do meu existir.
Quietação para este peito que não só batia, sangrava
vez por outra.
Busquei retiro para esta alma que desesperada e inquieta
borbulhava na amplidão da noite.
E recolhimento para estes olhos que entre abertos
só vislumbrava estreiteza.
Sossego para este corpo que combateu diuturnamente
as desventuras.
E harmonia para o existir, para o continuar... prosseguir.
Foram tantos os embates...
Persisti, resisti, perseverei todos os instantes,
estremeci com o inesperado, e atemorizei-me com o volúvel,
exalei pelos poros... medo das derrotas e a decepção dos fracassos,
destilei pela pele o suor da duvida e transpirei a incerteza do talvez.
Mas, andei por muito tempo à procura...
e encontrei-me em mim mesmo.
Planeei minhas sutis batalhas, entranhei na própria essência
e voltei a me encontrar.
Passei a transitar com a minha verdade,
e desfilar com o que tenho de autêntico.
Fiquei tão eu... que as vezes de singular encontro-me no plural,
e em metamorfose reinvento-me em todas as manifestações de amor.
O meu coração voltou a bater na freqüência dos meus sonhos,
voltei a me encontrar.
E ter coragem de ser feliz.
Ari Mota

