quarta-feira, 2 de novembro de 2011

UNS CELEBRAM O DIA DOS MORTOS, EU... O DA VIDA.

Demorou muito tempo... quase uma vida.
Disseram-me que tudo finda, desaba em nada, termina em coisa alguma,
vira partículas de terra seca, poeira ao vento... frivolidade.
E que depois de tudo, o tempo apaga o que se construiu,
e arrasa o que se edificou em brandura, o que se fez em candura,
e a fugacidade das horas, iria um dia me destruir,
e o destino em descuido me abandonar,
desprezar o meu existir.
Confesso... corri em desespero, pensei que iria desaparecer,
como uma ventania, achei que viver era quase se acabar.
E assim... fui restaurando as minhas virtudes, o meu acontecer.
Rompi paradigmas, e abri um portal na própria alma,
e ali deixei entrar leveza, finura no olhar em delicadeza.
E nada mais me abalou, aprendi a olhar o mundo com perseverança,
e descrer de todas as verdades.
Passei a enfrentar o destino em silêncio.
E fazer da vida uma arte que se desenha em uma tela invisível.
E pactuei com o tempo... descortinar-me em equilíbrio,
e me permitir caminhar sobre a fronteira da superação e da esperança,
amar em demasia... a todos, à noite, as flores, o dia.
Isso é viver... é existir eternamente.
Viver... é motivo de pasmo, é um estranho estremecer.
E não consegui aceitar que depois de tudo... restava apenas o fim, morrer.
Mas, sou resiliente...
Procuro claridade e inteireza para os que passaram em minha vida,
e plantaram amor.
Estes jamais sucumbem ao esquecimento, morrem.
Somente viajam para viverem outras vidas, com todo o esplendor.
Obvio... que fica um vazio, e quase me acabo de saudade.
Eu os felicito pelo convício que comigo tiveram,
a alegria que em minha alma deixaram,
a vida que comigo viveram, e as batalhas que comigo travaram,
das tentativas que fizemos, e das vezes que sempre achamos a saída.
Uns celebram... o dia dos mortos,
eu... o da vida.

Ari Mota

2 comentários:

Cores da Vida... disse...

Meu querido amigo Ari,

É sempre bom dar um pulinho aqui, porque levo comigo um jeito suave de recordar os momentos agradáveis da vida. Gosto desse seu olhar.

E quanto a esse seu texto, está perfeito. Eu concordo, se estamos vivos, eles também estão, porque permanecem dentro de nós.

Um abraço,

Denise disse...

Não me julgue afastada, muitas vezes ler-te é bálsamo, noutras, mudez diante das verdades que compartilho, ou impotência comas palavras que não me socorrem nem me dão voz suficiente pra expressar os sentimentos e ideias diante de teus escritos.

Esta tua visão se aproxima muito da minha, não concebo a morte como fim, mas como meio. A vida não é esse apagar os rastros que nos ensinam, nem tempo algum destrói nossos tesouros.
Este e os textos anteriores - como sempre - estão em ressonância com esta tua amiga, meu querido.

Te deixo meu afeto, carinho e beijo com saudade e admiração.