sábado, 29 de novembro de 2025

DESERTIFICAÇÃO DA ALMA


 









Foi uma trajetória descomunal,
uma busca insana, uma incerteza sem tamanho,
vivenciei batalhas e cicatrizes,
estive por um longo tempo invisível,
e me fortaleci, fiquei intenso... e tudo valeu.
Sobrevivi por ter alimentado de sonhos,
de musica... leveza e poesia,
transfigurei-me em silencio,
e vim me experienciando através do tempo,
e agora... esse sou eu.
 
Confesso que viver me foi uma fuga,
daquilo que não me completava,
da toxicidade humana.
Verdade foi que tive medo,
da desertificação da minha alma,
de um colapso emocional,
de um esvazimento interior.
E hoje entardecido sei o que me salvou,
foi quando saí de mim... a procura da cura,
e esbarrei no amor.
 
E assim, o  amor veio como uma brisa despretensiosa,
não para salvar, mas para inspirar a vida,
fazendo do medo da desertificação,
uma memória distante,
pois... me ofereceu a cura... passei a morar em mim.
E  foi o meu silêncio que  revelou... a minha voz,
porque o amor era uma bússola na travessia,
dos meus desertos,
e verdade foi que floresci... germinava,
antes de uma possível aridez,
e me preparei para as minhas tempestades,
e livre... descobri o que me aprisionava.
 
E depois de tudo, desta brutal busca,
desses caminhos que desbravei,
desse cuidado que tive comigo,
e das vezes que me remedei, juntei os pedaços,
não permitindo a minha vida perder a sua cor,
nem os seus objetivos mais profundos,
passei a cuidar da minha alma... para não desertificar,
não a permiti tornar-se árida, estéril e infértil,
- a fiz florescer e amar.
 
Ari Mota