segunda-feira, 1 de agosto de 2016

A BELEZA... DE DENTRO

Fugaz... foi quase tudo.
E como uma ventania... quase tudo passou,
quase que soçobrei em estreiteza,
quase... que o existir, me... apequenou.
Mas, depois de tantos temporais,
da imensidão de todas as renuncias,
de todos os desesperos... que tive,
de todos os sacrifícios que fiz,
depois... de muita teimosia,
inda... procurava vestígios de beleza.
Fugaz... foi quase tudo.
Mas, não importei com a dureza da travessia,
a alma ávida em chegar... nunca pensou em desistir,
relutante... destemia a incerteza,
dobrava todas as esquinas... em busca de todas as dúvidas,
ofegante... teimava mais um tanto, sem se ferir,
o que era desalento... transmudou-se para coragem,
o que era aflição se revestiu de calmaria,
e inda... procurava resquícios de beleza.
Fugaz... foi quase tudo.
Corri todos os riscos, sem conhecer a solidão.
Poucos... foram os meus amores,
mas... todos intensos... imensos... maior que eu,
edificaram... toda a minha lucidez,
aquietaram... a minha alma,
e fui me desgrudando das coisas,
das que não poderei levar,
e tudo me foi um disparate, uma infinita emoção.
Fugaz... foi quase tudo.
Mas... inda consegui encontrar beleza,
em tudo que vivi, e passei,
e sei... que hoje pareço mais um mago em descompasso,
um poeta em alucinação,
enlouqueci diversas vezes... sem ninguém saber,
e em delírios... cometi desatinos... amei,
excedi-me... na entrega,
e em descomunal cortesia me... dei.
E hoje... envelhecido... vejo que não foi tão fugaz... assim,
levei uma vida para celebrar o que... tenho de invisível,
das vezes que solene... consenti todas as minhas escolhas,
e aprendi... a não mais sofrer de ausência,
nem tão pouco de lonjuras,
permiti em desvario... até o tempo me vencer,
acreditando em... recomeços,  e nunca no fim.
E hoje, quase não saio...  fiz-me silêncio,
quando busco quietação... vou alma adentro,
busco profundezas... cansei das aparências,
e eu que... inda... procurava beleza,
a encontrei... dançando... aqui dentro.

Ari Mota


sexta-feira, 1 de julho de 2016

FUGIR DA INDELICADEZA DO DIA
















Afigura-se... às vezes,
que abandonei os apetrechos de defesa,
descuidei da linha de frente,
desguarneci a minha resiliência,
ofusquei o traço tênue... da minha teimosia.
Mas sobrevém... que tenho uns instintos,
um ardor que brota aqui no peito,
um ímpeto que estremece a alma,
e me sussurra que... é hora do intervalo,
de despir-se da armadura,
aquietar-se... para não despertar em agonia.
E assim... para não expor vestígios de desespero,
concedo uma ¨pausa¨ aos meus embates,
rendo aos meus delírios,
sou vencido pela minha doce doidice,
e assim... cismo em... enternecer a minha poesia,
perder-me ao meio daquela melodia,
daquela velha canção,
e em desatino... tudo se manifesta,
faço a minha loucura dançar com a minha lucidez,
em noites de solidão,
e em segredo recolho-me,
vou colher estrelas em alto mar,
e atravesso aqueles limites da insensatez,
entrego-me ao amor... vou amar,
e depois prover de sonhos, o que ainda me resta.
De todas as nuances do caminho,
chega um momento...  que tenho que abrandar,
e por instantes... fugir da indelicadeza do dia,
da frieza dos homens, do vazio da multidão.
E assim... vejo-me frágil,
e sôfrego, deparo-me... efêmero,
preciso da minha placidez... preciso me encontrar,
careço de quietação.
Afigura-se... às vezes, que descuidei de mim,
mas... esses descansos ocasionais,
esse subterfugir da luta aflora o meu... melhor,
e imerso em mim mesmo... busco leveza,
sem medir... a temeridade do fim.
Afigura-se... que desisti,
mas, foi só uma pausa... para se recompor,
vou continuar destilando coragem para os reinícios,
- para onde for.

Ari mota


quarta-feira, 1 de junho de 2016

OS VELHOS MEDOS

Vi... toda a aridez da minha alma,
escapar... perder-se ao meio dos acasos,
morrer entre todos os meus silêncios,
aquietar-se com os gritos emudecidos,
que não dei.
Vi... todo o desnudar dos meus mistérios,
descortinar... abrir-se aos teus feitiços,
e ressurgir entre os meus devaneios,
e impor quietude na minha solidão,
remoçar o que passei.

Vi... entre a ternura do meu gesto,
o aperto... e a leveza dos meus abraços,
e teus suspiros enroscar em nossas noites,
e adormecer... ao meio dos nossos desejos,
desfigurar os velhos medos.
Vi... que buscamos... só o que nos encanta,
embora... alguns horizontes estejam mais distantes,
aproximamos em demasia um do outro,
fundimos nossas almas, pressentimos o mesmo eco,
e trocamos confidências dos nossos segredos.

Vi... toda a fugacidade do destino,
fugir... esquivar-se da minha loucura,
mas, fiquei ali... ao teu lado, como um vestígio,
com os meus delírios, eternizando o nosso encontro,
seduzido pela pureza... da nossa inocência,
que...  como uma tatuagem... já está presa ao infinito,
e plena... flui, como se não houvesse fim.
Vi... que não carrego mais os velhos medos,
que arrastei em outras vidas:
de não ter essa magia,
esse exagero da entrega,
e me foi... um prêmio viver “nesta” ao seu lado,
afoguear a alma... amar assim.
                                                                
vi... e agora sei,
que todos os meus velhos medos,
toda a aridez da minha alma,
redefiniu-se em leveza,
quando te encontrei...

Ari Mota


domingo, 1 de maio de 2016

DEPOIS DO IMPOSSÍVEL

Incredível foi que... fui salvo pela minha teimosia.
Sempre acreditei...
que depois daquelas nuvens escuras,
daquele vendaval estacionado na frente do meu destino,
olhando-me como quem... colocasse medo em minha alma,
como quem... me roubasse o riso e a dança,
como quem... arrancasse-me a intrepidez,
e meus doces delírios:
Houvesse momentos de quitação,
que tudo fosse mudar, fosse embora,
sem invadir a minha calmaria,
a minha solidão.
Não muito distante no tempo,
quando fiquei sem escolhas,
cativo da incerteza, de dúvidas insanas,
encolhi-me tanto,
que encontrei uma passagem secreta,
que me levou para dentro, para dentro de mim,
e agarrei-me... naquele último fôlego,
atrevi... com aquele último passo,
e eternizei-me... naquele último instante,
como se não houvesse... fim.
E passei a não me importar se a vida é um disparate,
uma quase loucura,
e tão pouco um descomunal desafio,
hoje... respiro fundo... e vou... para o embate,
e tudo já não é uma incomum aventura,
pois, a maior delas, a maior das lutas,
confesso... foi comigo mesmo,
que travei a maior das disputas,
e hoje... não penso em fugir dos combates,
nem sumir... não sei para aonde,
como alguém que se esconde,
e este... sou eu,
sei da ousadia que é existir, e do tamanho da sua rudeza,
mas, amo as escolhas que fiz... em brandura.
Só ando com quem descobre o meu melhor,
ama o meu silêncio,
e me... inspire, ser mais do que sou,
me... motive, a nunca desistir de mim.
Ousei... abandonar todas as previsões,
não encontrei perigo... nos meus sonhos,
sobrepus o tempo e suas estações,
transcendi... a ânsia do inevitável,
e as expectativas e suas ilusões.
Sempre acreditei no depois do impossível,
inadvertidamente...  sempre fui assim.

Ari Mota


terça-feira, 5 de abril de 2016

PASSEI DE MIM

De quando em quanto,
descubro que tudo é culpa da minha alma,
atrevida... evoluiu,
e nunca se desilude.
Insolente... desafia o inusitado,
desconstrói os velhos paradigmas,
incita e provoca o desacostumado,
e me confidencia que... posso muito mais,
e que... em mim... sobra atitude.
De quando em quando,
vislumbro nunca apagar esta luz aqui na alma,
agarro-me nesses caprichos de nunca desistir,
e me pergunto por quê... tamanha teimosia,
olha... talvez me empolguei em viver,
e saiba... a vida me sacudiu em demasia,
e esteja certo... carreguei no ombro, e visceralmente,
esses pesos invisíveis, essas dúvidas incabíveis,
até que... fui deixando pelo caminho,
tudo que me sangrava... apoucava-me,
e me deixava em desalinho.
De quando em quando,
eu e minha alma... sentamos ali no meio do nada,
na esquina... com a ilusão, no meio da solidão,
e em retrospecto... rimos das nossas doidices,
da nossa ingênua insensatez...
e só eu sei,
das vezes que o destino nos presenteou,
com uma bela rasteira, e nos levou ao chão,
mas, sabido é... que, fui até ele... varias vezes e levantei.
De quando em quando,
eu e minha alma, em noites de silencio... e em solitude,
e na frieza da nossa quietude,
ficamos ali... olhando as estrelas, penduradas no infinito,
e em contemplação,
mensuramos o tamanho da nossa pequenez.
De quando em quando,
olho-me com apreço, me tenho com estima,
sobrevivi a essa rudeza do cotidiano,
não posso negar as cicatrizes,
nem que... já não sangro mais,
e que... hoje, lido melhor com o desengano,
esvazio a alma de ninharias, e a inundo de leveza,
quando preciso mudar... mudo por dentro,
e vou assim... até o fim,
é que... sem ninguém perceber,
andam ao meu lado e se acomodam na minha alma,
uma bailarina louca e duas borboletas,
que me fazem dar férias à morte e esquecer... de morrer.
De quando em quando,
olho-me... procuro-me... tento me achar...
e descubro que... passei de mim.

Ari Mota


terça-feira, 1 de março de 2016

COISAS DO IMPOSSÍVEL

Já... vivi, várias vezes... eu sei,
ensaiei vários recomeços, não terminei outros fins,
me perdi... ao longo de outras vidas,
cometi loucuras, reparei erros,
senti toda a solidão do caminho,
fui intenso, já me encontrei... em desvalia,
enfrentei desafios... essas coisas do impossível,
me vi... ali, na imensidão do silêncio... sozinho,
escasseei-me diversas vezes... assomei-me em outras,
mas... fui a minha melhor companhia.
E hoje...
Quando me vejo no espelho... sei que aquele ali... sou eu,
tenho um formato corpóreo e um outro... espiritual,
vejo-me dançando com minha própria alma,
um desatino sem fim,
mas, sei que este é o meu melhor ensejo,
o melhor de mim.
O destino me deixou mais compassivo,
amo com toda a enormidade... provoco-me... me, encanto,
reinicializo-me em todos os alvoreceres,
senão esqueço-me... em qualquer canto.
Já... vivi, várias vezes... eu sei,
e neste instante, e nesta existência,
estou no ápice de mim mesmo,
ando mais lúcido diante da minha pequeneza,
sei que ainda posso... evoluir mais um tanto,
e, ainda devo insistir com os meus delírios... com urgência.
E nesta busca... blindei a minha alma dos instintos reles,
das reflexões pequenas,
e em desassombro...  não permito redestinar os meus sonhos,
nem absorver a minha natureza,
dentro de mim... não há confinamento,
todos os meus amores são livres, todos os abraços são soltos,
não coleciono coisas... só sentimento.
Já... vivi, várias vezes... eu sei,
mas... somente agora consegui rasgar a alma... de amor,
e transcender-se de toda a emoção,
e em demasia... sentir o calor da vida,
serenar... escapar da inquietação.
E na descoberta... ver que se um dia... tiver que partir,
reaparecer em outra vida,
a distância física que vai me separar dos meus amores,
será mera ilusão,
ficamos tatuados um no outro, de forma visceral,
haverá apenas um intervalo,
um curto período de tempo que medeia a minha ausência,
nunca... um final.

Ari Mota




segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

SERENA-TE E CONFIA

Não faz muito tempo...
foi depois... da meninice,
que um olhar sereno me contempla de forma absurda,
espreita-me... com a alma,
toca-me... por entre o vento,
parece loucura... parece sandice,
é uma figura lívida... angélica... tamanha calmaria,
que em noites de solidão,
abraça os meus vazios,
e nos meus silêncios... coloca emoção,
sussurra-me... serena-te e confia.
Não faz muito tempo...
foi antes da velhice,
que na descoberta... vejo um anjo me fazendo companhia,
auxilia-me nas batalhas... essa íntima... incomensurável,
acompanha-me... quando busco os meus reinícios,
alcança-me... quando me perco com a minha doidice,
põe-me à prumo... quando me despenco... e me espia,
e ao meu lado... celebra com aplausos... quando me renovo,
ri... das minhas gargalhadas, aquelas... que dou, dos meus erros,
do meu sorriso fácil... dessa alma ardente... afável,
das vezes que não perco a chance de ser feliz, nem sonhar,
e me segreda... serena-te e confia.
Não Faz muito tempo...
foi antes da minha lucidez,
que uma voz vinda da alma, desse vão... aqui no peito,
disse-me baixinho... nunca desaponte os seus sonhos,
nunca pare de procurar um porto novo,
um caminho diferente, e fazer tudo do seu jeito,
e nunca perca a ousadia de sempre recomeçar, com altivez.
Não faz muito tempo...
só levei uma vida,
para ficar mais compassivo... e melhor,
e fazer que meu existir seja um espetáculo de coisas simples,
sem essa exposição desnecessária,
sem essas vaidades descabidas,
deixei de ser insincero.
Fiz com que a verdade pavimentasse o meu caminho,
e minha certeza fosse mais sólida... que a duvida.
Passei há ter mais tempo para mim, para este que sou,
para a minha reconstrução... e só faço o que quero.
Deixei de colecionar coisas, passei a guardar emoções,
substituí a ironia pela sinceridade,
e em vez de muros, passei a construir pontes.
Passei a fazer com que a sutileza, vença a mim mesmo,
e ao meio de qualquer temporal, arqueio a fronte... e vou.
Amo-me... em demasia,
meu anjo... sempre me diz:
serena-te e confia.

Ari Mota


segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

OS MEUS RECANTOS

Foi-se o tempo...
que sempre voltava em retrospectiva,
tentava recolher os meus pedaços,
ou inadvertidamente colar um ao outro,
para esconder os meus fracassos.
Findou o ciclo... que transcrevia um poema, 
por comprazer e o revia em... exaustão,
corrigia uma rima... mudava uma expressão.
Perdeu-se o prazo, quando compunha uma musica,
e repaginava muitas vezes... a partitura,
alterava a melodia... para disfarçar a minha loucura.
Acabaram ao alento, os traços clássicos dos meus quadros,
as cores sóbrias... tudo aquilo que fugia do inusitado,
quando espelhava... nos outros, nunca em mim, o resultado.
Mas... um dia, não me recordo quando,
vasculhei os meus recantos... enfim,
esses vazios, esses espaços abissais, que carregamos,
e deparei com os meus sentimentos mais íntimos,
escondidos, perdidos... dentro de mim.
E depois, de tanto ser esfolado pela própria insensatez,
e ao meio das minhas batalhas,
aprendi a me dar... uns instantes de alívio... uma trégua,
e, é aí... que escrevo os meus poemas,
ouso as melodias que amo... que me fascina,
mudo os meus paradigmas, encaro os meus medos,
reconstruo os meus sonhos... que minha alma imagina.
E me... olho... demoradamente,
dou uma passada... no passado,
nada busco... nada deixo e nada trago,
e vejo que lá, não há vestígio deste que sou... hoje,
e naquele lugar, tudo fica... os desassossegos, as indelicadezas,
como não posso mudar o que passou... nada apago.
Mas... um dia, não me recordo quando,
encontrei-me... vasculhei os meus recantos,
e passei a renascer em cada fragmento que me resta,
em cada poema que deixo... em cada silêncio que faço,
em cada encanto que se manifesta.
Hoje... pareço solidão... mas é pura contemplação.
Consegui abandonar pelo caminho,
pequenezas, frivolidades... ninharias,
passei a não frequentar os lugares onde não existe amor,
e ando com pouca coisa, ando leve,
aprendi a me segurar nas ventanias.
E quando saio na chuva...
lavo a minha pele envelhecida, a alma atrevida,
e sem essas vaidades descabidas, recolho-me,
e nos meus recantos... fico... sem se ferir... ou ferir alguém,
e em lugar de dilacerar... provoco devaneios, em demasia,
e se for para sangrar... o faço, apenas...
com a tinta da minha caneta,
ao escrever... a minha poesia.

Ari Mota

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

TEMPESTADES

Que suas tempestades... seja uma breve ventania,
que a chuva torrencial... vire brisa,
que as trovoadas... transmudem em acordes musicais,
e os relâmpagos que brilham e deslumbram... desvaneçam,
e tudo volte a ser... calmaria.
Mas, se até lá... o temporal teimar em ficar mais um tanto,
e se ver sozinho...
nunca deixe de desdenhar a solidão,
dispa-se, desnuda-se por inteiro,
vire pelo reverso, pelo avesso... se, preciso for,
aclare esses segredos aí... na alma,
escondidos, infiltrados nessas suas lonjuras,
na imensidão dos seus entardeceres,
na lucidez das suas loucuras,
no silencio do seu amor.
E se essas intempéries... impor um novo caminho,
não hesite... em atravessá-lo, enfrente as vicissitudes,
vá... sem qualquer certeza,
se não conseguir ver a direção,
siga o vento... o perfume do talvez,
vá... onde seus olhos se encantam,
onde outros amores te recebam,
e sintam... o que você tem de melhor,
a sua mais delicada porção.
Mas... se mudarem o seu destino, o ponto de chegada,
ou ofuscarem os seus devaneios...
que possa... se achar ao meio desses temporais,
e rastelar as folhas secas,
recolher os galhos ressequidos no chão,
e preencher esses vazios abissais.
E se... os caminhos se cruzarem,
e perdido... e na dúvida não ter um rumo a seguir,
ver esvaziar o horizonte, ficar a esmo,
faça brotar alma adentro, faça reacender a sua luz,
o que de entranhável reside em si mesmo.
Existir é... essa temeridade, esse desatino,
é esse equilibrar-se a beira dos abismos,
perder-se ao meio da ilusão,
achar-se no acaso das circunstâncias,
e continuar sem aflição.
Que... todas as vezes que acabar o caminho,
possa... se encontrar depois do medo, com suas verdades,
com outros sonhos... em outro alinho,
permitindo a alma fazer novas escolhas,
sem criar novas tempestades.
Que... todas as vezes que descompassada ficar a vida,
tenha coragem de continuar feliz,
e... se, lhe tirarem a estrada, atravesse o mar,
e... se, quebrarem as velas, atreva-se... a nadar,
nem que seja... entre as ondas e o rochedo,
entre o vento... e o próprio medo.

Ari Mota


domingo, 8 de novembro de 2015

TEMPO DE QUIETAR

Minha alma às vezes tenta sair de mim,
travamos às vezes discussões silenciosas,
ela grita comigo, sem sequer... soltar uma voz,
esmurra-me... sem me ferir, querendo ir à frente,
e... eu a arrasto para dentro... sem tocá-la,
a olho... com olhos de amor,
e depois, sentamos à beira dos nossos abismos,
das nossas loucuras e lucidez,
ela me abraça delicadamente,
e eu a confidencio, que a amo... demasiadamente,
e peço-lhe... aquieta-te menina... fica aqui... até o fim.
E assim ando vivendo... um deleite de acasos,
resiliência desmedida,
estreiteza que me engrandece,
angústia que não me... alcança,
inquietação que me... equilibra,
aflição que me... fortalece.
Minha alma às vezes tenta sair de mim,
eu imploro que fique... estou no meu melhor instante,
este é o meu tempo de quietar,
e preciso de companhia.
Errei... muito pouco... é hora de repousar com as escolhas,
abrandar os passos, nos novos caminhos,
colocar sossego no desespero,
sentir... mais que falar,
olhar... mais que julgar,
achar-me... mais que me perder,
revirar-me pelo avesso... desvendar quem eu sou.
Amo... mais o intangível, essas coisas inexplicáveis,
amo... poesia, estrelas, borboletas em festa,
amo... uma louca bailarina que baila comigo,
em noites de solidão,
o colibri que me visita todos os dias,
a singeleza... do olhar,
a candura das... reticências
a verdade nos... pontos finais,
e as incertezas para aonde... vou.
Minha alma às vezes tenta sair de mim,
e levar os sonhos que tive, e os que... ainda terei,
tomo-lhe as mãos... saio a passear aqui por dentro.
E olhando para trás...  
faço ver... que fizemos tudo do nosso jeito,
fomos por diversas vezes ao chão,
e em vôo rasante... levantamos outras tantas,
e assim... edificamos o que tenho de interior.
E depois, houve uma pausa... um vazio... um nada talvez,
e assim... serenamos nossas tempestades,
pactuamos que...  é tempo de quietar,
de ter mansidão...
silenciar.
A não ser o... amor.

Ari mota


quinta-feira, 8 de outubro de 2015

A ANGELITUDE DA ALMA

Custou-me... uma vida,
uma eternidade talvez,
mas... escapei desses transtornos dissociativos da alma,
consegui ter apenas uma... “uma que me habita”,
que me faz ser... o que sou,
faz-me... ouvir o som do meu silencio,
me inunda de angelitude,
e tem estado ao meu lado,
toma as minhas mãos... e vai... aonde vou.
E quando me vejo... só,
ela sorrateira... ancora-me, ao meio dos temporais,
prepara-me...  para conviver com as minhas dúvidas,
acompanha-me... nas vezes que vou até a esquina e volto,
com medo da dureza do caminho,
e me ergue... quando quase exaurido... tento desistir,
e sabendo...  que nunca me adaptei ao escuro,
só com a luz,
acende os holofotes... dentro de mim,
e sem ter onde esconder...
passo para fora... para a vida... passo dos meus limites,
e vou... enfrentar os meus vendavais.
E quando me vejo... frágil,
quase partindo... partindo de mim,
partindo dos sonhos,
indo embora dos sentimentos,
minha alma... mais lúcida... que eu,
faz-me... desapegar do temor de ser feliz,
derrubar muros e edificar pontes,
às vezes imaginárias... invisíveis aos olhos dos comuns,
sem se arrepender das escolhas,
dos descaminhos,
e nem extasiar com os triunfos,
e me confidencia... que tudo é uma preparação para o fim.
Custou-me... um instante,
um acaso talvez,
mas... não escapei da angelitude da minha alma,
essa energia... que me devora,
que me mantém na freqüência dos anjos,
na vibração da vida,
faz-me evoluir... não sei como?
- Antes de ir embora.

Ari Mota


quarta-feira, 9 de setembro de 2015

ANDO... CARREGANDO LEVEZA

Houve um tempo... que, quis juntar coisas,
ser o melhor de todos,
ser erudito em demasia,
e desfilar com essas trivialidades,
essas pequenezas que se compram em qualquer esquina.
Houve um tempo... que, quis colecionar medalhas,
vencer todas as batalhas,
coligir inimigos,
e conviver com esses despojos de... vaidades,
essas fraquezas... de quem nunca se obstina.
Mas... eu vim para ser resiliente,
teimar mais um pouco
insistir mais um tanto.
E há tempos... descobri que o melhor de mim,
o melhor da minha alma,
e olha... foi por simples teimosia,
que perdido na infinitude do meu silêncio,
achei... o meu amor,
e hoje, é só o que tenho, e o que posso lhe dar.
Mas... saiba, ele pode preencher os seus vazios,
avivar os seus sonhos,
restaurar o seu melhor,
segurar a sua pressa,
abraçar os seus medos,
colocar delicadeza na sua dor.
Mas... saiba, ele pode lhe oferecer serenidade,
mas também... atrevimento para começar de novo,
e pode inundar de força... suas ausências,
colorir suas noites de solidão,
e caminhar ao seu lado para sempre,
sem ajudá-lo a levar coisas... isso é muito pouco,
vou ao seu lado para sentir todas as suas... emoções,
essas grandezas escondidas na sua alma,
dentro de você.
E há tempos...  deixei de juntar coisas,
venho carregando leveza,
candura,
e o que posso fazer por você,
além do meu amor,
é te elevar...
e na descoberta...
fazê-lo encontrar... o melhor que pode ser.

Ari Mota


terça-feira, 11 de agosto de 2015

TATUAGENS NA ALMA

Que as cicatrizes... permaneçam guardadas na alma,
não... o faça agoniar diante de muitos,
e que... qualquer vestígio de dor,
qualquer estrago no sonho,
sejam esquecidos dentro de si mesmo,
virem... silêncio,
e se... saírem ao rosto... que sejam em... risos,
se... caírem nos lábios... que virem... leveza,
se... transformar em ausência... que seja só... de coisas,
e nunca... de amor.
Que as cicatrizes... não te rasgue por dentro,
mas, que cheguem em... sutileza... e te aperfeiçoe,
que nunca te desfigure... mas, o reedite... para melhor,
e desconstrua o medo que tens... do adverso,
e permita reencenar o caminho... sonhar,
e manter sempre incandescida... a luz da alma,
para não atemorizar com o próximo passo,
nem que seja ele... o último,
nem que seja ele... uma ilusão,
e que nunca... hesite em continuar.
Que as cicatrizes... permaneçam guardadas na alma,
virem tatuagens... marcas dos combates,
e nunca... lamento,
se... explicitas ficarem nos olhos... que possam brilhar em demasia,
e se... em descuido soçobrarem em noites de solidão,
que sejam para provar com exemplos... a sua valentia,
e que, depois de tudo... existir... foi-lhe em leitura... um alento.
Que possa tatuar na alma... o que viveu na pele,
que o seu sussurro... seja inaudível,
e o ranger da vida... imperceptível,
e sua coragem... se revele.
 
Ari Mota


quarta-feira, 22 de julho de 2015

AINDA... DÁ TEMPO

Às vezes... por um descuido,
em uma dessas curvas do destino,
o cansaço... chega a nos alcançar,
a dúvida toma de assalto os nossos sonhos,
e entorpecidos pelos excessos,
podemos... afogar na própria solidão.
Às vezes... inadvertidos,
e nessa efêmera busca... das coisas,
e sozinho... as vezes, nos perdemos pelo caminho,
e ao acaso... não sabemos desassombrar a própria luz,
nem se reacender de dentro para fora,
nem se preparar para uma nova dimensão.
E assim...
todas as vezes que nos achamos desnecessário,
necessário é transmudar a alma, despertar.
E que saibamos... que ainda... dá tempo,
de incendiar o brilho dos olhos,
e se... achamos... exíguo os dias,
ou que tudo esteja em cima da hora,
o que nos resta é apoderar de toda a emoção,
antes de ir embora.
E se nossos argumentos estão ficando escassos:
Que tenhamos a coragem... para sermos felizes,
e em silêncio... abreviar a nossa estupidez.
Que saibamos ouvir as estrelas, se emocionar com a poesia,
se encantar com a beleza que deslumbra uma melodia.
Que saibamos fazer... da nossa resiliência... intemporal,
e possamos transcender de todos os nossos medos,
e que finalmente, nossa delicadeza seja múltipla,
nossa vida seja um palco que modele a sensatez,
que saibamos resgatar a nós mesmos... dos vazios,
que tenhamos mais... recomeço... e menos final.
Ainda... dá tempo...
De desistir... das vaidades, da vigilância, do julgo fácil,
da fé que nos limita, da critica que nos destrói,
do choro que suplica,
do rótulo pegado a pele, da comoção exacerbada,
do coisificar dos apegos,
das desculpas que nos apequena,
dos pressupostos alheios... que nos danifica.
Ainda... dá tempo...
Se o mundo é um lugar hostil,
que possamos mudar o nosso interior,
a inteligência que nos habita... a nossa alma...
e ter um lugar melhor para se viver,
um lugar de amor.

Ari Mota

sábado, 27 de junho de 2015

ENTERNECER A ALMA

Inexorável foi... chegar, até aqui... eu sei,
e tudo... culpa da minha teimosia.
Por diversas vezes... quase desmoronei,
e por um descuido... quase embruteci a alma,
mas... o que me salvou... foi a poesia.

Implacável foi... o tempo, efêmero... singular,
e tudo... quase me fugiu da percepção.
Por diversas vezes... quase fiquei sem esperançar,
e em todas as dúvidas que tive... conservei a calma,
mas... o que me salvou... foram os momentos de solidão.

Incompassível foi... achar-me, me entender, me... traduzir,
e tudo... foi quase desleixo... achava que não ia embora.
Por diversas vezes... tive medo de me descobrir,
e com todas as descobertas... eu... mais me... amava,
mas... o que me salvou... foi a pureza que me devora.

E em resiliência, me vi... assim, descortinando aos poucos,
e tudo... para enternecer a alma, e o que me conduz.
Por diversas vezes... transcendi aos poetas e aos loucos,
morri diversas vezes, mas... nas manhãs... me repaginava,
e em vez de consumir coisas... descobri o que me apetece... luz.

De todas as incertezas, a maior delas, sem me intimidar,
foi me perder por dentro... não foi, me perder pelo caminho.
Por diversas vezes... em desespero saí... para me encontrar,
quase me perdi... dentro de mim mesmo, quase fugi de mim,
mas... o que me salvou... foi que nunca fiquei sozinho.

Improvável é... encontrar dentro dessa velha alma,
que se renova de tempos em tempos... desarmonia.
Não padeço de tempestades, de lonjuras, vazios... sou pura calma,
hoje... tenho um ponto de equilíbrio, um porto a me esperar,
mas... o que me salvou... foi o meu silêncio, não sou mais ventania.

Este sou eu... não reflito nada além de mim,
e fui salvo pela solidão da poesia,
pela pureza que me devora,
pela luz que enternece a minha alma,
pelo silêncio... minha melhor companhia,
pela leveza que aqui... mora.
Este sou eu... e que toda a minha sagacidade,
seja sempre para mudar o melhor que tenho por dentro,
que eu não tente mudar ninguém,
nem o vento, ou as estrelas de lugar.
Que eu saiba... depois de um temporal,
colocar a alma para secar,
procure abraços, e nunca se esqueça de amar.

Ari Mota


segunda-feira, 1 de junho de 2015

SE TIVER QUE EXAURIR-SE... QUE SEJA DE AMOR

Se conseguir escolher...
escolha o silêncio.
Se suportar a quietude...
dance com a solidão.
Se não achar o caminho...
nunca volte.
Se a vicissitude esmurrar a alma...
abra todas as partes entranháveis de si mesmo,
e visceralmente suplante...
todos os momentos de aflição.
Se idear que a vida é um fardo...
um peso desmedido,
que tenha a coragem...
de fazê-la como plumas ao vento,
e que infinitamente...
saiba provocar risos, em vez de desespero,
e que nada exceda a sua leveza.
Que redirecione o sonho...
que saiba escolher novos atalhos,
procure novos amores, novos amigos,
mude de livros, de rua, de conceito...
e saiba buscar em tudo... beleza.
Se conseguir doar-se...
doe, da sua fonte inesgotável,
e o que falta...  é só incendiar a alma,
afoguear a gentileza.
Se conseguir amar...
que saiba preencher outros vazios...
vazios que nos devora, implacável dor...
que nos remete a solitude.
E que seja intensa essa entrega,
esse dar-se inteiramente,
que seja uma infinitude,
e que saiba render-se a essa delicadeza.
Se conseguir amar...
ame com toda a solidez e sem cansaço,
muitas das vezes o que falta... é só um abraço.
Se conseguir amar...
desapegue das perolas e brilhantes,
muitas das vezes o que falta... são flores,
pouco ou muito...
somos... a soma de todos os nossos amores.
Se conseguir amar... que seja com todo o esplendor,
e se tiver que exaurir-se... que seja de amor.

Ari Mota


segunda-feira, 11 de maio de 2015

TOMEI... O CAMINHO DO SOL

Por diversas vezes, me reuni com o destino,
e todas às vezes... nada aconteceu,
varávamos madrugadas... eu e ele,
às vezes ele me olhava com carinho,
outras vezes... com puro desdém,
eu falava ao vento, e ele ali... mudo,
inerte, contemplava a minha aflição,
e não esboçava nada com ninguém.
Eu... como tinha pressa de viver,
e, em um desses acesos de loucura,
tomei... o caminho do sol,
o abandonei em uma dessas esquinas que passei,
eu precisava dividir os sonhos e as minhas dúvidas,
compartilhar a minha solidão... e ir,
enfrentar as minhas tempestades,
sem temer o tempo que há de vir.
Por diversas vezes tentei falar com o meu destino,
e tentar, tirar dele... onde tudo isso... ia dar,
qual seria o final... em que porto... eu iria um dia parar.
Mas, de tudo, o que mais me tocou... foi o seu silêncio,
e bom mesmo, foi descobrir a sutileza do seu segredo,
“Que graça tem saber do fim”,
e assim, continuei, fui viver os meus entremeios,
sem saber o que estava reservado pra mim.
E isso me deixou... mais leve,
despojei-me das expectativas, e nada mais esperei.
E hoje, vou com pouca bagagem, e sem dramas,
desonerei a minha alma dos entulhos,
retirei os detritos, as sobras... só levo os inteiros,
e quase ninguém me acompanha,
exceto... uma bailarina louca, e duas borboletas,
que fazem da minha vida... a maior de todas as façanhas.
E assim... eu existo...
Sou apenas o tempo que medeia, o inicio do meu fim.
E entre eu, e o meu destino... acertamos, que nesse intervalo,
nessa exuberante passagem... um não deve olhar para o outro,
e que, ele apenas possa... levar-me, sem nada dizer... enfim.
Olha, quando tomei o caminho sol, sem nenhum desatino,
e tracei apenas o rumo... sem querer saber do meu destino,
uma luz acendeu dentro da minha alma, com todo o fulgor.
E assim quando querem me amesquinhar... viro silêncio,
quando derramam lagrimas, despejo alegria,
quando jogam desalento... apareço com a minha teimosia,
quando ensaiam ódio... e desalinho intenta... impor,
como tomei o caminho do sol e tudo é luz:
desforro com o meu amor.

Ari Mota