Entardeci...
eu sei...
E nesse
desenlace da existência,
relembro-me
dos momentos de busca,
e
desespero,
das
vezes que estive a procura de um abrigo,
e tentei
até um lugar seguro para os meus sonhos.
E tudo
foi frágil, estupidamente fugaz,
foi mais
temporal... que calmaria,
foi tempos
de descobertas, aceitação,
renuncias,
escolhas e travessia,
foi quando
se aprende a ir sozinho,
mas
também se descobre... a velocidade do tempo,
e a
escassez da vida,
e depois
o vazio do caminho,
e como
saída... entende-se que tudo é uma ilusão,
e tudo
vira uma doce magia...
só por existir
mais um dia,
como o
agora fosse o fim.
Resiliente...
Passei há
contemplar o instante,
a
garimpar leveza e poesia,
deparar
com a sutileza das pequenas coisas,
e como
nem todos vivem,
minha
maior decisão... foi viver,
atravessei
os meus desertos,
domei a
minha loucura, enfrentei ventania.
Às vezes
estava eu ali... naquela rua vazia,
dançando
sozinho com a minha solidão,
mas... saibam,
nunca quis ir embora de mim.
Entardeci...
eu sei
Mas
antes tive que vencer minha própria escuridão,
e
debelar esse incêndio que me consumia,
e depois
disso... olhei para dentro,
e por um
descuido conectei com a minha alma,
esse
sopro vital escondido no peito,
preparado
para ser abrigo.
E o
destino com tamanha delicadeza,
ensinou-me
e mudei:
-Eu sou
a casa a que sempre quis voltar,
afinal, o
meu lar nunca esteve lá fora,
precisei
de tempestades para apreender a ser porto,
hoje, o
entardecer não traz medo, apenas serenidade:
descobri
que abrigo é quando a alma se abraça,
e assim...
virei silencio... virei abrigo:
- me
curei.
Ari Mota





.jpg)











