da minha vida um espetáculo, embora sozinho no palco,
e ao longo dos meus shows, poucos estavam na platéia,
mas,foram encenados, vividos e apresentados.
Vivi do meu jeito...dentro da minha dimensão.
Descobri que meus limites inexistiram, pura fantasia.
Viver é um horizonte, uma perspectiva.
Infinitamente uma ilusão.

Ari Mota

sábado, 28 de novembro de 2009

A MINHA ESTRADA









Fiquei exposto toda uma vida,sem portas,sem janelas.
Invadiram minha vida,meu dia,dormiram na minha cama,
usaram o meu perfume,bateram minhas asas.
Direcionaram meus pensamentos,meus livros e amores,
impuseram meus sentimentos,minhas alegrias e fé.
Até a historia me foi passada de forma errônea,
somente os vencedores é que a escreveram-na.
Invadiram o meu querer,o meu bosque,o meu jardim,
plantaram flores que eu nunca gostei,nunca reguei.
Deram-me endereços que nunca fui,nunca encontrei.
Por fim,queriam meu riso,e minhas lagrimas.
Dimensionaram o meu tamanho,minha alegria e dor.
Deram-me Deuses e preces,conceitos e preceitos.
Cansei...
O tempo cobriu meu cabelo de branco,fiquei livre.
Tive que construir uma estrada dentro da minha alma.
Ando sozinho,na velocidade e direção que eu quero.
Saio nas madrugadas,em noites de chuva,e em dias de sol.
Convido quem eu quero para passear,correr e voar.
Nesta estrada tenho construído um mundo ímpar,
sem muros,sem templos,os livros estão nas ruas,
todos podem contar sua história,sem censura.
E raça... somente uma existe,a ração humana.
No final da estrada,há um aclive para um salto.
E todos,tem o direito de arrebatar-se num vôo eterno,
em direção a liberdade.

Ari Mota

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

OLHAR CÍNICO










Houve um tempo,e faz muito,muito tempo,
eu não era prático com as coisas do mundo.
Quando menino na escola,eu ainda acreditava.
Acreditava...
Na pureza das palavras,na força dos sentimentos.
Um abraço era o encontro das almas,não de corpos.
O respeito era uma atitude,uma ferramenta do caráter.
Acreditava...
Que o País tinha respeito comigo e com os outros.
Que a religião iria afagar minha alma,nos momentos difíceis.
Que eu poderia acreditar na benevolência de alguém.
Que a verdade prevaleceria em todos os momentos.
Hoje tornei-me prático com a vida.
Existe uma transformação,vindo de dentro da alma.
O ângulo que vejo a vida hoje,é diferente.
As palavras são falsos instrumentos de persuasão.
Os discursos fáceis,iludem e mascaram os sentimentos.
Não há encontros,não há respeito,não se acha caráter.
O país nos oprime,tira-nos tudo,oferece-nos miséria.
A religião,omissa com nossa dor,hoje é apenas um negócio.
O homem tornou-se predador dele mesmo,
barbarizou-se.
O que cabe a mim tenho feito,tento sempre,tento mesmo...
Mas, não consigo fugir de uma verdade,
minha visão cínica do mundo.

Ari Mota

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

RIQUEZA








Eu tenho um amigo que esta no ápice da riqueza.
Desperta pela manha como se o mundo o observasse.
Acredita que até aquele criador de ovelhas do Nepal,
sabe de sua existência e pode um dia prejudicá-lo.
Está na verdade no auge de sua arrogância.
Com medo de ser perseguido, persegue.
Com receio de perder, jamais doa.
Como não doa, não ama.
Como não ama, esta sempre só.
Crê que riqueza é ter coisas, vive assim,
respira dessa forma, desse jeito.
Mandei-lhe um presente...
Junto mensagens subliminares.
Embrulhei o globo em miniatura,
um binóculo e estrelas em papel crepom.
O globo para que tomasse ciência,
do tamanho do lugar onde vive,
vive ele e os outros, um lugar comum.
As estrelas,para que com o binóculo,
pudesse olhar para o céu,
e ver a amplidão do firmamento,
e perceber sua pequenez.
Soube,que nem abriu o presente...
E que ainda acredita, que pobreza é falta de dinheiro,
e não circunstância.
E sai pela manha, agredindo o porteiro do prédio.
Na hora do almoço menospreza o garçom.
E no final do dia desdenha o frentista.
Isto... é pobreza.
E continua acreditando que é o centro do universo.
Ele continua meu amigo, e continua cada dia menor.

Ari Mota

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

A DERIVA









Quando você se foi...
Fiquei no meio do mar da minha vida, só.
Um temporal tomou meu barco.
As ondas batiam na proa com violência.
Quase não conseguia segurar o leme.
Olhei a estibordo, você não estava,
eu precisava tanto da sua presença.
Ouve um dia que a vi, a bombordo me olhando,
pura miragem de marujo perdido.
O vento frio do mar entrava na alma,
e a chuva escorria face abaixo.
Quando aquele temporal foi embora.
Meu barco em pedaços, ainda flutuava.
Eram fragmentos por todos os lados.
Procurei você em todos os cantos.
Não te encontrei...
Perdi minha bússola.
Não tinha mais nada, nem sul, nem norte.
Estava a deriva.

Ari Mota

terça-feira, 24 de novembro de 2009

PORTA ABERTA









Eu e minha alma agendamos uma reunião,
fomos discutir a relação,
de mãos dadas, olhando para o infinito,
as vezes contávamos estrelas,
as vezes riamos,as vezes contávamos borboletas.
Foi uma reunião magnífica.
Acordamos retirar de nossas vidas, todas as portas.
Escancarar nossa moradia, e deixar entrar todos os ventos,
e eles poderiam entrar casa adentro, livres, sem temor.
Convidar todos os seus amigos, inimigos, iguais e diferentes.
Desfilar com todas as cores, com todos os gestos.
Poderiam voar, pular, correr e sorrir.
Depois...
Fomos para a nossa biblioteca, eu e ela.
Decidimos suprimir algumas palavras, do nosso dicionário.
A intolerância foi a primeira... a retiramos prazerosamente.
Logo em seguida retiramos mais uma, depois mais outra,
Assim foi quase que o dia todo... e foram muitas.
Nosso dicionário ficou pequeno, diminuiu.
Ficamos com paginas em branco.
Resolvemos...
eu e ela, que ali iríamos reescrever nossas vidas,
novas rotas, novos vôos, nova estrada.
Que os descaminhos do passado,
seriam alicerces de um novo tempo.
Acordamos também, não retirar do nosso dicionário
a palavra Tristeza.
Para que jamais a esqueçamos...
como nossa moradia não tem porta,
pode ser que um dia ela queira entrar sem bater.

Ari Mota

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

BAILE A FANTASIA








A vida é um baile a fantasia,
vi desfilar todas as mascaras,
uns dissimulam o personagem,
outros vivem-no, na íntegra.
Há quem retire sua roupagem, vez por outra.
Há, os que não a retiraram nem no sonho.
Vivem toda uma vida mascarados,
quando de frente para o espelho, assustam,
já não sabem, quem está do outro lado.
Vi mascaras que produziram desamor e ódio,
outras injustiças, outras tantas:
Mataram.
Perseguiram.
Destruíram.
E poucos vivem sem elas.
As mascaras disfarçam os medos,
as deformidades da alma,
as imperfeições do caráter.
Deslocá-las da face requer ousadia,
honradez, virtude.
É necessário vivificar uma nova existência.
Elas estão em todos os lugares, em todos rostos.
Uns fantasiam-se de lideres, outros de Deuses.
Não há quem, com coragem, para retira-las da cara.
E viver uma vida pautada na verdade.
A vida é um baile a fantasia...
A minha está guardada no sótão da minha alma.
Não tive coragem de usa-la.

Ari Mota

domingo, 22 de novembro de 2009

WOODESTOCK








Encontrei um velho amigo.
Ele estava acompanhado do passado.
Tive a impressão que ele estava chegando
de Woodstock a pé.
Falamos daqueles tempos de inocência.
Tempos que embriagávamos de sonho,
e exalávamos liberdade.
Iríamos mudar o mundo e as pessoas.
As mãos seriam para o toque e para o abraço.
O olhar seria infinitamente terno e puro.
As palavras seriam para poetizar o amor.
E o homem mais justo.
Falávamos de evolução da raça humana.
Tempos de exaltação a arte, e ao amor.
Quebra de paradigmas,
De muro.
De preconceitos.
E invariavelmente, de uma infinita paz.
PERDEMOS...
Hoje as mãos continuam matando.
As pessoas se olham com mais ódio.
E as palavras são instrumentos de ofensa.
Exaltam a ignorância e a pequenez.
Construímos muros em nossas almas.
Ficamos intolerantes...
Ficamos menores...
Naquela noite tive um sonho.
Vi dois fantasmas na praça: Janis Joplin e Jimi Hendrix.
Estavam contando estrelas.
Apavorado...
Abri meu palco virtual.
Fui assistir: Joe Cocker cantar With a Little Help From My Friends.

Ari Mota

sábado, 21 de novembro de 2009

O ANDARILHO









Na minha cidade tinha um andarilho,impar.
Perambulava pelas ruas, e pela vida.
Estava em todos os lugares, silenciosamente.
Carregava um enorme mistério,
e o único sentimento que podíamos perceber,
era em sua face, tinha um sorriso eterno.
Não esboçava nada além de um sorriso,
ria de tudo, a impressão é que ria de todos.
Não o víamos alimentando,
tínhamos a impressão que se alimentava de luz.
Como as pessoas perderam o sorrir,
isso o fazia diferente...era pura alegria.
Somos perversos com quem difere da massa,
na verdade olhávamos para ele com desdém.
Tínhamos diplomas,posses e relacionamentos.
E ele só tinha aquele sorriso e alguns amigos:
Sempre um cão e algumas borboletas.
Além do sorriso, tinha a fidelidade dos amigos.
Mas um dia ele teve que partir.
Morreu sem atendimento no hospital...sorrindo.
Quem chorou de saudade...
Foi o seu cão e algumas borboletas.

Ari Mota

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

CONSTRUTOR DE CARAVELAS








Conheci um homem que construía caravelas.
Uma arte jamais vista.
Eram caravelas em miniatura.
Detalhes além da percepção comum.
Paciência, resignação, perseverança.
Qualidade incomum de um artista anônimo.
Certa vez, uma das caravelas caiu,
espatifou-se, pequenos pedaços ficaram pelo chão.
Aquele homem sorrindo, recolheu um por um,
como se fora um quebra cabeça.
Disse-me, que era a primeira vez que ele
iria reconstruir uma de suas obras.
A felicidade estava em seu rosto,
ele me dissera que, era o que lhe faltava.
Toda uma vida construindo,
era tempo de reconstruir.
As caravelas eram a metáfora da sua vida,
Construí-las era como se a vida,
desse-lhe a oportunidade de existir,
e reconstruí-las, a oportunidade de continuar.

Ari Mota

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

O TEMPO











O tempo evidenciou rugas em minha pele,
e pintou o meu cabelo de branco.
Ele entrou peito afora,
intimidou minha alma,
achei que não iria conseguir,
conseguir vencer as etapas,as fases,
vencer os dias, as noites infinitas.
Mas, também foi meu mestre,
discorreu sobre as verdades da vida,
a transitoriedade do sucesso,
e o quanto, fracassar nos faz renascer.
E todas as vezes que ele impeliu minha alma,
foi para o crescimento, aumentei de tamanho.
Hoje...
Habituei-me as rugas e aos cabelos brancos.
Estou no tempo da contemplação:
passaram por mim tanta beleza,
tanta ternura, tanto amor,
não os vi por falta de tempo.
Mas, hoje percebo tudo que passa,
o que passa em frente aos olhos e na alma.
Amo com mais intensidade, vivo também.
Descobri as borboletas, o vento no meu rosto,
a sutileza de um olhar, e o amanhecer.
Na verdade estou no tempo da descoberta.
E descobri que minha vida é um espetáculo imperdível.

Ari Mota

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

O PALCO E A MÁSCARA










Quando despertava a consciência do existir,
deram-me, um palco e uma máscara.
O palco seria o espaço da existência:
os caminhos a percorrer, as batalhas,
os amores, as derrotas e vitórias.
A máscara seria para interpretar,
os personagens no teatro da vida.
Iria mensurar as minhas dissimulações,
apresentar minhas inverdades,
demonstrar o tamanho da minha vilania.
A máscara iria omitir, esconder,
a exatidão da minha natureza.
Minha abordagem para a máscara,
foi de retê-la em minhas mãos.
Não iria permitir o uso de tal instrumento.
O palco chamei de minha vida.
E a vivi sem muita dramaturgia.
Cada ato, cada gesto, cada expressão,
procurei vive-los de forma singela.
Os atos foram ternos, sutil e humanos
Os gestos simbolizaram equilíbrio e paz.
As expressões foram palavras de amor.
Fiquei toda a minha vida com a máscara na mão,
não a levei ao rosto em nenhum momento.
Estava cansado de ver todos usando a sua.

Ari Mota

terça-feira, 17 de novembro de 2009

A LOUCURA









Uma fronteira tênue separa lucidez e loucura.
Como procurei lucidez vida afora,
tive um surto dia desses.
Mas, na verdade foi um grande vôo.
Primeiro uma rasante dentro da alma.
Fui assistir o filme da minha vida,
as cenas não eram tão medíocres,
não tinham a grandeza de Hollywood,
mas, dentro da minha pequenez , ficaram lindas.
Depois, dentro de uma mochila coloquei loucura.
Fui passear pelo mundo...
Em Roma na Piazza Del Popolo, dancei nu,
claro, com aquela bailarina louca.
A pé, fomos a Paris, e na champs-Élysées,
corremos, gritamos, amamos ao luar.
Roubamos uma bicicleta na Praça da Concórdia,
ela, uma borboleta e eu, fomos para Madri.
Tentei domar um touro no Monumental Del lãs ventas,
quase que morri, ela me salvou com beijos.
Fomos refletir sobre a vida, de mãos dadas,
pelos caminhos de Santiago de Compostela,
como dois peregrinos, dormimos em frente a catedral,
pela manha uma orquestra de borboletas,
tocou Adágio de Albinoni ,acordamos sorrindo.
Sorrindo para a vida...felizes.
Passamos por todas as praças do mundo,
das mais belas, as mais livres.
Assistimos musicais, arte e loucura.
Chegamos... nossas praças, não são nossas.
Eu, ela e a borboleta ficamos com medo.
Lá dormíamos em Albergues.
Aqui levaram-nos para o Hospício.

Ari Mota

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

ABISMO








Entre eu e ela a distancia era pequena,
o que na verdade nos separava,
era um abismo profundo.
Como acompanhar aquela mulher, toda uma vida.
O meu grande medo,
era um dia ser absorvido pelo vazio,
pelo meu vazio.
Ela tinha o tamanho do mundo,
percepção clara dos caminhos da vida.
Intelectualizada, sem soberba.
Rica em essência...
sabia da fugacidade dos aplausos.
Compreendia as diferenças humanas.
Na simplicidade, mostrava robustez de alma.
Era grande no pensar e no agir.
Não consegui acompanha-la.
Minhas habilidades de guerreiro,
eram incompatíveis em suas batalhas.
Ela, era maior que ela mesma.
Sutil, tinha um olhar visionário.
Sagaz, vivia o amanha.
Beligerante, construía seu próprio andar.
Não consegui transpor aquele abismo.
Ela certa noite, num beijo terno,
fez as malas e partiu.
Seu olhar do outro lado do abismo,
ainda era de amor.
E o meu também.

Ari Mota

domingo, 15 de novembro de 2009

A FUGACIDADE DO AMOR
















Eu me lembro...
O primeiro encontro tinha encantamento,
tomava-se as mãos, sentia o calor da pele,
tocava levemente a face num beijo suave.
Tinha-se uma explosão na alma,
percebia a sutileza do afago,
a pureza do tocar de corpos,
existia os olhares, sentimentos.
Exalava-se amor...
Percebia a essência dos perfumes,
tínhamos nossa musica, nossa flor.
O jardim nos recebia em festa,
e depois minha maior ousadia,
roubar um beijo daqueles lábios.
Êxtase da alma, inicio de uma paixão.
A descoberta um do outro.
Hoje...
Inicia-se pelo fim...
Uma noite, uma balada, uma cama de motel.
Ausência de encontro e de toque.
Ausência do perfume da pele.
Encontros abruptos, sem abraços, afoitos.
Beijos químicos, sem olhares.
Amor fugaz...sem poesia.
Nada fica, nada permanece.
Ela vai embora, e não se pergunta nem o nome.
A noite estava vazia, e assim termina.
Sem amor...escura.

Ari Mota