quarta-feira, 14 de abril de 2010

AMOR PLATÔNICO


Em uma dessas madrugadas de insônia...
Encostado na cabeceira da cama, e absorvido pelo silencio
da noite,
ouvi o pulsar da alma, que também inquieta, ia de um lado para
o outro.
Alguém me chamava, sussurrava como se escondida estivesse,
desesperado,
resolvi abrir uns arquivos de segurança, umas pastas de backup.
E o passado abriu-se em minha tela, despencou em meu colo,
e como um posseiro, invadiu o meu existir...
e se fez saudade.
O amor platônico da minha juventude...
sentou-se ao meu lado,
fitou-me com um olhar de amor... e começou a cantar.
Minha timidez de menino sempre o mantinha a distancia.
Introvertido o guardava sempre escondido no meu mundo
de sonho e fantasia.
Sabia da sua impossibilidade, mas o concebia como puro,
casto.
Era um sentimento inatingível, mas de uma beleza
imensurável.
Ela cantava para mim...
Vê... que, de repente tudo não passava de um delírio noturno.
O  meu amor platônico se fora numa overdose de heroína,
seu talento foi menos importante que o vicio e as drogas,
aos 27 anos... suas cinzas foram lançadas no Pacifico,
ela chamava-se Janis Joplin.
Em uma dessas madrugadas...
depois de desligar o computador, dormi como um menino.
Mesmo porque, hoje...
o meu amor é uma bailarina louca e umas borboletas.

Ari Mota

7 comentários:

Ana Cristina Cattete Quevedo disse...

Sabe que os amores platonicos são os que guardamos na mente com mais carinho?
Por que será?

Beijo!

=)

Denise disse...

Será que todo grande amor não carrega um pouco da idealização dos amores platônicos? Desconfio que Platão tinha uma alma imaculada, para concentrar-se na virtude humana, supondo que seus atos fossem puros, reflexos de um amor...perfeito.

Não sei se te ocorre o mesmo Ari, mas observo que todo texto tem uma frase que se destaca, um apelo. Neste não é diferente. A força visceral do texto aparece no instante em que esse trecho encorpa a emoção que paira no suspense que aguarda a última palavra, o ponto final - e então...ela "despenca" , rola e invade a gente...maravilhoso, Ari. Muito bonita tua descrição sobre a saudade de um amor imensurável, inatingível. Puro, casto. E platônico. Me emocionou...

Abraço forte.

Sonhadora disse...

Meu amigo
Muito belo texto.
deixo um beijinho.

sonhadora

Canduxa disse...

Ari, querido amigo

Fizeste bem reviver esse amor platónico, talvez por isso hoje se tenha transformado em bailarina e borboletas...quanta liberdade!

Ainda me lembro do meu....porque será que é sempre um impossível?

Fizeste-me recordá-lo (ADAMO)retirá-lo do fundo do coração onde se encontrava adormecido....hoje não tenho nenhum...talvez porque o meu coração ama o Mundo inteiro.

um abraço de além-mar

Carmem L Vilanova disse...

Caro amigo,
Estou passando para deixar os meus habituais flores, beijos e milhares de sorrisos e convidá-lo a conhecer meu novo projeto, o Instituto de Mutismo Seletivo, um espaço dedicado a todos os pais, professores, amigos e conhecidos de alguma criança portadora de Mutismo Seletivo e, juntos, poder dar voz aos que sofrem em silêncio...
Contamos com seu apoio e sua divulgação aos amigos, parentes, conhecidos, vizinhos, etc, etc, etc... O site é o http://mutismoseletivo.org/
Beijos, flores e muitos sorrisos... sempre!

Marcello disse...

Concordo com a Ana Cristina, os amores platônicos são os que eu guardo com mais carinho na memória.

Fátima disse...

Oi Ari, nao me conheces, mas quem sabe a partir de agora.. Bem..passeando por tua página me deparei com esse texto e preciso te dizer algo. Semana passada tb na madrugada resolvi assistir pelo you tube uns videos da Janis que há muito nao via. E nem imagina a saudade que me deu da vida, daquela época perfeita de adolescência, chorei, mais chorei..um horror..rs.
Com amores direfentes, mas deixo aqui a minha identificaçao com esse momento da tua alma. Abraços Fátima