domingo, 13 de setembro de 2026

O QUE LEVAR


 










E eu... que quis deixar coisas,
e ao arrumar a bagagem...
depois de tantas escolhas,
descobri a leveza absoluta do desapego,
e a insignificância das coisas.
E dessas futilidades atuais,
decidi não mais me preocupar,
e revestido dessa lucidez que me habita,
recalculei o fim.
Preparei-me...  só com o quê levar,
e o que me restou foi... as emoções,
que estavam vivendo dentro de mim.
E assim... só vou levar o intangível,
esses sentimentos escondidos na alma.
Vou levar a energia de quem envelheceu ao meu lado,
e estava ali... quando tudo ficou difícil,
e segurou em minha mão... toda uma vida,
ficou pelo o que eu era, pelo que sou,
não me permitiu ser vitima das minhas tempestades,
e estava ali... em todas as minhas travessias,
fazendo-me... desobedecer ao tempo,
não permitindo espaço no peito para o que machuca,
fez-me seguir com minha loucura, meus devaneios,
com a minha poesia,
fez-me gargalhar sem motivo,
e foi um espantalho para a minha solidão,
preencheu de ternura esse vazio,
esse espaço que abriu aqui dentro,
e fomos jogando pelo caminho, as tristezas do dia,
soltamos ao vento essas magoas descabida,
e como se não bastasse...
germinou três dos melhores humanos que conheci,
e amo...
pactuamos... continuar nos amando até o fim.
O que sei é... que,
vou levar esses vários que me tornei,
o que floresceu de amor na minha alma,
e toda a minha resiliência,
e dentro do meu silencio:
- vou levar a sua imensidão...
que ficou em mim.
 
Ari Mota


 


Nenhum comentário: