terça-feira, 30 de junho de 2026

REVITALIZAR A ALMA


 








Quando recomecei...
Desconhecia o caminho e a direção,
e o que... eu queria era renascer maior,
revitalizar a alma,
mas... permanecer eu, me redescobrir,
ao meio dessa insana solidão.
 
Eu só queria... acolher-me com mais delicadeza,
e assim fui encontrando o caminho de volta,
e recomecei por dentro... sem cercas... sem grades,
sem o peso do amanhã,
sem acelerar em demasia,
sem esse desespero exacerbado de vencer,
o que eu procurava... era viver com mais leveza.
 
E aí... embrulhado no meu silencio,
recomecei em mim,
desvestindo-me de toda a incerteza,
sem abandonar a pessoa que fui.
Só sei que a vida me virou do avesso,
e tive que me vestir de mim mesmo,
para entender que recomeçar não é fracasso,
é um processo... formatando-nos para o fim.
 
E sem tempo de sonhar... tive que acontecer,
sem esquecer as tempestades que passei,
e a recusa em ficar pelo caminho.
Abandonei a margem de mim mesmo... o que me doía,
encerrei ciclos, e aprendi aonde não voltar,
e silencie-me em lugares que minha voz não era ouvida,
fui ser ausência, lonjura... e não permaneci sozinho.
 
E passei a não deixar nada para depois,
abandonei a “espera.”
Não permiti pausarem o meu existir,
recomecei a revitalizar o que aprendi... e fui viver,
depois das minhas tempestades... ressignifiquei o silêncio,
reconstruí tudo que travei aqui dentro,
passei a ser recomeços... não consigo desistir.
 
E hoje...
Sou só eu... vestindo-me de mim,
fui ser o meu próprio cais,
onde... chego sempre com a minha resiliência,
com a minha loucura e teimosia,
onde me esperam três dos melhores humanos que amei,
personagens da minha história, da minha vida,
da minha lúdica poesia.
 
Ari Mota