terça-feira, 12 de janeiro de 2010

OBRAS INACABADAS


Procure terminar a tela que iniciou, e a escultura que começou,
não passe por esta vida como um artista de obras inacabadas,
nem Vicent Van Gogh, que teve uma vida de fracassos... o fez,
sofria da alma, não conseguiu vencer o medo da vida, sucumbiu a ele,
mas, dentro da tamanha esquizofrenia que tinha... terminou todas as telas.
E François Auguste René Rodin que paradoxalmente teve toda sua obra rejeitada,
confundida como um esboço... dava-se a impressão que não acabara nenhuma delas,
e na verdade o escultor baseava-se no conceito “non finito”... era seu estilo.
E assim... é nossa vida... temos que terminar nossas obras.
Não há que deixar para um outro dia, amanha ou talvez quem sabe... no futuro.
Temos que ser hoje... construir agora... não podemos ser metade, temos que ser inteiro.
Não viva meia vida, nem meio amor... viva com toda a intensidade... com toda paixão.
Não faça meio carinho... a tome por inteira... ame-a com os poros, com a alma.
Não recite parte de um poema... se possível declame todos eles... com ternura.
Acalme... silencie... termine o que começou... pode ser um abraço, um beijo, um afago.
E na sua tela... na tela da sua vida inicie o seu esboço espectral... maravilhosamente,
que ao terminar seu auto-retrato não espelhe arrogância, nem prepotência,
e que deixe estampado sua face em risos, seu semblante em verdade, seu olhar em amor.
E que ao esculpir o próprio corpo, ele tenha a sutileza de um anjo estendendo os braços,
e que fique catalogado na história da arte... como o homem que veio do céu.
Não passe por esta vida como um artista de obras inacabadas...
Faça tudo terminar... menos o amor.

Ari Mota

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