segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

AUSÊNCIA














Nos fins de tarde, quando chegava em casa, ele estava na varanda a me esperar,
era um abraço que não acabava, as vezes eu até pedia para parar, incomodava.
Excedia no carinho, no afago, sabia o meu perfume, e conhecia o meu olhar.
Sentava no sofá, e calado ouvia minhas lamurias e desabafo, e imóvel ficava.
Eu sempre o tive como um confidente, sabia dos meus segredos, dos meus medos,
ele me olhava ternamente, e eu a ele, nosso amor transcendia o entendimento,
depois saíamos para caminhar, e ele sempre ali ao meu lado, o meu guardião.
E sempre, e todas as vezes, eu lhe contava o meu dia, repartíamos tudo,
minhas incertezas, minhas angustias, minhas gargalhadas e conquistas.
Ele festejava a minha volta, o meu retorno, eu sempre e nunca me senti sozinho.
Quando a vida por vezes me pressionava, ele era minha proteção, me amava.
Certa vez, adoeci, fiquei por dias na cama, ele ficou ao meu lado, o tempo todo.
Ele era discreto, só me ouvia, o fiz, o meu muro de lamentações, ele adorava.
Certo dia estava enraivecido com o mundo, cheguei e lhe fiz um grande discurso,
estava inconformado com as diferenças e as injustiças, estava possesso,
ele só não me aplaudiu, por que assim que terminei, não teve jeito, chorei,
e ele chorou comigo... ficamos em silencio o resto da noite, não dormimos.
E quando ia para os meus combates, ele no portão, me desejava sorte.
Eu seguia confiante, eu tinha alguém para no final do dia, ouvir minhas historias.
Um dia, ele não estava na varanda, o encontrei no sofá...dormindo, um sono eterno.
Corri, busquei um veterinário...
Ele teve que partir...cumpriu o seu papel, perdia ali o meu amigo PUSK.
Ele era mais que um cão...
Hoje quando chego, a varanda está vazia... sua alma continua ao meu lado,
vez por outra, percebo uma lagrima no chão, inadvertidamente ele a deixa cair.
Que falta ele me faz...

Ari Mota

5 comentários:

Carmem L Vilanova disse...

Amigo Ari,
Há mais, muito mais, para o Natal doque luz de vela e alegria;
É o espírito de doce amizade que brilha todo o ano.
É consideração e bondade, é a esperança renascida novamente, para paz, para entendimento, e para benevolência dos homens.
É o nascimento de Jesus!
Muitas flores, muitos sorrisos e muita paz no coração!
Beijos... sempre!

Lara Amaral disse...

Nossa, quase chorei junto, sério. Muito lindo o que vc escreveu. Ganhei uma amiguinha dessas de natal agora. Já acho que é minha filha, tamanha nossa cumplicidade. Nem imagino o dia em que ela terá de me deixar.
Até lá, viverei intensamente esta amizade.
Beijos e parabéns pelos textos tão sensíveis e bonitos, Ari!

Ana Cristina Cattete Quevedo disse...

Que lindo, Ari...
Me emocionei =)
Veterinária está no meu sangue mesmo, não me imagino em outra profissão...
E lá se vão 15 anos cuidando dos bichinhos =)

Elaine Barnes disse...

Ah, chorei né amigo. Histórias verdadeiras com animais me fazem chorar, tenho até um blog "simplesmente aprendendo" aonde conto histórias reais com eles. É muito difpícil perdê-los, nos amam como somos,sem julgamento incondicionalmente. O verdadeiro amor de um cão por seu dono e de seu dono que fica sem aquele olhar, aquele rabinho abanando de alegria,aquele olhar caidinho de pidão...Sinto muito amigo, espero que dê oportunidade a outro caozinho de ter seu abrigo. Feliz natal e um bjão snif

RESILIÊNCIA disse...
Este comentário foi removido pelo autor.