De início...
Não se
preocupe se já fruiu o tempo,
ou se já
entardeceu o olhar,
tens é
que redescobrir sonhos,
tens é
que ter mais profundez,
inda há
espaço para se redesenhar.
E se
tiver que sentir medo,
ou
enamorar com a solidão,
aprecie o
caminho,
e mesmo
sozinho,
torne-se
imensidão,
e aproveite
para se encontrar.
Só
encontre o que te faz... sentir vivo,
e viva sem
ter que ter permissão de alguém,
que o
amor transite livre dentro da sua alma,
e saiba
lidar melhor com suas imperfeiçoes,
e saiba
que... nada aqui lhe pertence,
e nem...
ninguém.
Viva sem
ter que ter permissão,
para
criar o seu mundo, colher a sua flor,
não
permita que escolham...
a sua
musica, o seu riso, ou defina a sua lágrima,
nem em
qual boca ira deixar o seu beijo,
nem quem
terá o seu amor.
Viva sem
ter que ter permissão,
e tenha
coragem para ser feliz,
e
dance... enlouquecido pelo caminho,
pode até
ser à beira de um abismo,
pode ser
até com uma louca bailarina,
ou
sozinho.
Viva sem
ter que ter permissão,
experimente
despregar essas etiquetas,
esses rótulos
da pele... que vicia,
e conhecerás
a leveza das coisas,
e o
alivio de estar liberto dos outros,
que
tanto asfixia.
Viva sem
ter que ter permissão de alguém.
Que
todas as escolhas sejam suas,
que
conduza seus erros e acertos,
e nada
lhe aprisione,
e que só
do amor pela vida...
fique
refém.
Ari
Mota.
segunda-feira, 28 de agosto de 2023
SEM PERMISSÃO
domingo, 16 de julho de 2023
REFUGIADO DE SI MESMO
Não
esqueças...
o
que abandonas pelo caminho,
às
vezes vai ficando... se perdendo,
revestindo-se
de desimportante,
e
de tão imperceptível, nem sua alma,
sua
maior cúmplice... te a avisa.
E
de repente... foi um olhar,
um
encontro, um desejo, um amor,
depois
à distância,
e
você... ao se olhar, se vê... sozinho.
Não
esqueças...
o
que abandonas.
Vez
por outra isso, torna-se um hábito,
e
passas a não notar:
o
que te fere, o que te machuca,
nem
do que de hostil te oferecem,
e
vai ficando rastros de vazios.
E
depois... bem depois, vai-se o sonho,
e
essa empatia que tanto falam,
essa
que dizem... ser para com os outros,
você
já não as tem,
-
nem com os seus sentimentos,
nem
com suas emoções... seus desafios.
E
aí, você desperta...
faltando-lhe
o toque humano,
e
em quase completo desnorte,
vê
que... o que te assombra,
é
que ao estar conectado no mundo virtual,
estava...
tornando-se refugiado de si mesmo.
Cuide-se...
de
tudo que em você habita.
Conheça
o seus desertos,
mas,
não faça ali o seu refúgio.
Tenhas
os seus medos,
mas,
os enfrente com destemor.
Quando
a vida lhe provocar,
enfrente-a
com o seu silêncio.
Não
tenhas horas vazias, leia,
ousa
musicas... pássaros,
cascatas,
a própria alma,
e
só ande com quem exale coragem.
-
Faça- lhe... sobrar amor.
Ari
Mota
quarta-feira, 31 de maio de 2023
O QUE EU PRECISO...
O que eu
quero...
e a mim
mesmo proponho,
não é a juventude
de volta.
Só
preciso...
que ela
não escape da minha alma,
- que a
pele desbote... enrugue,
a visão
turve...
as
pernas entrelacem no andar,
mas não
me deixe abster da estrada
nem
deslembrar do sonho.
O que
preciso...
é muito
pouco,
ainda
careço de horizonte,
e de
lonjura,
vou
lento, mas tenho ido em frente,
estou no
tempo da vagareza,
e do
silêncio.
Já não
intento chegar primeiro,
quero
mesmo é contemplar o caminho,
existir
até aqui... já me bastou,
encontrei
todos os meus amores,
já não
estou mais... a procura.
O que
preciso...
É que o
tempo se alongue,
e a vida
não anoiteça.
Ari Mota
domingo, 30 de abril de 2023
QUANDO VOCÊ ME OLHA
Verdade
foi que...
eu não
me dei ainda,
com a
sua imensidão.
Quando
lhe vi... encantei-me,
quase
enlouqueci,
com
tanta ternura.
O seu
olhar me tomou por dentro,
você me
olhou com olhos de outras vidas:
Aquelas...
que não tive tempo de despedir,
e fui
embora.
Aquelas
mal resolvidas,
aquelas
que nos perdemos pelas circunstâncias,
aquelas
esquecidas pelas distâncias,
aquelas...
que me virou pelo avesso,
e me
restou à solidão.
Confesso
que...
eu não
me dei ainda,
com a
sua beleza,
nem com
essa luz que brota dos seus olhos.
Você
chegou arrastando estrelas,
querendo
segredar-me o que foi vivido,
sem
derramar os silêncios que teve,
as
ausências que experimentou.
E
ofereceu-me certeza,
e
contentamento,
olhou-me...
com olhos de amor,
extasiando-me...
em noites de delicadeza.
Quando
você me olhou...
eu não
me dei ainda,
com o
esplendor dos seus olhos,
nem que
eles estavam falando comigo,
dentro desse
seu... encarar que me humaniza.
- Só
agora... esbarrando um no outro,
com a
alma,
que
percebi os sussurros,
que
escapam desse terno olhar,
que
ainda me reconhece, e quer o reencontro.
Quando
você me olha...
eu não
me dei ainda,
com a nitidez...
do que é isso,
- Só sei
que me... eterniza.
ARI MOTA
sexta-feira, 31 de março de 2023
ORGULHE-SE
Que essa
magia do existir,
o faça
transcender a si mesmo,
e o
permita... desgarrar das pequenezas.
Orgulhe-se:
De ter
suportado os adeuses,
esses
passageiros,
ou
aqueles que transfiguraram em sofreguidão.
De ter
preenchido os vazios,
esses
incomensuráveis...
- com sonhos
que duram toda uma vida.
De ter
entendido as ausências,
as
necessárias,
ou as
definitivas.
De ter
atravessado,
os seus
desertos,
sem se
enamorar com solidão.
Orgulhe-se:
De estar
aí...
insistindo,
descobrindo
a aridez do caminho.
De entender
que tudo é fugaz,
um relâmpago,
uma rajada
de vento, uma ventania.
E que as
dores que brotam na alma,
passam,
e tudo...
transforma-se em leveza,
só
dependerá da sua teimosia.
Orgulhe-se:
Daquele dia
que sentado,
na solitude
da estrada,
esbarrou
na própria doidice,
e decidiu
ser feliz.
Orgulhe-se:
Da sua
exuberante vida,
e de
tudo que viveu.
- que na
última pagina da sua historia,
a última
linha não tenha a palavra... fim.
Que você
possa registrar:
- tudo VALEU.
Ari Mota
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2023
QUISERA
E se houvesse
um lugar...
que não
fosse tão longe assim.
Desses...
que é só virar a curva.
Desses...
que é só descer a rua,
e
encontrar leveza.
E se
houvesse um tempo...
que não
demorasse tanto.
Desses...
revestidos de recomeços.
Desses...
que se parecem ventania,
transvestidos
de delicadeza.
E se
houvessem humanos melhores,
que não
fossem tão hostis.
Esses...
com coragem de dizer “eu te amo.”
Esses...
que ainda cuidam da alma.
Esses...
que ainda sonham sem ilusão.
E se
houvessem aqueles...
que não
tropeçassem em seus próprios vazios,
e
soubessem enfrentar a si mesmo,
amenizando
o seu desespero,
sem
alimentar a sua solidão.
E se houvessem
os que não tivessem tanta certeza,
Esses...
que não morrem por dentro.
Esses...
que se reinventam.
Esses...
que vão se construindo vida afora,
e
manifestam gratidão.
Como
estou entardecendo...
e já não
há duvidas que caibam em mim.
Quisera
eu... por um descuido...
por um
instante... “estar” nesse lugar e tempo,
e
chama-lo de meu,
e
leva-la para passear com o meu silêncio,
conhecer
do meu amor,
da minha
loucura,
sem se
importar com o fim.
Ari Mota
terça-feira, 31 de janeiro de 2023
A SENSATEZ DO TEMPO
Que sensatez
foi-me... o tempo,
olha-me
inofensivo e com ternura.
Às vezes
me remete,
naquelas
ruas desvestidas que vivi,
onde fluíam
momentos invisíveis,
e ensejos
de abandono.
Mas, foi
lá... que cresci,
e hoje
envelhecido,
sei que
crescia para dentro e não sabia.
Foi
lá... que distraído,
encontrei
a minha resiliência,
o meu
amor.
E nunca
sofri de solidão,
nem de
lonjura.
Que sensatez
foi-me... o tempo,
rememora
tudo que passei.
Ocupei-me,
tanto em resistir,
que nem
me lembro... se sofri.
E hoje o
tempo...
olha-me...
como se eu fora um menino,
sussurra-me
noite adentro,
como uma
aragem descomprometida,
e
confessa-me que sobrevivi aos vazios.
É que
todas às vezes,
que eles
atreveram-se a entrar,
invadir
a minha alma...
encontrou
despertando,
todos os
sonhos que guardei.
Que sensatez
foi-me... o tempo,
vivi tão
intensamente,
que nenhuma
espera me foi infinita,
tudo foi
uma apoteose sem igual,
uma
magia descabida,
e
efêmero foi... existir.
Sacie-me
de amores,
e envelheci
amando,
carregando
leveza, lucidez,
e
silêncio.
Como,
ainda tenho sonhos...
ando
seduzindo o tempo:
- a estender o dia de partir.
Ari Mota
terça-feira, 13 de dezembro de 2022
OS MEUS AMORES
Eu de
mim, nada sei...
ainda
assim, continuo sendo eu,
nunca
procurei ser outro,
fiz tudo
o que coube em mim,
e a tudo
amei.
E quando
tudo for solidão...
nada
mais, me será relevante,
existir
me foi um assombro,
fui
resiliente, fui silêncio,
convivi
com quatro dos melhores humanos,
que
conheci...
e tudo
me foi um encanto... pura emoção.
Eu de
mim, nada sei,
ainda
assim, continuo sendo eu,
não
aprendi a ser mais ninguém,
vivi
todos os meus temores,
tive
fome de estrada,
de
destino,
sofri de
vazios,
e os
preenchi com os meus amores.
E quando
tudo for tempestade,
nada
mais, me será assustador,
nem
relâmpagos, nem ventania,
já não
terei mais sentimentos inferiores,
restará
contemplar o que vivi,
por amor...
restará transcrever
em poesia:
- o que
ficou como saudade.
Eu de
mim, nada sei...
ainda
assim, continuarei sendo eu,
e nem
quero me aprofundar tanto,
nem
descobrir tantas vidas que vivi,
essa me
foi o bastante,
foi
nessa que eu... os conheci.
Ari Mota
domingo, 23 de outubro de 2022
APLAUSOS
Como foi
bom não saberem...
onde
guardastes o sonho,
escondestes
o medo,
secastes
o pranto.
Como foi
bom não saberem...
que se
alimentou da própria substância,
que se
valeu da inconexão com o desistir,
e
continuar em silêncio foi seu maior encanto.
E que ao
sonhar...
não
encontrou paradigmas que não estivesse em ti,
tudo
estava dentro,
e tudo
foi um exagero, e a quase tudo renunciou.
Como foi
bom não saberem...
da
solidão que lhe fez companhia,
e das vezes
que a quietude escondeu o grito,
e os
desertos que atravessou.
Mas...
se só, depois de 40 anos,
chegaram
os primeiros aplausos,
mesmo
assim, veja o tamanho,
o quanto
imenso foi sua obstinação.
E o que
valeu foi o duelo com si mesmo,
a exuberante
batalha com a alma,
em lidar
com as incertezas,
e das
vezes que as engoliu em noites de solidão.
Como foi
bom não saberem...
que tudo
que lhe obstou o caminho,
desmistificou
o perigo de viver, o fez voar,
o fez se
olhar, se aplaudir.
Como foi
bom não saberem...
que
vagarosamente estava construindo pontes,
crescendo
para dentro,
tornando-se
maior, uma referência, antes de partir.
Que bom
que ninguém soube...
que o
destino... sem você saber, fez como o mar:
depositou
na sua praia, aplausos que são seus,
veio lhe
restituir.
Ari Mota
domingo, 11 de setembro de 2022
QUANDO FOI QUE TUDO MUDOU
Vez por
outra...
A razão
vem sondar a minha alma,
e com
sutileza me indaga:
Quando
foi que tudo mudou?
E às
vezes me pergunto... quando?
Quando a
cura emergiu de dentro,
como
esse processo irrompeu em mim,
e
aqui... aportou.
Talvez...
Foi
quando me vi sozinho...
e tive
que me fazer companhia,
e
desnudei-me,
exibindo
a minha fragilidade e força,
e
deparei com esse que hoje sou.
Talvez...
Foi
quando tive que me olhar...
sem
estar no espelho,
e
atravessar-me como se fora transparente,
e passei
a me tratar com mais leveza.
Talvez...
Foi
quando tive que me encontrar...
sem
nunca estar perdido,
e tive
que dimensionar a estrada,
e saber aonde
chegar.
Talvez...
Quando
tive que me amar... quando me faltou amor.
Quando
tive que voar... quando acabou o caminho.
Quando
tive que me reencontrar... recompor.
Talvez...
Foi
quando deparei com as dores,
e tive
que ter paciência com as minhas emoções,
que
descem vez por outra dos olhos:
- Só de
pensar em partir,
e não
saber como despedir dos meus amores.
Mas, foi
mesmo... quando tive que elevar-me,
e deparei
com um universo em mim,
e tive
que lidar com essa imensidão,
descobrir
este que sou.
E saiba,
pode até parecer que tudo foi efêmero,
um
relâmpago ensandecido,
uma
tempestade de verão,
mas, só
eu sei o quanto demorou.
Mas... quando
tudo mudou...foi:
Quando
me amei.
Ari Mota
domingo, 31 de julho de 2022
GRATIDÃO
Envelhecer
foi-me paradoxal...
em nada
encontrei lógica.
Para
crescer...
foi
preciso esvaziar a alma.
Para
enriquecer...
não foi
preciso amealhar coisas,
e fiquei
rico sem saber,
quase me
sufoquei com tanta riqueza.
E ela
veio de dentro,
estava
escondida na minha alma,
e foi
colossal.
Que
disparate foi envelhecer...
eu que
tinha certeza de tudo,
hoje
nada sei.
Eu que estava
aprisionado com a insensatez,
hoje
ando esbarrando com a lucidez.
Que
privilegio foi chegar até aqui,
foi tanta
vida, tanta emoção,
é que...
não me permitiram conhecer a solidão,
e tudo
amei.
O tempo
foi-me um desatino,
diversas
vezes... pedi... vá mais devagar.
É que
convivo com gente destemida,
que me permitem
estar onde estou,
e
entendem que eu... não iria brilhar em outro lugar,
senão com
eles...e aqui.
E esses
são... os três melhores humanos que conheci,
que
olham nos meus olhos,
falam
sem dizer uma palavra... que me ama,
e
levantaram-me todas as vezes que caí.
O
tempo... só ele... mais ninguém,
desconstruiu
a minha pequenez,
fez-me
silêncio... contemplação,
colocou
leveza na minha alma,
ensinou-me
a ter pela vida,
e por
tudo que vivi:
GRATIDÃO.
Ari
Mota.
terça-feira, 28 de junho de 2022
NUNCA DESEMBARQUE DE SI MESMO
Que...
esta dinâmica de sempre recomeçar,
nunca
acabe.
E saiba...
quem
perde o caminho... já estava indo,
Já
estava... enfrentando os seus próprios medos,
Já estava...
afrontando os seus fantasmas.
E... é
só refazer a trajetória,
e não há
mais nada a fazer... senão ir,
viver a
sua história.
Que... sua
coragem seja revestida de metáforas,
reafirmando
a força que te equilibra.
Que... nessas
horas de tempestades,
em que a
vida chega a lhe sacudir,
não o
amedronte com as incertezas,
nem que
o caminho o fizer dançar com a solidão.
Que...
você possa abrandar o desespero,
e
silenciar a aflição.
Mas...
Nunca
desembarque de si mesmo,
não te
abandones.
Não deixe
suspenso o seu destino... Vá.
Podes
até parar e se orientar para os voos,
mas, não
permita que batam as suas asas.
Podes
até pedir auxílio nas estradas,
mas, não
permita que impeçam os seus passos,
nem
altere suas coordenadas.
Nunca
desembarque dos seus sonhos,
arraste-o...
vida afora.
Obstine-se
mais um tanto,
teime
como se fora a primeira vez,
resista
como se não tive outra escolha.
Remova
da alma, toda a sua sinergia,
e tenha
tempo para amar e ser feliz,
e que
essa seja a ordem da ousadia.
Nunca
desembarque de si mesmo,
desperte
o que habita em ti.
Caminhe
para dentro:
Há
vazios a ser preenchidos,
há
energias sem utilidades,
há
desertos intactos, e sem divisória.
E, é lá...
que existe uma força maior, incomum,
que vai
embelezar a sua trajetória.
ARI MOTA
terça-feira, 24 de maio de 2022
AS DORES QUE SENTI
Quando
doeu-me... viver,
e
me senti... à deriva,
você
estava ali ao meu lado,
como
um alívio ao meu desespero,
como
uma porção lenitiva,
sem
ninguém saber.
Quando
doeu-me... existir,
e
a vida me bateu,
você
já estava dentro de mim,
como
uma guardiã de outras vidas,
provocando
o meu despertar,
atiçando
o meu reagir.
Quando
doeu-me... a solidão,
e
a ausência quase me fez companhia,
já
existíamos um para o outro,
e
visceralmente éramos um só,
você
já me fazia reviver por dentro,
já
descontruía a minha aflição.
Quando
doeu-me... o tempo da velhice,
e
a minha pele amarrotou,
você
compassiva... lembrava-me da lucidez,
do
fascínio que tive em transpor os limites,
e
a sedução em conseguir tudo em silêncio,
e
me pedia que não me desiludisse.
Quando
doeu-me... o medo,
e
fiquei sozinho... sem estrada,
você
foi embora comigo... sem destino,
ultrapassamos
as divisas dos nossos desertos.
E
você me... permitiu voar para dentro,
em
busca do nosso segredo.
Quando
tudo doeu...
Só
o seu amor acalentou-me a alma.
E
existir ao seu lado, foi-me... um espetáculo,
você
atenuou todas as dores que senti:
-
e espero você... em outras vidas,
você
foi o meu refúgio... foi maior que eu.
Ari
Mota
sábado, 30 de abril de 2022
O ÚLTIMO SENTIMENTO
Se...
faltou-lhe na emoção escondida,
e no último
dos sentimentos,
o abraço
que você nunca deu.
Se...
faltou-lhe no silêncio que arrastas,
e na
frieza das palavras,
que você
nunca disse:
estou
aqui “esse sou eu”.
Cuidado...
se em descuido,
perguntarem-lhe,
do riso
e da leveza,
da vida
que não lhe condiz,
e
inadvertido dizer:
doeu-me
a alma,
faltou-me...
ser feliz.
Atente...
para a fugacidade do destino,
e o que
carregas agarrado à pele,
- pode ser
tão somente uma ânsia descabida.
Cuidado
se esqueceu de enamorar a si mesmo,
e autômato
colecionou vazios,
empilhou
ressentimentos,
embruteceu
o olhar, a vida.
E
distraído permitiu escapar...
a última
das emoções,
essa que
encanta, extasia,
completa
todos os nadas,
preenche
todos os silêncios,
desconstrói
qualquer solitude,
estremece...
arrepia.
Que
existir não lhe doa,
que ao
menos seja um espetáculo,
um
ritual lúdico e não um desconforto,
que
pequenas partidas virem saudades,
e
chegadas... encantamento apoteótico,
e um olhe
para o outro com amor,
e sejam
assim... até o fim... um porto.
Que para
os tormentos, tenha lenitivos,
e saiba
reger com maestria a solidão.
Para a
aridez da alma... o mais puro bálsamo,
e saiba
transpor os seus desertos,
em busca
do encontro, da entrega.
Que em seu
último sentimento,
esse que
habita em ti, ainda possa dizer:
Eu te
amo.
Ari
Mota.
terça-feira, 22 de março de 2022
EQUALIZE
Que durante
as tempestades,
tente
desvendar os paradoxos,
que
incomodam a tua alma.
Talvez o
que está aí dentro...
não seja
solidão,
e o que
você chama de vazio...
seja
apenas a tua ausência:
- excessos
de outros,
e escassez
de si mesmo.
E nesta
busca você perceba...
que
sonhos escapam com tempo,
e por
onde andou... você não mais cabia,
seu
brilho ofuscou outros olhares,
e
tentaram tolher a plenitude do seu voo,
e tudo
isso o fez... seguir a esmo.
Que
depois da tempestade...
Possa,
equalizar
a tua loucura,
com a tua
lucidez.
Viva
como se tudo fosse hoje,
sem
precisar ser... um outro,
sem
precisar sair em sua própria procura.
Gaste
todas as vidas agora,
exista
para descortinar-se,
ame-se...
sem se consumir,
dentro
deste silencio que te devora.
Seja
intenso num só dia,
transpasse-o
com leveza,
seja mansidão
invés de ventania,
e silencie
em delicadeza.
Sofra de
amor, mas nunca de lonjura,
e que ele
resida na tua alma,
pulse livre,
e exale entrega,
e que
enquanto durar... seja por ternura.
E se um dia
a tempestade voltar...
Vá ao
fundo de si mesmo,
equalize
as respostas,
reconstrua-se
sem medo de amar.
Equalize
o medo e a coragem,
se tiver
medo...
que
seja, o de não encontrar a coragem em ti.
Ari Mota
quinta-feira, 6 de janeiro de 2022
HELENA
Demorei só um pouquinho.
De onde vim... falaram tanto de você,
que... tive que me preparar para te reconhecer.
Minha alma ínfima tinha que crescer,
para lidar com a sua imensidão,
o seu grito transcendeu as estrelas me chamando,
eu sei...
Há boatos no universo sobre o nosso amor,
disseram-me que estivemos juntas em outras vidas,
já fomos fadas encantadas,
bruxas em noites de solidão,
por isso voltei...
Aí... uns anjos atrevidos,
colocaram-me nesse ventre.
Sou um presente angelical,
um pedacinho de ternura,
um encantamento.
Verdade é que sou você por inteira,
sou o que tens de visceral.
Estive em cada desejo seu,
sou a sua teimosia.
Já fiz parte do seu desespero,
sei que cada lagrima caiu para dentro,
mas, hoje lhe ofereço a minha calma,
saiba, estive ao seu lado, vivi também o seu silêncio,
Mas, cheguei para ser a sua poesia.
Oi!!! Mamãe!
Sabes quem sou?...sou:
- Helena.
Vim para um estágio de vida:
- aprender a ser a mulher que você,
se tornou.
-------------------------------
Helena é minha neta,
enfeitiçou o meu espirito.
Ela, ainda não se apresentou,
para o grande show da vida,
mas, já me fez infinito.
Ari Mota
segunda-feira, 20 de dezembro de 2021
UM LUGAR SAGRADO
Viver...
é esse disparate,
essa
insensatez indescritível,
esse
absurdo.
De
repente, sem se perceber...
saciamo-nos
de inutilidades,
absorvemos
a vida dos outros,
e permitimos
sem desvelo,
invadirem
nossa alma:
- Esse
lugar sagrado,
sem qualquer
embate.
E chegam
assim... em aflição,
despejam
suas dúvidas,
sua
agonia, seu cinismo,
dissimulam
a sua vileza,
entopem-nos
com os seus vazios...
sua
miséria espiritual,
sua
sofreguidão.
Prudente
é não arrastar esse desassossego,
para não
tornar-se vitima de si mesmo,
e dele
ficar refém.
É
preciso resguardar esse refúgio:
- para
suportar a solidão dos outros,
e a
solidão de si.
Filtre
quem ficará ao seu lado,
e quem
permanecerá lá dentro,
não
vislumbre o seu amanhã... sem ninguém.
A alma
tem que ser intocável.
E quem nela
transitar:
Tem que
estar descalço,
e ter
leveza no andar.
Tem que
compreender a sua loucura,
e seus
temporais.
Ouvir o
seu silêncio,
e tolerar
os seus rituais.
Tem que aceitar
a sua imunidade,
venerar sua
alma... como um templo em delicadeza,
e nela
nada entulhar, nem levar,
apenas...
vasculhar a sua profundeza.
Esse é o
seu lugar sagrado,
e
guardarás nele, o seu segredo:
- a
dimensão da sua coragem,
e o
tamanho do seu medo.
Só deixe
entrar quem chegue com brandura,
e seja cúmplice
de seus sonhos, da sua dor,
e na hora
do cansaço... conceda-lhe o braço,
e admire
a sutileza como você manifesta o seu amor.
Ari Mota
segunda-feira, 22 de novembro de 2021
REGRESSE EM TI
Podes
até roubar um segundo do tempo,
chamá-lo
de seu.
Mas,
não demores muito,
se
nele não tiver encanto.
Podes
até achar que ele é apenas um instante,
efêmero
como um vendaval.
Mas,
não acredites em sua intensidade,
se
ele não carregar delicadeza.
Assim...
é o existir,
às
vezes tem o tamanho de um “agora”,
a
beleza de um relâmpago,
e
tudo pode mudar...
-
saiba o que fazer com o que já viveu.
Atenha
aos ventos ocasionais,
esses
que chegam em silêncio, e a esmo,
esses
brandos, suaves e inocentes,
que
às vezes arrastam uma neblina densa,
e
sutilmente umedece a alma,
fazendo
gotas distraídas caírem face abaixo,
implorando...
recomeços,
suplicando...
o repaginar dos sonhos,
o
equilíbrio com as estrelas,
e
a transcendência de si mesmo.
E
existir é isso...
É
um manobrar entre o medo e a intrepidez,
é
entrelaçar entre a coragem e o desistir,
entre
o abandono e o desejo de amar,
é
entender de lonjura e admitir a solidão,
e
depois transitar com equilíbrio entre as duas,
diminuindo
a profundidade do desespero,
e
se revitalizar todos os dias,
sem
se machucar.
Regresse
sempre...
A
alma é o único porto para se voltar:
-
regresse em ti.
Ari
Mota
domingo, 10 de outubro de 2021
RETALHOS DA ALMA
Mesmo
sabendo das águas incertas,
dos
ventos intempestivos,
não
parei de navegar, e sempre...
estou à
procura do que me tornei, e sou.
Tive alguns
cuidados comigo:
- não me
machuquei com os próprios pensamentos,
nem me
flagelei com as vicissitudes,
quando o
dia me apequenou.
Vim...
recolhendo retalhos, do que vi e senti,
e fui
costurando tudo em minha alma,
ela
ficou maior que eu.
cerquei-me
de silencio e sutileza,
de
gratidão e poesia,
e orbita
em mim, os melhores humanos que conheci,
e fui me
edificando com retalhos,
remendei-me,
me consertei,
com o que
a vida me ofereceu.
Mesmo
sabendo da fragilidade humana,
das
tempestades ocasionais
espelhei-me
em grandes almas,
naquelas
que exalam ternura,
e são
sensíveis, silenciosas e invisíveis,
aquelas
que verbalizavam com os olhos,
e dançam
felizes em noites de solidão,
parecem
poetas desvalidos, mas são resilientes,
uma é
uma bailarina louca e as outras... duas borboletas,
transbordam
de amor e finura.
E venho
me formatando... assim.
Desses
humanos que me amam,
capturo
pequenos gestos,
que refletem em mim... luz e calmaria,
tocam-me
como aragem celestial,
reinicio-me
todas as manhãs,
e todas
as vezes que deparo com o medo,
mantenho
o olhar, o encaro de frente,
hoje...
o medo tem medo de mim.
Fiz tantos
remendos para retribuir o que recebi,
para
amar como fui... que utilizei de todos os atalhos,
atravessei
todos os meus desertos, todos os meus acasos,
hoje...
sou a soma de outras almas, de outros amores,
de
outros sonhos, de outros abraços,
deixei
de ser eu, de ser sozinho,
até
posso deixar os meus excessos pelo caminho,
e em fez
de receber... oferecer o que me tornei,
em
retalhos.
Ari Mota
segunda-feira, 23 de agosto de 2021
TENHO PRESSA DE MIM
Sei da fugacidade do tempo, e agora em outro compasso.
E isso já me amedrontou,
arrancou-me da cama em madrugadas de insônia,
desesperei-me com vidas que não vivi,
estradas que não passei,
viagens que não fiz.
Mas, toda essa ausência...
formatou esse... que hoje sou.
Sei que... agora,
tenho que descobrir o que ainda não sei de mim.
Foram tantos experimentos,
foram tantas travessias para lugar nenhum,
procurei tanto, que quase me perdi,
- também pudera... procurava: olhares alheios,
para preencher esse vazio no peito, esse vão,
quis buscar lá fora algo para me por em sossego,
acalentar a minha solidão.
Sei que... O amargo do silêncio, já me importunou,
mas foi nele que escutei os gritos que não dei,
e eclodiu o amor por três dos melhores humanos...
que conheci.
- E me encontrei.
Tenho pressa de mim...
Foram tantas barbáries que vi,
foram tamanhas insanidades que presenciei,
que preciso agora no final... de refúgio,
de abrigo, que me permita desacelerar,
sem perder a ousadia pelas batalhas.
Preciso viver em êxtase o que me resta,
e em gratidão... o que me tornei.
Tenho pressa de mim...
O destino me tratou com delicadeza,
permitiu-me envelhecer.
Embora tudo que vi, me embruteceu,
é hora de resgatar a candura.
E que de ora em diante, seja tudo apoteótico:
Que em todos os amanheceres rebrote vida,
que o meu olhar sereno contemple mais,
que todas as estradas revele um encontro,
e cada passo seja uma longa viagem,
e eu compreenda as vibrações da própria essência,
- e defina: esse sou eu, esse é o meu tamanho.
Como tenho pressa de mim...
Que esse último lapidar, esse último brilho...
Seja eu a fazer... com lucidez e brandura.
Ari Mota
domingo, 25 de julho de 2021
DESCONSTRUA-SE
Ao perceber
que o frescor da alma...
desmaia
em noites de desespero,
e uma
estreiteza desponta por dentro,
saqueando
o riso,
desconstruindo
a brandura,
roubando-lhe
a quietude,
criando
uma aflição incomum,
- não
desaponte os sonhos.
Isso tem
cura:
O que será
preciso é... desvestir-se,
de tudo
que incorporou vida afora,
é hora
de despojar de todos os paradigmas,
procurar
outra estrada,
diferenciar...
não ser mais um.
Se for
preciso...
fuja de
tudo que te inutiliza,
dispa-se
desses seus disfarces,
daquilo
que você não é,
dos
medos que te atemoriza.
Desconstrua-se
para não adoecer.
Em vez
de...
potencializar
a dor,
loucure-se...
passe a carregar leveza,
pressentir
o instante,
a grandeza
das coisas simples,
e não
permita a fugacidade do tempo,
subtrair-lhe
um grande amor.
Em vez
de...
estigmatizar
o lamento,
silencie
em vez de desatar o grito,
não dê,
a saber, a muitos, os seus desassossegos,
cada um
tem a sua historia,
desaposse
da sua verdade,
viva
como se estivesse indo aonde o vento sopra,
espalhe elegância...
espalhe atrevimento.
Descontrua-se...
Como se
fosse um… desfolhar,
mas, não
perca o viço... o fulgor,
e nem o
fim,
ressurja
com toda a sua exuberância,
com toda
a sua resiliência,
volte
maior,
diferente
do que foi... melhor,
inda
tens muito para amar,
e
tempestades para transpor.
Ari Mota



















