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segunda-feira, 26 de julho de 2010

SUPÉRFLUOS



Se perceberes que o fardo está pesando a cada passo, a cada andar,
e que as pernas não mais suportam... carregar o corpo, o existir,
e a alma em fadiga encarecer o caminhar, temer o horizonte,
dar indícios de parar.
E em prantos reclamar socorro, e ninguém lhe ouvir
ou nem lhe ajudar.
É hora de lançar pelo caminho... os supérfluos, os excessos, o fútil,
abandonar pelas margens todos os medos, angustia, e sofreguidão,
diligenciar a marcha, suavizar o vocábulo e dar ternura ao olhar,
desapegar da impaciência nas paragens... apartar-se da cobiça,
da solidão.
Se perceberes que carregas sentimentos que tiranizam seus sonhos,
obscurecem suas vontades, delimitam o bater de suas asas.
É chegada a hora de propor ao destino que lhe facilite:
Uma assepsia da alma...
Um retirar do desnecessário, da sobrecarga,
dos sedimentos que se alojaram no fundo de si mesmo,
enraizaram em forma de magoa, de rancor,
uma repugnância ao acaso, uma desesperança ao imprevisto,
um desacreditar no talvez, uma ausência de coragem,
um quase abandono, um quase fugir.
Se perceberes que dentro da alma... guardas supérfluos,
escondes ressentimentos... faça uma assepsia.
E guarde ali somente amor
e esperança.

Ari mota