Como te esquecer,
se a cada dia você se impregna mais em mim?
Se
sinto... um vazio só de saber,
do nada
que vou sentir... quando não mais te ter.
Dos meus shows, onde na plateia eu só tinha você:
o único olhar que perdoava a minha loucura,
me vendo assim... com tanto encantamento e ternura.
Ah, não sei se posso adiar essa dor,
esse medo de te perder,
esse meu estranho amor.
Como lidar com a sua lonjura,
se você sempre esteve dentro da minha vida?
Mas tudo foi pouco... fugaz como um relâmpago,
quando eu precisava que fosse atemporal,
algo para "sempre".
Não sei como ficar com a sua ausência,
se você foi o lenitivo para a minha saúde mental.
Esse amor se instalou, penetrou, virou essência;
ultrapassou a pele e ocupou a minha alma.
Foi fundo, invadiu-me e permaneceu...
Tatuou-se no meu destino e no meu silêncio,
curou minha solidão e me protegeu.
Você me agasalhou, permitiu-me ficar,
afastou o que um dia poderia me adoecer.
Como te esquecer,
se você me ensinou a ser quem eu sou?
Por você, passei a ser vários,
virei até poesia.
E você, escondida, transitou ao meu lado,
para que ninguém pudesse me machucar.
Eras o meu escudo invisível,
o sol que se abria para mim... todos os dias.
Como te esquecer,
se quando te vi,
você suavizou meu desespero?
Agarrou-se na minha alma e lá se instalou.
Me fez despertar.... e eu renasci.
E agora...
como não fugir dessa incerteza?
Desse desconhecer...
de quem primeiro, irá partir...
se eu, ou você.
Ari Mota
domingo, 29 de março de 2026
COMO TE ESQUECER?
terça-feira, 24 de fevereiro de 2026
DOEU... MAS ME LIBERTOU
Ainda
não sei o que tenho escondido...
no meu
silêncio, nem no meu olhar,
e isso
me provoca a aventurar-me mais um dia,
às vezes
carregando a solidão mais profunda,
outras
vezes arrastando uma loucura indizível,
só para
me curar.
Passei a
não me esquecer, consentir a minha presença,
permitir
o difícil, o caminho, as minhas escolhas,
passei a
existir... aqui dentro... e não foi preciso sangrar,
e tudo
me foi assim... a chave só me abre por dentro,
não
carrego nada que não foi feito para morar em mim,
jamais
permiti morrer em minha alma... a
vontade de amar.
Apreendi
não ter expectativa de ser salvo,
eu... é
que sou o mentor da minha travessia,
e assim
tenho existido, sem desistir,
já não
me explico... só vivo,
e aqui
dentro não existe caos, me adapto aos temporais,
me
desperto, experimento-me e
reconfiguro-me, antes de ir.
Não
permito o meu existir evaporar-se,
e o que
me define não está fora,
sutilmente
desfila dentro da minha alma em profusão,
desmistifico
a felicidade do amanhã... e vivo o hoje,
e me
relaciono com o tempo... como se fosse uma ventania,
uma
fugaz ilusão.
Sei
tanto de mim, que não aceito ninguém dizer quem eu sou,
já fui
espera, procura, leveza e tempestade,
nunca
precisei ser melhor que ninguém,
a não
ser de mim mesmo,
sou o
meu refugio,
não
espero validação de alguém.
já
agreguei tantas almas à minha,
e doei
as partes mais verdadeiras de mim,
ofereci com leveza o que sou,
e também
removi outras tantas,
e lhes
ofereci a minha distancia e o meu vazio,
e o fiz
para não me ferir,
e tudo
foi mágico... apreendi a recalcular a rota,
olhar o
caminho com mais lucidez,
o que
era sonho transformei em destino,
existir
me foi um espetáculo,
doeu...
mas me libertou.
Ari Mota
domingo, 25 de janeiro de 2026
A POESIA
Eu... há
tempos... pousei na minha poesia,
e ela me
salvou,
eu
necessitava fugir da rudeza do dia,
da
aspereza das outras almas,
encontrar
outro caminho,
e ela foi
o lenitivo para a minha saúde mental,
para a
minha solidão,
- me
curei sozinho.
E nesse silêncio
que me habita,
nessa
duvida que me devora,
fui
descortinando os segredos da minha imensidão,
e a
poesia instalou aqui dentro.
Presenteava-me
leveza,
direcionava-me
quando perdido nos meus desertos,
e tudo
era de dentro, tudo era visceral,
passei a
ter coragem para ser feliz.
Fui de
mim... abrigo, quando tudo eram tempestades,
criei um
mundo sustentado por delicadezas,
e... é
nele que existo.
Revisito-me
todas as vezes que tenho que recomeçar,
passei a
ser paradigma de mim mesmo,
e fui me
tornando inteiro... sem metades.
Eu... há
tempos... vivo a minha poesia.
Com ela,
as cicatrizes tornaram-se marcas de luz,
afastei-me
do que fere para abraçar o que cura,
ela
redimensionou o meu silêncio,
suavizou
a minha alma,
preencheu
meus vazios de brandura,
foi com
ela que reacendi os meus amores,
- esses
quatro humanos que amei em outros tempos,
que os vivi...
muito antes desta vida,
esses amores
perdidos no tempo,
e que
estava adormecido do outro lado da alma,
- e foi
na poesia que os encontrei.
E hoje
vivo essa magia, essa emoção,
esse reencontro...
esse
atravessar de ternura.
Ari Mota

.jpg)

