terça-feira, 26 de abril de 2011

SOU O PRESENTE


Dia desses... após uma conversação,
alguém me disse: como era no seu tempo?
Em silencio escapou-me um sorriso que me tirou o jeito,
tomado de pasmo, sem estar pendurado na dúvida,
entendi ser apenas um conceito.
Tolerante que sou... complacente, flexível,
olho com docilidade as diferenças,
e salto livre nos abismos que separam as gerações.
Bem sei... que o tempo andou desgastando minha beleza,
alvejou a pele... a deixou meia que pálida,
disfarçou a cor ao rosto,
perdi o ruborizar da meninice, sem se magoar com o que passou,
não fiquei enroscado em lembranças, ou perdido em recordações.
Logo...
Atrevo-me, a abandonar pelas margens do meu existir,
os meus incômodos,
meus medos,
o que não posso fazer voltar.
Pertenço ao presente... sou do agora,
sou hoje, o passado é apenas alicerce,
minha estrada... construo a cada amanhecer,
em cada forma de amor, em cada maneira de amar,
refaço todos os dias minha visão de mundo... de mim,
por isso...
Se... querem me ver, me achar, identificar-me,
aprofundem na contemplação.
Não sou o que aparento,
sou o avesso,
sou o de dentro.
De mim... só a alma vale.

Ari Mota

6 comentários:

E.A. disse...

Ari, cada vez que te visito me dá uma sensação de ter valido muito a pena e fica um gostinho de quero mais.
Abraço de paz.

Denise disse...

Com esta, vc me deixa com meus ecos a confabularem com a existência...texto forte, profundo e belo!

Um abraço, querido Ari!

Cynthia disse...

Se quiser achar o exterior precisa entender que ele está no interno, mas é difícil olharmos para dentro, então precisamos da projeção aonde o outro faz esse papel pra nós. Bacana, abraço Cynthia

Rosa Maria disse...

Sr. Ari,vim visitar e maravilhar-me com suas palavras, adorei,tocou a minha alma...embora eu tenha me prendido nas lembranças do passado que foram de total relevância,a minha infância,meus queridos e saudosos pais,saudades do carinho deles para comigo. Obviamente que dos momentos que não valeram a pena no longo da vida eu me esqueci.Abraço.Rosa Azevedo

Nara Sales disse...

E é esse teu "eu" de dentro o mais valioso! Com o tempo, a gente deixa de contar a vida em relógios e passa a somente viver.

Alicia disse...

O avesso da coisa é a própria coisa.