sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

O TEMPO QUE HÁ DE VIR

Que... o tempo que há de vir,
seja o reflexivo das minhas escolhas.
E que, eu continue tendo pausas,
silencio e contemplação.
Consiga segredar os sonhos,
e transitar... assim desapercebido,
quase esquecido pela magia do anonimato,
sem se sentir... na solidão.

Que... o tempo que há de vir,
reverbere todo o combate que travei.
E eu continue assim, um aprendiz desmedido,
sem perder meu maior defeito... a cortesia.
E jamais esconda os poucos enganos que cometi,
nas tentativas da construção do que hoje sou,
como não sei aonde vou... que nunca matem o meu encanto,
e o que me resta ainda... seja uma delicadeza de fantasia.

Que... o tempo que há de vir,
seja para semear singeleza.
E eu possa continuar cultivando a minha alma.
Me... rebrotando após as ventanias.
Tolerando toda insensatez que me rodeou,
atenuando todas as faltas de clareza que vivi,
avivando as emoções que senti... todos os medos que tive,
da resiliência que tirei de dentro... para as travessias.

Que... o tempo que há de vir,
seja de encontro.
Que eu saiba mais dessa moldagem que em mim habita.
Desse talento que tive em tolerar a aridez do caminho.
De resistir à inclemência das tempestades,
e mesmo assim... continuar,
não permitindo que me roube à ilusão de que tudo se renova,
nem da prova... que tudo é fugaz como um vendaval,
e que às vezes podemos ficar sozinho.

Que no tempo que há de vir,
tenha mais leveza.
Eu não mais, fique... a procura.
Que eu continue com os meus amores,
amando o rock and roll, Albinoni e a poesia,
e que entre escolher... sair com a lucidez,
eu prefira uma outra ingênua companhia:
- a loucura.


ARI MOTA


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