quarta-feira, 15 de setembro de 2010

REFÚGIO


Quando jovem distribuía meus lamentos,
presenteava aos outros... minhas lamurias.
Destinava ao convívio, todo um exalar de pranto,
um repartir de choro.
Entregava-me... a deplorar ressentimentos,
e a queixar-se das desventuras.
Vertia-se em lagrimas de desespero e amimava meus medos
e mitigava minhas fraquezas.
Combalia-me nos combates, e debilitava-me nos confrontos.
Atemorizava-me com o não, com a recusa, com o adverso.
Necessitava da robustez de um ombro para suportar os soluços,
e a amparar o estremecer do corpo.
E atravessei o tempo, transpassei os ciclos,
fiz-me... prudente, discreto.
Evoluí... com os meus erros, enganos e desacertos,
e eu, que quando jovem me refugiei em outras almas,
hoje...
Fiz de mim... um porto.
Olho o mundo, as pessoas,
convivo com as diferenças,
com a inconstância humana,
com a desproporção e a aspereza do desamor,
e em silencio... me calo.
Retorno todos os dias para o colo da sensatez,
e faço do amor o ultimo sentimento do existir.
E hoje, fiz... da minha alma um refúgio eterno.
Recolho-me ao por do sol, ao chegar da negrura da noite,
asilo-me na quietação da minha própria serenidade.
Refugio-me das inverdades, e do falaz discurso,
e não o faço por medo, nem para esconder,
refugio-me para preservar...
Refugio-me... para dentro de mim mesmo,
por amor.

Ari Mota

5 comentários:

Tatiani Távora disse...

Não é uma poesia de palavras dificilmente delineadas para causar apenas um impacto, é a poesia escrita com o sangue que jorra, serenamente, nas veias da alma. A escrita é de uma verdade ímpar, fazendo-nos navegar nas águas desse sentimento robustecido: "quando jovem me refugiei em outras almas, hoje, fiz de mim um porto"

quando nos deparamos com as discrepâncias, tendenciosamente vamos nos marcando de forma negativa sobre alguns desses aspectos, a maior dádiva é fazer o retorno... voltar, sem marcas, para a preservação do amor, dentro de si.

um poema de acalantar a alma.

Marilu disse...

Querido amigo e poeta, você sempre termina seus poemas com...amor.
Mais um lindo poema...Beijocas

ValériaC disse...

Ari querido, maravilhosas suas palavras...sem dúvida alguma...voce amadureceu verdadeiramente...descobriu que a resposta para tudo está dentro de si...cresceu ...fez em voce, um refugio de paz, entendimento, serenidade e amor.
Beijos...
Valéria

Kelly disse...

Os anos vividos nos trazem mais sabedoria, sem duvida alguma.
beijos

Paula Figueiredo disse...

Me dá paz em meio as minhas desventuras, tenho ainda muito da insensatez juvenil... Chego lá (quem sabe) como vc!
Abraço!