quinta-feira, 19 de novembro de 2009

O TEMPO











O tempo evidenciou rugas em minha pele,
e pintou o meu cabelo de branco.
Ele entrou peito afora,
intimidou minha alma,
achei que não iria conseguir,
conseguir vencer as etapas,as fases,
vencer os dias, as noites infinitas.
Mas, também foi meu mestre,
discorreu sobre as verdades da vida,
a transitoriedade do sucesso,
e o quanto, fracassar nos faz renascer.
E todas as vezes que ele impeliu minha alma,
foi para o crescimento, aumentei de tamanho.
Hoje...
Habituei-me as rugas e aos cabelos brancos.
Estou no tempo da contemplação:
passaram por mim tanta beleza,
tanta ternura, tanto amor,
não os vi por falta de tempo.
Mas, hoje percebo tudo que passa,
o que passa em frente aos olhos e na alma.
Amo com mais intensidade, vivo também.
Descobri as borboletas, o vento no meu rosto,
a sutileza de um olhar, e o amanhecer.
Na verdade estou no tempo da descoberta.
E descobri que minha vida é um espetáculo imperdível.

Ari Mota

2 comentários:

paula barros disse...

Ainda bem que essa contemplação chegou, para você, e para mim em algumas coisas, mesmo com as rugas e os cabelos brancos.

Mas tenho a sensação que tenho muito ainda a aprender. Principalmente no amor.

Sou admiradora do que você escreve.

Ana Lúcia Porto disse...

Oi Ari,

Que texto mais verdadeiro...

De fato, cada dia que se passa vamos aprendendo algo novo, vendo de maneira diferente, sentindo melhor o que se passa conosco. Contudo, às vezes, são precisos anos para sabermos dessa diferença toda, que ocorreu em nós...

Beijos e também gosto muito do que escreve e como escreve,
Ana Lúcia.