segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

O ÚLTIMO DIA



Desperte e recepcione o dia como se fosse o último.
Olhe para você pelo menos hoje.... com ternura.
Olhe para os seus amores... despeça apenas com o olhar.
Faça como se não pudesse voltar...
E que estaria indo para uma viagem sem volta,
e que não caberia no porta-malas: coisas e nem ressentimentos.
E que sua vida seria apenas e tão somente o que deixou... o que fez.
Os bens não terão valor... não serão heranças.
E que possa reavaliar o que viveu...
Os valores serão os seus sentimentos e seus carinhos.
Desperte como se fosse o último...
Recepcione o dia como se fosse o primeiro e o derradeiro.
Transborde de alegria, insista em ser feliz.
Reinvente seus sonhos, seu andar, faça crescer a alma.
Não transite pela vida como uma coisa menor,
encante seus pares, seus amigos, relacione com o mundo.
Viva o dia como único e último, não desperdice emoções,
desperte a própria alma, não a deixe escondida dentro do peito.
A vida não é um risco... se veio para amar.
Recepcione seu dia, sua vida... faça festa no seu viver.
Desperte o amor que você aprisionou dentro da alma.
Não desperte com ressentimentos de ontem,
e não os leve para o amanha.
Transite pela vida isento de magoas,
desimpedido para amar.
Viva seu último dia com amor,
ele o tornará eterno.

Ari Mota


sábado, 6 de fevereiro de 2010

EU TE AMO



Sonhei... que...
ouvia vozes vindas da alma, murmúrios, ecos do passado,
palavras de outras vidas, sentimentos perdidos no tempo,
declarações não feitas ou não ouvidas, vozes ao vento,
ou não tive tempo ou o tempo não me permitiu, gritei e ninguém me ouviu.
ouvia vozes... eram gritos de outras existências,
gritava por amor e de amor... sozinho, perdido na imensidão do nada,
não entendi o sonho...
Mas, compreendi o sinal que a vida me enviou...
Então...
minha alma sussurrou-me docemente que eram lacunas de sentimentos,
declarações esquecidas, manifestações não verbalizadas,
as palavras brotavam incessantemente... vinham de dentro.
Corri nos livros e traduzi todas elas... e diziam “Eu te amo” em varias línguas:
Ek het jou lief  - Africano
Te dua – Albanês
Ich liebe dich – Alemão
Ana behibek – Arabe
Wo ai ni -  Chinês
Jeg Elsker DIG - Dinamarquês
Te quiero - Espanhol
Afgreki' - Etiópia
Mahal kita - Filipino
Je t'aime, Je t'adore - Francês
S'agapo - Grego
Aloha wau ia oi - Havaino
Ik hou van Jô - Holandês
Hum Tumhe Pyar Karte hae - India
I love you - Inglês
Ti amo - Italiano
Aishiteru – Japonês
Ro Haihu - Guarani
Jeg Elsker Deg - Norueguês
Ya tebya liubliu - Russo
Acordei assustado, tremulo... será que vivi tantas vidas,
em tantos lugares e não pude dizer “ eu te amo”
ou é para revalidar que na verdade “ eu te amo” toda uma existência,
e que estivemos em todas as vidas juntos... eternamente.

Ari Mota


sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

ACAUTELE-SE


Acautele-se das imposições sociais...
Nem todas as tendências enaltecem o caráter,
saiba nutrir suspeita... crie a duvida... duvide de regras coletivas,
estabeleça uma consciência intima, não terceirize os sentimentos,
eles são instrumentos do seu existir... são seus segredos, sua força.
Abandone o olhar dos críticos, dos que patrulham o seu viver,
tenha um olhar para você, para o seu caminhar.
Retire-se dos holofotes, escape dos que te vigiam.
Encontre-se... volte-se para dentro.
Cometa um desatino pela manha... caia em desvario,
olhe para o espelho e diga “eu me amo.” E reflita...
Quanto tempo eu não me amo? Quanto tempo eu não me olho?
Quanto tempo eu escondo atrás de maquiagens, de perfumes,
quantas mascaras troco ao dia... para esconder da minha própria face,
qual foi a ultima vez que eu falei comigo mesmo?
Tens... cedido o seu olhar para o mundo, e não consegue ver-se por inteiro.
Tens... destinado tempo integral aos outros e nega um tempo para a sua alma.
Tens... terceirizado os seus afetos, seus amores, seus encontros.
Tens... mecanizado o seu olhar... tornou-se autômato no abraço.
Acautele-se... não terceirize o amor.
Olhe com ternura...
E que no silencio da noite possa te encontrar.


Ari Mota

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

ESTRELAS EM FESTA



O universo... anos atrás concebeu duas estrelas.
Ambas nasceram no mesmo dia, com diferença de dois anos uma da outra.
Elas resplandecem no firmamento da minha vida.
São estrelas livres e de brilho próprio... são luzes no meu caminho.
Irradiam beleza, suavidade e amor.
Fizeram da minha existência um espetáculo indescritível.
Cintilam mais que o sol, iluminam minha alma, brilham nos meus olhos.
Transitam no meu cotidiano com leveza, mas possuem forças de um guerreiro.
Combatem seu dia com esmero, delicadeza e com destemor.
Um tem formação em humanas, o outro em exatas.
Diferem apenas na concepção das coisas, mas são iguais no amor.
Essas estrelas são os meus filhos: Thaty e Bruno... fazem aniversário... hoje.
São filhos do amor, da convivência sóbria, da relação destemida, da cumplicidade.
São filhos da reengenharia do afeto e da compreensão... são esperanças.
Minha alma em festa celebra esta sinergia de pais e filhos.
E reverencio o destino por permitir conhecer e conviver com estrelas desta grandeza.
E felicito a vida por amá-los.
P
   A 
      R 
         A
            B
               É
                  N
                      S               Ari Mota

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

PREPARE-SE



Quando a vida bater abruptamente em sua porta, prepare-se,
as vezes ela não tem hora, chega nas madrugadas, ou em noites enluaradas.
Vez por outra... esmurra com tamanha força, que faz tremer a alma,
não a tema, não saia desesperado pelos fundos... pedindo socorro,
não fique encolhido no canto do seu quarto... esperando ajuda,
não esconda o rosto, fechando com as mãos os olhos, não tenha nenhum receio,
aprume o peito, torne senhor de si, assuma a sua essência, sua estrada,
e as vezes e sempre, ela o quer apenas como companheiro,
não fuja e nem procure atalhos.
Tome sobre si o seu destino, encarregue-se dos seus combates.
Saia... afronte os seus medos, pule sobre seus abismos, sobre seus fantasmas.
Quando a vida bater sutilmente em sua porta, acalme-se.
Ela sempre vem nos buscar e nos incumbe de missões quase impossíveis,
não a tema... ela o convocará, e terás que opor resistência a forças invisíveis,
não fique temeroso em combater ou transformar-se em guerreiro,
ela... irá dispor de recursos para que você sobreviva.
Você receberá algumas armas imaginárias para combater o desamor.
Ela... lhe proporcionará gestos de ternura, para você distribuir abraços,
lhe dará compreensão, para você regar o mundo com amor,
dará uma estrada para que você transite carregado de verdade,
e o mais importante...lhe dará a escolha... ser feliz ou não.
A vida quando bater em sua porta, só irá lhe pedir ajuda,
para que faça desde planeta um lugar melhor.

Ari Mota

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

A AGENDA DA VIDA



Quando despertei para a vida,
imaginei que ela caberia em uma agenda,
e que era necessário só abrir a pagina do dia, e viver os afazeres.
E assim inicie minha trajetória.... e agendei o dia seguinte.
Recordo-me muito bem, achei que preciso era... somente sonhar,
e na inocência... na pureza do olhar... a preenchi para toda a minha vida.
Meu primeiro compromisso com a existência: “hoje tenho que ser feliz.”
Puro devaneio de menino... delírio de adolescente... quimera de juventude.
Agendar a vida... e ser feliz... pura fantasia, extrema utopia.
Obviamente... que em meu caminho encontrei pedras... e foram muitas,
ouve dias em que nem a agenda encontrei, a deixava pelo caminho,
os combates eram tamanhos, que a perdia pelas ruas e avenidas que passei,
não foi possível agendar absolutamente nada, corria desesperado pela vida.
Dia desses... em retrospectiva, encontrei a agenda da minha vida,
conquistei alguns sonhos, outros tantos nem sequer aproximei.
Hoje...
Na descoberta, e no alvorecer da minha plenitude,
tenho certeza que meu primeiro compromisso com a vida,
“hoje tenho que ser feliz” sustentou-me em todas as batalhas,
suportei todos os combates.
Agendei minha vida para ser feliz...
Eu e minha alma pactuamos ter esse compromisso pelo resto de nossos dias.

Ari Mota

domingo, 31 de janeiro de 2010

O PROTAGONISTA



Quando as cortinas abrirem para você, 
e deparar com o mundo te observando, aguardando o seu show,
não volte para os bastidores a procura de um protagonista para a sua vida.
Será você que deverá apresentá-la e vivê-la, com toda a intensidade,
não temas as vaias, busque incessantemente os aplausos.
Não quantifique a platéia, as vezes um apenas vale mais que uma multidão,
a encenação da sua trajetória será de sua interpretação,
e você não será o coadjuvante, e não terá equipe ou elenco,
estará sozinho no palco da vida...
Portanto... só lhe resta brilhar.
E este é o único papel que a vida lhe ofereceu.
Deixe marcas espalhadas pelos caminhos,
esqueça... nas esquinas do tempo, algumas obras de sua autoria.
Não será necessário ser famoso, primordial ser competente,
pode passar pela vida até de forma incógnita,
mas faça a diferença quando o mundo te encontrar.
Jamais procure um gestor para o seu destino... você é o seu destino.
E não tente encontrar seus segredos em outras almas,
a sua será eternamente a guardiã de todos eles.
Não busque um protagonista para a sua vida...
você é o ocupante deste cargo, dessa missão.
A sua apresentação formatará o seu destino,
apresente-se para a vida com amor.

Ari Mota

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

VIAGEM



Se por ventura depois de correr o mundo,
visitar os lugares mais exóticos do universo,
deleitar nas praias mais azuis do planeta,
saborear da mais fina gastronomia, além mar,
e sentir-se frustrado, incompleto, insatisfeito.
Se suas malas sempre estiverem prontas, arrumadas,
em busca de um lugar melhor, mais bonito.
E se na estação olhar a linha do trem com ansiedade,
ou fitar com impaciência as decolagens nos aeroportos,
ou simplesmente transformar a espera em sofrimento.
E se desaperceber da grandeza das pessoas, e suas culturas,
e não agregar nenhum valor ao que viu e viveu.
Há... com absoluta certeza... você não está em viagem ou viajou,
na verdade, não conseguiu chegar a lugar nenhum, e nada viu.
Lamentavelmente isto é fuga...
Você está fugindo de você... tentando escapar da própria alma.
Esconder do próprio eu, e evitar o espelho da consciência,
e esquivar-se dos fracassos, dos medos e angustias.
É preciso mapear um novo rumo, realinhar novos sonhos.
E viajar para dentro...dentro da alma...e se encontrar.

Ari Mota

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

VOO



Quando moço...
tinha o habito de carregar de volta para casa... o mundo,
levava de rastos pelo chão a torpeza humana,
transportava no ombro a temeridade da critica,
arrastava junto à alma, a duvida e a incerteza da vida,
por vezes rojando-se pelos caminhos, quase me perdi.
Quando moço...
deixava-me guiar por lideres eloqüentes... vis,
imputava-me transgressões, culpa e imperfeições,
maculava-me de intenções submissas... era cativo,
estava encarcerado no medo, na demasiada falta de ousadia.
Vê... que o tempo decorreu... pintou meu cabelo de branco,
fez rugas no rosto e na alma...
Hoje, filtro a minha existência, depuro minha convivência...
Libertei-me do medo, da critica e da duvida.
Quando volto para casa, volto livre... sem carga,
leve... sou portador de sentimentos que me libertam,
penso sem cercas... sem divisórias... sem muros,
meus voos imparciais... levam-me ao infinito,
em busca de liberdade.

Ari Mota

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

OUSAR




Cometa uma ilicitude contra o tempo,
aposse todos os dias de uma parte do silêncio,
apodere-se invariavelmente de uma parte do seu dia,
roube algumas horas de sua existência,
furte um período de sua vida,
para você ficar com você.
E depois...
Desabilite sua alma da rispidez do cotidiano,
desarme-a do confronto inevitável do subsistir,
desligue-a por algum tempo da insensatez humana.
E depois...
Há... e depois... saia por ai... tente voar,
se não conseguir... tente correr.
Se por ventura... nem voar e nem correr,
feche os olhos... sinta o perfume da flor,
Roube de uma boca proibida... um beijo.
Ouse... e ouça uma linda melodia...
Dance na praça com uma louca bailarina,
ou cante uma linda canção de amor.
Desabilite sua alma da rispidez do cotidiano,
atreva... a ser feliz.


Ari Mota






terça-feira, 26 de janeiro de 2010

ESCOLHA




Encontrarás apenas dois caminhos em sua vida,
e ambos serão construídos com o seu próprio andar,
e ao longo de sua trajetória terás o direito de escolha,
                         ser feliz ou não...
A vida lhe proporcionará esta prerrogativa de opção,
                             escolher...
Poderás ter toda a emoção do amor, do encontro, do riso,
distribuir afeto, e edificar convivência, e ser feliz.

Mas, também poderá ter atitudes de um bárbaro... de um bruto,
sair desconstruindo vidas, e semeando desencontros.
                    Terás que ter coragem.
                       Terás que escolher.
A escolha sempre será sua... não responsabilize ninguém.
                              Escolha.


Ari Mota


segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

DESACELERE



Desacelere...
Sem perder o ímpeto pela vida,
sem diminuir a velocidade do destino,
sem esvaecer a intensidade da luta,
sem abrandar o desejo,
sem atenuar o combate.
Desacelere...
Mas, não descuide do amor que carregas na alma,
nem deixe extinguir a esperança que trazes no peito,
tampouco faça sumir a possibilidade de sempre achar a saída.
Desacelere...
Sem que desapareça o brilho nos olhos, e a força do corpo,

não inutilize a capacidade de recomeçar sempre... todos os dias,
e nem caia em desuso, atualize-se, renove-se... aprenda a todo o momento.
Desacelere...
Sem desvairar-se com o que fez, ou com o que é,
e não fique conturbado com a rudeza da vida,
não entregue-se ao desanimo ou a inoperância.
Desacelere...
Para conseguir contemplar o dia... visualizar o amanha,
encontrar valores humanos... amar.
Desacelere...
Vale mais encontrar o caminho do que ganhar velocidade.
Desacelere...
Procure olhar para si... olhar para dentro... olhar para a vida,
e se encontrar.

Ari Mota


sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

O ALPINISTA E A VIDA



A vida é um Everest invisível...
Para você viver os minutos, as horas, os dias... toda a sua vida,
terás que ser audacioso e ter um impulso arrojado de alma,
ela lhe cobrará atitudes como se fora um alpinista em noites de tempestade,
e irá reclamar imperiosamente e destemidamente sua decisão...
estarás a todo instante no seu limite, na fronteira da coragem com o medo,
e estará cobrando olhares de ousadia e sentimentos intrépidos, em prol da existência,
e glorificará sua impassibilidade diante do extremo, do perigo em viver o momento.
E para viver o momento, o minuto seguinte... terás que ser um alpinista...
E em sendo... terás que encontrar equilíbrio e sensatez.
Apreenderá a planejar os sonhos,
definir cada passo, cada toque, cada andar.
E jamais estarás suscetíveis as coisas menores.
Olharás sempre para o pico... aonde se quer chegar.
E aprenderás que para atingir o topo, não se caminha só...
Terás que estender as mãos, amparar e ser amparado,
aquecer e ser aquecido...
Um sempre dependerá do outro... para existir.
A vida é um Everest invisível...
Não caminhe só...
Os equipamentos utilizados para esta singular subida,
são outros... são sentimentos.
Bastará amar incondicionalmente...
Tudo e todos...
“ que chegarás “

Ari Mota

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

RELUTE



Não procure nas coisas, nas pessoas... a sua felicidade.
Não busque no exterior o que esta dentro de você.
Busque uma trilha nova para o seu caminhar.
Não acredite nas convenções, nos hábitos humanos.
O homem fracassou no exemplo... não siga trilha de outros.
A sua verdade não esta com ninguém, ela reside em sua alma.
Desbrave novos caminhos... reinvente sua vida.
Não procure em outros quintais a sua liberdade.
Reinvente o seu olhar, olhe a vida de outro ângulo... diferente.
Não procure respostas em palavras que não sejam as suas.
Mantenha a sua existência dentro de uma verdade.
Renove o seu viver...
Assuma uma postura relutante... quebre os paradigmas.
Relute em prol do seu vôo livre...
Relute contra esses discursos inverídicos... inexatos.
Relute contra lideres que utilizam da falsa persuasão.
Abra o peito... faça uma trilha que o leve até sua alma.
Seja você o seu próprio mestre, o seu próprio líder.
Ilumine você, os seus caminhos...
Brilhe... como está... e como veio ao mundo,
participe desde espetáculo que é a vida,
ame de forma intensa a si próprio,
que terás sentimentos para amar
o resto.

Ari Mota  

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

UM PURO OLHAR





Olhe para a vida com amor... 
Ao levantar e banhar-se,
não lave somente o corpo,
faça uma assepsia em sua alma,
respire fundo, entre peito adentro,
retire resíduos de medo ou magoa,
encare seu dia afetuosamente.
Levante disposto ao combate,
sem usar o grito ou as mãos.
Tenha como arma... a palavra e o argumento.
Trave uma batalha com a sua alma, acalme-se.
Você não está em guerra...
Desarme-se...
Gestos brutos, e palavras mal colocadas... são armas.
Ferem...
O corpo imita a natureza, temos nossos terremotos.
Nossa alma vez por outra, tende a pular do corpo:
Gritar de desespero, de medo, de angústia.
Modere-se...
A vida é isso mesmo, algo incompreensível,
Inatingível, uma viagem indecifrável, pura ilusão.
Não podemos alterar destinos, maldizer o dia.
Serenai...
Não interfira em opiniões, não julgue sentimentos.
Procure o silêncio, há nele uma melodia encantadora,
encontrarás tolerância e sabedoria...
Olhe para vida com amor...
Ela ternamente lhe encontrará.

Ari Mota

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

NASCER E MORRER



Fui convidado a participar de uma conferência... eu e minha alma.
Acordamos mudar nossas atitudes, nossas vidas,
realinharmos nossos olhares, nossa existência.
Ela sugeriu que morrêssemos todos os dias...
Em morrendo, iríamos desaprender a rispidez do dia,
a descortesia dos rudes, a insensatez dos vis,
a indelicadeza dos brutos, a aspereza dos desequilibrados,
e a incivilidade dos líderes, e o gosto tosco dos afoitos.
E em morrendo, olvidaríamos a intolerância, a indiferença,
estaríamos por analogia desvanecendo o desamor, o ódio.
Literalmente dissipando do nosso peito o que nos fere.
Estaríamos morrendo nitidamente puros, límpidos...
E que renascêssemos todas as manhas com o por do sol...
E que despertássemos sorrindo, livres... renovados,
fazendo florescer todas as esperanças, todos os sonhos.
E que viveríamos até o final do dia desarmado, em paz,
transmitindo afeto, respeito e deferência a todos.
Tenho nascido todos os dias... e melhor... com mais sensatez.
Minha vida incorpora verdades, e reveste-se de serenidade.
Tenho morrido todos os dias...
Mas... quando nasce o sol... a vida me concebe em festa,
cada dia ao vir à luz, venho amando...
cada dia mais a vida.

Ari Mota

O HOMEM E O PLANETA



Em algum momento do passado, foi nos concedido a terra para nossa existência,
na verdade, ela é nossa nave para esta viagem nos caminhos do universo,
e como se não bastasse foi nos ofertados também o livre arbítrio e o tempo...
Teríamos o poder da decisão e um período para executar nossa missão.
Teríamos que evoluir e como um cavaleiro seríamos eternamente o seu mantedor.
Sustentaríamos essa nave com toda a sua beleza e força, seríamos os seus guardiões.
Com desvelo, olharíamos para os rios, para as borboletas, para os gafanhotos, e o jequitibá.
Não iríamos interferir no ecossistema, nem na individualidade das pessoas... nem na alma.
A liberdade nasceria no gesto, nas palavras, na crença e na ideologia... não teríamos fronteiras.
Respeitaríamos as diferenças, o maior e o menor... conduziríamos com harmonia nossas vidas.
Mas, o tempo passou... desconstruímos o que nos foi dado como baliza... perdemos o foco.
Tornamo-nos predadores, subjugamos o bem em remição ao mal... barbarizamos o existir.
Negamos com mesquinhez a gentileza de servir, com sentimento vil, menosprezamos o doar,
e com olhares de desdém não sentimos a dor do próximo... individualizamos o repartir.
Ficamos menos humanos... temos que reinventar alguns sentimentos e criar outros.
Há uma nova era aproximando... um novo realinhamento.
O homem carece de rever suas atitudes e consciência.
Buscar dentro da própria alma... sua fé.
Realinhar seus sonhos e seus amores.
Reinventar a verdade... e o bem.
Retomar sua evolução e a do planeta.

Ari Mota


quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

HAITI




Encontrei no silêncio a resposta...
Não consegui expressar em palavras, o que ouvi.
Uma lagrima rolou face abaixo...
E pelas ruas de Porto Príncipe no Haiti.

Encontrei na resposta o silêncio...
Ficamos abraçados de emoção, quase morri.
Um soluço brotou dentro do peito.
E pelas ruas de Porto Príncipe no Haiti.

Fiquei pequeno... por não fazer nada.
Fiquei em silêncio...
Em silêncio...
Silêncio...
Como as ruas de Porto Príncipe no Haiti.

Ari Mota

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

OBRAS INACABADAS



Procure terminar a tela que iniciou, e a escultura que começou,
não passe por esta vida como um artista de obras inacabadas,
nem Vicent Van Gogh, que teve uma vida de fracassos... o fez,
sofria da alma, não conseguiu vencer o medo da vida, sucumbiu a ele,
mas, dentro da tamanha esquizofrenia que tinha... terminou todas as telas.
E François Auguste René Rodin que paradoxalmente teve toda sua obra rejeitada,
confundida como um esboço... dava-se a impressão que não acabara nenhuma delas,
e na verdade o escultor baseava-se no conceito “non finito”... era seu estilo.
E assim... é nossa vida... temos que terminar nossas obras.
Não há que deixar para um outro dia, amanha ou talvez quem sabe... no futuro.
Temos que ser hoje... construir agora... não podemos ser metade, temos que ser inteiro.
Não viva meia vida, nem meio amor... viva com toda a intensidade... com toda paixão.
Não faça meio carinho... a tome por inteira... ame-a com os poros, com a alma.
Não recite parte de um poema... se possível declame todos eles... com ternura.
Acalme... silencie... termine o que começou... pode ser um abraço, um beijo, um afago.
E na sua tela... na tela da sua vida inicie o seu esboço espectral... maravilhosamente,
que ao terminar seu auto-retrato não espelhe arrogância, nem prepotência,
e que deixe estampado sua face em risos, seu semblante em verdade, seu olhar em amor.
E que ao esculpir o próprio corpo, ele tenha a sutileza de um anjo estendendo os braços,
e que fique catalogado na história da arte... como o homem que veio do céu.
Não passe por esta vida como um artista de obras inacabadas...
Faça tudo terminar... menos o amor.

Ari Mota

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

437 ANOS DE AMOR




Eu vivi em outros lugares, em outras vidas, em outras camas,
já senti outros perfumes, já afaguei outros corpos, já amei outras almas.
Morri de amor por diversas vezes, abandonei, parti e nunca voltei,

já deixei alguém me esperando toda uma vida, por diversas vezes,
fui extremamente estúpido com algumas, intolerante com quase todas.
Entre uma rosa e uma espada, dei preferência a que fazia sangrar, matar.
Já vivi outros amores, em outras tantas vidas que vivi, que passei, que sonhei.
Passei noites em tabernas... bêbado de solidão, revestido de bárbaro, sem coração.
Foram tantas vidas desfeitas, tantos amores inacabados, tantos beijos desejados.
Que o destino me fez voltar, e viver tantas vezes fosse necessário... tudo.
Já vivi 437 anos de amor, sem declarar uma única vez... eu te amo.
São vidas passadas... aprendizagem atroz, eterna procura, permanente busca.
E hoje, alcancei meu último estágio de vida... de amor, de ternura, de sonho.
Encontrei-te...
Levei todo esse tempo... e agora renunciei a todas as vidas que vivi.
Só para ficar docemente ao seu lado até o fim.
De guerreiro e bárbaro, transformei-me em poeta.
Hoje entre uma rosa e uma espada... tornei-me um jardineiro.
Em noites de frio, abraço-te docemente, como nunca o fiz.
Sussurro em sua alma, todo o meu amor.
Eu te amo...
Para sempre...

Ari Mota

sábado, 9 de janeiro de 2010

AUSÊNCIA, SOLIDÃO E LOUCURA




Minha vida transcorreu em três tempos... todos simultaneamente.
Houve o tempo da ausência, o tempo da solidão, e o tempo da loucura.
Quando despertava para a vida, esses tempos apossaram-se da minha alma.
Procurei combatê-los incansavelmente, não consegui êxito, fui derrotado.
Passaram sobre mim, desesperadamente, fiquei em pedaços, fragmentado.
Quando o tempo da ausência aproximou dos meus dias, tive medo,
faltaram-me coisas, amores, amigos, perspectivas e sonho,
inexistiram caminhos, trilhas, fui acometido pelas incertezas e a duvida.
E quando o tempo da solidão veio abalroar minha existência,
imergi no isolamento, fugi das pessoas e do mundo, fiquei só.
Retirei-me do convívio, afastei de mim mesmo, escondi, corri, quase morri.
Perdi alguns amores, alguns dos melhores amigos, e o chão onde nasci.
E o tempo da loucura, sempre me abordava... desde menino... e eu não entendia.
Mas hoje, com os cabelos grisalhos, e a face envelhecida... é o melhor do meu tempo.
Assumi definitivamente a loucura...
E o tempo da ausência o transformei, no tempo do crescimento, fiquei maior,
foi a época que repus o que perdi, reconquistei coisas e amores, vivi.
E o tempo da solidão o transformei, no tempo do isolamento, realinhei minha vida,
assumi certas saudades, alguns vazios, certos descaminhos... compreendi.
Hoje estou no tempo da loucura...
Sou feliz... por ter sobrevivido aos percalços do tempo, não abro mão do riso, da alegria.
Tenho dançado... e sempre acompanhado de uma bailarina louca, e algumas borboletas.
Decidi ser feliz agora... hoje... minha alma e eu não permitimos a entrada da tristeza.
Não temos mais tempo para coisas pequenas...
Decidimos enlouquecer de amor pela vida... que nos resta.

Ari Mota

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

O ASTRONAUTA POETA



Quando menino, época de escassez, ausência de caminhos, de perspectiva,
resolvi não seguir trilhas de ninguém, e abri sozinho o meu mundo de sonhos.
Mas, eu tinha um vizinho... poeta imortal... mestre das mantiqueiras,

artífice das palavras, gênio das escritas e sentimentos, falava de amor,
de mulheres, de carinho, de caricias... e de declarações em noites enluaradas,
em prosa recitava em êxtase a lua como a guardiã das paixões e dos namorados,
eram versos que falavam de desencontro, encontro, amores possíveis e impossíveis,
como era menino, não compreendia de amor, e resolvi alcançar a lua...

procurar essas emoções.
Aventei a hipótese de enamorar uma linda mulher entre as rochas lunares...
em beijos e abraços.
A incerteza tomou conta de minha alma...ser astronauta ou poeta?
Então, me maravilhei com “ De La Terra à La Lune, de Júlio Verne, viajei com eles,

e não cheguei lá.
Eram sonhos utópicos, noites embriagantes de fantasia, medo do amanha,
medo de não amar.
Com 15 anos quando Neil Alden Armstrong, pisou no mar da Tranqüilidade... na lua,

minha inocência se deu conta da incerteza...
Quis ser astronauta, porque não sabia ser poeta.
E um dia...num vôo imaginário, estava eu fazendo serenata ao luar..na lua.
Fui recitar poemas de amor, a procura de você...não te encontrei.
Na descoberta...pra de achar e te amar... abandonei o sonho de ser astronauta.
Tornei-me poeta só pra te encontrar.

Ari Mota

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

MULHERES E ROSAS


















Não a deixe em céu aberto, a menos que queira bronzear-se.
Se não querendo, não permita que o sol venha ferir essa membrana tênue,
que guarnece tamanha beleza e adorna essa silhueta escultural.
Pela manhã...
como uma rosa vermelha, tome seu corpo e acaricie-o em sentido contrario,
toque sua pele de forma macia...
sinta a aveludes de seus contornos como se fossem pétalas.
Depois...
regue-a suavemente com águas cristalinas salpicadas de estrelas, abrace-a.
No meio do dia...
leve-a a beira mar, alimenta-a de ternura e afago.
Caminhe...
e tome suavemente suas mãos, e apresente-a ao mundo como uma rainha.
No entardecer em baixo de um Jequitibá tome vinho...
e depois tome os seus lábios, a beije por inteiro,
roube o seu perfume, enrosque em seus cabelos, sinta a sua alma.
E quando a lua se fizer presente...
leve-a à varanda conte histórias de loucuras e estrelas,
antes do amor...
Não à trate como opção, a tenha como prioridade.
Estenda sempre tapetes vermelho, ela não anda... desfila.
Ande sempre com purpurina, e aproveite o vento quando ela passar...
ela brilha, tem que brilhar.
Faça poemas de amor e os sussurre docemente, faça-os dar arrepios,
seja afável, a tenha em seus braços com ternura.
A cultive como uma flor e a ame como mulher.
Tudo isso são metáforas... em nome do amor.
Se não tiveres coragem para tal loucura...
basta afetuosamente dizer: eu te amo.
E ficar ao lado dela... toda uma vida,
e amá-la de todas as maneiras.

Ari Mota

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

O XAMÃ E O POETA



















Acordei assustado...
vinha de dentro do peito uma batida que não era do meu coração,
uma batida cadenciada, de repente... senti uma dor imensa na alma,
dor de saudade, sentimento perdido no tempo, perdido em outras vidas.
Entendi ser sons de atabaque num ritual afro em noites enluarada,
depois achei ser sons de Taiko em madrugadas de neve, em terras nipônicas,
senti um vento gelado trazer entre nevoas, sons celtas em noites chuvosas,
depois confundi com a suntuosa cadência do Olodum, em dias de sol.
Na verdade minha alma, deixou escapar sons de outras existências,
maravilhei-me com aquele tambor em minha alma...era meu lado primitivo.
O tambor dava-me acesso através do ritmo à força da vida... ao meu principio,
através dele viajei por outros mundos, era uma ponte entre a terra e as estrelas,
e o caminho que me permitiu viajar no centro do mundo, no coração da mãe-terra.
Nas minhas descobertas, me achei em um Xamâ, em busca de resposta, de amor.
Aquele som vinha do passado, época de procura, de busca, de desencontro, de dor,
vez por outra uma lagrima brotava lá de dentro da alma... era de saudade,
amores desfeitos, olhares perdidos, camas vazias, noites silenciosas e frias.
Os tambores... as vezes soam dentro da alma, uma angustia surge nos olhos,
vidas passadas, escondidas, nutrem um som imaginário no meu peito.
Em pranto volto a mundos imaginários, vidas desconhecidas, sem nome.
De guerreiro tornei-me um escritor.
De selvagem transformei-me em lucidez.
De primitivo tornei-me sonhador.
De Xamã virei poeta...

Ari Mota

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

LOUCURA



















Se uma linda canção te acordar pela manha, levante sorrindo.
Mas, se ao lado de sua cama, uma bailarina louca, te convidar para dançar,
e se seu quarto for tomado por um bando de borboletas... todas te olhando,
e na transversal um arco íris cobrir sua cama... toda desarrumada,
e sua voz embargada, não conseguir dizer não... não se assuste.
Isso é loucura...
Somos acometidos vez por outra desses devaneios, dessas doces fantasias.
Mas, não estranhe tais aparições, são coisas da alma... ela brinca conosco.
Nos leva a sonhos absurdos, mundos imaginários, sensações diferentes,
faça o que nunca fez, entregue-se a loucura, estenda os braços...
levante para o sonho, sinta o perfume da insensatez... só por um dia.
É um presente que sua alma lhe oferece, ela tem visto seus combates,
isso tudo, é pra quebrar a sua sisudez, você perdeu o sorriso, o brilho,
esqueceu a alegria no bolso do seu paletó, no último cabide do guarda-roupa.
Tem saído para viver um dia lindo de sol, com guarda chuva e galocha.
Mas, dance, se preciso um dia inteiro, e será aplaudido por todos,
pelo menos eu e as borboletas vamos espiar aquele beijo maluco,
que vais roubar daquela bailarina louca...ame, apaixone-se...
Toda paixão tem um pouco de loucura, e toda loucura é uma doce paixão.
Enlouqueça só por um instante, dance para a vida...dance para você.
Surpreenda o mundo com sua alma enlouquecida, estamos enfastiado de almas enfurecidas.
Viva uma loucura... uma unica vez...



Ari Mota



domingo, 3 de janeiro de 2010
















Hoje encontrei um amigo... tem um semblante austero, aparência sóbria, mas é um menino,
e ele relatou-me sua doença...está na sétima quimioterapia, adoeceu o corpo... não
 a alma.
Tem suportado o tratamento, como um bravo guerreiro, e o conheço de tempos,
e sei de sua extrema coragem, teve longos combates, jamais sucumbiu as cobranças
 da vida, 
e jamais receou recomeçar seus dias e suas noites, e sempre defrontou as
 adversidades,
trava uma batalha a cada segundo... tem pactuado com sua alma...nunca um abandonar o outro.
Na sua pureza existencial, na fragilidade momentânea, confessou-me estar com medo,
entende que sua fé não é do tamanho que necessita para atravessar esse temporal,
tem percebido ondas gigantes bater em seu barco, e o casco frágil pode não
 suportar,
suas velas já rasgadas pelos vendavais pode não impulsioná-lo ao final da viagem,
e que sua bússola vez por outra tem rumos alterados, desaparece o norte... o
 porto.
Hoje encontrei um amigo... tem uma fé incomensurável e não sabe, desconhece.
Quando se diz não possuir, é na simplicidade reforçar o ter na plenitude.
Sua fé é do tamanho do seu silêncio, teve uma vida reta, pautou sempre na verdade,
o universo certamente conspirará na sua permanência entre nós.
E sua jornada terminará, somente quando chegar o fim, e o fim pode ser sempre
 amanhã.
Portando, não consegui ter muitos adjetivos, verbos ou substantivo, para com ele.
Sua fé, embora questionada é do tamanho da sua alma... e sua alma é imensa.
sua vida é o agora... ele docemente vive o hoje... com fé.

Ari Mota

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

SUPERAR














Há em você um corpo e uma alma, zele por eles com toda a intensidade.
Se fores exercitar em uma academia, o faça com desvelo, cuide-se,
como não temos uma para a alma, sugiro que a leve para o silêncio,
acredito ser o melhor lugar para resguardar tamanho tesouro.
O corpo e a alma, operam simultaneamente em nossa existência, é a nossa vida.
Em 1984, nas olimpíadas de Los Angeles, a maratonista Gabriela Andersen,
deu-nos exemplo disso, ela detinha a sintonia entre corpo e alma,
em um dado momento da corrida, o corpo esmoreceu, foi ficando pelo caminho,
seu corpo subjugou-se ao calor, sua perna direita endureceu, não suportava mais,
e como se não bastasse seu braço esquerdo pendia molemente ao seu lado.
Os espectadores e eu ficamos perplexo, o corpo pedira ajuda a alma,
vimos com regozijo um socorrer o outro, a alma carregou o corpo até o final.
Ela certamente não venceu a corrida, mais bravamente chegou... foi mais que uma vitória.
Portando para superarmos as adversidades de nossos dias, do nosso cotidiano,
os combates que travamos, nossos recomeços, nossas derrotas e vitórias,
temos que sistemicamente manter corpo e alma, um amando o outro, eternamente.
Temos que alimentá-los substancialmente, em essência e desejos.
Exercite seu corpo, mantenha sua alma em silêncio, um sempre ajudará o outro.
E você irá superar os obstáculos que a vida vai lhe impor.
Supere... de corpo e alma.
Verás que entre querer e o limite, existe uma fronteira tênue entre corpo e alma.
Superar... não é só vencer... é estar em todos os combates... é existir.


Ari Mota



quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

UM NOVO CICLO




Tem um novo ciclo aproximando de sua existência, não desvie dele,
é hora de deixar os bastidores e se apresentar no palco da sua vida.
Há espectadores na platéia, o teatro não está vazio, haverá de ter aplausos,
não desperdice a chance de brilhar para o mundo, para a vida.
Há dentro dessa alma valores invisíveis, talentos ocultos, pura magia.
Não deixe a pagina da sua história em branco, rabisque nela sua essência.
Faça uma assepsia na sua alma, a reboque, pinte-a novamente, renove-a,
jogue fora os entulhos que guardou, os ressentimentos que ficou.
Há um novo ciclo chegando, restaure os seus amores, reinvente seus abraços,
refaça os sonhos, os caminhos, tudo esta dentro de você, de sua alma.
Tenha um novo olhar sobre sua trajetória, sobre seus anseios e planos.
Abandone todo e qualquer sentimento de medo, de indecisão.
Dê um ultimato as incertezas, é preciso ter coragem para ser feliz.
A fugacidade da sua vida não lhe permitirá permanecer na duvida,
insista...faça de sua passagem por aqui, algo maravilhoso, esplêndido.
É agora...
Não basta ser diferente... o universo o quer melhor.
Feliz...

Ari Mota
 





terça-feira, 29 de dezembro de 2009

O MEU SILÊNCIO















Tenho percebido uma quietude maior de minha alma,
parece que uma nevoa silenciosa cai sobre mim.
O meu eu, foi tomado pela solidão da própria existência.
Estou em paz...
O meu grito transformou-se em um leve sussurro, só eu me escuto.
Estou em conversa comigo mesmo, com minha essência.
Estou em silencio...
Gritei, pelos quatro ventos, ninguém me ouviu, não obtive eco.
Renunciei ao murmúrio do mundo, ao vozerio das pessoas, calei-me.
Decidi viver sem ter ressonância dos conflitos imaginários, sem conjecturar.
Abandonei a avaliação das coisas e pessoas... pela infinita contemplação.
Vivo com os olhos, contemplo o sol no nascente e no poente, espero a lua chegar.
Percebo as crianças que passam, rosas vermelhas que brotam, e a beleza do mar.
Tomei caminhos de consciências e ideais libertários, fiquei livre...
Abstive da interferência demasiada no destino e caminhos que não eram os meus.
O meu silêncio só não é maior, porque ainda, e vez por outra, ouso um ruído,
são ondas de sangue que pulsam, tangem dentro do peito, querendo viver...
Vivo de forma intensa... todos os meus sentimentos, sou aprendiz de mim mesmo.
Abraço enamoradamente minha alma, bailamos no salão da vida, apaixonadamente.
Passei a viver em silêncio...
Só pra me encontrar...

Ari Mota

domingo, 27 de dezembro de 2009

UMA LINDA MULHER
















Em retrospectiva, convivi com quatro gerações de lindas mulheres,
todas com belezas distintas, valores de época, e sonhos de amanha.
Umas só banhavam-se, outras o faziam com perfumes, outras já eram perfumadas.
E elas despontavam pela vida, como uma flor que desabrocha no mais lindo jardim.
Traziam o sorriso enigmático da feminilidade absoluta, riam pra mim.
Mais entre si... encontrei abismos invisíveis, existências diferenciadas.
A primeira geração foi minha Avó, passou entre nós como parideira, chocadeira,
teve muitos filhos, eram tantos tios que não sei o nome de todos, são muitos.
A segunda geração foi minha Mãe, a via sempre como lavadeira e cozinheira,
sabe fazer seus quitutes como ninguém, são doces inigualáveis, saborosos.
A terceira geração foi minha esposa, mãe exemplar, tem seus filhos entre as asas,

os amam com tamanha intensidade, que os incomoda, os sufoca... e eles adoram.
A quarta geração é minha filha... não tem nada das demais, é ela e seus sonhos,
no intimo feminino quer filhos, quer amá-los, alimentá-los e não dispõe de tempo.
Independeu-se... escolhe seus amores, tem seu próprio vôo, seu próprio andar.
Encontra-se na fronteira do poder masculino, sabe decidir, escolher, comandar,
sem perder a sutileza e o aroma de uma rosa, de uma flor, brilha como uma estrela.
De todas as mulheres que descrevi, eu na verdade tenho uma preferência: todas.
A ultima geração é o equilíbrio do amor, da convivência, da continuidade,
tem todas as qualidades das demais, sem perder a liberdade... a ousadia,
devemos não temê-la... só nos basta... amá-la incondicionalmente.
Ela é uma espécie rara de rosa, que brotou em nossos jardins.
Ela é o amor.

Ari Mota

sábado, 26 de dezembro de 2009

VENCER














Pense grande...
Se fores... um aventureiro, sair floresta adentro como um bandeirante,
não garimpe turmalinas, procure encontrar as esmeraldas.
Se fores... alpinista suba a sentinela de pedra, o Monte Aconcágua nos Andes,
apenas como parte de seu aprimoramento, depois, almeje chegar ao rosto do céu,
lá pelas bandas do Himalaia... alcance o topo do mundo, o Everest.
Se fores... um velejador, treine na lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio,
mas prepare seu barco para enfrentar o Atlântico, rumo ao velho mundo.
Se fores... um atleta não esqueça que um milésimo de segundo, um apenas,
vale mais que uma hora, para quem quer chegar e vencer.
Comece agora a ser o melhor, cresça, desafie o seu destino.
O universo só lhe cobrará, se você não tentar... e ele nunca lhe dará limites.
Reinvente seus vôos, seus sonhos, amplie o horizonte da sua alma, agora.
Seja o melhor no que faz, vença todos os dias, em todas as circunstâncias.
Conquiste, sem humilhar o vencido... supere, sem menosprezar o derrotado.
Ao amealhar suas coisas, o faça sem as subtrair de outrem.
Saiba usar jóias sem ostentá-las, que elas sejam apenas um adorno a sua beleza.
Que seu dinheiro não seja instrumento de poder, apenas resultado do trabalho.
Que saiba respeitar os subalternos, os indivíduos e suas diferenças,
e principalmente entender que os outros também vencem, não os inveje.
Pense grande...mas, descubra a grandeza das pequenas coisas, observe,
as borboletas... tenha amores, sinta o vento, o sol, e o perfume das flores.
Mas, que nessa trajetória vença com humildade, suba no topo, comemore,
não deixe ser acometido pela vaidade...ela poderá ofuscar sua vitória.

Ari Mota

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

RENASCER



Que neste natal façamos diferente.
Que tenhamos coragem de reconstruir o bem.
Ele habita dentro de nossas almas.
Que o presente não seja uma coisa,
seja indelevelmente um sentimento.
Preferencialmente um afeto, e que seja eterno.
Que a fugacidade da matéria, não sobreponha ao amor que nos falta..
E que por muito tempo possamos explicitar nosso carinho,
e que nossa benignidade possa pulverizar o mundo.
Nada adiantará amar as pessoas somente em Dezembro,
a solidão é mais longa, esta mais distante, e as diferenças também.
A fome não ocorre uma só vez, é uma necessidade orgânica e eterna,
e muita das vezes ela tem outro sentido... fome de justiça, de ética e respeito.
A adversidade da raça humana é infinita, nossa luta também o é.
E efêmero é esboçar afeto no natal.
Que saibamos compreender o ciclo natalino,
na verdade ele permite sazonar a alma, e faz florescer o amor.
Não dê uma coisa, ofereça um abraço, um sorriso, estenda um olhar amigo,
respeite as individualidades, o livre arbítrio, contribua com a felicidade dos outros,
faça a sua parte como pessoa, como cidadão,
julgue menos,
faça mais,
fale menos,
ame mais,
sorria,
cante,
encante.
Renasça...
Comece agora... a ser melhor.

Ari Mota

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

OS MELHORES DO ANO














Pediram-me para promover os melhores do ano, sai pelo mundo,
estive, nas Américas, Oceania, Ásia, África, Europa, e até nos pólos, não os encontrei,
resolvi procurá-los em cenários estranhos que pareciam sair de sonhos surrealistas,
fui das florestas de pedra de Madagascar ao lago de sal boliviano solar de Yuni,
depois passei no campo de golfe do diabo, vale da morte, USA, e voltei.
Numa noite de insônia, resolvi procurá-los na rua onde moro, os achei.
O melhor Ambientalista do ano era meu vizinho, eu não sabia, não o conhecia,
um jardineiro de primeira, tem um Bonsai, e a anos o rega com carinho e amor.
Na casa em frente, escolhi o Escritor do ano, poeta, escritor de noites frias, solitário,
o seu melhor poema chama-se Liberdade, de tamanha sensibilidade, só tem o título,
deixou a pagina em branco...como sempre acreditou na liberdade,
não poderia impor suas palavras a ninguém, hoje todos escrevem abaixo de seu título.
Adiante, eu encontrei o Advogado do ano, nunca antecipadamente julgou alguém,
e sempre colocou a justiça antes das leis, e errou menos, libertou mais, aprisionou menos.
E excetuando Oscar Niemeyer, tínhamos na rua também o Arquiteto do ano, um visionário,
projetou um país justo... moradia, educação e trabalho para todos, chama-se Utopia.
Mas o Economista do ano, foi um assalariado, ganha o mínimo, que para o governo é o máximo,
reside na outra quadra, ninguém sabe seu nome e de seus filhos, nem o convida para um chá.
E em frente à casa do economista, mora um Engenheiro, que recebeu o de Engenharia,
cansado da álgebra linear, voltou-se para calculo estrutural, e projetou uma ponte,
ela faz ligação entre a alma e o corpo, há quem queira transitar nela, eu sou um.
O premio de Medicina ficou com o vizinho que reside no casarão da esquina,dizem,
que ele tem feito algumas curas, sem cobrar as consultas, e não fornece receituário,
fala diretamente com a alma das pessoas, cuida da alto estima, dos sonhos, do amor.
Mas o maior premio, o da Paz, ficou com um andarilho que é nosso vizinho, mora na rua,
passa sorrido todos os dias, traz com ele algumas borboletas, um cão e a felicidade.
Os escolhi por que nunca procuraram os holofotes e suas obras falam de loucura e amor.

Ari Mota

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

AUSÊNCIA














Nos fins de tarde, quando chegava em casa, ele estava na varanda a me esperar,
era um abraço que não acabava, as vezes eu até pedia para parar, incomodava.
Excedia no carinho, no afago, sabia o meu perfume, e conhecia o meu olhar.
Sentava no sofá, e calado ouvia minhas lamurias e desabafo, e imóvel ficava.
Eu sempre o tive como um confidente, sabia dos meus segredos, dos meus medos,
ele me olhava ternamente, e eu a ele, nosso amor transcendia o entendimento,
depois saíamos para caminhar, e ele sempre ali ao meu lado, o meu guardião.
E sempre, e todas as vezes, eu lhe contava o meu dia, repartíamos tudo,
minhas incertezas, minhas angustias, minhas gargalhadas e conquistas.
Ele festejava a minha volta, o meu retorno, eu sempre e nunca me senti sozinho.
Quando a vida por vezes me pressionava, ele era minha proteção, me amava.
Certa vez, adoeci, fiquei por dias na cama, ele ficou ao meu lado, o tempo todo.
Ele era discreto, só me ouvia, o fiz, o meu muro de lamentações, ele adorava.
Certo dia estava enraivecido com o mundo, cheguei e lhe fiz um grande discurso,
estava inconformado com as diferenças e as injustiças, estava possesso,
ele só não me aplaudiu, por que assim que terminei, não teve jeito, chorei,
e ele chorou comigo... ficamos em silencio o resto da noite, não dormimos.
E quando ia para os meus combates, ele no portão, me desejava sorte.
Eu seguia confiante, eu tinha alguém para no final do dia, ouvir minhas historias.
Um dia, ele não estava na varanda, o encontrei no sofá...dormindo, um sono eterno.
Corri, busquei um veterinário...
Ele teve que partir...cumpriu o seu papel, perdia ali o meu amigo PUSK.
Ele era mais que um cão...
Hoje quando chego, a varanda está vazia... sua alma continua ao meu lado,
vez por outra, percebo uma lagrima no chão, inadvertidamente ele a deixa cair.
Que falta ele me faz...

Ari Mota

sábado, 19 de dezembro de 2009

ABRA A PORTA



















Sabe o que você precisa fazer... abra a sua gaveta e retire a chave,
abra o porão onde você aprisionou sua alma, liberte-a agora.
Faça com que ela corra livre, quanto tempo a deixou intolerante,
a inibiu em ver o mundo, as diferenças, os caminhos e descaminhos.
Talvez por excesso de zelo, não a deixou sentir o frio, e os vendavais,
não a deixou sentir o medo da solidão, estradas solitárias, vazias.
Liberte-a agora, não há mais tempo, ela precisa sentir a dor do amor,
a ausência do abraço, o brotar de lagrimas que caem face abaixo.
É agora, o tempo da escolha, deixe-a dançar livre nos bailes da vida,
não determine horário para chegar ou sair, deixe-a seguir o vento..
Que ela possa dançar na chuva, beira mar, em qualquer lugar.
Provavelmente irá na descoberta, não deter-se mais as diferenças,
perderá o olhar critico, não distinguirá mais cores, credos, ideologias.
Apertará a mão, sem ver o anel nos dedos, abraçará sem identificar o perfume.
Olhará nos olhos, sem ver as perolas no colo, nem os rubis nos brincos,
e ao encontrar alguém, não observará a roupa de seda, ou a pulseira de ouro.
Amará todas as pessoas... as afortunadas, as nem tanto e as miseráveis.
E verá uma única diferença entre elas... a infinita individualidade de cada uma. 
Liberte-a agora, sua alma carece de um dia inteiro de silencio, deixe-a só.
Ao amanhecer abra a porta, deixe-a sair, não mostre o norte, nem o sul..
Irá desbravar o mundo, conhecerá outros universos, voará livre.
Transforme-se em porto, um dia ela voltará...

E ao voltar, em seus braços contará suas desventuras e venturas,
soluçará em seu colo, e dormirá encostada em seu peito, forte.
E perceberá que valeu ter vivido uma vida de combates.
Liberte-a que ela voltará.

Ari Mota

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

A VIDA EM UM SORRISO















Caminho todas as manhas de forma habitual... e feliz.
Nas minhas manhas encontro com vários tipos, diversas personalidades,
uns correm, outros andam simplesmente, uns em silêncio,
outros ouvindo algo, já encontrei um que estava dançando sozinho.
E muitos passam por mim falando, talvez com a própria alma,
uns de preto, outros coloridos, magros, obesos, outros nem tanto,
sempre encontro os desesperados, os calmos, os solitários como eu.
Nos últimos meses, duas senhoras de forma e expressão antagônica,
passam por mim...e não pude deixar de percebê-las:
A primeira, ar sisudo, olhar introvertido, andar abstraído,
traz em sua mão um terço, ora desesperadamente, ferozmente.
Passa por mim, e não me vê, e por diversas vezes procuro o seu olhar,
não os encontro, são olhares de arrogância, gestos vaidosos,
manifestação presunçosa... como se Deus fosse sua propriedade,
e que somente ela o representa nesta fugaz vida terrena.
Passa e não percebe as pessoas, os pássaros, em fim... o mundo.
Tem uma manifestação facial carregada de ódio, desdém,
parece-me que traz na sua personalidade aversão ao encontro.
A segunda, foi acometida de alguma doença, tem uma paralisia,
sente dificuldade de locomoção, e tem o uso de uma bengala.
Mas, caminha... sorrindo, traz consigo uma revoada de borboletas,
em vez do terço segura firme a bengala, não acena com as mãos,
o faz com um sorriso, aberto, livre, sem mácula, aventuroso.
Celebra a vida, sem tê-la na íntegra, olha tudo e todos, brilha.
Aprendeu que a vida é uma existência imprevisível, vive em um sorriso.
Sorri pra vida, para as pessoas, para o mundo, e para ela mesma.
Quando a encontro é minha melhor oração do dia.

Em seu sorriso encontro... paz, perseverança e Deus.

Ari Mota

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

O TREM E A ALMA














Quando despertava para vida, eu tinha duas metades,
e um dia na plataforma da estação, numa destas partidas,
a vida levou uma delas, e quando o trem apitou lá curva,
ainda deu tempo da despedida.
E a que foi embora, era a revolução, e ela prometera mudar o mundo,
mudar as pessoas, revolucionar os direitos, fortalecer os deveres,
distribuir melhor as coisas, educar os homens, conservar a natureza,
e assim o trem a levou, quase não deu tempo de dizer adeus.
E a outra metade, ficou com o estalar dos trilhos,
o repique do maquinista no apito, as badaladas do sino,
um lagrima que sutilmente ficou no chão, e a estação ficou só,
e metade de mim também.
E até hoje clamo pelo retorno, sem a outra metade fica difícil viver,
o trem a levou, foi como um seqüestro.
Metade de mim era revolução, e numa destas tardes cinzentas,
ela parece que fugiu naquele trem, e ainda, e como se não bastasse,
até hoje aquele sino da estação soa indelevelmente na minha alma,
maldito trem, até hoje não voltou, metade de mim foi embora.
E sempre estou ali na estação, a espera... sempre a espera.
E quando olho lá na curva, a ilusão me abraça,
e até o apito vez por outra, soa...
Mas a estação esta vazia, como a minha alma.
Já não vejo a bilheteria, o telegrafista, o guarda freio,
o mestre de linha, o feitor, e nem tão pouco o chefe do trem.
Levaram metade de mim...
O trem já não volta mais, a estação vazia, minha alma também.
Metade de mim o trem levou, certa vez cheguei a pensar,
que a metade que foi embora naquele trem,
se enroscou com o meu amigo “che”, mas sei que não deu tempo.
Mesmo assim, vez por outra, vou a estação, vejo fantasmas,
e de mim mesmo.
Porque metade de mim é revolução, e a outra também.


Ari Mota

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

O ESPELHO














Não esqueça que no final do dia terás que olhar no espelho.
Não esqueça que poderá reconstruir todas as coisas... menos a palavra.
Não esqueça também que a vida será sempre um eco... tudo voltará.
Portanto, procure as palavras para a abordagem, fale suavemente,
dê preferência as palavras que não machuquem, não saia ferindo,
não grite, se porventura tiver que gritar, que seja de alegria,
não faça de suas palavras uma arma que fere, sem sangrar,
use-a de forma singela, fale de amor, fale de tolerância,
caso não tenha mais o que falar...no silêncio tem-se todas as palavras.
E a vida sempre nos devolve o que não lhe pertence, ela imita o mar.
Não deseje desventura para outrem, não espalhe desafeto, desamor.
Procure não desconstruir os sentimentos, a alma de alguém.
Viva sua vida, conspire a seu favor, ao seu crescimento.
Não esqueça que no final do dia terás que olhar no espelho,
se tem por costume dissimular, usar o disfarce para existir,
o espelho sempre no silêncio da noite, tem o hábito de nos assustar.
Portanto, caso não queria ver as mascaras que usou no dia,
tire-as ao entrar para dormir no final de suas noites, essencial,
não fitar repentinamente sua face no espelho, pode não te encontrar.

Ari Mota

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

A MENINA AMOR













Phan Thi Kim Phuc é a menina da foto...
Em 1972 sua aldeia foi atacada pela irracionalidade humana,
correu desesperada para um templo, ele também foi bombardeado.
Na época ela tinha 9 anos de pura inocência, desconhecia o ódio.
A bomba de napalm atingiu 65% do seu corpo... não queimou a alma.
Correu junto com seu irmão para a vida e sobreviveu, ao horror dos homens.
Ficou 14 meses internada e fez 17 cirurgias, as cicatrizes ainda doem na pele.
Hoje ela tem 45 anos, certo dia entendeu que não poderia mudar o passado,
e resolveu atuar no presente, ela é ativista de direitos humanos da UNESCO.
A catástrofe daquele dia destruiu muitas vidas, a maioria inocente, puros,
a barbárie humana ceifava almas, destruía sonhos, dizimava amores,
foram momentos de medo, padecimento atroz, incompreensão.

A estupidez humana tentou em vão, desconstruir uma alma,
ela é símbolo dela mesma, uma sobrevivente da sua própria força.

Sobreviveu ao desamor, a incivilidade, conheceu a insolência do adulto,
e tinha motivos para jamais acreditar na vida, no futuro e na verdade.
Como as bombas não queimaram sua alma, a deixaram por inteira,
ela disse: “ ESTIVE NO INFERNO E PERCEBI QUE, SE MANTIVESSE
O ÓDIO, NUNCA SAIRIA DELE “.
A imprensa fez de Phan Thi Kim Phuc um símbolo da Guerra do Vietnã,
ela fez dela... amor.


Ari Mota

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

O PREDADOR



















Na praça percebi a chegada de um colibri... lindo voar, 
um bater de asas que expressava uma infinita liberdade,
veio para uma abordagem, para sugar o néctar de uma linda flor,
o fez, e num vôo em reversão, tomou seu rumo, e foi embora,
não tateou e nem feriu a flor, ela permanecera como estava.
Logo após, tem-se a chegada de uma abelha, para colher o pólen,
a colheita fora sutil, fragmento por fragmento, um cuidado sem igual,
afastou-se em prece, levara num vôo veloz a vida para toda uma colméia.
Quase que se encontraram em vôo, a borboleta aterra na flor,
confundem-se belezas, fundem-se nas maravilhas de um arco-íris.
A natureza festeja, dançam: colibri, abelha, borboleta e eu.
E o universo em festa faz brilhar com mais intensidade o sol.
Vê que de repente...
Um passante toma com as mãos a linda flor, a decepa, e a lança no chão.
A perplexidade toma conta de todos nós, revela uma aflição, uma dor.
Em lagrimas, colibri, abelha e a borboleta desaparecem rumo ao infinito.
Na inocência foram questionar o criador... por que a tamanha brutalidade?
Depois de um bom tempo, voltaram felizes, sorridentes, brilhantes.
Dirigiram-se a outras flores, reiniciaram tudo novamente,
desta feita, com mais intensidade, mais entrega, mais amor.
Disseram-me que o criador... disse-lhes que todas as criaturas são livres,
são possuidoras de vontade própria, podem dizer verdades e mentiras,
amar e odiar, rir e chorar, apreender e ou permanecer na escuridão,
construir caminhos ou se perder na própria existência.
Colibri, abelha e a borboleta continuaram fazendo a sua parte, sua história.
Uma história de harmonia, beleza e invariavelmente de amor.
Atravessei a rua, fui para a minha casa... em silencio.

Achando que pela primeira vez, o criador omitiu, iludiu aquelas criaturinhas.
O homem pode ter vontade, tem o livre arbítrio, só não pode destruir,
e se o faz, torna-se pequeno, menor, um predador.


Ari Mota


domingo, 13 de dezembro de 2009

LIBERTAR A ALMA














Quando do meu rompimento para a vida, recebi um corpo e uma alma.
E ao longo da caminhada tive que edificar duas grandes obras.
O destino inda foi complacente comigo, me permitiu decidir,
e disse-me que o corpo seria finito e a alma persistiria eternamente,
e diante disso teria que construir duas moradias para a minha alma.
Coexistiram assim dois caminhos a percorrer, aprisionar ou libertar.
Na juventude decidi construir um presídio, guardei minha alma lá.
Foram ao longo dos anos, entrando naquela cela minúscula,
o preconceito... que adormeceu ao meu lado e no chão, por vários anos.
Depois a arrogância ficou nos meus pés, dia e noite, sem trégua.
E logo em seguida a iniqüidade, que num canto da cela, olhava-me.
Como a vida me permitira decidir, inferi o engano, o falso, a ilusão.
Numa noite de nevoeiro, sorrateiramente fugi, cortei as correntes.
No dia seguinte, logo pela manha, como ainda me restava material,
dei principio, a uma grande e ultima obra, a obra da minha vida.
Na montanha mais próxima, construí em aclive, uma rampa,
a ultima e derradeira morada da minha alma, a chamei de Resiliência.
Meus vôos são diários e até noturnos, não me permito, não voar,
e são minhas companhias: a sensatez, o equilíbrio e o caráter,
mais também lançam-se no ar, e ao meu lado, a felicidade,
a liberdade, algumas bailarinas loucas, e as borboletas.
E somos todos livres...temos um pouco de ternura e loucura,
Nossas acrobacias embelezam a nós e ao universo, somos felizes.

Meus vôos levaram-me ao encontro da humildade, e ela,
ensinou-me a vencer em silencio e perder sem ser humilhado.
Passei a construir e a doar Asas, a quem habilitasse a voar,
Descobri uma multidão ávida para voar livre e profundo.


Ari Mota

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

UM LIVRE AMOR

















Eu não a quero como empréstimo, uma coisa que devolve,
não quero tê-la com a obrigatoriedade de restituição.
Não a quero como uma coisa, um objeto banal,
um sentimento lacônico, um ficar, uma breve emoção,
um talvez, um beijo conciso, um olhar de curta duração.
Eu a quero livre, sem proposta, sem troca, sem dar ou receber.
Que possamos conjugar nossas almas, nossos dias e noites.
E que nossa convivência não crie ressentimentos,
que não ajam subterfúgios na hora da verdade.
E que cada um saiba reverenciar os desejos e sonhos um do outro.
Que vivamos sem desculpas evasivas, crises existenciais.
Não a quero pra mim...
Eu preciso que fique ao meu lado, a vida toda.
Sem perder a vivacidade do estilo, e o brilho que lhe é peculiar.
Mas, preciso que permaneça sem amarras, sem correntes.
Quando me abraçar, e meus braços envolve-la... te aquecer.
Não lançarei âncora, para nunca zarpar sem destino.
Quero que voe, que decole a qualquer hora, qualquer dia,
que suas asas possam pulsar quando bem entenderes.
Não quero presa a mim, nem eu a você.
Se um dia resolver ir embora... vá me amando...
Só preciso que me ame.
E eu à você.



Ari Mota



quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

SENTADO NA PRAÇA














Eu sempre volto ao meu passado, sempre volto a minha cidadezinha,
Ontem passando por lá, avistei um amigo de infância sentado na praça.
Recordei de antigas conversas, antigos medos, de antigas frustrações.
Ele, enquanto vivíamos juntos, transbordava hesitação em viver a vida.
Não amou, como medo de não ser amado, fugiu do risco da entrega,
tinha pavor da incerteza do talvez, não sentiu o calor de uma outra alma.
Não casou com medo de ser abandonado, resolveu sentir o frio da solidão,
tinha receio de roubar um beijo, e sentir o suor da outra pele em desejos.
Não esboçou um abraço, um afago, não deu carinho e nem recebeu.
Parece-me que se abraçou tanto, que não soube abrir suas próprias asas.
Não saiu de lá, com medo de se perder pelos caminhos e não saber voltar.
Ficou sentado na praça...
Quando sentei ao seu lado, buscamos à memória, surgiu nossas historias,
abri o livro da minha vida, por analogia, a minha não foi melhor que a dele,
nem a dele melhor que a minha, cada um viveu a sua vida, teve sua trajetória.
O que na verdade nos diferenciou foi as paginas do livro da minha vida,
cada folha que passava estava repleta de palavras, parecia um rascunho,
como sempre andei no limite do risco, errei muito, usei muito a borracha,
apaguei, rabisquei, desenhei, projetei, retirei algumas paginas,
amassei outras, enfim tentei tantas vezes que perdi a conta, nunca desisti.
Estou escrevendo a minha historia...
O meu amigo não quis abri o livro da sua vida...acho que está em branco.
Estamos envelhecendo, eu e ele, nossos cabelos já estão brancos,
nossas rugas já acentuadas tornaram-se visíveis no rosto.
Notório é a manifestação do tempo... em mim pela luta, nele por medo.

Ari Mota

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

O NASCER DE UM AMBIENTALISTA

















Haverá um tempo que nossas ações serão julgadas,
e nenhum tribunal provará a inocência do homem.
Nossa torpeza, nossa voracidade pelo vil metal,
nosso pseudo avanço tecnológico, nos colocará como réus..
O universo não conspirará a favor da raça humana,
estamos viciando nosso habitat, lesionando o ecossistema,
e colocando em demanda a natureza.
Somos predadores, cínicos, inexatos e pretensiosos.
Tornamo-nos assassinos em série, tiranos,
nossa imbecilidade imortalizou-se.
No inicio matávamos pelo prazer da conquista, do poder.
Hoje caracterizou-se que somos o único ser, que mata por ódio.
Barbarizamos nossa própria espécie, e como se não bastasse,
estamos em escala gigantesca alterando nossa biodiversidade.
Somos assassinos...
Matamos nossos pássaros, nossas borboletas,
devastamos nossas matas, poluímos nossos rios e mares,
destruímos nossas plantas, e maculamos nosso ar.
Somos pretensiosos...
E ainda escrevemos na história que somos semelhança de Deus.
Essas foram as palavras proferidas por um ambientalista,
a beira de um igarapé em São Miguel da Cachoeira,
uma região conhecida como cabeça do cachorro,
e também sabida, como um vazio cartográfico, um nada.
Sejamos realista...
Lá, só estava o ambientalista e um índio.
E o índio da etnia werekena, desconhecia o português.

Ari Mota

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

OS DEUSES ESTÃO SURDOS
















Tenho um habito estranho, procuro sempre um templo para orar,
e todas as vezes que nele adentro, procuro encontrá-lo vazio,
minhas preces são voltadas para o silêncio, para a serenidade,
procuro calar-me, abstenho-me de falar, aflora meu lado taciturno.
Silencio-me diante da alma, tento recorrer a mim mesmo.
Durante uma vida procurei Deus, e o encontrei no silêncio.
Ele fez moradia dentro da minha alma, construiu ali um templo.
Vivo assim, como somos vizinhos cada um respeita o silêncio do outro.
Passamos um pelo outro a todo momento, a toda hora, por toda a vida.
Entre nós não existe obediência, submissão, temor...
Eu não tenho medo dele, nem ele de mim, acordamos ser livres, eu e ele..
Em um fim de noite, eu e ele estávamos na varanda olhando o luar,
Perguntei-lhe? Porque os Deuses estão surdos.
A sua sapiência o fez gargalhar o resto da noite, sem parar.
Já sabia o porque da pergunta...o porque da indagação.
- Minha residência é próxima de um galpão onde grupos oram, gritam.
Clamam a presença de Deus de forma veemente,
berram, choram muito e impertinentemente.
Ele olhou-me ternamente...falou-me do livre arbítrio entre os homens.
Mostrou-me de forma simples, o quando é impotente diante da vontade.
Disse-me que cada um poderia chamá-lo de qualquer maneira,
ele estaria sempre ali, estendendo sua mão e sua alma.
Eu continuei achando que tem Deuses surdos...
Ele me abraçou e continuou a gargalhar,
fomos dormir.

Ari Mota

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

A REVOLUÇÃO DAS FLORES
















Como foi difícil aceitar que falhamos...
Queríamos uma revolução de valores, de direitos e deveres.
Éramos um povo em construção...
As ruas eram nossas, a consciência também.
Combateram-nos com a ponta da baioneta, aos gritos.
Nossos professores nos preparam para uma batalha de palavras.
Mas, calaram nossa voz, sufocaram nossa liberdade, perdemos.
Perdemos tanto que até hoje, não ficamos sabendo que perdemos.
Tiraram-nos o direito de saber...
Encurralaram-nos, nas favelas, nos salários ínfimos, na burocracia,
na ausência de cultura, na má distribuição de serviços públicos,
nas péssimas escolas, e nos manipulam através da mídia.
Deram-nos líderes pífios, discursos fáceis.
Vivem na soberba, e estimulam a miserabilidade do povo.
Os mantêm reféns do estado, não exaltam a individualidade.
Não estimulam o crescimento, os mantêm incultos.
E a impunidade é tamanha que corrupção é uma disposição moral.
E político é sinônimo de corrupto.
Crápulas, vil, não nos respeitam.
E nós... rimos, assistimos na TV, lemos os jornais, e ai?
Hoje acordei injuriado...
“pra não dizer que não falei das flores” vou caçar borboletas,
e depois soltá-las...é obvio.

Ari Mota

domingo, 6 de dezembro de 2009

O ANJO




















Eu estava andando pela vida, sem muito entender o porque.
Perambulava pelas ruas, pelas calçadas, pelas cidades,
estava a procura, sempre olhando em volta, olhares de busca.
Queria encontrar um esteio para o meu caminhar.
Reclamava uma companhia para estar comigo até o fim.
Até que um dia...
Não consegui resistir aos seus encantos, ao seu olhar.
A queria apenas para um passeio na praça, nas tardes de domingo.
Uma coisa passageira, fugaz, uma coisa pequena, sem compromisso.
Mas inadvertidamente toquei sua mão, macia, suave, terna.
Depois não resisti, e roubei um beijo, e logo em seguida um abraço.
Não teve como não desejar o depois...
Permaneci ao seu lado toda a minha vida, e você também.
Abrimos caminhos, cruzamos mares revoltos, altas marés.
Nossa vela quebrou em varias noites de tempestades,
outras vezes era o vento, desaparecera do nosso mar.
Mas, quando o sol nascia para nós, zarpávamos novamente.
Dois aventureiros no mar da vida, sem destino.
E quando desembarcávamos em terra firme,
e tínhamos que subir montanhas íngremes, desafiadoras,
as vezes tomava suas mãos para ajudá-la a subir,
mas muitas das vezes você tomou a minha, na subida.
Caminhamos assim em terra e no mar,
você me socorreu mais do que eu a você.
Hoje resolvi mudar seu nome, tudo em nome do amor.
Esteve ao meu lado a vida toda,
de agora em diante vou chamá-la,
de meu ANJO.

Ari Mota

sábado, 5 de dezembro de 2009

AMIGO




















Tenho um amigo, que o encontro uma vez ao ano.
Moramos distante um do outro desde a juventude.
Embora tão distante e com encontros anuais,
ele é meu melhor amigo, acredito ser eu o seu também.
Nunca fui em nenhuma festa em sua casa, nem ele na minha.
Nunca perguntei a ele as coisas que amealhou, nem ele a mim.
Nunca me abordou com indiferença, nem eu a ele.
Das minhas conquistas quase não teve conhecimento,
e eu também não tive com as dele.
Quando o meu pai foi viajar, quando transformou-se em universo,
ele estava ao meu lado.
Quando o dele também se foi, colhi suas lagrimas,
como vez com as minhas.
Ao longo de nossas vidas nunca distribuímos desafetos,
houve sempre apreço um ao outro, a deferência era recíproca.
A distancia e o tempo inexiste entre nós.
Quando meninos, pactuamos um ser sempre amigo um do outro.
Nossa amizade ultrapassou o tempo, ou nossa meninice não passou.
Não fomos contaminados com a rudeza do cotidiano.
Ficou a inocência da juventude.
A pureza do encontro.
A certeza que um ampararia o outro nos momentos mais difíceis.
Entre nós dois existe uma coexistência de almas.
Como o destino tem nos brindado com momentos de felicidade,
não nos convocou ainda para um socorrer o outro.
Tenho um amigo...
Independente da distancia e do tempo.

Ari Mota

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

TEMPO DA ESCOLHA







Houve um tempo em minha vida, que foi o tempo da escolha,
naquela tenra idade, sem parâmetro, sem superfície,
tive que esboçar um perfil para formatar minha alma,
demarcar uma trajetória, escolher um caminho,um rumo,
tive que delinear uma personalidade para a minha existência.
Não teve jeito...fui acampar na montanha mais próxima,
fiquei mais perto das estrelas, dormi ao luar.
Pela manha, a vida se apresentou como sempre, não muito clara,
o dia chegou indistinto, em metáforas.
E distante dos meus olhos, num voo solitário, magnânimo,
suntuoso, uma águia observava serenamente o mundo.
Em contra partida, um corvo se aproximou acintosamente,
com aquela ostentação ruidosa, que lhe é peculiar.
Após um logo tempo, compreendi o sinal da vida.
Era o tempo da escolha...
O corvo tinha a homogeneidade do homem ignorante,
que necessita de plateia para viver seu dia,
vive em comunidade, e só se fortalece assim.
A águia, por analogia, comparei ao homem sábio,
necessita de solidão, inclusiva para morrer,
é raro,alguém encontrá-la morta,
morre solitária no pico mais alto e mais distante.
Daquele dia em diante, esforço-me para não perde
de vista a águia, e como ela, necessito de solidão
para viver minha vida.

Ari Mota

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

O MARATONISTA










Eu me lembro quando na juventude, todos nós tínhamos um sonho.
Era um grupo pequeno, mas os sonhos eram grandes,imensos.
Eram colocados na roda de amigos, de varias formas e tamanho.
Um sonhava ser medico... hoje é o melhor que conheço.
Outro queria ser engenheiro...constrói pontes pelo mundo,
soube recentemente que tem uma tendência especial,
constrói pontes também entre as almas separadas,
é o mais forte do grupo, o mais intenso, índole impecável.
Tem um que o conheço muito bem, metamorfoseou-se,
anda entretido com as palavras, transfigurou-se em poeta.
Tem um que foi assistir Woodstock e até hoje não chegou,
dizem que esta vindo a pé, não sei por onde, mas esta vindo.
Outro não se conformou com as diferenças do mundo,
saiu a procura de justiça, tombou no povoado de Higueras,
na selva de Santa Cruz de La Sierra, sozinho, abandonado.
Um deles despertava já naquela época mais que um sonho,
um nocivo pesadelo, queria o poder, tirania, é um político.
Já o mais versado de todos, já tinha o poder da persuasão,
comercializa a fé, burla os incautos, é o mentiroso de plantão.
Mas...
O melhor de todos, o que tinha o sonho mais primoroso,
foi e é, aquele que sonhava vencer uma maratona.
Dia desses, passei por ele na estrada, continua correndo.
Nunca venceu...cada ano sua colocação,
distancia cada vez mais do primeiro lugar.
O que me impressiona não é o fato de nunca ter vencido,
nem de nunca ter desistido do seu sonho.
O que me impressiona é o sorriso que ele traz no rosto.
Desde menino... era feliz.

Ari Mota

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

IR EMBORA









Estou pensando em sair por ai, sem destino.
Mas...
Preciso de uma companhia para segurar em minhas mãos.
Preciso de um corpo para me aquecer em noites frias.
Preciso de uma pessoa que seja minha bussola, para me guiar,
quando me perder nos caminhos da vida.
Estou pensando ir embora para lugares distantes, remoto,
onde se ouve o vento, onde se vê o anoitecer e o por do sol,
um lugar despovoado... pode ser beira mar, nas montanhas,
fundamental que seja salpicado de silencio e solidão.
Estou necessitando ouvir minha alma, se possível tocá-la.
Ela, dia desses gritou comigo, reclamou guarida, afago.
Não sabia o que fazer com tamanha dor, tamanho desespero.
Durante muito tempo dei atenção aos outros,
fiquei sem me olhar no espelho, olhar para dentro,para a alma.
Cansei de olhares de desfaçatez, olhares que me rotulavam,
olhares que etiquetavam-me, legendavam-me.
Tornei-me uma marca, num letreiro de beira de estrada.
Vivi tacitamente o que fora convencionado nas relações sociais.
Deixei de ser eu...
Preciso partir, para encontrar comigo mesmo.
Vamos bem devagar... contando estrelas e borboletas.
Vamos contar historia de amor um para o outro.
Você cuida de mim e eu de você, pra sempre.
Vamos voar, correr, se preciso até morrer juntos.
Morrer é invariavelmente uma grande viagem...
Estou ali na esquina...te esperando.

Ari Mota

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

UMA VIDA ESPECIAL








Eu tenho um amigo, que nossas vidas esbarraram uma na outra,
quando nasceu minha filha, a dele também.
Depois chegou o meu filho e o dele também chegou.
Emoções idênticas, chegadas resplandecentes, desafios,
resignação, renuncia da própria vida para o esteio de outras.
Encontramos todos os dias, em diversas situações e lugares.
Sempre, ele adianta as conquistas do filho com louvor e esmero.
O cuidado, a atenção, a sua solicitude ao filho é magnífica.
Uma entrega total, algo incondicional, incomum.
Nossos filhos cresceram, e cada um trilhou seu caminho,
escolas diferentes, amigos diferentes e destino.
O meu tem em seus combates a certeza que não pode esmorecer,
acorda como um espadachim para sobreviver as rudezas do dia,
e procura dormir como um poeta apaixonado, em noites de luar.
Nossos filhos são filhos da diferença, mais são iguais...
O meu é lúcido, um sobrevivente do mundo competitivo.
O filho do meu amigo tem mais pureza na alma,
É ESPECIAL.
Ao longo de nossas vidas preservamos a equidade entre eles,
mesmo porque a intensidade de nosso amor por eles é o mesmo.
Eu e meu filho aprendemos mais com eles...do que eles conosco.
Eu e meu amigo temos filhos diferentes,
um não é mais que o outro, apenas diferentes.
O filho dele chegou para existir de forma especial,
o meu de forma comum.

Ari Mota

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

LIMITE









Desde menino, naquela cidadezinha do interior,
já tinha percebido quanto o meu andar seria difícil.
Naquela época encontrei no dicionário a palavra limite.
Assustei com o significado: Extremo, satisfeito, contentar-se.
A carreguei vida a fora, a levei no bolso, nas costas.
A luta foi de tamanha intensidade, que até tornou-se nobre,
tive que dar uma outra forma no significado de limite.
Passei a interpretá-lo como fim, como a morte.
E descobri que morrer era uma coisa menor,
perverso seria não viver, viver com intensidade.
Mas,como a vida brincava comigo, brinquei com ela.
Na descoberta, mais que contrair os músculos faciais,
descobri que sorrir era muito pouco, gargalhar também.
Fiz da minha vida, uma festa, mesmo sozinho estava feliz.
Tive poucos amigos, mas os que passaram em minha vida,
bastou-se, eram por inteiro, plenos,absolutos.
Tive poucos amores, mas os que tive, os amei de todas as formas.
Em poucos bailes dancei, poucas bocas beijei, poucas camas deitei.
Mas o fiz de forma veemente, com grandeza de alma.
Fiz da minha vida um espetáculo, embora sozinho no palco,
e ao longo dos meus shows, poucos estavam na platéia,
mas,foram encenados, vividos e apresentados.
Vivi do meu jeito...dentro da minha dimensão.
Descobri que meus limites inexistiram, pura fantasia.
Viver é um horizonte, uma perspectiva.
Infinitamente uma ilusão.

Ari Mota

sábado, 28 de novembro de 2009

A MINHA ESTRADA









Fiquei exposto toda uma vida,sem portas,sem janelas.
Invadiram minha vida,meu dia,dormiram na minha cama,
usaram o meu perfume,bateram minhas asas.
Direcionaram meus pensamentos,meus livros e amores,
impuseram meus sentimentos,minhas alegrias e fé.
Até a historia me foi passada de forma errônea,
somente os vencedores é que a escreveram-na.
Invadiram o meu querer,o meu bosque,o meu jardim,
plantaram flores que eu nunca gostei,nunca reguei.
Deram-me endereços que nunca fui,nunca encontrei.
Por fim,queriam meu riso,e minhas lagrimas.
Dimensionaram o meu tamanho,minha alegria e dor.
Deram-me Deuses e preces,conceitos e preceitos.
Cansei...
O tempo cobriu meu cabelo de branco,fiquei livre.
Tive que construir uma estrada dentro da minha alma.
Ando sozinho,na velocidade e direção que eu quero.
Saio nas madrugadas,em noites de chuva,e em dias de sol.
Convido quem eu quero para passear,correr e voar.
Nesta estrada tenho construído um mundo ímpar,
sem muros,sem templos,os livros estão nas ruas,
todos podem contar sua história,sem censura.
E raça... somente uma existe,a ração humana.
No final da estrada,há um aclive para um salto.
E todos,tem o direito de arrebatar-se num vôo eterno,
em direção a liberdade.

Ari Mota

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

OLHAR CÍNICO










Houve um tempo,e faz muito,muito tempo,
eu não era prático com as coisas do mundo.
Quando menino na escola,eu ainda acreditava.
Acreditava...
Na pureza das palavras,na força dos sentimentos.
Um abraço era o encontro das almas,não de corpos.
O respeito era uma atitude,uma ferramenta do caráter.
Acreditava...
Que o País tinha respeito comigo e com os outros.
Que a religião iria afagar minha alma,nos momentos difíceis.
Que eu poderia acreditar na benevolência de alguém.
Que a verdade prevaleceria em todos os momentos.
Hoje tornei-me prático com a vida.
Existe uma transformação,vindo de dentro da alma.
O ângulo que vejo a vida hoje,é diferente.
As palavras são falsos instrumentos de persuasão.
Os discursos fáceis,iludem e mascaram os sentimentos.
Não há encontros,não há respeito,não se acha caráter.
O país nos oprime,tira-nos tudo,oferece-nos miséria.
A religião,omissa com nossa dor,hoje é apenas um negócio.
O homem tornou-se predador dele mesmo,
barbarizou-se.
O que cabe a mim tenho feito,tento sempre,tento mesmo...
Mas, não consigo fugir de uma verdade,
minha visão cínica do mundo.

Ari Mota

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

RIQUEZA








Eu tenho um amigo que esta no ápice da riqueza.
Desperta pela manha como se o mundo o observasse.
Acredita que até aquele criador de ovelhas do Nepal,
sabe de sua existência e pode um dia prejudicá-lo.
Está na verdade no auge de sua arrogância.
Com medo de ser perseguido, persegue.
Com receio de perder, jamais doa.
Como não doa, não ama.
Como não ama, esta sempre só.
Crê que riqueza é ter coisas, vive assim,
respira dessa forma, desse jeito.
Mandei-lhe um presente...
Junto mensagens subliminares.
Embrulhei o globo em miniatura,
um binóculo e estrelas em papel crepom.
O globo para que tomasse ciência,
do tamanho do lugar onde vive,
vive ele e os outros, um lugar comum.
As estrelas,para que com o binóculo,
pudesse olhar para o céu,
e ver a amplidão do firmamento,
e perceber sua pequenez.
Soube,que nem abriu o presente...
E que ainda acredita, que pobreza é falta de dinheiro,
e não circunstância.
E sai pela manha, agredindo o porteiro do prédio.
Na hora do almoço menospreza o garçom.
E no final do dia desdenha o frentista.
Isto... é pobreza.
E continua acreditando que é o centro do universo.
Ele continua meu amigo, e continua cada dia menor.

Ari Mota

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

A DERIVA









Quando você se foi...
Fiquei no meio do mar da minha vida, só.
Um temporal tomou meu barco.
As ondas batiam na proa com violência.
Quase não conseguia segurar o leme.
Olhei a estibordo, você não estava,
eu precisava tanto da sua presença.
Ouve um dia que a vi, a bombordo me olhando,
pura miragem de marujo perdido.
O vento frio do mar entrava na alma,
e a chuva escorria face abaixo.
Quando aquele temporal foi embora.
Meu barco em pedaços, ainda flutuava.
Eram fragmentos por todos os lados.
Procurei você em todos os cantos.
Não te encontrei...
Perdi minha bússola.
Não tinha mais nada, nem sul, nem norte.
Estava a deriva.

Ari Mota

terça-feira, 24 de novembro de 2009

PORTA ABERTA









Eu e minha alma agendamos uma reunião,
fomos discutir a relação,
de mãos dadas, olhando para o infinito,
as vezes contávamos estrelas,
as vezes riamos,as vezes contávamos borboletas.
Foi uma reunião magnífica.
Acordamos retirar de nossas vidas, todas as portas.
Escancarar nossa moradia, e deixar entrar todos os ventos,
e eles poderiam entrar casa adentro, livres, sem temor.
Convidar todos os seus amigos, inimigos, iguais e diferentes.
Desfilar com todas as cores, com todos os gestos.
Poderiam voar, pular, correr e sorrir.
Depois...
Fomos para a nossa biblioteca, eu e ela.
Decidimos suprimir algumas palavras, do nosso dicionário.
A intolerância foi a primeira... a retiramos prazerosamente.
Logo em seguida retiramos mais uma, depois mais outra,
Assim foi quase que o dia todo... e foram muitas.
Nosso dicionário ficou pequeno, diminuiu.
Ficamos com paginas em branco.
Resolvemos...
eu e ela, que ali iríamos reescrever nossas vidas,
novas rotas, novos vôos, nova estrada.
Que os descaminhos do passado,
seriam alicerces de um novo tempo.
Acordamos também, não retirar do nosso dicionário
a palavra Tristeza.
Para que jamais a esqueçamos...
como nossa moradia não tem porta,
pode ser que um dia ela queira entrar sem bater.

Ari Mota

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

BAILE A FANTASIA








A vida é um baile a fantasia,
vi desfilar todas as mascaras,
uns dissimulam o personagem,
outros vivem-no, na íntegra.
Há quem retire sua roupagem, vez por outra.
Há, os que não a retiraram nem no sonho.
Vivem toda uma vida mascarados,
quando de frente para o espelho, assustam,
já não sabem, quem está do outro lado.
Vi mascaras que produziram desamor e ódio,
outras injustiças, outras tantas:
Mataram.
Perseguiram.
Destruíram.
E poucos vivem sem elas.
As mascaras disfarçam os medos,
as deformidades da alma,
as imperfeições do caráter.
Deslocá-las da face requer ousadia,
honradez, virtude.
É necessário vivificar uma nova existência.
Elas estão em todos os lugares, em todos rostos.
Uns fantasiam-se de lideres, outros de Deuses.
Não há quem, com coragem, para retira-las da cara.
E viver uma vida pautada na verdade.
A vida é um baile a fantasia...
A minha está guardada no sótão da minha alma.
Não tive coragem de usa-la.

Ari Mota

domingo, 22 de novembro de 2009

WOODESTOCK








Encontrei um velho amigo.
Ele estava acompanhado do passado.
Tive a impressão que ele estava chegando
de Woodstock a pé.
Falamos daqueles tempos de inocência.
Tempos que embriagávamos de sonho,
e exalávamos liberdade.
Iríamos mudar o mundo e as pessoas.
As mãos seriam para o toque e para o abraço.
O olhar seria infinitamente terno e puro.
As palavras seriam para poetizar o amor.
E o homem mais justo.
Falávamos de evolução da raça humana.
Tempos de exaltação a arte, e ao amor.
Quebra de paradigmas,
De muro.
De preconceitos.
E invariavelmente, de uma infinita paz.
PERDEMOS...
Hoje as mãos continuam matando.
As pessoas se olham com mais ódio.
E as palavras são instrumentos de ofensa.
Exaltam a ignorância e a pequenez.
Construímos muros em nossas almas.
Ficamos intolerantes...
Ficamos menores...
Naquela noite tive um sonho.
Vi dois fantasmas na praça: Janis Joplin e Jimi Hendrix.
Estavam contando estrelas.
Apavorado...
Abri meu palco virtual.
Fui assistir: Joe Cocker cantar With a Little Help From My Friends.

Ari Mota

sábado, 21 de novembro de 2009

O ANDARILHO









Na minha cidade tinha um andarilho,impar.
Perambulava pelas ruas, e pela vida.
Estava em todos os lugares, silenciosamente.
Carregava um enorme mistério,
e o único sentimento que podíamos perceber,
era em sua face, tinha um sorriso eterno.
Não esboçava nada além de um sorriso,
ria de tudo, a impressão é que ria de todos.
Não o víamos alimentando,
tínhamos a impressão que se alimentava de luz.
Como as pessoas perderam o sorrir,
isso o fazia diferente...era pura alegria.
Somos perversos com quem difere da massa,
na verdade olhávamos para ele com desdém.
Tínhamos diplomas,posses e relacionamentos.
E ele só tinha aquele sorriso e alguns amigos:
Sempre um cão e algumas borboletas.
Além do sorriso, tinha a fidelidade dos amigos.
Mas um dia ele teve que partir.
Morreu sem atendimento no hospital...sorrindo.
Quem chorou de saudade...
Foi o seu cão e algumas borboletas.

Ari Mota

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

CONSTRUTOR DE CARAVELAS








Conheci um homem que construía caravelas.
Uma arte jamais vista.
Eram caravelas em miniatura.
Detalhes além da percepção comum.
Paciência, resignação, perseverança.
Qualidade incomum de um artista anônimo.
Certa vez, uma das caravelas caiu,
espatifou-se, pequenos pedaços ficaram pelo chão.
Aquele homem sorrindo, recolheu um por um,
como se fora um quebra cabeça.
Disse-me, que era a primeira vez que ele
iria reconstruir uma de suas obras.
A felicidade estava em seu rosto,
ele me dissera que, era o que lhe faltava.
Toda uma vida construindo,
era tempo de reconstruir.
As caravelas eram a metáfora da sua vida,
Construí-las era como se a vida,
desse-lhe a oportunidade de existir,
e reconstruí-las, a oportunidade de continuar.

Ari Mota

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

O TEMPO











O tempo evidenciou rugas em minha pele,
e pintou o meu cabelo de branco.
Ele entrou peito afora,
intimidou minha alma,
achei que não iria conseguir,
conseguir vencer as etapas,as fases,
vencer os dias, as noites infinitas.
Mas, também foi meu mestre,
discorreu sobre as verdades da vida,
a transitoriedade do sucesso,
e o quanto, fracassar nos faz renascer.
E todas as vezes que ele impeliu minha alma,
foi para o crescimento, aumentei de tamanho.
Hoje...
Habituei-me as rugas e aos cabelos brancos.
Estou no tempo da contemplação:
passaram por mim tanta beleza,
tanta ternura, tanto amor,
não os vi por falta de tempo.
Mas, hoje percebo tudo que passa,
o que passa em frente aos olhos e na alma.
Amo com mais intensidade, vivo também.
Descobri as borboletas, o vento no meu rosto,
a sutileza de um olhar, e o amanhecer.
Na verdade estou no tempo da descoberta.
E descobri que minha vida é um espetáculo imperdível.

Ari Mota

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

O PALCO E A MÁSCARA










Quando despertava a consciência do existir,
deram-me, um palco e uma máscara.
O palco seria o espaço da existência:
os caminhos a percorrer, as batalhas,
os amores, as derrotas e vitórias.
A máscara seria para interpretar,
os personagens no teatro da vida.
Iria mensurar as minhas dissimulações,
apresentar minhas inverdades,
demonstrar o tamanho da minha vilania.
A máscara iria omitir, esconder,
a exatidão da minha natureza.
Minha abordagem para a máscara,
foi de retê-la em minhas mãos.
Não iria permitir o uso de tal instrumento.
O palco chamei de minha vida.
E a vivi sem muita dramaturgia.
Cada ato, cada gesto, cada expressão,
procurei vive-los de forma singela.
Os atos foram ternos, sutil e humanos
Os gestos simbolizaram equilíbrio e paz.
As expressões foram palavras de amor.
Fiquei toda a minha vida com a máscara na mão,
não a levei ao rosto em nenhum momento.
Estava cansado de ver todos usando a sua.

Ari Mota

terça-feira, 17 de novembro de 2009

A LOUCURA









Uma fronteira tênue separa lucidez e loucura.
Como procurei lucidez vida afora,
tive um surto dia desses.
Mas, na verdade foi um grande vôo.
Primeiro uma rasante dentro da alma.
Fui assistir o filme da minha vida,
as cenas não eram tão medíocres,
não tinham a grandeza de Hollywood,
mas, dentro da minha pequenez , ficaram lindas.
Depois, dentro de uma mochila coloquei loucura.
Fui passear pelo mundo...
Em Roma na Piazza Del Popolo, dancei nu,
claro, com aquela bailarina louca.
A pé, fomos a Paris, e na champs-Élysées,
corremos, gritamos, amamos ao luar.
Roubamos uma bicicleta na Praça da Concórdia,
ela, uma borboleta e eu, fomos para Madri.
Tentei domar um touro no Monumental Del lãs ventas,
quase que morri, ela me salvou com beijos.
Fomos refletir sobre a vida, de mãos dadas,
pelos caminhos de Santiago de Compostela,
como dois peregrinos, dormimos em frente a catedral,
pela manha uma orquestra de borboletas,
tocou Adágio de Albinoni ,acordamos sorrindo.
Sorrindo para a vida...felizes.
Passamos por todas as praças do mundo,
das mais belas, as mais livres.
Assistimos musicais, arte e loucura.
Chegamos... nossas praças, não são nossas.
Eu, ela e a borboleta ficamos com medo.
Lá dormíamos em Albergues.
Aqui levaram-nos para o Hospício.

Ari Mota

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

ABISMO








Entre eu e ela a distancia era pequena,
o que na verdade nos separava,
era um abismo profundo.
Como acompanhar aquela mulher, toda uma vida.
O meu grande medo,
era um dia ser absorvido pelo vazio,
pelo meu vazio.
Ela tinha o tamanho do mundo,
percepção clara dos caminhos da vida.
Intelectualizada, sem soberba.
Rica em essência...
sabia da fugacidade dos aplausos.
Compreendia as diferenças humanas.
Na simplicidade, mostrava robustez de alma.
Era grande no pensar e no agir.
Não consegui acompanha-la.
Minhas habilidades de guerreiro,
eram incompatíveis em suas batalhas.
Ela, era maior que ela mesma.
Sutil, tinha um olhar visionário.
Sagaz, vivia o amanha.
Beligerante, construía seu próprio andar.
Não consegui transpor aquele abismo.
Ela certa noite, num beijo terno,
fez as malas e partiu.
Seu olhar do outro lado do abismo,
ainda era de amor.
E o meu também.

Ari Mota

domingo, 15 de novembro de 2009

A FUGACIDADE DO AMOR
















Eu me lembro...
O primeiro encontro tinha encantamento,
tomava-se as mãos, sentia o calor da pele,
tocava levemente a face num beijo suave.
Tinha-se uma explosão na alma,
percebia a sutileza do afago,
a pureza do tocar de corpos,
existia os olhares, sentimentos.
Exalava-se amor...
Percebia a essência dos perfumes,
tínhamos nossa musica, nossa flor.
O jardim nos recebia em festa,
e depois minha maior ousadia,
roubar um beijo daqueles lábios.
Êxtase da alma, inicio de uma paixão.
A descoberta um do outro.
Hoje...
Inicia-se pelo fim...
Uma noite, uma balada, uma cama de motel.
Ausência de encontro e de toque.
Ausência do perfume da pele.
Encontros abruptos, sem abraços, afoitos.
Beijos químicos, sem olhares.
Amor fugaz...sem poesia.
Nada fica, nada permanece.
Ela vai embora, e não se pergunta nem o nome.
A noite estava vazia, e assim termina.
Sem amor...escura.

Ari Mota

sábado, 14 de novembro de 2009

O GARIMPEIRO POETA









Nestas noites mal dormidas,
resolvi tornar-me garimpeiro,
como não tenho posses,
fui trabalhar dentro da minha própria alma.
Com muita dificuldade consegui entrar.
Foram dias duros,noites em claro.
Cada tesouro destinei um sentimento:
O Diamante representou a solidez da minha vida.
A Esmeralda me dava a esperança.
A Ágata a coragem que sempre tive.
A Pérola minha eterna força.
O Rubi meu equilíbrio diante das adversidades.
A Safira os meus amores.
A Topázio a inteligência de sobreviver cada dia.
A Turqueza a harmonia com pessoas e as borboletas.
A Onix a lealdade nas minhas batalhas.
A Ametista a felicidade eterna.
A Água Marinha a tranquilidade que eu necessito.
Desses tesouros um,eu não encontrei.
Você...
Um aventureiro a levou.
De garimpeiro tornei-me poeta.
Exploro sentimentos.
Meu maior tesouro, minha pedra preciosa,
chama-se saudade.

Ari Mota

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

A LOUCA BAILARINA




















Houve um tempo em que eu esperava.
Esperei , quase uma vida.
Fiquei na esquina muitas vezes, a espera.
Já esperei um amor,
um abraço,
um beijo,
até esperei a chuva passar.
Hoje, não dou tempo a mim mesmo.
Amo com toda a intensidade,
com todos os afagos,
com os poros, com suor.
Não espero o amor, vou até ele.
Abraços, distribuo todos os dias,
abraços os meus amores, e os que não são,
já abracei até quem não devia, mas abracei.
Beijos... já até roubei alguns,
foram bocas proibidas, mas beijei.
E a chuva....
Quando chove saio dançando,
como Fred Astaire.
Esses dias...
Uma louca convidou-me para dançar,
fomos dançar em São Tomé das letras,
eu e ela dançamos a noite toda.
Leve,solta...dancei com a felicidade.
Bailarina louca, louca bailarina
Hoje nem a chuva me faz esperar,
sou feliz na chuva, na esquina
em qualquer lugar.

Ari Mota

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

UM OLHAR PARA A VIDA















Em retrospectiva...
Viveria tudo novamente.
Não faria diferente.
Possivelmente, melhor.
Não alteraria uma palavra,
um gesto.
Sentiria todas as emoções,
as que me demoliram por dentro,
e as que aliviaram minha alma.
Derramaria todas as lagrimas,
algumas, rolaria fase abaixo,
e outras iriam novamente para dentro do peito.
Sentiria todos os medos,
perderia todas as batalhas que perdi
e me alegraria com as poucas de venci.
Amaria com a mesma intensidade,
como amei...sem pedir,sem cobrar.
Cresci neste período.
E tudo isso...
Tem me feito melhor.
Tenho a sensação que estou encerrando,
a minha vida de uma forma magnífica.
Em minha alma, não tem rancor e nem ódio.
Não dissimulei afeto.
Vivi dentro de uma verdade.
Amei...as crianças, os adultos,
os loucos, e as borboletas.
E invariavelmente a mim mesmo.

Ari Mota

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

FUGIR
















Fuja, dos que querem um selo
de qualidade em você.
Não permita,que interfiram
em seus amores,
que desvendem seus sonhos,
que abram trilhas para seus caminhos,
que imponham sua fé,
cerceiem sua liberdade,
movimentem suas asas,
e direcionem sua rota...
Escolha sua própria estrada.
Cometa você, seus erros,
os corrija também.
Fuja...
Dos falantes, dos discursos,
dos moralistas de plantão.
Ame com toda a intensidade,
de varias formas e com todo sentimento.
Sonhe da maneira que lhe convier,
sonhar é o único alimento da vida.
Abra uma trilha em cada dia,
até encontrar seu destino.
Sua fé tem que emanar de dentro da alma,
os templos são apenas negócios.
Sua liberdade estará no bater de suas asas.
Não permita...
um selo de qualidade em você.
Fuja, dos que querem que você,
não seja você.

Ari Mota

terça-feira, 10 de novembro de 2009

DESISTIR
















Desisti...
Aportei meu barco na praia,
pedi que ela desembarcasse.
Dei a ela, flores e sentimento.
Olhares de carinho e afago.
Abraços aquecidos.
Beijos ardentes.
Tomamos vinho ao luar.
Recitei até poemas de amor.
Dei-lhe,um espaço em minha cama.
E a coloquei aquecida dentro da minha alma.
Mas, percebi que era pouco,ínfimo.
Ela queria coisas, palco e aplausos.
E no meu barco, era só eu e ela.
Tínhamos apenas como companheira,
a solidão do mar.
E aplausos, que eram constantes,
vinham das ondas em noites de luar.
Seu olhar sempre distante,
não me pertencia, jamais foram para mim.
Tive que aceitar os seus desejos.
Desisti...

Ari Mota

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

LIVRE










Olhares de desdém,
combati com olhares de ternura.
Atitudes agressivas e gritos,
combati com gestos suaves e silêncio.
Como um foragido,
corri dos fanfarrões, ditadores,
e dos intolerantes.
Afastei-me, dos que queriam cercear meu vôo.
Livre...
Não me vinculei a dogmas ou preceitos.
Jamais uma corrente, acorrentou minhas asas.
E jamais construí muros em minha alma,
a tenho por inteiro.
De tudo isso... a intolerância foi a mais feroz.
A combati desde menino.
Sinto-me hoje, mais livre do que antes.
Escapei-me de ser intolerante:
Descobri que as diferenças humanas,
resultam em beleza e prosperidade,
principalmente quando cada um,
constrói seu próprio andar.

Ari Mota

domingo, 8 de novembro de 2009

AMOR INTEMPORAL



















O tempo passou...
E eu me adaptei ao inusitado,
Aos temporais em alto mar.
Por muito tempo fiquei sem um porto.
Adaptei-me a rudeza do cotidiano,
a sordidez da raça humana,
a indiferença.
Adaptei-me as intempéries da minha alma,
as ausências,
os desencontros.
A vida sutilmente fluiu.
Só não me adaptei a sua ausência.
O tempo passou...
Achei que em minha caminhada,
ao olhar para o lado, ia encontrá-la,
e jamais estaria só.
Não dissimulei afeto, te amei.
Pensei que nosso amor escaparia ao tempo.
Busquei um amor intemporal.
De outras vidas...
Não encontrei...

Ari Mota

sábado, 7 de novembro de 2009

UMA VIDA SEM VOCÊ















Fui passear lá dentro da minha alma,
e te encontrei encolhida num canto.
E pelo que pude perceber, já fazia um tempo.
Eu me lembro, você foi embora um dia,
e não me disse adeus.
Naquele momento, eu me recordo,
minha alma ficou vazia.
E eu me pergunto, por que você voltou.
Por que esta ai, a me olhar.
Passei um tempo a sua procura,
na verdade quase que toda a minha vida.
Acostumei com sua ausência,
minha alma moldou-se, à sua falta.
Não consegui renunciar a minha dor.
Quando olhei alma a dentro, te encontrei.
São fantasmas do passado.
Meras lembranças.
Traços de um fim,
sombras de um corpo virtual.
Encontrei sua presença, em meus delírios.

Ari Mota

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

RESISTÊNCIA
















Em retrospectiva... minha vida,
tem a forma de uma batalha.
Foi vivida cada luta,
cada dia.
E em cada amanhecer colhia os cacos.
E as pressas preparava-me para a próxima luta.
Embora não designado,
transformei-me em soldado de Infantaria.
Foi necessário estar no front.
Olhava diretamente nos olhos do inimigo,
e foram muitos, uns corajosos, outros tantos ...covardes.
Não sabiam a beleza da luta, a nobreza da derrota,
e tão pouco como é insignificante a vitória.
Lutavam para destruir, não para crescer.
Cresci neste tempo.
Época de escassez.
De solidão.
De enrijecimento da alma.
Mas, como soldado de infantaria,
Quebrei todas as pontes que passei,
para jamais voltar ou ser alcançado.

Ari Mota

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

PACTO COM O TEMPO









Fiz um pacto com o tempo.
Acordamos... antes que ele me roube a lucidez,
me permita ter acessos de loucura.
Vivi sempre na normalidade.
Não contei estrelas, em noites de chuva.
Tão pouco recitei para Fernando Pessoa.
Nem andei descalço com Pablo Neruda.
E não fui a machu picchu com Clarice Lispector.
Não me embriaguei em dias de solidão.
Não tive surtos de raiva, e nem de ódio.
Aceitei a vida como me foi apresentada.
Bem que acompanhei alguns malucos,
mas foram meros acasos,
conheci o Profeta Gentileza e Raul Seixas.
Andei lendo: Osho, Nietzsche e outros.
Mas sempre estava lúcido.
Fiz um pacto com o tempo.
E lhe pedi loucura.
Loucura pra ficar livre das amarras,
fiquei preso as normas e aos conceitos.
Pedi ao tempo que esquecesse de mim e eu dele.
Pelo menos daqui até o final.

Ari Mota

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

O TEMPO DA CONQUISTA








Houve vários tempos em minha vida.
Mas o pior deles, foi o da conquista.
Não sabia na verdade o que conquistar.
Achei que seria coisas,
logo depois, achei que seria poder,
e depois alguém.
Afoito, sai pelas ruas do mundo,
como um conquistador.
Mas...
As coisas que conquistei, são falíveis,
jamais poderei leva-las em todas as minhas vidas.
O poder só encontrei na espada e no sangue,
e ele se legitima, quando ancorado no respeito,
e na capacidade de liderar.
Conquistar alguém foi minha maior pretensão.
As pessoas são livres.
Tem seu próprio vôo.
Tem suas próprias escolhas.
Hoje estou no melhor do meu tempo.
Estou conquistando minha própria alma.

Ari Mota

terça-feira, 3 de novembro de 2009

RENÚNCIA
















Tive que renunciar a um grande amor.
Necessitava de cumplicidade na minha vida.
Ela queria apenas passar um tempo ao meu lado.
E um tempo é muito pouco.
Eu queria uma vida toda.
Todo o meu sentimento seria somente dela.
Ela não entendera o meu amor.
Fútil, procurou outros braços.
Transformei a renuncia em força,
força para suportar o sozinho,
força para suportar o frio da noite,
força para continuar com a alma vazia.
Hoje, ainda corre em minhas veias,
aquele infinito amor,
aquela infinita renuncia.
Renuncia dela, e de mim.
Renuncia de todos os dias e todas as noites.
Estou sozinho...

Ari Mota

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

INTERVALO
















Não percebi a chegada,
não entendi a vinda,
não sabia por que estar aqui.
Nasce uma alma...
Apresentei-me pra vida.
Mas, logo apresentaram-me a partida.
Diziam que teria que ir embora.
Chamaram isso de Morte.
Entrei em desespero, não queria partir.
Depois de um bom tempo.
Percebi que entre o inicio e o fim, tinha um intervalo.
Chamei isso de vida.
Desde então minha vida é apenas um intervalo.
E não tenho muito tempo.
Preciso ser feliz, agora.

Ari Mota

domingo, 1 de novembro de 2009

A PERDA DO RASTRO















Pactuamos não perder o rastro um do outro,
tudo em nome do amor.
O tempo fugaz como sempre,
não nos esperou,
nem disse-nos que já era hora.
Amedrontados, os rastros desapareceram,
ficamos perto, muito perto, ficamos juntos.
Amar.
Entregar-se.
Repartir as lagrimas.
Abrir sorrisos.
Descobrir a infinita resiliência de cada um.
E amparar mutuamente os segredos da vida.
Não foi possível tamanha cumplicidade.
Anoiteceu...
Um vento frio esfregou em meu rosto,
entrou alma a dentro.
Tive medo do amor.
Os rastros continuam em nossas vidas.
Só que hoje em direções opostas.
O medo venceu o amor.
E ela partiu...

Ari Mota

sábado, 31 de outubro de 2009

NÃO EXISTIR











Hoje saí a procura de um olhar.
Minha maior dificuldade, foi encontrar um rosto.
Mas, os que ainda pude perceber,
olhavam-me de diversas maneiras:
Teve olhar de desprezo,
De desdém
De indiferença
De superioridade
De autoridade
De ódio
De desconfiança.
Olhavam-me com medo.
E houve olhares perdidos.
Olhares de solidão.
De sofreguidão.
Mas, também teve os que não olhavam, vagavam.
Perdidos...sozinhos.
Voltei , ninguém olhou-me com amor.
Passar pela multidão e não encontrar um rosto,
não é estar só, é não existir.

Ari Mota

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

PALAVRAS MORTAS









O tempo pintou meu cabelo de branco.
E pisoteou minha alma ferozmente.
Ouvi regras, normas.
Falaram-me em procedimento social.
Conduta.
Postura.
Os discursos brotavam em todos os lugares:
Na escola
No trabalho
Na igreja
No bar da esquina
No congresso
E não percebi ao longo da minha vida, exemplos.
Ouvi discursos fáceis.
Tolos
Inócuo
Palavras mortas.
E desde então, fiz a escolha de ouvir os silenciosos.
Não produzem eco.
Passam pela vida ofertando exemplos.
São profundos como os lagos.
Silenciosos...falam com os olhos.
São verdadeiros.

Ari Mota

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

O PEDINTE









Em minha casa pedem de tudo...
O vil metal é o mais assediado.
Em segundo lugar o alimento.
Mas, como não bastasse, há outros pedidos:
Afeto.
Carinho.
Compreensão.
Aparecem os desprezados.
Uns chegam alucinados, drogados.
Outros perdidos, ainda não se encontraram.
Muitos sem fé.
E há os que realmente são miseráveis.
Todos na verdade queria além de tudo isso, amor.
Muitos vivem assim toda uma vida.
Não tenho capacidade de julga-los, e nem de ajuda-los.
Sou muito pequeno diante deste flagelo.
Mas, dia desses, um dos tantos que ali aparecem:
Um deles, pediu-me LIVROS.
Minha alma estremeceu, silenciei-me.
A pobreza daquele homem era circunstancial.
Tudo o que tinha, dei a ele.
Uma lagrima rolou fase abaixo.
Choramos em silencio.
Ele jamais voltou...
Mas acredito que um dia voltará.
E fará deste planeta um lugar
melhor para viver.

Ari Mota

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

CAMINHO









Não permita que a estupidez do planeta ultrapasse a fronteira do seu coração.

E nem a torpeza humana ofusque o brilho da sua alma.

Não permita que alguém lhe ensine a verdade, ela é infinitamente sua, e só você poderá desvendá-la.

Todos têm seu próprio caminho, e o seu será construído com o seu andar, não siga trilhas de ninguém.

Muitos vagam pelas ruas sem destino, sem saber aonde chegar.

Não simule afeto, ame.

Se porventura, não conseguir... Não se apequene, insista, o amor virá.

A rudeza do cotidiano vez por outra nos enfraquece, e somente as grandes almas terão coragem de mudar o mundo.

Seus passos estarão sempre paralelos com os conflitos existenciais, não permita à entrada do medo, da incerteza.

Viva cada dia.

É preciso ter coragem, para ser feliz.

Ari Mota

domingo, 25 de outubro de 2009

MULHER








Eu só queria um barco
e você tornou-se um porto a me esperar .
Eu só queria lhe contar os meus segredos
e você tornou-se a guardiã de todos eles.
Eu só a queria como fêmea
e você tornou-se a minha companheira.
Eu só a queria como terra fértil
e você como se não bastasse, germinou vidas.
Eu só a queria submissa
e você tornou-se força, luz no meu caminho.
Eu só queria um beijo
e você roubou-me o coração.
Eu queria apenas um olhar
e você apoderou-se dos meus olhos.
Eu queria ficar só
e você transformou-se em solidão
só pra ficar ao meu lado.
Eu queria apenas um sorriso
e você entregou-se toda a mim.
Eu queria na verdade dizer
que te amo.
E que além de M U L H E R
é um pouco de mim
e eu um pouco de você.

Ari Mota

sábado, 24 de outubro de 2009

RESILIÊNCIA














A vida por vezes me bateu.
Quis dela, mais do que poderia me oferecer.
E quis de mim, mais do que poderia ser.
Houve dias de desespero.
Houve noites de sol.
Houve vazio na alma.
Compreendi algumas coisas, outras ainda não.
Respondi algumas perguntas.
Não tive respostas para outras tantas.
Fugaz, foram os meus dias.
Nas decepções, encontrei a rudeza do cotidiano.
Na descoberta, a resiliência da minha alma.
Tornei-me descobridor de mim mesmo.
Dos meus caminhos, e de minha lucidez.
Das minhas fraquezas, e de minha eterna força.
Deparei com os meus limites, e minha sensatez.
Descobri que não poderia ser além do que eu era.
Encontrei os meus limites.
Adaptei ao meu tamanho.
Sem abandonar o sonho.
E a vida que por vezes me abandonou.
Fez de mim o que sou.
Nem mais, nem menos, me fez assim...

Ari Mota