quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

O MEU ANJO


Um dia... na meninice percebi que alguém me seguia.
O tempo fluiu, tomei corpo, adaptei-me as intempéries,
fui nuvem em noites de ventania,
fui riso em madrugadas de calmaria.
E sempre aquele espectro em meu passo,
agarrado ao meu vestígio, debruçado em meu cansaço.
Em uma destas esquinas do destino, o esperei em desatino,
e indaguei seu nome?
Manso como uma borboleta em transformação,
sereno como uma orquídea em perfeição,
segredou-me a meia voz... sou seu anjo,
o acompanho pelo caminho,
e nunca o deixei sozinho.
Em êxtase...
Não tinha o que ofertar, tenho tão pouco, sou tão pequeno.
Tímido, ofereci minha alma para ele morar,
pactuamos nunca um deixar o outro, até tudo terminar.
Hoje... envelhecido.
Sei que ele sempre foi minha bússola, meu norte.
Fiz dele meu mapa, não me perdi pelas estradas,
faço dele meu GPS, ensina-me os caminhos, é meu suporte.
Ele me acalma, é meu rumo, meu prumo.
Ele é amor.

Ari Mota

3 comentários:

Denise disse...

Um pacto..."até tudo terminar"...que expressão bonita, Ari, para falar da finitude...

Todos temos esse seguidor, incansável e invisível, mas inviolável companheiro.

Um abraço e um bom dia pra vc!

Sonia Pallone disse...

Como é bom te ler Ari, lamento não estar sempre presente por causa da falta de tempo absoluta, mas sempre que posso, venho me emocionar com as coisas que vc escreve e que encantam meu coração. Vc tem uma 'singeleza' de alma. É isso. Bjs

manosca disse...

Tímido, ofereci minha alma para ele morar.
Lindo!