sábado, 21 de fevereiro de 2015

FUI...TENTAR

Amo aqueles que se aventuram,
embrenham-se... destino afora,
e deixam sutilmente... tatuado no próprio sonho,
ou preso do lado de fora da alma...
um recado... simples assim: fui embora.
Fui tentar.
Fui repartir uma parte de mim,
fui me perder... com um... outro alguém.
Me... embebedar de delírios,
reconhecer as minhas loucuras,
enfrentar os meus temporais.
Fui... para não construir muros em minha volta,
ficar em desalinho.
Fui tentar... ter somente o que preciso...
não o que mereço,
fui ser feliz... nem que sejam lampejos,
instantes infinitos,
fui me apaixonar pela vida... só para me encontrar.
Amo quem mesmo distraído:
vai embora sem despedir,
quem não teve tempo para os desassossegos,
não conseguiu, nem sequer um minuto...
para as dúvidas,
e nunca chegou a descrer... do seu próprio caminho.
Amo... quem... desconecta de outros juízos,
e em silêncio nada pede, segue... vive em calma,
e vai embora... das coisas... dos desamores,
vai embora... dos seus medos,
vai embora... para ficar mais perto...
de quem na verdade... é,
vai embora para aprender a não ferir ninguém,
e sabe que depois de tudo...
só, dá mesmo... para levar:  a sutileza da alma.
Amo quem...
leva a vida aprendendo com os contrários,
e nas tempestades...  quando a vida sacode,
não se desespera... tranqüilo...  vira-se...
faz o que pode.
Amo... quem... foi ser o que decidiu... ser,
quem arrumou a alma para o inesperado,
sem jamais deixar no abandono... a si mesmo,
quem... semeia equilíbrio de maneira visceral,
e o que é superficial... não mexe com o seu interior,
transforma emoções instantâneas, em riso desmedido,
e atrevido... nunca diz:
o quê fazer para... que você me ame,
ama sem volta... sem troca... com a pureza do seu amor.
Amo... quem... sem desespero... vai embora,
e sem demora... deixa um recado do lado de fora da alma:
Fui tentar... ser feliz.

Ari Mota

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

BUSCO... QUEM GOSTA DO IMPOSSÍVEL

Foi nesta busca... do melhor pra mim,
que por um descuido... e distraído,
encontrei a minha alma entreaberta,
e tudo me foi permitido...
enveredei nas profundezas de mim mesmo,
despertei... este anjo adormecido,
esta leveza escondida, esta luz desmedida,
e tudo me foi crível,
e algumas das minhas verdades... descoberta.
Foi nesta busca... do melhor pra mim,
que me encontrei... e me vi assim...
um paradoxo descomunal:
frágil como um rochedo... enfrentado o mar,
dócil como um tigre... matando a própria fome,
violento como uma borboleta... provocando uma suave brisa,
destemido diante da solidão... a procura de alguém para amar,
e me descobri... profundamente raso,
escondendo o que tenho de... abissal.
Busco quem me passa coragem para viver este desatino,
amo os que já são felizes,
os que... como eu... emana um para o outro... sinergia,
sem vaidade... sem nada em troca, sem barganha descabida,
quem desassocia seus sonhos das expectativas alheias,
quem socorre o outro na travessia.
Busco... quem me faz crescer quando me apequeno,
quem me estica quando me diminuo,
quem me dá o colo... o olhar... quem me faz ir,
quem sabe abrir o peito nas tempestades ocasionais,
quem foge do volume morto desta sociedade em decadência,
quem me puxa... me levanta... me pega pela garganta,
e me estimula a prosseguir.
Busco... quem gosta do impossível,
de pouca bagagem... de nenhuma certeza,
dos que buscam uma terceira razão,
abortando as demais... só para evoluir.
Busco... aqueles que tentam de novo,
para ter tudo outra vez... sem medo,
daqueles que amam em quietude,
que chegam com brandura,
sem fazer segredo.
Bom mesmo foi... que nesta busca... do melhor pra mim,
por um descuido e distraído,
encontrei os meus amores... já felizes,
no seu interior.
Eu que busquei tanto... quis tanto,
cheguei a pensar que viver,
seria um intricar de coisas:
- E tudo me foi... muito fácil,
só tive que compartilhar...
- O meu amor.

Ari Mota

sábado, 17 de janeiro de 2015

DEPOIS DA VIDA...

De todos os caminhos... de todos os atalhos,
de todas as vezes que acertei o rumo...
ou das vezes que me perdi.
De todas as vezes que tentei voltar...
ou das vezes que apenas fui,
de todos os amores que tive... de todos os desencontros,
de todos os gritos que dei... de todo o silêncio... que fiz,
só agora... depois de envelhecido... me pergunto:
E depois da vida?
Depois desta passagem...
talvez eu descanse numa dessas estrelas,
que ficam ali... penduradas... acima dos meus desejos,
antes de continuar.
É que... fiz o que pude... ofereci o possível de mim...
sei que...  me, foi tênue existir...
e demorei... para me entender, encontrar,
quase sofri de vazios, quase virei solidão,
e tudo... me, foi fugaz... como uma tempestade,
até que minha alma escolheu viver,
e passei a semear candura... para evoluir,
e... virei mansidão.
E depois da vida?
Vou levar o que fiz nesta... e tenho me completado como posso,
faço alguns remendos nas asas... e mantenho o vôo,
evidentes são as nuances... de ficar ou ir,
sei que posso deixar resíduos... mesmo depois de partir:
Posso ficar na minha poesia,
na minha coragem de partilhar os sonhos,
na minha maneira tímida... de amar,
no meu cuidado em não machucar outras almas,
nem maltratar aqueles que passaram no meu caminho.
Nunca combati usando a fraqueza de alguém,
perdi diversas vezes... por lutar com os mais fortes,
e foi pura teimosia,
- é que... sempre estou entre o medo e a coragem,
e são essas resiliências... que me fazem... vivo,
das vezes que perdi... tudo ficou muito estranho,
eu que achava que iria diminuir... aumentei de tamanho.
E depois da vida? O que preciso...
estará tudo em mim, e não precisarei... ir a nenhum lugar...
a procura de um paraíso.
Terei relâmpagos ocasionais na memória, sem nada lembrar.
Talvez só sinta saudades... não sei do quê... não sei de quem,
não saiba quem fui... por onde passei... andei,
não saiba... mais dos meus amores,
mas... todas às vezes, em outras vidas:
que arder o peito... silenciar a alma,
saberei o quanto... vivi intensamente...
em outros lugares...
um grande amor.

Ari Mota

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

O SILÊNCIO QUE PRECISO

Passei a ter cuidado com os meus desejos,
com o que... quero que caiba dentro dos meus sonhos,
e ande ao meu lado para sempre.
Fui... ficando seletivo sem saber,
e o meu grito foi em direção... das profundezas da minha alma,
passei a não me fantasiar de abandono,
ocupei de amor... os meus desertos,
e deixei o melhor de mim... para mim,
evoquei... o que nunca fui,
para descortinar o que de improvável eu tenho,
e saiba... fui me metamorfoseando,
para desconstruir o tamanho da minha solidão,
mudei de caminho, mudei de crença... mudei de livros,
até que a voz ficou vazia...
e calei-me... passei a olhar em demasia,
e silenciar... foi-me... a maior de todas... as minhas gentilezas,
e quando me olho... sei que virei contemplação.
Com o tempo... e depois que envelheci,
percebi... que nada me será definitivo, antes de partir,
e que...  de todas as certezas que tive,
nenhuma delas... suportaria o por do sol,
e que todas...  são fugazes... como uma ventania sem fim.
E saiba... passei a ter cuidado com os meus desejos,
consegui com muito custo... fazer uma limpeza na minha alma,
uma assepsia profunda nas minhas dúvidas.
Removi de dentro... sentimentos que guardei,
magoas que escondi,
as tempestades ocasionais,
utopias que vivi,
folhas secas que rastelei,
escolhas que me aprisionaram... inibiram a minha expectativa,
cativaram as minhas asas,
e o que não amei.
Passei a ter cuidado com os meus desejos,
e o silêncio que procuro e preciso,
está na imensidão do amor que me habita,
nos meus poucos... abraços de improviso,
neste meu descomedido contentamento,
nesta minha risada larga,
neste meu jeito de amar... aqueles que eu amo.
O silêncio que procuro... está aqui ao meu lado...
fantasiado de anjo... de borboletas,
e existir tem sido um espetáculo... um luxo... um esplendor.
Passei a ter cuidado com os meus desejos,
os escondo... aqui dentro da alma,
vou soltando aos poucos, lentamente, em gotas...
e todas... regam os meus sonhos,
o melhor de mim... a minha singeleza...
- e assim eu vivo... por amor.

Ari Mota

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

A RESSONÂNCIA DA MINHA ALMA

Ao longo dessa minha estada... dessa passagem... por aqui,
não consegui amealhar coisas... nem juntar quinquilharias.
Tentei...  reinventei-me... e tudo fiz,
e entender tudo isso... foi um esforço descomunal,
às vezes me pergunto?... como existir... com tão pouco,
e ter a coragem de ser feliz.
E hoje... só posso oferecer:
A ressonância da minha alma,
o meu olhar... o meu silêncio, a minha calma,
o que não cabe mais em mim,
o que transcendeu... das dúvidas que tive,
das vezes que errei, e das poucas... que acertei,
de todos os meus descaminhos, de todos os meus desencontros,
de todos os meus reinícios,  e de todas as vezes que... ousei.
Como hoje... só tenho a alma, e nada mais carrego,
vou olhar para você... para sempre,
em todas as outras vidas... que tiver.
Podes atracar em qualquer lugar... estarei lá te... esperando,
e todas as vezes que partir... serei aquela infinita brisa,
verás que ao seu lado...  navego.
Tome o rumo que achar melhor, e enfrente o temporal que vier,
a minha alma em ressonância, estará ali... para os recomeços,
faça as suas escolhas... sabendo que existe... pessoas certas,
outras nem tanto,
mas, jamais esqueça... de mergulhar no seu interior...
 e ouvir a própria voz, o seu próprio encanto:
- encontre o que de indomável tens... pense... o que quiser,
dê uma chance... aos sonhos... viva-os intensamente,
respeite o que passou, observe o que virá... mais viva o hoje,
e saiba encontrar as suas verdades,
apronte-se para o próximo combate... o enfrente,
e que tudo seja... lições,
e que em todas as gentilezas que praticar... a primeira,
seja consigo mesmo,
e que possa se amar... demasiadamente,
e deslumbrar com o pouco que tens... o resto são vazios existenciais.
E se, sair para competir... que seja só... com você,
e se achar que tens... que perdoar... que sejam os seus erros infantis.
E sabe?  aqueles ínfimos momentos... transforme-o em beleza,
cuide do corpo... da alma... esse  templo sagrado, esse esplendor,
não permita que te invadam... como uma terra sem ninguém,
e que seu maior segredo seja o quanto... é feliz.
E depois... faça outras travessias... procure outras raízes,
pode ser um livro, uma musica... um abraço de alguém,
não fique no mesmo lugar,
experimente o amor.
Ofereço-te... a ressonância da minha alma,
e a emoção de amar,
é o que de sereno eu tenho... e carrego,
foi  o “tudo” que consegui,
- e, a ti... entrego.

Ari mota


quinta-feira, 20 de novembro de 2014

A ESCASSEZ E OS EXCESSOS DO AMOR

Vez em quando... vem à memória,
os idos tempos, em que à míngua... eu andei,
quando a aridez tomou de assalto a minha alma,
e a tudo... desamei:
Virei folha seca, deserto sem fim,
abismo, poço sem água,
- e, era tudo... na verdade... escassez de mim.
E nesse fluxo e refluxo de coisas, dúvidas... até,
o destino... irônico como tal,
ofereceu duas vertentes, duas infinitas estradas,
e nesta busca... você já não sabe quem é,
e assim tudo chega... acontece,
e duas emoções instalam por dentro,
como se fossem... uma prece,
e perplexo... disperso, sem saber ,se... ama ou odeia,
perdido... nesta fronteira tênue,
descobre a demasiada condescendência de odiar,
desconstruindo outros sonhos, outros vôos...e a tudo pisoteia,
- e passa a existir da forma mais fácil... mais veloz,
e inicia a desdenhar outras alegrias,
e em vez de silenciar... enfim,
imprudente... grita... emudecendo a outra voz,
inibindo outros saltos... nos abismos de si mesmo,
e passa quase uma vida... sem amar.
Vez em quando... vem à memória,
os idos tempos... e confesso... já fui assim.
E hoje envelhecido... e sem rancor,
tenho poucos amores, e são intensos, imensos,
é que... ao longo do tempo... abandonei as mascaras,
sei que não consegui amar a todos como devia,
é que... fiquei célere, rápido como um relâmpago,
não demoro com quem não exala amor.
E hoje envelhecido... como um mago em descompasso,
aprendi que odiar é... acorrentar-se... a uma outra alma,
e deste medo eu não sofro, e esse não é mais o meu disfarce,
não fico preso em outro... destino, a espera de um ressarce,
amo em demasia... é o que eu faço.
Consegui me desgarrar destas pequenezas,
bom, foi que... embora o tempo tenha encarquilhado a pele,
esqueceu... e inadvertidamente...
abasteceu a minha alma de brandura, e singelezas,
desfiz todas as dúvidas... hoje já não sofro de escassez,
e o que me ultrapassa... é só o amor,
entrego-me tanto... que não sinto a minha falta,
tornei-me silêncio...    roubaram-me a insensatez,
não sou constância exacerbada, sou presença suave... sem fim,
descobri que amar é... tocar o intocável,
atingir o inatingível... e em resiliência redescobrir a alma...
que se recompõem diante de tanta doação,
é um desapego a infinitude... à solidão,
é o que de excesso... há em mim.

Ari Mota

sábado, 1 de novembro de 2014

A SOLIDÃO DA ÁGUIA

Amo... quem edifica pontes,
quem se constrói... só para esperar alguém,
quem desveste a fantasia... e vai ser feliz,
quem cansado... dos vazios,
atreve-se a encher a alma de amor,
e seus sonhos priorizam... sem ferir ninguém.
Amo... quem projeta pontes,
e permite... que passem nela sem ... tributos,
e livres... dançam em noites de isolamento,
aquietam-se em madrugadas de desespero,
não se lastimam... nem repartem a dor,
apreciam um novo vento,
e se renovam em todos os minutos.
Amo... quem em resiliência...
transformam-se em ponte,
e abrem caminho para a convivência,
jogam fora a mesquinhez das coisas,
e sabem o tamanho e a fugacidade do tempo,
e agigantam-se por dentro... com suas dúvidas e certezas,
entregam-se em demasia... em alegria,
sem medo do incomum,
e reconhecem a dimensão de uma ausência.
Amo... quem se transforma em ponte,
só para esperar por alguém que ficou para trás,
estendendo-lhe a alma... só para ele entrar.
Amo... quem não quis ficar pelo caminho... e sozinho,
não ter ninguém para...  esperar.
Amo... quem instalou uma ponte...
que o levasse para dentro de si mesmo...
em grandeza,
leveza,
só para... se encontrar.
Sabe...
amo as pessoas que carregam essa luz desmedida,
essa coragem... de tentar... quantas vezes... for,
em quietude... em solitude:
a sua essência, o... amor.
Sabe...
amo...  as pessoas que destilam forças de outras... vidas,
e não morrem na praça como uma pomba qualquer,
e nem... em vão.
Amo... quem... insiste... e continuam,
e são pessoas que iluminam a si mesmas,
mesmo sabendo...
que podem morrer como águia,
no pico mais alto,
na solidão.
Amo... aqueles que se doam... até o fim,
sem pedir... espere por mim.
 Ari Mota


sábado, 18 de outubro de 2014

O CAMINHO SOLITÁRIO DO SONHO

Se perceberes... solidão, por onde passas,
se perceberes... isolamento, onde andas,
se perceberes... poucas pegadas... espalhadas à frente,
e vez por outra... sentir calafrios de desamparo,
e estremecer diante do abandono,
e quase todas às vezes...  se achar... sozinho,
certeza é... este é o solitário caminho... do sonho,
e poucos transitam nele,
é descomedido, extenso... finito para que tem pressa,
é só para os que teimam... e em tenaz atitude continuam,
tem obstáculos imaginários, abismos em fantasia,
é árido de convivência, severo de companhia,
é como um deserto... só os fortes sobrevivem...
em teimosia.
Se perceberes... criticas, e olhares de desdém,
assevera mais ainda os passos...  olhe apenas o horizonte,
sem sair do percurso...
e sem seguir rastros de ninguém,
e saiba...  poucos, são os que têm a exuberante coragem de...
sonhar.
E sonhar é escolher o que busca,
reinventar-se... em ousadia,
criar laços... consigo mesmo,
construir abrigo dentro da própria alma,
iluminar a negrura do seu interior,
embelezar as dúvidas, e poetizar a angustia,
e desconstruir esses medos invisíveis... sem temor.
Mas, bom mesmo... é trilhar este destino... com alguém,
para repartir a solidão...
para experimentar o amor,
devanear a dois... dividir a emoção.
Sabe!  Nem todos os sonhos... conseguimos alcançar,
haverá dias... em que terás que decidir,
e sem ruptura... somente parar... sem desistir,
e saber a hora de se recolher,
e na alma... alguns, guardar,
outros recompor,
insistir com outros tantos, sem nada tirar...
seja o que for.
Sonhe... em ter coisas... ser um atleta... um líder... um poeta,
o que quiser,
sonhe com tudo que te faça feliz,
podes até sonhar... em delírios ou a esmo,
mas... embora, seja solitário o caminho do sonho.
- que seja uma explosão... a descoberta:
Quando experimentar,
 sonhar...
“ser você mesmo.”
Ari Mota


sábado, 27 de setembro de 2014

AMAR É TRANSCENDER A SI MESMO

Perdi... o que de selvagem eu tinha,
quando te encontrei.
Você me socorreu sem saber... daquele temporal.
Estendeu-me... a alma,
quando meus pés brincavam a beira do abismo.
Você me acolheu com o olhar,
quando... quase fui acometido por uma desordem neural.
Você dançou em meus braços em noites de solidão,
e nunca me deixou sozinho.
Sua luz... grudou no meu corpo,
sua pele aderiu à minha:
Não sei... se, sou um pouco... você,
ou você, um pouco... eu.
De todas as dúvidas que tive,
e em todos os descaminhos que me... perdi,
você silenciosamente me abraçava... sem duvidar.
Achei em ti o que procurava no vazio... de mim,
me... sacudiu, me virou do avesso, fez-me... até poeta,
colocou certeza no meu talvez,
me fez perder a braveza... amansou esta alma inquieta.
Espalhou beleza onde... eu destilava rudeza,
levou-me... onde eu nunca consegui andar.
Passei a te achar em tudo... e sem ilusão,
na sutileza de um riso, nessas loucuras ocasionais,
nestes devaneios que não envelhecem,
nesta lucidez que me assusta,
- até na escuridão.
Você me fez amadurecer ao seu lado,
com todos os vendavais que tivemos,
quando achava que estávamos apequenando,
você me olhava ternamente:
na verdade... era uma imersão em nossos sonhos,
coragem de ser feliz... mesmo quando perdemos.
Você me fez rir... quando o soluço me espreitava,
e o choro... ameaçava romper de dentro.
Você me acolhia em madrugadas de temporal,
e como um anjo afável... me...amava.
Quando te encontrei... você me individualizou,
passei a entender que amar é transcender a si mesmo,
e aí... passei de mim,
passei do que sou,
passei a não acreditar no fim do amor,
talvez, uns... ainda... o ignoram,
outros... nem ainda o reconhecem,
talvez para muitos... ele só...
- não começou.

Ari Mota

terça-feira, 16 de setembro de 2014

UMA EFÊMERA EMOÇÃO

Tudo passa...
Tudo vem e vai embora,
e nada é desmedido... que não possa suportar.
Existir... não passa de um vôo contumaz,
de um salto no abismo de si mesmo,
de uma imersão na teimosia de sempre tentar,
na ousadia de chegar aos limites, e do que se é capaz.
Como tudo passa... tente outra vez... sem temer,
procure ser feliz...  isso pode ser apenas um ensejo,
um desejo,
uma efêmera emoção,
mas... com o passar do tempo, verás que é um dever,
não sucumbir à solidão.
Como tudo passa... faça do seu jeito,
não espere ninguém iluminar a sua estrada,
nem vislumbre coragem de quem sempre se apequena,
acovarda-se na entrega... e só... encena,
e não consegue amar.
Como tudo passa... prudente é...
sempre recalcular a rota,
somos assim, se não avivar-se... desbota,
se não decrescer... não tem como agigantar-se,
se não encher... esgota,
temos que contemplar a rosa e reconhecer o espinho,
seguir... mas, dimensionar a lonjura do caminho.
E sem temor navegar para dentro... na vastidão da alma,
para se encontrar,
pode ir sem destino, sem rumo,
pode até se perder... só não pode naufragar.
Tudo passa... e nem tudo fica,
só o que escolher,
não busque nada além, nem depois das estrelas,
não há respostas distantes,
nem perguntas tão perto... para fazer.
-há apenas descobertas e nenhuma certeza,
e que, em vez de um esboço... tenha um projeto interior,
que armazene na alma... leveza.
Como tudo passa... não deixe a emoção acabar,
viver é um desassombro,
só os que não temem... reinícios... temporais,
só os que não priorizam as coisas,
conseguem crescer por dentro,
descortinam a sutileza do amor,
amam melhor, e em demasia...
ficam maravilhosamente... descomunais.

ari mota




domingo, 31 de agosto de 2014

O CAIS INVISÍVEL

Quando inadvertido...
e vez por outra… olho o meu passado...
lá, não tenho nada mais a buscar.
Construí... ao longo desse tempo, um cais invisível,
para sempre... parar,
e ter uma reflexão íntima de mim mesmo,
e um cultivo do meu mundo espiritual.
Eu vim... o abastecendo... só do que preciso,
fiquei seletivo e fui perdendo toda a luxaria,
claro que... tenho algumas preciosidades que coleciono,
mas, não são mais as coisas... nem as pequenezas,
lá... tenho os meus amores, a minha poesia,
tenho uma coletânea de emoções... essa coisa... imortal.
Então... reabasteço-me... encho minha alma de energia,
e volto... a sair de mim...
enfrentar todos os meus fantasmas,
sem permitir que me empurrem... nem que me segurem,
nem... tapem os meus olhos... nem os abram em demasia,
eu decido os meus vôos, e onde pousar,
eu corrijo os meus erros, sem ninguém julgar.
Mas, todas as vezes que a incerteza me aborda,
arrasta-me para a solitude...
e tenta me jogar nesses vazios abissais,
tenho um vento... que me leva de volta para casa,
para o meu cais,
e aí... viro silêncio,calmaria.
E continuo o meu caminho...
e nas minhas andanças pela vida,
faço eu as minhas escolhas.
E quando me acham... e olham-me...
pareço isolamento,
é que... para uns... isso vira tormento,
mas, transmudo em beleza, leveza,
estico, diminuo às vezes, torno-me resiliência,
e tudo vira encantamento.
E vou aprendendo que solidão... não é ir sozinho...
é... quando fores e tiver que voltar,
não ter alguém para te abraçar,
ninguém para saber o tamanho dos seus combates,
nem onde descarregar suas histórias, seu destemor,
nem contar suas aventuras,
alegria... amargura,
medos... segredos,
e que dentro dessa sisudez... tens brandura,
e da alma... amor.
Solidão... é não ter um cais... para atracar.

Ari Mota

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

APRENDENDO A SER FELIZ

Chega um... tempo... que,
é preciso desnudar-se... da insensatez,
desamarrar os velhos conceitos,
despojar-se das miudezas que guardou,
e em retiro... silenciar... sentar com a alma,
e indagar... se, deu tempo de amar e quem amou.
Chega um... tempo... que,
depois de conquistar as coisas,
surge dentro do peito... uma nova sensação,
e, arde sem queimar, fere sem dilacerar,
provoca... vazios, e quase irrompe... em solidão,
e aí... vem a impaciência... a  inquietude,
e parece que inda falta algo para possuir,
e depois, padecemos de lonjura... de longitude,
ficamos assim, só... sem saber para onde ir.
Chega um... tempo... que,
não dá mais para prosseguir,
e necessário é despejar as coisas que carregamos,
e tênue... formatar uma alma mais genuína,
tomada de ternura e emoções,
intensa... farta de sentimentos... e de tudo que fascina,
sem nada colecionar,
e descobrir que, o que nos falta... é apenas o invisível...
- o que não se pode tocar... só sentir.
Chega um... tempo... que,
temos que descomplicar nossos desejos,
e saltar para dentro... dentro dos nossos próprios delírios,
e entender que preciso é... ver que tudo mudou,
- e reaprender a ser ícone de si mesmo,
e ter a própria alma... como... a melhor companhia,
e sem culpa... livre... acalmar,
aquietar com os instantes da matéria... que acabou,
e assomar no ciclo da luz... para se encontrar.
Chega um... tempo... que, temos que... desacelerar,
existir é uma ilusão desconhecida...
- e sem nenhuma certeza.
Chega um... tempo... que,
é a hora de desvestir o que nos apequenou,
temos que arrancar do peito... coragem para ser feliz,
e abandonar tudo que nos causou estreiteza.
Chega um... tempo... que,
precisamos nos tocar... aprender a se amar de verdade,
reconhecer a sua fina força... e a sua doce fraqueza,
e ser humilde... de aceitar essas... grandezas.
Chega um... tempo...que...
- para ser feliz... tem que ter a ousadia...
de aprender, a amar.
Ari Mota

terça-feira, 29 de julho de 2014

VIVER ATÉ O ÚLTIMO INSTANTE

Há... dias,
que o fardo pesa descomedido e fica... difícil de suportar:
Paro... respiro, até o fundo de mim mesmo,
arranco do peito todas as certezas,
e cada vez, coloco menos... coisas para carregar,
menos coisas... que não são minhas, e sem nenhum desatino,
saio novamente... parece que sem destino.
Vou jogando fora todos os guardados,
e busco lá no fundo... os mais profundos,
- esses sentimentos que machucam, ferem sem sangrar,
e vou curando a minha alma dessas dores... do interior,
viro silêncio, falta de vento... e sigo, sem me apiedar,
atrás da minha essência: amor.
Há... noites,
que a insônia se instala revestida de solidão,
inibindo-me de extasiar com a perspectiva de ser feliz,
salto na minha profundez, no que escondo e não sei,
e agarro com afinco um resto de mágoa, e a atiro fora,
e em vão, nada mais encontro... nem arrependimento,
nem remorso, das coisas que fiz... que passei,
e hoje... fiquei pequeno diante da própria... imensidão.
Há... dias,
que o fardo provoca escaras na pele... como brasas,
resiliente... reinicio-me... como se fosse um menino,
faço uma assepsia no local... e ali planto... asas,
e nas minhas decolagens... todo e qualquer medo... elimino.
Hoje, envelhecido... fiquei... meio estranho,
amo tudo que me provoca... que me aumenta,
deixa-me feliz, me renova... não diminui o meu tamanho.
Como já não posso escalar muito alto, e para não morrer,
meus vôos... são rasantes nas pequenezas do existir,
olho em demasia... parece isolamento... mas é: amplitude,
ando sozinho... parece abandono... mas é: quietude,
é que no insucesso... cresci, avolumei... sem ninguém agredir.
E hoje...
virei contemplação... cuido de orquídeas, bem-te-vi,
vivo com uma bailarina louca, duas borboletas e um colibri,
gosto de tempestade...  estrondo de relâmpago... ventania,
Albinone... arte... doidice... rock and roll… e poesia.
E todas as vezes que penso no fim...
e das vezes que achei que estava sem destino,
ou das vezes que me perdi... sem querer...descobri
- que estava dentro de mim.
Mas, que o meu último instante... antes de partir,
seja só para agradecer... da vida que levei,
e que em vez de chorar,
eu possa... rir.

ARI MOTA

quarta-feira, 16 de julho de 2014

O PERFUME DA MINHA ALMA

Olha...
Vim... de infinitos temporais...
foi quase... foi por pouco,
que não fiquei fora de combate... pela ventania,
e desabei por diversas vezes, e por outras tantas... levantei,
sempre em busca de calmaria.
Olha... hoje, sou o que tinha de melhor... sou quietude,
ando me descobrindo, e nada mais me ilude,
também pudera... nunca esquivei... de mim,
nunca quis me abandonar pelo caminho,
e o amor que trago na alma... nunca me fez sozinho.
A minha estrada não passa de uma luz,
a minha rota... nada mais é... que um sonho,
um delírio que jamais se... desacentua,
sempre vasculho o que conservo por dentro,
desnudo... o que guardo na minha alma,
sem... jamais intervir na sua.
Olha...
Não precisas... desfilar por aí... em aflição,
vem aqui... caminha ao meu lado:
- Vamos repartir a solidão.
Olha...
Não precisas... destilar nenhum desassossego,
vem aqui... dou-lhe, o melhor de mim:
- Entrego-lhe o meu corpo... em aconchego.
Aquento-te... em noites de tempestades,
abraço-te... em dias de abandono, de indiferença,
ocupo os seus vazios... quando sentires na alma... um vão,
impeço as lagrimas... rolarem para o interior do peito,
e estarei com você em todos os recomeços,
e resilientes... vamos intentar uma nova direção.
Olha...
Esta é a parte de mim que você não conhece,
a vida me surrou tanto... passei por vários vendavais,
tive que crescer para dentro, e em demasia... ancorei-me,
e nada mais me esmorece.
Olha...
Mudei tanto... que o destino alterou até a minha essência:
- dia desses... descobri um liquido descendo dos meus olhos,
era pura emoção...
- era o perfume da minha alma,
exalando brandura... mansidão.
Olha...
Vamos eternizar a fugacidade deste instante,
vem aqui... caminha ao meu lado,
vamos... onde as entidades espirituais nos levar... for,
confesso... eu não tenho coisas...
só... amor.

Ari Mota

quinta-feira, 26 de junho de 2014

SEGREDOS DA MINHA ALMA

De todos... os segredos que tive, e que inda tenho,
o maior deles foi quando me descobri, me achei...
e foi intensa a descoberta,
vivia apenas um provável acaso,
estava preso ao dogmatismo social... sem nada ser meu,
perdido, espelhando... nos outros, em puro descaso,
esqueci de mim...
até... que me encontrei,
e livre... achei o que me... liberta:
Eu.
E depois foi só...
emprestar uma morada para a minha alma,
para que descobrisse... as asas encolhidas em seu dorso,
e mais que tudo isso... aprendesse a batê-las... sem esforço,
e hoje... leva-me por aí... solta, descomprometida,
singela, calma e atrevida.
De todos... os segredos que tinha e sem saber,
deparei com a minha resiliência,
o meu talento em diminuir e depois crescer.
Mas... existir mesmo... foi,
quando deparei com os meus mistérios,
e tive que me esculpir de dentro para fora,
e desnudar o melhor de mim,
ser melhor que eu mesmo,
e descobrir esse poder infinito que a aqui... mora.
Existir mesmo... foi,
quando desenraiveci a alma, desalojei a ira,
fugi das pequenezas... do torpe... da insignificância,
e assumi as minhas escolhas, e gargalhei das derrotas...
E depois... comedido silenciei-me com as vitórias,
virei silencio... passei a falar quase nada,
para ser hoje... mais contemplação... e perder a intolerância.
Como nunca fui multidão,
poucos, ao meu lado... caminham,
tive que escolher com quem andar...  sem ser solidão.
Existir mesmo... foi,
quando não permiti o estreitar dos sonhos,
nem o intimidar dos recomeços... da incerteza.
Hoje... incito a ousadia... o superar... o sobrar das almas,
o desapego das coisas, e das pessoas pequenas,
faço que a minha ressonância, o meu eco... seja leveza.
Talvez por imodéstia, e sem nenhum temor,
de todos... os segredos, que tive, e que inda tenho,
o maior deles não foi só... quando me descobri,
nem me achei...
foi quando encontrei...
na alma que em mim habita,
amor.
Ari Mota

quarta-feira, 11 de junho de 2014

SOU O MEU ESCONDERIJO

Não sei quem me trouxe...
nem quem me deixou andando por aí,
estranho foi... que ninguém me disse por... onde ir,
nem o tamanho do caminho... nem o cansaço do andar,
nem das vezes que ficaria a deriva... sem poder sonhar.
Pouco fiquei sabendo... como espantar os meus fantasmas,
e dissuadir o medo a não mais... me, acompanhar.
Como não descobri... quem inventou a minha vida,
e sem... se sentir no abandono,
vim... edificando-a, em grãos, aos poucos... em pequenos traços.
Nunca consegui fazer do meu destino... um esboço,
e isso vem... desde menino... desde moço,
e na descoberta, viver, foi-me... quase um súbito clarão,
um relâmpago... antes do vendaval, e tudo foi efêmero, espectral,
e tudo me pareceu, fugaz como uma aparição.
E depois de todas as surras... que a existência... me, deu,
não pude mais perder tempo... com nenhum temporal,
e a todos enfrentei... encharquei-me de incertezas,
até que... parei com as perguntas... não quis saber das respostas,
maravilhei-me com alguns, me enojei de muitos... passei a ser eu.
Vim... reformando-me, e a maior revolução que fiz,
foi a polidez no sonho, a coragem para ser feliz,
óbvio foi... que tive que abandonar alguns paradigmas,
desacreditar das coisas prontas, e das dúvidas em fim,
e na alma só permitir o que era natural.
E hoje... sou o meu esconderijo, virei platéia de mim.
Não sou o mesmo todos os dias,
bom... é que estou sempre em mutação,
nada aqui dentro é definitivo, nunca... aqui não existe,
aqui tudo é factível... e a toda intempérie...aqui se resiste,
além... da perspectiva de lidar com  a solidão.
A única coisa que sei... que me deixaram aqui:
Vazio... sozinho... indeciso... quase na escuridão.
Mas resiliente... fui me formatando,
colocando intensidade... gosto no existir.
E quando vi o tamanho do vazio no peito,
ali abasteci... de sentimentos... inundei-me de amor,
e tenho estoque até partir.
E quando me vi sozinho... meio que perdido... sem caminho,
saí enlouquecido... atrás de um colo para deitar,
e um ombro... em carinho para ofertar.
Mas, quando indeciso... não sabia, aonde ir,
corri para dentro... para dentro da minha alma,
- um lugar onde eu possa... me, construir.
Hoje, já não me pergunto... quem sou?... ou o que sucedeu?.
Quem me trouxe?... ou quem me levará?.
- Como sou uma obra em construção.
E quem conduz esta alma... sou eu.
Sigo em frente... em silêncio... sem muita aflição.
Ari Mota



terça-feira, 27 de maio de 2014

EU CUIDAREI DE VOCÊ

Feliz, quem…
Teve alguém para amar,
e quando o tempo exíguo... sinalizou que ia embora,
quando a escassez de si mesmo...  procurou abrigo,
sem desassossego ficou esperando a... hora.
Feliz, quem...
Conseguiu aperceber,
que pouco é... construir castelos, amealhar jóias,
e em soberba atitude, só conquistar poder,
e desfilar com títulos e vaidades... acumulando moedas,
se não soube reinicializar... depois das quedas.
Feliz, quem...
Nestas madrugadas insones, teve um peito para dormir,
e em isolamentos ocasionais, nunca se sentiu sozinho,
e em irresolutos vazios, teve um colo para silenciar,
e alguém para estar ao seu lado... no caminho.
Feliz, quem...
Nem por descuido do destino, endeusou-se de insensatez,
nem se fartou de coisas... e na alma, tudo semeou,
e sustentou equilíbrio no existir, e tudo amou,
com altivez.
Feliz, quem...
Entendeu, que de todas as riquezas... a maior,
é quando partir... ter alguém... para despedir,
e que nada foi ilusão... e tudo valeu... apesar da solidão.
Feliz, quem...
Renunciou a tudo que é tangível,
e regou a alma... esta tênue e invisível essência,
e a fez... forte e sensível,
viveu um grande amor... em resiliência.
Feliz quem...
Ao meio deste embrutecer de almas,
inda conseguiu descobrir sentimentos, e construiu um jardim,
uma varanda para sentar em fins de tardes,
e percebeu borboletas esvoaçantes,
e como eternos amantes,
comprometeram-se... encontrar-se depois... deste fim.
Feliz quem...
Conseguiu despojar de quase todos os supérfluos,
e em silêncio, sem ser comum, sem nenhum clichê
acreditou na força da alma que ama... que crê,
e sem pedir “cuida de mim”...
teve a coragem de dizer:
-eu cuidarei de você.

Ari Mota