domingo, 30 de dezembro de 2012

DESAFOGAR A ALMA

Bom mesmo... é que sempre, ainda temos tempo...
isto é verdade.
Hoje... estou, juntando todas as minhas amarguras,
maus desejos, amores perdidos, amigos esquecidos,
desencontros, juízos malfeitos, sentença descabida,
indiferença, palavras que ferem... agressão atrevida,
e os deixando à margem... na estrada da saudade.
Hoje não vou mudar de rumo, nem falar de solidão,
sou como um rio... rumo ao mar... não tenho outra direção.
Cheguei... muitas vezes como calmaria, outras... como ventania.
Fui enchente, maré alta, cheia repentina... inundação.
Deslizei suave, silencioso, provoquei brisa... carinho.
Fui cachoeira, lago profundo, mas nunca caminhei sozinho.
Mas, hoje tenho que desafogar a minha alma, solta-la ao vento.
Tenho que desassorear o meu próprio caminho, o leito que andei,
aprofundar-me, sentir mais a quietude de mim mesmo,
ofuscar o tormento.
Aprender a calar mais e jamais engasgar com as magoas,
os descaminhos.
Renunciar aos espíritos medíocres, e tudo aquilo que me traz,
aflição.
Estou em um novo ciclo, mudo sempre, inovo para não findar,
não vou mais procurar tempo oportuno, nem nada esperar,
vou docemente criá-los, esculpi-los dentro da minha alma.
Quero e preciso entender menos, e sentir mais.
Vou me reservar momentos de loucura, para manter a lucidez,
necessito crer mais em anjos... do que em homens.
E neste assombro... provocar o novo, o inusitado,
e na descoberta... seguir em frente, amar.
Estou desafogando a minha alma, a deixando solta,
com toda a altivez.
E renunciando ao olhar de quem quer que seja.
Fiz o que pude... da maneira que o destino me presenteou.
Quando me olho, não tenho semelhança com ninguém,
aquele ali sou eu: pequeno, enorme.
Tenho o tamanho do meu sonho, da minha luta,
e fiquei fã de mim... aplaudo-me... pelo que sou.
Desafoguei tanto a minha alma, a deixei... livre,
transformei-me sucessivamente...
virei até poeta, e amor.

Ari Mota

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

RESTAURAR A SI MESMO

De tudo ficou que... tudo ainda é possível restaurar,
antes de ir embora.
Talvez não dê para refazer as escolhas, mais prudente,
é... errar menos, escolher melhor, questionar mais, sem demora.
E tudo que ficou... obvio, é que a maioria tem que... jogar fora.
E antes que tudo... acabe, reclassificar o que ficou na alma, o que valeu,
o que veio como brisa, e aquietou-se em nossa cama, e conosco adormeceu,
e o que aportou em riso e em disfarce emudeceu o choro,
e em alento amparou o soluço, estancou as lagrimas,
e em abraço... aqueceu o frio,
e tornou-se silencio em noites de desespero, e sol... em manhãs de vazio.
Mas se, contudo, uma inquietante solidão apossar da alma,
e um vão abrir no peito... numa incisão descomunal.
E um rasgo lacerar a carne como quem fosse golpear o íntimo,
e arrancar aos gritos... o que tens dentro, e o seu olhar,
e perdido... sozinho, procurar em vão o caminho,
como se estivesse ao meio de um vendaval,
hora é... a de restaurar a si mesmo.
E ainda é tempo de sintonizar o seu próprio mundo, e transformá-lo.
Mas, não crie mundos que você não possa sair dele, e não desbravá-lo.
Existir é descobrir, polir as rudezas do cotidiano,
desconstruir o orgulho, desbastar a altivez.
É... jamais desiludir com a ética, nem fugir da justiça ou do desengano.
Pode parecer... uma eternidade, mas em fim,
chega um momento do existir... que não tem outra estrada,
e basta docemente ressurgir de dentro,
e tracejar um novo rumo e descompassar a caminhada.
E fazer da voracidade... leveza, e da agressividade... gentileza,
e ir desmanchando a arrogância, e redesenhando no gesto... elegância.
E depois... ir se refazendo, se acendendo com todo o resplendor,
fazer a vida arder, afoguear em êxtase, sem perder a calmaria,
e em silencio renascer todas as manhãs, como se fossem únicas,
revestir-se de lucidez, e rir em demasia,
verter-se em alegria, simpatia, derramar em riso
e se preciso
transbordar
de amor.

Ari Mota

sábado, 8 de dezembro de 2012

O FIM DO MUNDO

Verdade é, que...
não vejo à hora do mundo acabar,
para reconstruí-lo melhor...
germinar de novo, verdecer como quem procura aperfeiçoar o florir,
brotar, como se fosse refazer em florestas... os desertos de mim mesmo,
corrigir alguns descaminhos, antes de partir.
Não vejo à hora do mundo acabar... para tracejar um novo norte,
romper e abandonar os velhos paradigmas, e descortinar o inusitado,
nascer de novo, projetar uma convivência crível, límpida... forte.
Redesenhar o destino, redescobrir novas paragens, novos caminhos,
transpor tudo que obsta e reprime... o livre, o direito de não ter medo,
nem tão pouco de errar muitas vezes, em busca de outro desenredo.
Quero e preciso que... tudo que vi, e me impuseram... tenham um fim,
acabe, desabe como um temporal.
Que, ao devastar, arrasar... o faça, dilacerando as almas pequenas,
neutralizando o desamor, desconstruindo a indiferença, o descaso,
e a solidão dos homens.
Não vejo à hora do mundo acabar... mudar de sol.
Quero outros discursos, não preciso de novas promessas,
quero e preciso que... não toquem no meu jequitibá, nem nas borboletas,
nem mesmo nas minhas rosas vermelhas, nem espante o rouxinol.
Só preciso que a pequenez humana, seja reconstruída.
Esse é o tempo oportuno... para desvestir as mascaras e reinventar o sonho.
Na verdade, somos... construtores de nós mesmos, antes da partida.
Temos que encarar a vida apenas como um sentimento, uma aragem,
onde o ofegante fôlego venha como ventania,
trazendo equilíbrio e coragem.
Que... quando o mundo acabar, eu tenha multifaces para me recriar,
e fazer desta alma... renovação.
E que tudo depois do fim, vire começo... reinicio... contemplação.
E que seja destruída apenas a altivez descabida,
a arrogância dos que não aceitam as diferenças, e os olhares de desdém.
E por derradeiro... finde a insolência descomprometida.
Depois do fim... somente os que terão coragem em ser feliz, sobreviverão.
A vida não passa de um extravagante acontecer, uma exagerada fantasia,
e nada acaba... jamais termina...
ficará apenas, as almas inundadas de ousadia.
Não vejo à hora do mundo acabar... com todo o destemor,
como não tenho para onde ir, nem como fugir.
Depois do fim...
Resiliente que sou... em silencio,
vou reedificar tudo com amor.

Ari Mota

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

DEPOIS DA TRAVESSIA

Um dia, folheando a minha história...
Dei-me a fazer uma releitura da minha vida, do meu rumo.
Bom mesmo foi o riso... das quedas que tive, do descair do destino.
Dos medos descabidos, do insucesso, do revés do caminho.
Do descuido ao desafeto dos homens, do horizonte em desarrumo,
dos abraços entorpecidos pelo descaso, pelos beijos que não dei.
E tudo me pareceu solidão... mas foi o tempo que me avolumei.
Tornei-me maior, conheci a minha madures, aproximei... de mim.
E assim... e em retrospecto... sem fingir,
abri a primeira pagina do meu existir,
coloquei um ponto final, em tudo que nunca fui.
E em cadência... coordenei meus passos... para o alto,
e segui... como quem procura a melhor estrada, um universo meu,
um lugar onde possa orgulhar-me... de ser eu.
E fiz da minha alma um esconderijo dos meus anseios,
sem sofrer de aflição.
Na verdade errei muito pouco, corrigi o que me foi possível,
sem ferir, sem agressão.
E realinhei a trajetória como pude, não fiz nem menos, nem mais.
Não tentei corrigir a natureza das coisas, nem das pessoas.
Contemplei as diferenças e livre deixei todos os olhares.
A vida por vezes quis arrancar da carne a minha alma.
Mas, foi isso que fez pulsar, tanger como uma tempestade,
fugir do que me faz pequeno, do que me aprisiona e não me deixa livre.
Sobrevivi às ventanias, fiz da incerteza... alegria, do silêncio... calmaria.
Vivi... de forma veemente todos os instantes, amei com toda a voracidade.
Na descoberta... vi que a vida é apenas uma travessia.
Há... e depois, pode não caber lamento no que não se fez,
nem tão pouco desdizer, as palavras com as quais, conseguiu ferir,
nem menos ainda, emudecer quando podia nas partidas... despedir.
Depois da travessia...
Nada adiantará mandar flores,
se ao longo do tempo, nos momentos de vazio,
temporal, frio,
dar casualmente com uma distancia... um abismo,
entre você e seus amores.
Depois da travessia...
Nada tem valor...
Acabou o caminho, não tem como voltar,
inexiste a possibilidade de falar
de amor.

Ari Mota

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

SEM DESTINO

Vontade mesmo foi sair sem destino...
Atravessar os desertos de mim mesmo, bater de frente com a solidão,
correr deste mundo ensandecido, da torpeza humana.
Fugir... não encarar o combate, nem o desafio de que tudo é ilusão.
Quase me iludi com a fugacidade do existir,
quase me frustrei sem aperceber que não passamos de um instante,
de um sopro, um acaso... de uma ventania,
e como, se não bastasse entender que a vida iria me cobrar pura ousadia.
Vontade mesmo foi sair sem destino... ao léu, sem uma pousada.
Até tentei... mas alguém me agarrou, me fez ficar pelo caminho,
e por um descuido... uma bailarina louca apoderou-se da minha alma,
tomou as minhas mãos, conquistou-me... e acabei ficando na estrada,
ela segurou-me como âncora em alto mar, como esteio para não cair,
e ficou pegada ao meu olhar, não consegui partir,
não consegui deixar a cama vazia, nem viver sozinho.
Há... e desde então... passamos a enfrentar os ventos,
e acima de outras tantas coisas, os céus... deixou cair duas estrelas,
vidas especiais que dividem conosco todas as batalhas,
todas as incertezas, todo e qualquer recomeço e medalhas.
E assim tem sido os meus dias... a minha luta,
e tudo não passa de um combate sem fim, muita labuta.
Aprendi a não discutir com o destino, nem me desesperar em desatino.
Vou seguindo sem o julgo de quem quer que seja, de qualquer olhar.
Só nós sabemos o tamanho do caminho, o tão grande dos temporais,
e ninguém dimensionará nossos combates, nossa valentia.
Entre o que vivi e passei e aos que me olham...
existe... uma distancia assombrosa e penhascos abissais.
Hoje o destino me sussurra para diminuir a ligeireza,
não tive saída, fiquei mais contemplação,
inda continuo nos combates, hoje... luto sem ódio, sem rancor,
e tudo me enaltece, vira crescimento... beleza.
Uma parte de mim é delírio, a outra ainda é força, luta... explosão.
Hoje envelhecido... quando resolvo sair por ai... sem destino,
sem me perder pelo caminho, e sempre voltar.
Pego uma estrada que vai para dentro de mim,
lá... tem quietude, inda resta um pouco de juventude,
sonho,
e amor.

Ari Mota

domingo, 4 de novembro de 2012

UMA TECNOLOGIA PARA A ALMA

Quando menino, cismei... obstinei até...
Que uma força cósmica coadjuvava com nossa evolução.
Vinha como nevoa, espalhava sabedoria em nosso encéfalo,
e de súbito... aportava para aprimorar a nossa convivência,
e nos invadia... para amenizar nossa desinteligência,
nossas duvidas, nossa solidão.
E desde então, tenho um olhar diferente para todas as tecnologias.
Embora adapte a todas, e todas me fascinam...
As vejo, as encaro... e todas me encantam como se fossem feitiçaria.
Hoje, envelhecido nada tenho de menino,
só a certeza, que minha cisma de não muito longe, nada mudou.
Toda essa parafernália da ciência, nada nos pertence,
ou quase nada, ou quase tudo... nada adiantou.
Eu que sempre estive à espera de uma metamorfose, nada vi,
e nada me fez progredir... equipando-me de coisas.
Fiquei aprisionado à dúvida, e a incerteza dos homens,
questiono se... evoluí.
Mas, o que eu procuro é uma tecnologia para a alma.
Todas, que conheço... me leva a um trato virtual,
e inda em duvida, não sei... se me faz bem, ou mal.
E tudo é um desafio... entro a procura não sei do quê... e saio vazio.
Mas, o que eu procuro é uma que venha resgatar a delicadeza.
Uma que reinvente um lugar aprazível, bom para existir.
Que reconstrua o abraço, respeite o fracasso... e me beije sem mentir.
Eu procuro uma ferramenta que possa abrir a alma.
Provê-la de sentimentos, abastecê-la... de luz.
Às vezes fito com olhos gastos e em desassossego,
para os que vagueiam carregados de ódio, e de uma raiva descabida,
e em fúria e em deslustre aos valores dos outros... os olham com desdém,
e num jogo de culpa esquece o próprio desleixo... a coragem perdida.
Eu procuro um instrumento para avivar a alma, como ninguém.
Ela é a única ponte que nos leva a mente, e nada esquece.
É nela que armazenamos nosso destino.
É ela que irá nos afrontar... na hora do medo,
e nos amparar, receber, acalentar...
quando o mar bravio exaustivamente nos bater contra o rochedo.
Eu procuro uma tecnologia para a alma.
Ela não virá das profundezas do universo,
ela pode estar escondida dentro de alguém, em formato de um verso.
Pode estar talvez, em você... em um poeta... ou em um pescador.
E chegará como se roubasse a sutileza,
e no lugar... abastecesse de leveza,
e amor.

Ari Mota

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

O PRINCÍPIO DA SOLIDÃO

Ela vai chegar assim, como se... subtraísse o chão, esvaziasse a alma.
Sorrateira... tira-lhe, aos poucos e nada deixa, e nada oferece a alguém.
Quase invisível, chega como brisa descomprometida.
Serena... entra sem bater, apossa sem pedir, instala com toda a calma.
A solidão emerge de dentro... quando vamos deixando pelo caminho,
pedaços de nossas espontaneidades, fragmentos de nossos sonhos,
e quando espalhamos um pouco de nós pelas margens do destino.
Solidão é quando você procura outros lugares...
que não sejam os que você já tem dentro de si mesmo,
é quando você procura outras pessoas... e já não se reconhece,
passa a temer suas fraquezas, suas dúvidas e suas perdas,
e receia olhar-se... para dentro em busca de suas verdades,
é quando a alma em inquietação esmurra o peito...
querendo passar para fora, sair correndo.
É quando a alma se sente cativa, e uma angustia descabida afronta o dia.
E a insônia vira desespero, e brota um querer fugir, desaparecer,
e o desalento lhe vier acintosamente... fazer companhia.
É quando se sente... capturado por esta hipnose coletiva,
e passa a ser os outros... os outros desejos, os outros sonhos.
E... perdido na pior das prisões, no mais terrível calabouço,
no desassombro de não ser você mesmo e encarcerado ao medo,
renuncia sempre ao salto profundo do livre arbítrio,
e na magia e no arrojo de voar livre e sem segredo.
Talvez... não criou caminhos, nem atalhos, não mudou, nem ousou,
não teve o atrevimento de arriscar-se a um novo norte,
seguiu o que já pronto estava, não inovou... não fez nada.
Não desnudou a alma, para se revestir de ousadia.
Não procurou estar à frente do seu tempo,
nem na vanguarda de si mesmo.
Solidão é quando se vasculha a alma e nada encontra...
É chegar ao final cheio de coisas... só coisas,
e não encontrar sentimento, é olhar com desfavor.
Solidão não é ficar sozinho ou perdeu-se pelo caminho,
nem exilar-se dentro da própria essência.
O princípio da solidão... chega assim...
embrutecendo o olhar,
permitindo adormecer o amor.

Ari Mota

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

SÓ PARA OS LOUCOS

Faz tempo e como faz... absorto no ceticismo do meu existir,
na própria dúvida do caminho, na incerteza da minha verdade,
e vagueando sem rumo e sem destino.
Encontrei... uma figura impar, singela... sentou ao meu lado,
e tudo virou calmaria, cessou a torpeza dos homens, e a minha aflição.
E calmamente segurou em minhas mãos... e disse-me: viver é desfrutar.
Busque esta luz que tens na alma, ilumine esta negrura que carregas,
esse desassossego em viver, esta angustia descabida, esta perturbadora inquietação,
ofereço-lhe a imensidade estampada a frente dos seus olhos.
E te proponho, freqüentar a minha casa... tenho a essência de todos os seres,
a beleza do riso, e se preciso dou-lhe a minha contemplação.
Estou em tudo... sou o vento, a água límpida, o voar de uma borboleta,
acha-me em todos os lugares... até dentro de você, estou num sorriso descomprometido,
na fragrância das flores, no aroma dos eucaliptos, na relva e nas cascatas.
Sou pequeno como uma gota de orvalho, sou grande... maior que o meu próprio sonho,
sou areia fina, sou aquele rochedo lá no alto, sou quietude, mas às vezes bramido.
Meu grito não é de amargura... é de delírio em existir, e agradecido.
Ando sempre acompanhado dos espíritos das florestas,
sou ingênuo... pura criancice e com elas faço todas as festas.
E a loucura... cura a minha alma e faz de mim brandura.
Desfrute a vida, e tudo que nela tem... e suas palavras vertiam como um feitiço,
e foi embora... dançando... só depois entendi que era Deus, o arquiteto de tudo isso.
Extasiou-me com tamanha simplicidade, tamanha doidice.
Eu que sempre fui um aprendiz, coloquei na minha sensatez... devaneios e sandice,
como a vida é uma travessia... só de ida, não tive outra saída.
Para não permitir que definam o meu sonho, nem acorrentem as minhas asas:
Cometi um desatino, aposentei a minha lucidez.
Como acredito na finitude de mim mesmo, resolvi mudar.
Hoje caminho na praia deserta, em baixo de uma garoa fina, ao lado de um mar revolto,
encaro o vento frio, em tardes de inverso... sozinho naquela imensidão,
calo-me em vigília e em busca de calma, e passeio em desvario com minha alma.
E sei que isso é para os diferentes... só para um louco.
E já não mais estranho, quando me perguntam por que da solidão.
Talvez, quem anda sozinho já se encontrou.
Hoje... faço minhas escolhas: virei silêncio, contemplação.
Nas minhas triagens tenho o meu ritmo, os meus livros, a minha musica,
o meu caminho, que mudo todos os dias, e também o meu olhar.
Os loucos são livres... eu sempre serei livre,
até para amar.

Ari Mota

domingo, 30 de setembro de 2012

OLHAR COM A ALMA

Um dia... cansado, fechei os olhos, quase querendo fugir de mim,
achei... que de tudo, ali era o meu limite,
e que esta fronteira tênue, esta linha estremada,
não era o começo de nada, mas invariavelmente o fim.
Quase abandonei a ilusão da busca, a utopia da conquista,
a fantasia da descoberta, os devaneios de existir,
quase desisti da estrada.
Mas só o tempo me ensinou a ver na escuridão...
A vida é um efêmero sonho, é um relâmpago em noites de temporal,
é um quase tudo, outras vezes um quase nada,
é espesso como uma rocha, descomedido como a solidão,
fugaz como uma despedida, vazio como uma distancia abismal,
viver é um talvez, e às vezes afigura ser o que não é,
e de tudo... fica somente vivê-la intensamente,
e ter sempre a coragem de reiniciar, reconstruir o caminho,
rir dos desacertos, da singeleza dos desencontros em desalinho,
e exausto abandonar as paixões menores e olhar a vida com a alma.
E assim tenho vivido...
Faço que o meu silêncio mude o mundo, o meu mundo,
e a calmaria me invada e faça de mim quietude,
e o fascínio em ser feliz, possa permear-me até nas vicissitudes.
Assim sou eu... já não procuro as respostas, nem perguntas faço mais,
sou contemplação.
Sei que sou diferente... ando, em sinergia com o universo,
conto estrelas, inda percebo uma lagrima que rola face abaixo,
um sorriso descomprometido, um beijo perdido, um verso,
uma falta de abraço, um carinho em descompasso, uma emoção.
Às vezes e sempre saio por ai, sozinho, caminhando ao anoitecer.
Mas o tempo me ensinou a ver na escuridão.
Olho com a alma e sem segredo,
e depois continuo a caminhada sem medo,
e com amor.

Ari Mota


domingo, 16 de setembro de 2012

QUANDO SE CHEGA À ALMA

Em minhas viagens, a melhor delas foi quando cheguei... em mim,
custou, demorou... achei que não ia me encontrar.
Óbvio foi... que antes, tive que espantar alguns fantasmas,
combater temores adormecidos, escondidos aqui dentro,
espectros da minha meninice, sandices trazidas pelo vento,
pelo desassossego com a espera, com a busca...
inquietação com o caminho, com a pressa, com o desgarrar do tempo.
E na inocência, sonhador e atrevido... de todos... destoei,
dos que, disseram-me que tudo seria difícil, e que nada me era permitido,
fiz tudo do meu jeito... tentei de novo, e varias vezes recomecei.
De todas as batalhas, confesso... de todas eu temi,
tremi em noites de aflição, assustei quando encontrei a solidão.
Hoje... ando a procura de leveza... sou um fugitivo da rudeza.
Quando uma lagrima inadvertidamente escapa face abaixo,
liquefaço-a em tempestades de alegria,
danço em devaneios com a agonia,
depois... eu sigo em frente, pego carona com a ventania.
Em minhas viagens, a melhor delas foi quando cheguei... em mim,
passei a respirar a minha verdade, e o tão pequeno que sou.
Desvaneço a minha soberba, desconstruo a minha altivez,
ando reconstruindo o meu fim.
Claro... que é a conclusão material, ficarei nos meus poemas,
no que sou, nos meus sentimentos... na minha poesia,
ficarei no que mais acredito “é preciso ter coragem para ser feliz.”
Tanto que, até alterei os meus passos, as minhas escolhas,
os meus atalhos... a minha travessia.
Efêmero pode ser o meu olhar,
fugaz os meus abraços, os meus beijos, os meus minutos para amar,
mais serão intensamente e os farei eternos enquanto existirem.
Hoje... só tenho uma estrada, uma direção.
Tenho apenas um destino... vou somente para dentro de mim...
E quando se chega à alma,
tudo vira silencio...
Paz.
Contemplação.
E invariavelmente transforma-se
em amor.

Ari Mota

domingo, 2 de setembro de 2012

TENHO QUE IR...

Olha...
A minha vida é uma viagem... inda tenho que andar muito, eu vou longe.
Só parei... porque sei... que é nas estações que se encontra... os amores,
reabastece a alma, aquece a carne, oferece colo,
dança em desvario ao som de uma orquestra de borboletas,
e anda de mãos dadas em torno do coreto,
perde-se na praça, abraça e todo sem graça... oferece flores.
Só parei... para oferecer o meu olhar,
abrigar-te em meus braços em noites de solidão,
e em extremo exagero te adorar,
e depois... bem depois da madrugada, te acarinhar,
e roubar-lhe a aflição.
Só parei... para convidar-lhe... a ir comigo.
Inda tenho que andar muito, eu vou longe, nem sei mais a distância,
sou assim... tenho que ir sempre, só assim amenizo a minha ânsia.
Estou indo... nem sei mais se poderei voltar.
Só parei... porque eu tenho que ir... não posso parar.
Só parei... para te chamar.
A minha vida é uma viagem...
E existir... é nada mais que descobrir um grande amor,
porquanto isto... aqui estou, e parei.
Olha... tenho que ir.
Se você fugiu das tempestades, das minhas tempestades, é melhor ficar.
Mais... saiba, eu estaria em todas as que ainda irá um dia passar.
Eu vou longe,
Sei que posso até me perde pelo caminho,
e viver é isso... desejar alguém para não caminhar sozinho.
Como tenho outras estações para parar...
Vou descer... dançar... olhar em demasia,
viver todas as noites, todas as madrugadas,
aquecer outras camas, outras almas e não deixá-las ao frio,
vou ser feliz,
e novamente amar.

Ari Mota

domingo, 26 de agosto de 2012

INCANDESCER A PRÓPRIA ALMA

Olhei muito para fora... de mim,
busquei desesperadamente uma luz na distancia do meu horizonte,
fui prudência com os olhares dos outros,
fugi da negrura da incerteza, e da ousadia,
demorei em arrancar do corpo o que em mim existia de insegurança,
só deixei... devaneios, loucura, tolice poética e um resto de criança,
esperei em demasia um brilho no meu caminho, tive medo do sozinho,
da escuridão do meio dia.
E em quase desalento... pensei que melhor seria... voltar,
eu queria um farol a me guiar,
achei que o destino iria me dar um guia, para seguir... caminhar.
E tudo foi muito intenso, imenso.
E quando olhei o que vivi... nada mais estava em seu lugar,
tudo... fora desfeito, sem respeito pelo tempo e pelas ventanias,
não tive como voltar.
Bom...
como não encontrei saída, abaixei a cabeça e fui.
Bom mesmo que achei nesta minha travessia... três amores.
Um chegou desavisadamente... como quem me roubasse à solidão,
alcançou-me... dançando nas pontas dos pés como uma louca bailarina,
enroscou na minha alma... feito uma rede de pescador,
aprisionou-me com o seu olhar... foi deleite... loucura.
O outro foi plantio, espera, fascinação... procura,
convivência de outras vidas, equilíbrio, sensatez.
O terceiro trouxe inadvertidamente o sonho, a alegria,
o descomedimento do recomeçar, a garra dos reinícios, o destemor.
Incandesceram a minha alma... encontrei a luz... virei sol.
Hoje... ando de bem comigo.
Tenho como companhia: a loucura, a sensatez e o sonho,
ingredientes inexoráveis para ser feliz... e somos.
E assim...
Ateei fogo na minha escuridão, avivei uma chama no meu caminho.
Como incandesceram a minha alma,
perdi a temeridade de me ensoberbar com as coisas, com a matéria,
ando iluminando o que trago por dentro, o que sou em verdade,
o que posso garimpar, lapidar,
e entregar em forma...
de amor.

Ari Mota

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

O QUE GUARDAS NA ALMA?

Entre uma batalha e outra, ou entre todas as que ainda virão,
faça uma breve pausa... mais jamais descanse.
Refugie-se em silencio dentro de si mesmo,
e em descuido, ou em devaneios... cante, dance,
leia um poema, abandone esta voracidade extrema,
e faça um inventário do que ainda guardas na alma.
O que ainda tem em estoque, ou avoluma em demasia.
Talvez, com a rudeza do cotidiano, tenhas mais ressentimentos, rancores,
acumulou mais ódio... que amores.
Foi descomedidamente mais sôfrego... que alegria.
Terás que ter um tempo para estancar o sangue que brota de dentro,
e tratar desta hemorragia ocasional nos sonhos.
Os reveses da luta, às vezes esvaziam em timidez a própria coragem.
Necessitas reconstruir o seu olhar sobre si mesmo,
e fazer do destino um novo norte, uma nova abordagem.
Há que se... dar fio a espada da ousadia,
curar este ardor no peito, este vazio sem explicação, esta rua sem direção,
este frio descabido, estas madrugadas de agonia.
Há que se... preciso for... até bailar enlouquecido com a solidão.
Entre uma batalha e outra... faça um inventário do que ainda tens.
Guardamos com intemperança tudo aquilo que nos cansa,
ficamos reféns das coisas, e dos outros olhares.
Existe só um momento na vida para ser feliz... agora.
Proveja, reabasteça a alma sem demora.
A fugacidade do tempo pode lhe nocautear na esquina,
e perceber mais tarde que não viveu na verdade o que te fascina.
Bom mesmo é ter em estoque na alma... sentimentos,
risos soltos, aventura descomprometida, graça... destemor,
algumas doses de atrevimento, o descaro do risco,
a insolência de recomeçar sempre, e a petulância de nunca desistir.
E depois de tudo, o arrojo de renunciar ao medo e dele não fazer segredo,
e prosseguir, sem interromper o sonho.
Entre uma batalha e outra... não basta afiar a espada, nem cair no sono.
O que fica... não é a dimensão da vitória, ou o infamar da derrota.
Na verdade nada fica, leva-se tudo... aqui é apenas uma paragem,
antes de voltar para casa, e entre uma batalha e outra,
neutralize o ódio, caminhe com brandura, lute com bravura,
muna a alma,
de amor.

Ari Mota

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

É NA ALMA QUE SE REFUGIA O SONHO

O tempo agiu com ironia comigo, roubou-me coisas,
e sei que também envelhece o meu corpo... sem o meu consentimento,
agarra na minha pele, enruga a minha face, e a mim fica afeito,
e tem... subtraído os meus amores, os meus abraços, e deixa... vazios e saudade.
Hoje mais pareço um mago em descompasso, e antes que desapareça a lucidez,
e tudo se evapore, ou acabe em solidão ou perca-se no tempo... em voracidade,
vivo intensamente o que me resta, o tudo que ainda me cabe, e ainda me pertence.
Sou insistência, persistência... uma tamanha resignação.
Tenho que cuidar da alma que jamais me traiu, e está aqui alojada dentro do peito.
Não sou este espectro que se apresenta, sou o interior que ninguém vê e não conhece.
E assim... sou sentimentos, mais alma,
e a apalpo, tateio vez por outra para sentir sua maciez, o afável do seu existir.
Não a deixo endurecer com as pancadas do cotidiano, nem enrijecer com a desilusão,
a guardo em noites de temporais, a escondo em madrugadas de vendavais...
Não permito a sua aspereza, nem a deixo petrificar... espero tudo passar.
Faço, às vezes um retiro, parece até que desisti... e que tudo vou abandonar.
Mas... tudo não passa de uma estratégia, manha de quem sabe esperar.
Preciso de silencio, tapar-me das ventanias.
Preciso de brandura, para não se perder ao meio das agonias.
Obvio é... que engulo as lagrimas com os meus sorrisos,
e faço o que for preciso... para sempre continuar.
Viver é sempre assim... dar mais um passo, como se nunca fosse o último.
Cuido da minha alma como um jardineiro da sua flor,
a rego em noites de desespero, a adubo em dias de sol escaldante.
trocamos caricias... ela é minha calma, e eu o seu calmante,
ela não me abandona... nem eu a ela, como estamos de passagem,
ela me causa deleite, me sacode por dentro e me dá coragem,
mas de todas as qualidades que carregas: uma das mais bonitas é a verdade.
Perdi coisas, e achei assustador. Perdi a juventude, e achei muito.
Como não me permiti perder tudo, fiz dela:
um refúgio dos meus sonhos,
e do meu amor.

Ari Mota

sábado, 21 de julho de 2012

SOLIDÃO COLETIVA

Primeiro, entrou sem pedir licença,
depois se instalou ao meu lado, esbarrou na minha pele,
como quem viesse me roubar o perfume, a minha essência.
Ficou ali de vigília... com as mãos no queixo me olhando,
como quem acintosamente fosse invadir a minha alma,
e tudo virou quietude, sumiu o barulho... e chegou a calma,
achei que o silencio era solidão,
e que o meu isolamento era desespero,
minha angustia... resignação.
Mais tudo era fantasia, pura utopia...
Eu na verdade estava fugindo da agonia,
e absorto na imensidão da rua, no vazio que se acentua,
temia estar imerso na coletiva solidão,
perdido... sozinho, no meio da multidão.
Mas, o que fiz... foi escassamente entrar para dentro... de mim,
e o destino me obrigou a fazer uma reengenharia do meu existir,
fiz de mim um lugar de contemplação, um refúgio de mim mesmo.
Vivo assim... parece que estou em retiro, só... em remanso.
Mas... sou ousadia, destemor... sou amanhã,
jamais deixarei de imprimir o atrevimento do meu grito,
nem recolher em desanimo o meu olhar, ou desistir.
Solidão é para os que em excesso esquecem o hoje,
e antecipam o amanhã, e arrastam em desassossego o ontem.
E como não bastassem... vivem esse descomedimento de voltar,
vasculhar o passado, remastigar em aflição as saudades,
restaurando em melancolia as derrotas...
E remoendo em inquietação as magoas e as verdades.
Existir é um extasiar diante do inusitado e do medo, mas continuar,
não é permitir o esvaziamento da energia da alma, e perdê-la ao vento.
Meu caminho...
bifurca em vários trechos, tento atalhos,
veredas em imaginação... às vezes me perco, outras me encontro...
vou sozinho,
tenho uma luz própria, vem da minha alma... sou pura tentativa,
só não sou e nem parte faço... desta solidão coletiva,
desta ausência de perspectiva...
e amor.

Ari Mota

sábado, 14 de julho de 2012

ANTAGONISMO DO CAMINHO

Um dia...
o destino inadvertidamente esqueceu em meu caminho:
uma caneta e uma espada.
Confesso... a espada brilhou nos meus olhos,
sua lamina com a agudeza dos seus gumes, deu-me coragem,
atrevimento.
Até pensei que doravante meus confrontos, meu corpo-a-corpo,
seria de um soldado de infantaria e iria me trazer todas as vitórias,
em contentamento,
e eu iria combater em todos os terrenos com todo o destemor.
Por um tempo a portei no coldre, a carreguei no ombro,
deu-me força, vitalidade.
Houve um momento... com ela em punho,
quase... sai por ai, julgando os outros sonhos,
e sentenciando outros vôos, este é meu testemunho.
Mas... sorte que nunca a usei, nem a desembainhei em luta,
e com ela nunca feri, nem sangrei.
E o tempo passou... ela não só pesou no corpo, como na consciência.
Um dia... em desilusão a abandonei pelo caminho.
E em delírios... resolvi utilizar a caneta, transformei-me em poeta.
Obvio é... sou quase uma peça de museu, uma coisa em desuso,
sou um escritor prolixo, um escriba difuso, com uma rima em abuso.
Transcrevo linhas atrevidas, teclo sempre a palavra: amor.
Sou às vezes obstinado, repetitivo... em dizer:
É preciso ter coragem para ser feliz, sempre.
Minha escrita é lúdica, quase incompreensível, ataco sem machucar,
sangro às vezes sem ferir, travo diálogos com a própria alma.
Redijo somente para os loucos, e aos que ainda insistem em amar.
Falo aos que ainda conseguem ver as borboletas, os anjos,
e dançam com loucas bailarinas, se emocionam diante de um Jequitibá,
e em devaneios extasiam-se perante uma flor.
Componho para os que tracejam um caminho, em esperança.
Para os que jamais irão abrandar a luta, ou desistir,
poeto para os que dançam com o medo,
e não fazem segredo do seu aguerrir.
Sei que é pouco... ínfimo até,
mas, falo para os que sabem dos perigos do cotidiano,
e sem engano, continuam... enfrentam os temporais,
o mar bravio... as incertezas do destino, os ventos... a maré.
Um dia... abandonei a espada, que todos a tem em mãos,
a portam como um troféu, um símbolo de poder,
e ficam assim, toda uma vida, e são... mais um na multidão,
perambulam como autômatos... nesta coletiva solidão.
Eu... virei poeta, silêncio... olho para a vida com amor,
sou quase isolamento... em tudo encontro beleza,
poetizo a vida... com singeleza...
hoje, sou contemplação.

Ari Mota

domingo, 1 de julho de 2012

UMA ALMA EM SOBREAVISO

Houve um tempo que tentei voltar, desistir...
Mas eu não sabia... o destino estava atrás de mim,
removendo o caminho,
destruindo as pontes, as referências, os retornos...
Quando olhei para traz encontrei um nada abismal,
não tinha como voltar sozinho,
além da solidão, do frio... e o vazio do regresso,
morreria ao meio do vendaval.
E fui apreendendo a apagar o passado,
mas... bom mesmo, e ao meio de tudo isso,
foi que, consegui colocar na minha bagagem:
Valores... de alguns, que comigo conviveram.
Coragem... de outros, que ao meu lado enfrentaram os temporais.
Valentia... de outros tantos, que me ensinaram nunca desistir,
e assim tem sido minha viagem.
Como não posso e nem consigo voltar,
fui apreendendo a morrer... todos os dias,
e renascer no alvorecer dos meus sonhos, em todas as manhãs,
nelas... sempre encontro um novo dia,
uma nova vida, um novo olhar.
E existir tem sido um acinte a teimosia, um passeio descomunal,
não desisto...
mesmo estremecendo diante da incerteza,
rompo às vezes o silêncio de mim mesmo e de forma visceral,
aprendi a me destemer,
sem se acabar, ou achar que vou morrer,
e assim... como desconheço o voltar,
tenho ido... um passo de cada vez, e sei que posso,
sim eu posso...
dentro de cada um, existe, “um” outro... que pode mais,
uma... outra alma em sobreaviso, em prontidão,
e eu acredito neste outro... que na verdade sou eu mesmo,
que me acalenta em madrugadas de aflição.
Houve um tempo que tentei desistir, voltar.
Mas eu não sabia... o destino só me deu uma direção... ir, caminhar.
Em vista disso, eu sei somente seguir... com todo o destemor.
Vou ao chão muitas, das vezes... e levanto...
Porque, o que busco nesta minha passagem... aqui,
é amor.

Ari Mota

domingo, 24 de junho de 2012

PROVER A ALMA DE SONHO

Para todos os reinícios... recomeço,
arrisque mais um tanto... e depois mais uns...
sem desistir nenhuma vez.
Todavia, se a incerteza acomodar ao seu lado, como uma ventania,
use a força do vendaval para mudar, sair do lugar,
descortinar todas as duvidas, e desnudar o talvez.
Nem que irresoluto, esteja com medo, nem que o peito arda de solidão,
ou que a insônia traga desespero... e a madrugada roube a ilusão.
Não permita... esvaziar a alma,
pode ser que você passe a consumir a si próprio,
e, ficará... vazios, onde deveriam existir sonhos.
E de todas as patologias... a autofagia da alma,
é a mais perversa delas, a que vai lhe abater,
e subtrair-lhe a calma,
não só nesta vida, como em outras que viverá,
não se deve fugir dos combates, dos embates que o dia nos dá,
se o fizer neste existir... morrerá para sempre,
ofereça resistência... arrisque mais uma vez.
Reabasteça a alma para as intempéries do destino,
destes invernos que chegam sem avisar.
Recolha-se, realinhe-se...
Faça uma reengenharia no olhar,
traceje um novo caminho, nem se sozinho,
tiver de continuar.
Existir é assim... tem suas estações.
Prepare-se, são sucessivas transformações,
a vida tem seus invernos, mas também seus verões.
Não esqueça, de prover sua alma de sonhos,
se, vazia... terás que nutrir-se, da sua própria substância,
e tênue é nossa energia.
E existir é assim... tudo, num tempo muito curto, pode esgotar.
Proveja de sonho... a sua alma,
arrisque mais um tanto...
Continue... nada termina... nem o amor, nem as batalhas,
só mudam de tempo,
e de lugar.

Ari Mota

sábado, 16 de junho de 2012

A FORÇA DA ALMA

A vida é uma grande arte... e inacabada,
não tem como dar a última demão,
ela sempre terá que ser retocada.
E todas as vezes que o silencio anteceder a calmaria,
olhe para dentro...
abra o peito, arranque da alma toda a força,
equilibre-se em si mesmo, rompa todos os temores,
e prepare-se, um dia... inadvertidamente,
pode ser que você seja interrompido pelo barulho das ventanias.
E assim tem sido a minha vida, não será diferente da sua.
Portando... avigore a coragem,
no isolamento da noite, ou nos passos na rua.
Quando tirarem-lhe o chão e não ter aonde ir... nem ficar,
ainda lhe resta uma vicissitude... voar,
e isso é só para quem sonha, e sonhar é possuir asas invisíveis.
E depois... ria de si mesmo e recomece... tenha a avidez do recomeçar.
Quando a aridez do caminho lhe fizer companhia,
e a solidão lhe abraçar em agonia,
olhe para frente, levante o olhar.
Você é maior que todos os universos, maior que o infinito,
ouse no desafio... ao inusitado, nem que seja no grito.
E o que você precisa é uma correção de rumo,
uma trajetória mais lúdica... a vida tem que ser um prazer,
mesmo quando acabar o caminho e no intimo sentir-se... sozinho.
Existir é a arte de se refazer...
E tudo fica ínfimo, tênue: ganhar ou perder,
se tudo é uma ilusão... até perder-se em solidão.
Abra o peito, arranque da alma toda a força, e siga,
desapareça ao meio das ventanias, em busca dos sonhos.
Abra o peito, arranque da alma toda a força,
e se nela ficar vazios... e para não perder a ternura,
à preencha de alegria e brandura,
sem perder todas as outras grandezas:
um abraço, um beijo ardente, uma cama quente,
e o voar das borboletas, o bem-te-vi, o beija-flor,
mais se, contudo, nos reinícios... inda ficar vazios,
coloque na alma, mais...
amor.

Ari Mota

domingo, 10 de junho de 2012

A DISTÂNCIA DO NOSSO AMOR


Eu às vezes te procuro...
Só a encontro do outro lado da distância que nos separa,
e eu a queria assim... abraçada, a minha alma,
quase dentro de mim.
Hoje, a cama em desalinho... reclama por você,
e a insônia invade a minha calma.
E eu tento mensurar o tempo que dura a sua ausência,
e na descoberta vejo que não tem fim.
Às vezes encontro um intervalo entre nós,
um “nada” que nos envolve, uma dor imensa,
uma saudade... sem partida,
um adeus... sem despedida,
um “quase nada” entre eu... e você.
São vazios desnecessários, solidão descabida,
eu às vezes te procuro...
Só a encontro do outro lado do sonho,
como uma miragem, uma aragem desvalida.
O amor precisa pactuar o nosso encontro,
um tem que sentir o perfume do desejo,
o outro... abraçar, sentir a pele, o sabor do beijo.
Eu às vezes te procuro... necessito da sua singeleza.
E só... a encontro do outro lado... fria... na tela de um computador.
Mas, o que eu queria... era um passeio de mãos dadas.
Eu queria o toque, contar minhas histórias,
ouvir as suas, e depois... enlouquecidos,
dançar ao meio das borboletas, rir... chorar,
e em desvario... abraçar teu corpo, amar.
E depois, roubar-lhe um suspiro e lhe ofertar uma flor.
Eu às vezes te procuro...
E... só encontro o abandono que nos separa,
a distância do nosso amor.
Tudo isso, são delírios de um poeta,
que em saudades, encontra... vazios,
precisa da suavidade do aproximar-se, do calor da alma.
E você... está sempre do outro lado, distante,
escondida... na indiferença de um monitor.

Ari Mota

domingo, 3 de junho de 2012

ACENDER A PRÓPRIA LUZ


Se ficares olhando em retrospectiva...
E não conseguir mensurar as mudanças da alma,
e um desassossego insistir em ficar e demorar a sair,
e depois, uma angustia descabida, uma dor desconhecida,
apossar do riso, e fazê-lo afogar no próprio vazio, sem sobreaviso,
e uma ausência de si mesmo... transformar tudo em escuridão.
Talvez... sua trajetória não foi evolutiva... inerte,
não caminhou em busca da própria luz,
ninguém nasce o que é... tudo é feito de mudanças:
Altera-se, aprende, perde, caminha sozinho,
seca as lagrimas, as devora em noites de desespero,
ri, e continua...
Viver é provocar o medo...
é aprender a existir até com o arrepio da solidão.
E o tempo nada ensina, se dele nada extrair.
A vida é como um túnel... a luz sempre estará um pouco adiante,
como se fosse um horizonte.
E para alcançá-la... tem que quebrar todos os paradigmas,
desprender-se de todas as verdades, e de todas as mentiras,
refazer todos os caminhos, renavegar em todos os mares,
reparar todos os abraços, reconstruir todos os olhares.
E viver é isso... é uma empolgação descomprometida,
é um... agarrar ao imponderável fim... e assim,
vividamente... desprender, de todos os temores, e hesitação.
Acorde sempre com saudade do poder que você nunca teve,
e desafie você mesmo... ao novo, ao inusitado,
só você, sabe... quem és, esta busca é só sua.
Abandone tudo que te capture, te ofusque, e que não te seduz,
desapegue da pequenez dos que o tratam com desdém,
e não reconhece a sua própria luz.
Só quem se liberta... evolui.
Seja de suas asas... o gestor,
faça da sua alma, luz...
amor.

Ari Mota

segunda-feira, 28 de maio de 2012

ALMA QUÂNTICA


Eu que ávido por saber...
jamais entendera sobre quântica.
Hoje, as 06h30min quando o sol, tímido... descortinava,
uma “catadora de Papel” ministrou a melhor das aulas.
Ao colocar o lixo, pediu-me se poderia abri-lo,
queria retirar latinhas e o mais importante, os lacres.
Pois, com eles trocaria por cadeiras de rodas,
e que para o asilo ela doava:
“é pouco, mais é o que posso fazer”
- faço com toda a minha energia.
E eu... que sempre quis quantizar a energia do amor,
em metáforas... e como virei poeta, entendi tal grandeza,
que diante de tamanha transcendência, e beleza,
emudeceu-me.
Diante de mim... perplexo, estava uma alma quântica.
Parecia um anjo azul, um adulto índigo,
irradiava uma luz interior,
quantizava a energia molecular dos sentimentos.
Era toda... brandura, uma infinita doçura.
O mundo ficou menor, e tudo se apequenou:
o dinheiro, a soberba, a avidez do lucro,
inclusive... eu.
Quis entender como quantizar a energia do amor,
entender de quântica... e consegui,
nem Albert Einstein, nem Max Planck,
deram-me esta descoberta.
Eu que ando tentando inventar um novo mundo,
e libertar-me do que me limita,
e ando provocando com a minha poesia,
um reformar da inteligência, um reequilíbrio da alma,
com mestria,
quantizei a energia do afeto.
- e... é um ato apenas,
um lacre apenas,
uma atitude apenas,
singeleza...
amor.
Nada mais.

Ari Mota

domingo, 20 de maio de 2012

ANTIVÍRUS PARA A ALMA


Se...
um espaço vazio brotar visceralmente dentro do peito,
e o vento da ousadia não mais esvoaçar rente aos seus sonhos,
e o medo vier... impiedosamente lhe fazer companhia,
e a dúvida instalar como um invasor em agonia,
e lhe tirarem o vôo livre, o arbítrio, sua imensa determinação,
e depois... inibirem os saltos profundos dentro de si mesmo.
Podarem o riso, e fazerem o que for preciso,
para neutralizar o que tem de autentico e de verdade,
e depois... deixá-lo em aflição.
Se...
fores invadido...  e restringirem o seu abraço,
querendo alterar o seu rumo, direcionando seus desejos,
alojando dentro do peito a incerteza e o desamor...
Não tenha dúvida... um vírus adentrou na sua alma,
contaminou o seu caminhar, corrompeu o seu olhar,
entrou sem sua permissão, aprisionou o seu grito,
inibiu o seu acesso a alegria, e em demasia,
o transformou em solidão.
Terás que aceder ao seu destino, por outro caminho.
Mas, não ponhas a andar, sem a avidez de um guerreiro.
Nem transite desatento sem ver... nos outros a indelicadeza.
Nem desperte indefesso para passar o seu dia.
Talvez... onde você está, não seja um lugar bom para se viver,
tenha coragem de mudar tudo isso,
e faça tudo sem perder a delicadeza.
Invadiram sua alma... só por vê-lo feliz,
só por vê-lo amando, dançando com aquela louca bailarina,
contando estrelas, escrevendo poemas, virando poeta,
passeando em alucinação com algumas borboletas,
cuidando do bonsai, sentindo o perfume da flor.
Se...
Perceberes que um vírus invadiu a sua alma,
tenha calma.
Não tenha medo... vou te contar um segredo.
Só tem um antivírus...
o amor.

Ari Mota

domingo, 13 de maio de 2012

CATIVAR O MOMENTO

Volte...
vez por outra no passado, para buscar o que viveu,
e depois mergulhe na ilusão do amanhã para buscar os seus sonhos,
mais volte em ligeireza... para o seu agora,
este é o seu grande momento.
Volte... algumas vezes onde a inocência se perdeu,
e nada traga... nada busque, nem remoa angustias vividas,
não ouça o eco dos soluços, nem filtre as lagrimas vertidas,
jogue-as, esparrame-as ao vento.
Vá...
entranhe-se na distancia do amanhã, na certeza da dúvida,
e que nada possa encontrar... além dos segredos do existir.
E depois venha viver e cativar este instante,
e em êxtase viver este momento... senão ele passa,
e um vazio arromba a sua alma,
escancara a sua lucidez, o deixa à margem,
sem alento, sem vontade de continuar.
Não ande a procura do que passou, nem tema o que vai chegar,
podes embrutecer a ousadia e abandonar o atrevimento,
e morrer... antes de arriscar.
Cativas o agora, este momento...
Ouça a musicalidade do mundo, aperceba as pessoas,
o murmúrio de um rio, o cantar dos bem-te-vis,
a visita das borboletas, a coerência de um abraço,
a sutileza de um carinho, o descobrir de um caminho,
e ame em demasia... além do extremo de si mesmo,
ria, dance, sinta uma linda melodia,
antes, que tudo se torne cansaço.
Cativas este momento, ele é único... ímpar,
coloque harmonia no olhar, não viva em descompasso.
O agora... pode ser o último instante, o último esplendor,
amanhã... sozinho... em solidão,
podes não ter ninguém para cativar,
morrer de amor.

Ari Mota

domingo, 6 de maio de 2012

OS GRITOS DA ALMA


Há dentro de mim um embate, um antagonismo sem fim,
tenho um em desanimo... grita o não, o outro em alegria... grita o sim,
há um corpo pedindo descanso, uma alma provocando o rejuvenescer,
às vezes a percebo... arrastando o corpo em desespero,
um querendo ir embora... o outro chegando como se tudo fosse...
agora.
Dia desses o corpo doía, e a alma em descompasso... ria.
Sei que um às vezes provoca o outro... mais tudo isso sou eu,
corpo em desconcerto, alma que renasce todas as manhãs.
Meu corpo cansado, já não mais baila ao ritmo de um rock and roll,
aí... aparece a alma enlouquecida dançando na chuva,
brincando em baixo de um temporal.
E quando a noite cai, o frio vem machucando os ossos,
o corpo corre e esconde em baixo de um cobertor,
mas, minha alma em solavancos desperta em sonhos,
e vai dançar em devaneios... sozinha em noites de solidão.
Um é impaciente, sempre quer adormecer, o outro juvenil... busca viver.
Um descansa, o outro ainda grita por desejos.
Um quase abandonou o tanger do abraço, o outro ainda quer beijos.
Um às vezes enrosca com o medo, o outro é pura ousadia.
Um às vezes senta a beira do caminho, o outro continua,
quase vai sozinho.
E tudo isso vira beleza, harmonia.
Um tem a face carrancuda, o outro ri em demasia.
Um já não acha graça, o outro ainda sonha.
E tudo parece um disparate... mais é pura simetria.
Um quase já não fala, o outro em silencio,
insiste em ser poeta, fala de amor.
Um às vezes já não procura água para regar a si mesmo,
o outro cultiva um bonsai, e uma flor.
Bom mesmo... é que este conflito sou eu.
Na verdade esta guerra aqui no peito completa-me,
me faz continuar, evoluir... me acalma.
Hoje, quando olho no espelho já não me vejo.
Envelhecido...
Hoje... sou mais alma.
E isso me basta.

Ari Mota