quarta-feira, 22 de setembro de 2010

TATUAGEM


Nosso amor tem sobrevivido todo este tempo,
todos estes temporais,
e mesmo assim, eu queria que ficasse para sempre,
e sempre eu ainda acho pouco,
preciso que permaneça mais um tanto,
algumas vidas a mais.
Já o coloquei dentro de um coração feito a canivete
naquela arvore da praça.
Depois docemente fantasie-me de poeta e o depositei para
dentro de um poema tímido,
de um verso ingênuo,
de uma rima descabida.
E naquela noite sussurrei em prosa, e o perpetuei no infinito.
E na madrugada seguinte... em delírios, o gravei nas estrelas.
E quando o sol se fez, convidei milhares de borboletas azuis
e saímos cantarolando todo o meu amor por você.
E tudo foi muito pouco,
preciso perpetuá-la em todo o meu existir...
Pensei... deixá-la tatuada na minha pele,
mas, efêmero lugar... e já envelhecida.
Não teve jeito,
a tatuei na alma.

Ari Mota

3 comentários:

Marilu disse...

Querido amigo e poeta, não há lugar mais lindo para se fazer uma tatuagem de alguem a quem amamos...que não seja a alma. Essa é para sempre, para a eternidade. Lindo poema. Beijocas

ValériaC disse...

Ari meu querido...absolutamente lindo seu poema...emocionante...ver um amor tão grande...tatuado na alma...adorei...
Tenha um doce dia amigo...beijos...
Valéria

Denise disse...

"Tudo foi muito pouco"...que síntese poderosa, que carrega a imensidão do sentir atrelada à impossibilidade de dizer. As palavras articulam, mas são insuficientes - assim penso eu...

A grandeza desses teus textos preenchem a alma da gente, instigam e refletem sentimentos maravilhosos, que desisti há muito de tentar "explicar"...mas que ficam tatuados na gente, se apoderam e transformam-nos.
Obrigada por refletir o tanto que "me cabe"...não é à toa que me identifico tanto com o Resiliência - seu autor é sensível o suficiente para capturar a sua alma e, ao despir-se em palavras, reunir às suas, as nossas emoções.

Um grande abraço, meu amigo!!!!