segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

RESTAURAR A SI MESMO

De tudo ficou que... tudo ainda é possível restaurar,
antes de ir embora.
Talvez não dê para refazer as escolhas, mais prudente,
é... errar menos, escolher melhor, questionar mais, sem demora.
E tudo que ficou... obvio, é que a maioria tem que... jogar fora.
E antes que tudo... acabe, reclassificar o que ficou na alma, o que valeu,
o que veio como brisa, e aquietou-se em nossa cama, e conosco adormeceu,
e o que aportou em riso e em disfarce emudeceu o choro,
e em alento amparou o soluço, estancou as lagrimas,
e em abraço... aqueceu o frio,
e tornou-se silencio em noites de desespero, e sol... em manhãs de vazio.
Mas se, contudo, uma inquietante solidão apossar da alma,
e um vão abrir no peito... numa incisão descomunal.
E um rasgo lacerar a carne como quem fosse golpear o íntimo,
e arrancar aos gritos... o que tens dentro, e o seu olhar,
e perdido... sozinho, procurar em vão o caminho,
como se estivesse ao meio de um vendaval,
hora é... a de restaurar a si mesmo.
E ainda é tempo de sintonizar o seu próprio mundo, e transformá-lo.
Mas, não crie mundos que você não possa sair dele, e não desbravá-lo.
Existir é descobrir, polir as rudezas do cotidiano,
desconstruir o orgulho, desbastar a altivez.
É... jamais desiludir com a ética, nem fugir da justiça ou do desengano.
Pode parecer... uma eternidade, mas em fim,
chega um momento do existir... que não tem outra estrada,
e basta docemente ressurgir de dentro,
e tracejar um novo rumo e descompassar a caminhada.
E fazer da voracidade... leveza, e da agressividade... gentileza,
e ir desmanchando a arrogância, e redesenhando no gesto... elegância.
E depois... ir se refazendo, se acendendo com todo o resplendor,
fazer a vida arder, afoguear em êxtase, sem perder a calmaria,
e em silencio renascer todas as manhãs, como se fossem únicas,
revestir-se de lucidez, e rir em demasia,
verter-se em alegria, simpatia, derramar em riso
e se preciso
transbordar
de amor.

Ari Mota

4 comentários:

Claudete disse...

Disse tudo Ari: transbordar de Amor. Feliz 2013! Obrigada pela agradável e enriquecedora companhia.

Marilu disse...

Querido amigo,

Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Mora uma louca chamada Esperança:
E quando todas as buzinas fonfonam
quando todos os reco-recos matracam
quando tudo berra quando tudo grita quando tudo apita

A louca tapa os ouvidos e atira-se
e - ó miraculoso voo.


Acorda outra vez menina, lá embaixo, na calçada.
O povo aproxima-se, aflito
E o mais velhinho curva-se e pergunta:
– Como é teu nome, menininha dos olhos verdes?
E ela então sorri a todos eles
E lhes diz, bem devagarinho para que não esqueçam nunca:

– O meu nome é ESPERANÇA !!

Desejo a você e a todos aqueles a quem ama um FELIZ ANO NOVO.
Beijocas

Denise disse...

Que fique restaurada a esperança, refeita a alegria e imersos na magia de viver, os sonhos para 2013!

Um grande abraço, meu carinho e afeto!

Anônimo disse...

Aprendi com uma professora de literatura que poesia deve tocar sua alma, ser a descrição de sentimentos que você não consegue decifrar.
Pois ao ler muitos conhecidos e desconhecidos não me achei,fui me achar hoje, em sua poesia.
Obrigada por decifrar estes complicados sentimentos.