Quando
recomecei...
Desconhecia
o caminho e a direção,
e o que...
eu queria era renascer maior,
revitalizar
a alma,
mas... permanecer
eu, me redescobrir,
ao meio
dessa insana solidão.
Eu só
queria... acolher-me com mais delicadeza,
e assim
fui encontrando o caminho de volta,
e
recomecei por dentro... sem cercas... sem grades,
sem o
peso do amanhã,
sem
acelerar em demasia,
sem esse
desespero exacerbado de vencer,
o que eu
procurava... era viver com mais leveza.
E aí...
embrulhado no meu silencio,
recomecei
em mim,
desvestindo-me
de toda a incerteza,
sem
abandonar a pessoa que fui.
Só sei
que a vida me virou do avesso,
e tive
que me vestir de mim mesmo,
para
entender que recomeçar não é fracasso,
é um
processo... formatando-nos para o fim.
E sem
tempo de sonhar... tive que acontecer,
sem
esquecer as tempestades que passei,
e a
recusa em ficar pelo caminho.
Abandonei
a margem de mim mesmo... o que me doía,
encerrei
ciclos, e aprendi aonde não voltar,
e
silencie-me em lugares que minha voz não era ouvida,
fui ser
ausência, lonjura... e não permaneci sozinho.
E passei
a não deixar nada para depois,
abandonei
a “espera.”
Não
permiti pausarem o meu existir,
recomecei
a revitalizar o que aprendi... e fui viver,
depois
das minhas tempestades... ressignifiquei o silêncio,
reconstruí
tudo que travei aqui dentro,
passei a
ser recomeços... não consigo desistir.
E
hoje...
Sou só
eu... vestindo-me de mim,
fui ser
o meu próprio cais,
onde...
chego sempre com a minha resiliência,
com a
minha loucura e teimosia,
onde me
esperam três dos melhores humanos que amei,
personagens
da minha história, da minha vida,
da minha
lúdica poesia.
Ari Mota
terça-feira, 30 de junho de 2026
REVITALIZAR A ALMA
terça-feira, 26 de maio de 2026
E O DESTINO!
Andei em
silencio... eu sei,
e
arrastava minhas asas.
Obvio
que elas estavam invisíveis,
eu não
sabia vesti-las... nem usá-las,
pesou
por anos... e ela estava ali,
apegada nas
minhas costas em segredo.
E eu me
olhava... ora perplexo,
ora
achando-me endoidecido,
e por
não conhecer nada sobre o tamanho do infinito,
nem a
finitude de mim mesmo,
permaneci
no caminho mesmo com medo.
Embebido
com a minha ilusão,
passei pelas
estradas e ninguém me viu.
E por
tempos enxergava apenas o agora,
e tudo
era inquietude, imprecisão.
E o
tempo voraz como uma ventania,
provocou-me
a mudar,
passei a
viver o que sonhava.
E foi
descortinando o meu destino,
os voos
foram tímidos, curtos e breves,
mas
foram constantes, cresciam mais que eu.
Mas...
quando passei a não mais me explicar,
- ser as
minhas escolhas,
- ser
quem eu sou,
ter a coragem
de se reconstruir, de se curar,
aí...
surgiu em mim... o melhor que poderia ocorrer,
aprendi
a voar... e voar sozinho,
tornei-me
o que deveria ser,
não sei
se esperei o tempo ou ele que me esperou.
E quanto
ao meu destino...
não
posso ir além de mim.
Só sei
que...
nessa
viagem encontrei os meus amores.
Hoje
entardecido... as asas não pesam mais,
desapeguei
dos laços...fiquei livre...
posso
escolher onde pousar.
Ari Mota
quinta-feira, 30 de abril de 2026
O PACTO COM O TEMPO
Relutei em decifrar o inevitável...
Mas hoje, diante do espelho da alma,
creio que finalmente entendi.
Contudo, me resta só saber:
Que essência me habita?
A verdade é que nunca foi sobre mim,
sempre foi sobre os “vários” que carrego,
essa legião de versões que atravessa os desertos comigo.
E sou esse
que recusa a desistir,
que não
está só passando pela vida,
mas, a
vive na sua plenitude.
E tenho um
pacto com tempo,
de um...
não olhar para outro,
evitamos o olhar direto, num acordo de
sobreviventes,
embora eu sinta o peso de cada hora que ele me
rouba,
e sei que ele a cada dia me deixa entardecido,
e desconstrói as certezas da minha juventude.
Mas que essência me habita?
De quem é essa gramática do espírito que me sufoca?
Esse mergulho no abismo interno que me apavora,
esse silêncio voraz que me devora
esses atalhos que prometem a chegada,
mas só entregam o vazio.
E o que a vida exige de mim?
Há quem diga que ela espera que eu me encontre,
que eu remende os retalhos...
suture os sentimentos
antes que se tornem feridas incuráveis,
e eu perca da vida... a leveza.
Que eu aprenda a suportar o peso do meu cansaço.
Que eu tenha a coragem de me reumanizar no isolamento.
Que a vida, em sua fúria, me intensifique,
e jamais me apequene.
Pois o que realmente dói não são as escolhas que
fiz...
é o latejar das cicatrizes que me esqueci de curar.
Às vezes, assusto-me com a minha própria força.
Percebo-me maestro da minha desordem:
- Outro dia, domei os fantasmas da minha mente,
não a queria estéril, mas fértil de sonhos,
ordenei que minhas pernas não desistissem da
estrada,
que meus braços não economizassem a ternura de um
abraço,
que meus lábios não se exilassem dos beijos que não
dei,
nem meus olhos desertassem do espanto de
contemplar.
Descobri, entre sobressaltos, que eu empunhava o
leme.
Mas que essência me habita?
Eu sou a alma em estado bruto.
Carrego comigo séculos de outras vidas.
Estou aqui apenas para resgatar os meus amores —
aqueles que, por distração ou medo,
os abandonei na solidão.
domingo, 29 de março de 2026
COMO TE ESQUECER?
Como te esquecer,
se a cada dia você se impregna mais em mim?
Se
sinto... um vazio só de saber,
do nada
que vou sentir... quando não mais te ter.
Dos meus shows, onde na plateia eu só tinha você:
o único olhar que perdoava a minha loucura,
me vendo assim... com tanto encantamento e ternura.
Ah, não sei se posso adiar essa dor,
esse medo de te perder,
esse meu estranho amor.
Como lidar com a sua lonjura,
se você sempre esteve dentro da minha vida?
Mas tudo foi pouco... fugaz como um relâmpago,
quando eu precisava que fosse atemporal,
algo para "sempre".
Não sei como ficar com a sua ausência,
se você foi o lenitivo para a minha saúde mental.
Esse amor se instalou, penetrou, virou essência;
ultrapassou a pele e ocupou a minha alma.
Foi fundo, invadiu-me e permaneceu...
Tatuou-se no meu destino e no meu silêncio,
curou minha solidão e me protegeu.
Você me agasalhou, permitiu-me ficar,
afastou o que um dia poderia me adoecer.
Como te esquecer,
se você me ensinou a ser quem eu sou?
Por você, passei a ser vários,
virei até poesia.
E você, escondida, transitou ao meu lado,
para que ninguém pudesse me machucar.
Eras o meu escudo invisível,
o sol que se abria para mim... todos os dias.
Como te esquecer,
se quando te vi,
você suavizou meu desespero?
Agarrou-se na minha alma e lá se instalou.
Me fez despertar.... e eu renasci.
E agora...
como não fugir dessa incerteza?
Desse desconhecer...
de quem primeiro, irá partir...
se eu, ou você.
Ari Mota
terça-feira, 24 de fevereiro de 2026
DOEU... MAS ME LIBERTOU
Ainda
não sei o que tenho escondido...
no meu
silêncio, nem no meu olhar,
e isso
me provoca a aventurar-me mais um dia,
às vezes
carregando a solidão mais profunda,
outras
vezes arrastando uma loucura indizível,
só para
me curar.
Passei a
não me esquecer, consentir a minha presença,
permitir
o difícil, o caminho, as minhas escolhas,
passei a
existir... aqui dentro... e não foi preciso sangrar,
e tudo
me foi assim... a chave só me abre por dentro,
não
carrego nada que não foi feito para morar em mim,
jamais
permiti morrer em minha alma... a
vontade de amar.
Apreendi
não ter expectativa de ser salvo,
eu... é
que sou o mentor da minha travessia,
e assim
tenho existido, sem desistir,
já não
me explico... só vivo,
e aqui
dentro não existe caos, me adapto aos temporais,
me
desperto, experimento-me e
reconfiguro-me, antes de ir.
Não
permito o meu existir evaporar-se,
e o que
me define não está fora,
sutilmente
desfila dentro da minha alma em profusão,
desmistifico
a felicidade do amanhã... e vivo o hoje,
e me
relaciono com o tempo... como se fosse uma ventania,
uma
fugaz ilusão.
Sei
tanto de mim, que não aceito ninguém dizer quem eu sou,
já fui
espera, procura, leveza e tempestade,
nunca
precisei ser melhor que ninguém,
a não
ser de mim mesmo,
sou o
meu refugio,
não
espero validação de alguém.
já
agreguei tantas almas à minha,
e doei
as partes mais verdadeiras de mim,
ofereci com leveza o que sou,
e também
removi outras tantas,
e lhes
ofereci a minha distancia e o meu vazio,
e o fiz
para não me ferir,
e tudo
foi mágico... apreendi a recalcular a rota,
olhar o
caminho com mais lucidez,
o que
era sonho transformei em destino,
existir
me foi um espetáculo,
doeu...
mas me libertou.
Ari Mota
domingo, 25 de janeiro de 2026
A POESIA
Eu... há
tempos... pousei na minha poesia,
e ela me
salvou,
eu
necessitava fugir da rudeza do dia,
da
aspereza das outras almas,
encontrar
outro caminho,
e ela foi
o lenitivo para a minha saúde mental,
para a
minha solidão,
- me
curei sozinho.
E nesse silêncio
que me habita,
nessa
duvida que me devora,
fui
descortinando os segredos da minha imensidão,
e a
poesia instalou aqui dentro.
Presenteava-me
leveza,
direcionava-me
quando perdido nos meus desertos,
e tudo
era de dentro, tudo era visceral,
passei a
ter coragem para ser feliz.
Fui de
mim... abrigo, quando tudo eram tempestades,
criei um
mundo sustentado por delicadezas,
e... é
nele que existo.
Revisito-me
todas as vezes que tenho que recomeçar,
passei a
ser paradigma de mim mesmo,
e fui me
tornando inteiro... sem metades.
Eu... há
tempos... vivo a minha poesia.
Com ela,
as cicatrizes tornaram-se marcas de luz,
afastei-me
do que fere para abraçar o que cura,
ela
redimensionou o meu silêncio,
suavizou
a minha alma,
preencheu
meus vazios de brandura,
foi com
ela que reacendi os meus amores,
- esses
quatro humanos que amei em outros tempos,
que os vivi...
muito antes desta vida,
esses amores
perdidos no tempo,
e que
estava adormecido do outro lado da alma,
- e foi
na poesia que os encontrei.
E hoje
vivo essa magia, essa emoção,
esse reencontro...
esse
atravessar de ternura.
Ari Mota




.jpg)

