sexta-feira, 12 de outubro de 2012

SÓ PARA OS LOUCOS

Faz tempo e como faz... absorto no ceticismo do meu existir,
na própria dúvida do caminho, na incerteza da minha verdade,
e vagueando sem rumo e sem destino.
Encontrei... uma figura impar, singela... sentou ao meu lado,
e tudo virou calmaria, cessou a torpeza dos homens, e a minha aflição.
E calmamente segurou em minhas mãos... e disse-me: viver é desfrutar.
Busque esta luz que tens na alma, ilumine esta negrura que carregas,
esse desassossego em viver, esta angustia descabida, esta perturbadora inquietação,
ofereço-lhe a imensidade estampada a frente dos seus olhos.
E te proponho, freqüentar a minha casa... tenho a essência de todos os seres,
a beleza do riso, e se preciso dou-lhe a minha contemplação.
Estou em tudo... sou o vento, a água límpida, o voar de uma borboleta,
acha-me em todos os lugares... até dentro de você, estou num sorriso descomprometido,
na fragrância das flores, no aroma dos eucaliptos, na relva e nas cascatas.
Sou pequeno como uma gota de orvalho, sou grande... maior que o meu próprio sonho,
sou areia fina, sou aquele rochedo lá no alto, sou quietude, mas às vezes bramido.
Meu grito não é de amargura... é de delírio em existir, e agradecido.
Ando sempre acompanhado dos espíritos das florestas,
sou ingênuo... pura criancice e com elas faço todas as festas.
E a loucura... cura a minha alma e faz de mim brandura.
Desfrute a vida, e tudo que nela tem... e suas palavras vertiam como um feitiço,
e foi embora... dançando... só depois entendi que era Deus, o arquiteto de tudo isso.
Extasiou-me com tamanha simplicidade, tamanha doidice.
Eu que sempre fui um aprendiz, coloquei na minha sensatez... devaneios e sandice,
como a vida é uma travessia... só de ida, não tive outra saída.
Para não permitir que definam o meu sonho, nem acorrentem as minhas asas:
Cometi um desatino, aposentei a minha lucidez.
Como acredito na finitude de mim mesmo, resolvi mudar.
Hoje caminho na praia deserta, em baixo de uma garoa fina, ao lado de um mar revolto,
encaro o vento frio, em tardes de inverso... sozinho naquela imensidão,
calo-me em vigília e em busca de calma, e passeio em desvario com minha alma.
E sei que isso é para os diferentes... só para um louco.
E já não mais estranho, quando me perguntam por que da solidão.
Talvez, quem anda sozinho já se encontrou.
Hoje... faço minhas escolhas: virei silêncio, contemplação.
Nas minhas triagens tenho o meu ritmo, os meus livros, a minha musica,
o meu caminho, que mudo todos os dias, e também o meu olhar.
Os loucos são livres... eu sempre serei livre,
até para amar.

Ari Mota

2 comentários:

Denise disse...

Virar silêncio, contemplação...é para os evoluídos, jamais pode ser confundido com loucura...tua resiliência me comove, Ari - essa caminhada é árdua, mas muito bonita...te admiro!

Um grande abraço!

Marilu disse...

Querido amigo, e o que é a loucura? Talvez a liberdade de fazer tudo o que queremos e por estar tão ligados a conceitos sempre voltamos atrás. Lindo texto. Adoro Sarah Brigthman.Beijocas