Foi
uma trajetória descomunal,
uma
busca insana, uma incerteza sem tamanho,
vivenciei
batalhas e cicatrizes,
estive
por um longo tempo invisível,
e
me fortaleci, fiquei intenso... e tudo valeu.
Sobrevivi
por ter alimentado de sonhos,
de
musica... leveza e poesia,
transfigurei-me
em silencio,
e
vim me experienciando através do tempo,
e
agora... esse sou eu.
Confesso
que viver me foi uma fuga,
daquilo
que não me completava,
da
toxicidade humana.
Verdade
foi que tive medo,
da
desertificação da minha alma,
de
um colapso emocional,
de
um esvazimento interior.
E
hoje entardecido sei o que me salvou,
foi
quando saí de mim... a procura da cura,
e
esbarrei no amor.
E
assim, o amor veio como uma brisa
despretensiosa,
não
para salvar, mas para inspirar a vida,
fazendo
do medo da desertificação,
uma
memória distante,
pois...
me ofereceu a cura... passei a morar em mim.
E
foi o meu silêncio que revelou... a minha voz,
porque
o amor era uma bússola na travessia,
dos
meus desertos,
e
verdade foi que floresci... germinava,
antes
de uma possível aridez,
e
me preparei para as minhas tempestades,
e
livre... descobri o que me aprisionava.
E depois de tudo, desta brutal busca,
desses caminhos que desbravei,
desse cuidado que tive comigo,
e das vezes que me remedei, juntei
os pedaços,
não permitindo a minha vida perder a
sua cor,
nem os seus objetivos mais profundos,
passei a
cuidar da minha alma... para não desertificar,
não a
permiti tornar-se árida, estéril e infértil,
- a fiz florescer e amar.
Ari Mota
sábado, 29 de novembro de 2025
DESERTIFICAÇÃO DA ALMA
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