terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

SOBRAS DE MIM


Em regresso fui vasculhar o passado...
E lançar ao mar das minhas emoções,
sobras de mim.
Deixar à margem do meu caminho,
restos de desilusões.
E de tudo que me aconteceu, de tudo que ficou empilhado,
guardado nos porões da alma,
engavetado como angustia, ou escondido como ilusão,
tudo que me estreitou, apequenou o meu existir,
toda a fúria em disfarce, todo medo em desistir,
tudo que fez de mim rancor, do meu abraço desamor,
do meu olhar em desalinho, do meu carinho em desafeição.
vasculhei a alma... joguei fora tudo o que me era de mais,
esvaziei-me por dentro.
Hoje...
Quando regresso ao passado,
minha alma, que de tão calma... nada trás de desprazer,
desliza pura e ingênua sobre o meu destino,
já não caminha, flutua a procura de mim,
voa sem esvaecer,
resiliente busca em devaneios... ser feliz,
vasculho minha alma todos os dias,
a procura de ódio, a procura de dor,
só encontro sobras de
amor.

Ari Mota

3 comentários:

Maria disse...

"... vasculho minha alma todos os dias,
a procura de ódio, a procura de dor,
só encontro sobras de
amor."
irei ler muitas e muitas vezes esses lindos versos. um big abraço♥

Denise disse...

Deixar para trás, desvencilhar-se do que já não serve mais, é construir no porão esvaziado, uma morada mais harmoniosa e feliz.

Linda reflexão, como sempre!
Bjos

claudete disse...

Esta busca é constante... é como uma oração e vigília para não cairmos na tentação da volta.O homem nu, por inteiro se veste para uma nova vida.Muito bom! É sempre um prazer te ler. Beijos.