terça-feira, 26 de maio de 2026

E O DESTINO!











Andei em silencio... eu sei,
e arrastava minhas asas.
Obvio que elas estavam invisíveis,
eu não sabia vesti-las... nem usá-las,
pesou por anos... e ela estava ali,
apegada nas minhas costas em segredo.
E eu me olhava... ora perplexo,
ora achando-me endoidecido,
e por não conhecer nada sobre o tamanho do infinito,
nem a finitude de mim mesmo,
permaneci no caminho mesmo com medo.
Embebido com a minha ilusão,
passei pelas estradas e ninguém me viu.
E por tempos enxergava apenas o agora,
e tudo era inquietude, imprecisão.
E o tempo voraz como uma ventania,
provocou-me a mudar,
passei a viver o que sonhava.
E foi descortinando o meu destino,
os voos foram tímidos, curtos e breves,
mas foram constantes, cresciam mais que eu.
Mas... quando passei a não mais me explicar,
- ser as minhas escolhas,
- ser quem eu sou,
ter a coragem de se reconstruir, de se curar,
aí... surgiu em mim... o melhor que poderia ocorrer,
aprendi a voar... e voar sozinho,
tornei-me o que deveria ser,
não sei se esperei o tempo ou ele que me esperou.
E quanto ao meu destino...
não posso ir além de mim.
Só sei que...
nessa viagem encontrei os meus amores.
Hoje entardecido... as asas não pesam mais,
desapeguei dos laços...fiquei livre...
posso escolher onde pousar.
 
Ari Mota