Andei em
silencio... eu sei,
e
arrastava minhas asas.
Obvio
que elas estavam invisíveis,
eu não
sabia vesti-las... nem usá-las,
pesou
por anos... e ela estava ali,
apegada nas
minhas costas em segredo.
E eu me
olhava... ora perplexo,
ora
achando-me endoidecido,
e por
não conhecer nada sobre o tamanho do infinito,
nem a
finitude de mim mesmo,
permaneci
no caminho mesmo com medo.
Embebido
com a minha ilusão,
passei pelas
estradas e ninguém me viu.
E por
tempos enxergava apenas o agora,
e tudo
era inquietude, imprecisão.
E o
tempo voraz como uma ventania,
provocou-me
a mudar,
passei a
viver o que sonhava.
E foi
descortinando o meu destino,
os voos
foram tímidos, curtos e breves,
mas
foram constantes, cresciam mais que eu.
Mas...
quando passei a não mais me explicar,
- ser as
minhas escolhas,
- ser
quem eu sou,
ter a coragem
de se reconstruir, de se curar,
aí...
surgiu em mim... o melhor que poderia ocorrer,
aprendi
a voar... e voar sozinho,
tornei-me
o que deveria ser,
não sei
se esperei o tempo ou ele que me esperou.
E quanto
ao meu destino...
não
posso ir além de mim.
Só sei
que...
nessa
viagem encontrei os meus amores.
Hoje
entardecido... as asas não pesam mais,
desapeguei
dos laços...fiquei livre...
posso
escolher onde pousar.
Ari Mota


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