domingo, 30 de setembro de 2012

OLHAR COM A ALMA

Um dia... cansado, fechei os olhos, quase querendo fugir de mim,
achei... que de tudo, ali era o meu limite,
e que esta fronteira tênue, esta linha estremada,
não era o começo de nada, mas invariavelmente o fim.
Quase abandonei a ilusão da busca, a utopia da conquista,
a fantasia da descoberta, os devaneios de existir,
quase desisti da estrada.
Mas só o tempo me ensinou a ver na escuridão...
A vida é um efêmero sonho, é um relâmpago em noites de temporal,
é um quase tudo, outras vezes um quase nada,
é espesso como uma rocha, descomedido como a solidão,
fugaz como uma despedida, vazio como uma distancia abismal,
viver é um talvez, e às vezes afigura ser o que não é,
e de tudo... fica somente vivê-la intensamente,
e ter sempre a coragem de reiniciar, reconstruir o caminho,
rir dos desacertos, da singeleza dos desencontros em desalinho,
e exausto abandonar as paixões menores e olhar a vida com a alma.
E assim tenho vivido...
Faço que o meu silêncio mude o mundo, o meu mundo,
e a calmaria me invada e faça de mim quietude,
e o fascínio em ser feliz, possa permear-me até nas vicissitudes.
Assim sou eu... já não procuro as respostas, nem perguntas faço mais,
sou contemplação.
Sei que sou diferente... ando, em sinergia com o universo,
conto estrelas, inda percebo uma lagrima que rola face abaixo,
um sorriso descomprometido, um beijo perdido, um verso,
uma falta de abraço, um carinho em descompasso, uma emoção.
Às vezes e sempre saio por ai, sozinho, caminhando ao anoitecer.
Mas o tempo me ensinou a ver na escuridão.
Olho com a alma e sem segredo,
e depois continuo a caminhada sem medo,
e com amor.

Ari Mota


domingo, 16 de setembro de 2012

QUANDO SE CHEGA À ALMA

Em minhas viagens, a melhor delas foi quando cheguei... em mim,
custou, demorou... achei que não ia me encontrar.
Óbvio foi... que antes, tive que espantar alguns fantasmas,
combater temores adormecidos, escondidos aqui dentro,
espectros da minha meninice, sandices trazidas pelo vento,
pelo desassossego com a espera, com a busca...
inquietação com o caminho, com a pressa, com o desgarrar do tempo.
E na inocência, sonhador e atrevido... de todos... destoei,
dos que, disseram-me que tudo seria difícil, e que nada me era permitido,
fiz tudo do meu jeito... tentei de novo, e varias vezes recomecei.
De todas as batalhas, confesso... de todas eu temi,
tremi em noites de aflição, assustei quando encontrei a solidão.
Hoje... ando a procura de leveza... sou um fugitivo da rudeza.
Quando uma lagrima inadvertidamente escapa face abaixo,
liquefaço-a em tempestades de alegria,
danço em devaneios com a agonia,
depois... eu sigo em frente, pego carona com a ventania.
Em minhas viagens, a melhor delas foi quando cheguei... em mim,
passei a respirar a minha verdade, e o tão pequeno que sou.
Desvaneço a minha soberba, desconstruo a minha altivez,
ando reconstruindo o meu fim.
Claro... que é a conclusão material, ficarei nos meus poemas,
no que sou, nos meus sentimentos... na minha poesia,
ficarei no que mais acredito “é preciso ter coragem para ser feliz.”
Tanto que, até alterei os meus passos, as minhas escolhas,
os meus atalhos... a minha travessia.
Efêmero pode ser o meu olhar,
fugaz os meus abraços, os meus beijos, os meus minutos para amar,
mais serão intensamente e os farei eternos enquanto existirem.
Hoje... só tenho uma estrada, uma direção.
Tenho apenas um destino... vou somente para dentro de mim...
E quando se chega à alma,
tudo vira silencio...
Paz.
Contemplação.
E invariavelmente transforma-se
em amor.

Ari Mota

domingo, 2 de setembro de 2012

TENHO QUE IR...

Olha...
A minha vida é uma viagem... inda tenho que andar muito, eu vou longe.
Só parei... porque sei... que é nas estações que se encontra... os amores,
reabastece a alma, aquece a carne, oferece colo,
dança em desvario ao som de uma orquestra de borboletas,
e anda de mãos dadas em torno do coreto,
perde-se na praça, abraça e todo sem graça... oferece flores.
Só parei... para oferecer o meu olhar,
abrigar-te em meus braços em noites de solidão,
e em extremo exagero te adorar,
e depois... bem depois da madrugada, te acarinhar,
e roubar-lhe a aflição.
Só parei... para convidar-lhe... a ir comigo.
Inda tenho que andar muito, eu vou longe, nem sei mais a distância,
sou assim... tenho que ir sempre, só assim amenizo a minha ânsia.
Estou indo... nem sei mais se poderei voltar.
Só parei... porque eu tenho que ir... não posso parar.
Só parei... para te chamar.
A minha vida é uma viagem...
E existir... é nada mais que descobrir um grande amor,
porquanto isto... aqui estou, e parei.
Olha... tenho que ir.
Se você fugiu das tempestades, das minhas tempestades, é melhor ficar.
Mais... saiba, eu estaria em todas as que ainda irá um dia passar.
Eu vou longe,
Sei que posso até me perde pelo caminho,
e viver é isso... desejar alguém para não caminhar sozinho.
Como tenho outras estações para parar...
Vou descer... dançar... olhar em demasia,
viver todas as noites, todas as madrugadas,
aquecer outras camas, outras almas e não deixá-las ao frio,
vou ser feliz,
e novamente amar.

Ari Mota

domingo, 26 de agosto de 2012

INCANDESCER A PRÓPRIA ALMA

Olhei muito para fora... de mim,
busquei desesperadamente uma luz na distancia do meu horizonte,
fui prudência com os olhares dos outros,
fugi da negrura da incerteza, e da ousadia,
demorei em arrancar do corpo o que em mim existia de insegurança,
só deixei... devaneios, loucura, tolice poética e um resto de criança,
esperei em demasia um brilho no meu caminho, tive medo do sozinho,
da escuridão do meio dia.
E em quase desalento... pensei que melhor seria... voltar,
eu queria um farol a me guiar,
achei que o destino iria me dar um guia, para seguir... caminhar.
E tudo foi muito intenso, imenso.
E quando olhei o que vivi... nada mais estava em seu lugar,
tudo... fora desfeito, sem respeito pelo tempo e pelas ventanias,
não tive como voltar.
Bom...
como não encontrei saída, abaixei a cabeça e fui.
Bom mesmo que achei nesta minha travessia... três amores.
Um chegou desavisadamente... como quem me roubasse à solidão,
alcançou-me... dançando nas pontas dos pés como uma louca bailarina,
enroscou na minha alma... feito uma rede de pescador,
aprisionou-me com o seu olhar... foi deleite... loucura.
O outro foi plantio, espera, fascinação... procura,
convivência de outras vidas, equilíbrio, sensatez.
O terceiro trouxe inadvertidamente o sonho, a alegria,
o descomedimento do recomeçar, a garra dos reinícios, o destemor.
Incandesceram a minha alma... encontrei a luz... virei sol.
Hoje... ando de bem comigo.
Tenho como companhia: a loucura, a sensatez e o sonho,
ingredientes inexoráveis para ser feliz... e somos.
E assim...
Ateei fogo na minha escuridão, avivei uma chama no meu caminho.
Como incandesceram a minha alma,
perdi a temeridade de me ensoberbar com as coisas, com a matéria,
ando iluminando o que trago por dentro, o que sou em verdade,
o que posso garimpar, lapidar,
e entregar em forma...
de amor.

Ari Mota

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

O QUE GUARDAS NA ALMA?

Entre uma batalha e outra, ou entre todas as que ainda virão,
faça uma breve pausa... mais jamais descanse.
Refugie-se em silencio dentro de si mesmo,
e em descuido, ou em devaneios... cante, dance,
leia um poema, abandone esta voracidade extrema,
e faça um inventário do que ainda guardas na alma.
O que ainda tem em estoque, ou avoluma em demasia.
Talvez, com a rudeza do cotidiano, tenhas mais ressentimentos, rancores,
acumulou mais ódio... que amores.
Foi descomedidamente mais sôfrego... que alegria.
Terás que ter um tempo para estancar o sangue que brota de dentro,
e tratar desta hemorragia ocasional nos sonhos.
Os reveses da luta, às vezes esvaziam em timidez a própria coragem.
Necessitas reconstruir o seu olhar sobre si mesmo,
e fazer do destino um novo norte, uma nova abordagem.
Há que se... dar fio a espada da ousadia,
curar este ardor no peito, este vazio sem explicação, esta rua sem direção,
este frio descabido, estas madrugadas de agonia.
Há que se... preciso for... até bailar enlouquecido com a solidão.
Entre uma batalha e outra... faça um inventário do que ainda tens.
Guardamos com intemperança tudo aquilo que nos cansa,
ficamos reféns das coisas, e dos outros olhares.
Existe só um momento na vida para ser feliz... agora.
Proveja, reabasteça a alma sem demora.
A fugacidade do tempo pode lhe nocautear na esquina,
e perceber mais tarde que não viveu na verdade o que te fascina.
Bom mesmo é ter em estoque na alma... sentimentos,
risos soltos, aventura descomprometida, graça... destemor,
algumas doses de atrevimento, o descaro do risco,
a insolência de recomeçar sempre, e a petulância de nunca desistir.
E depois de tudo, o arrojo de renunciar ao medo e dele não fazer segredo,
e prosseguir, sem interromper o sonho.
Entre uma batalha e outra... não basta afiar a espada, nem cair no sono.
O que fica... não é a dimensão da vitória, ou o infamar da derrota.
Na verdade nada fica, leva-se tudo... aqui é apenas uma paragem,
antes de voltar para casa, e entre uma batalha e outra,
neutralize o ódio, caminhe com brandura, lute com bravura,
muna a alma,
de amor.

Ari Mota

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

É NA ALMA QUE SE REFUGIA O SONHO

O tempo agiu com ironia comigo, roubou-me coisas,
e sei que também envelhece o meu corpo... sem o meu consentimento,
agarra na minha pele, enruga a minha face, e a mim fica afeito,
e tem... subtraído os meus amores, os meus abraços, e deixa... vazios e saudade.
Hoje mais pareço um mago em descompasso, e antes que desapareça a lucidez,
e tudo se evapore, ou acabe em solidão ou perca-se no tempo... em voracidade,
vivo intensamente o que me resta, o tudo que ainda me cabe, e ainda me pertence.
Sou insistência, persistência... uma tamanha resignação.
Tenho que cuidar da alma que jamais me traiu, e está aqui alojada dentro do peito.
Não sou este espectro que se apresenta, sou o interior que ninguém vê e não conhece.
E assim... sou sentimentos, mais alma,
e a apalpo, tateio vez por outra para sentir sua maciez, o afável do seu existir.
Não a deixo endurecer com as pancadas do cotidiano, nem enrijecer com a desilusão,
a guardo em noites de temporais, a escondo em madrugadas de vendavais...
Não permito a sua aspereza, nem a deixo petrificar... espero tudo passar.
Faço, às vezes um retiro, parece até que desisti... e que tudo vou abandonar.
Mas... tudo não passa de uma estratégia, manha de quem sabe esperar.
Preciso de silencio, tapar-me das ventanias.
Preciso de brandura, para não se perder ao meio das agonias.
Obvio é... que engulo as lagrimas com os meus sorrisos,
e faço o que for preciso... para sempre continuar.
Viver é sempre assim... dar mais um passo, como se nunca fosse o último.
Cuido da minha alma como um jardineiro da sua flor,
a rego em noites de desespero, a adubo em dias de sol escaldante.
trocamos caricias... ela é minha calma, e eu o seu calmante,
ela não me abandona... nem eu a ela, como estamos de passagem,
ela me causa deleite, me sacode por dentro e me dá coragem,
mas de todas as qualidades que carregas: uma das mais bonitas é a verdade.
Perdi coisas, e achei assustador. Perdi a juventude, e achei muito.
Como não me permiti perder tudo, fiz dela:
um refúgio dos meus sonhos,
e do meu amor.

Ari Mota

sábado, 21 de julho de 2012

SOLIDÃO COLETIVA

Primeiro, entrou sem pedir licença,
depois se instalou ao meu lado, esbarrou na minha pele,
como quem viesse me roubar o perfume, a minha essência.
Ficou ali de vigília... com as mãos no queixo me olhando,
como quem acintosamente fosse invadir a minha alma,
e tudo virou quietude, sumiu o barulho... e chegou a calma,
achei que o silencio era solidão,
e que o meu isolamento era desespero,
minha angustia... resignação.
Mais tudo era fantasia, pura utopia...
Eu na verdade estava fugindo da agonia,
e absorto na imensidão da rua, no vazio que se acentua,
temia estar imerso na coletiva solidão,
perdido... sozinho, no meio da multidão.
Mas, o que fiz... foi escassamente entrar para dentro... de mim,
e o destino me obrigou a fazer uma reengenharia do meu existir,
fiz de mim um lugar de contemplação, um refúgio de mim mesmo.
Vivo assim... parece que estou em retiro, só... em remanso.
Mas... sou ousadia, destemor... sou amanhã,
jamais deixarei de imprimir o atrevimento do meu grito,
nem recolher em desanimo o meu olhar, ou desistir.
Solidão é para os que em excesso esquecem o hoje,
e antecipam o amanhã, e arrastam em desassossego o ontem.
E como não bastassem... vivem esse descomedimento de voltar,
vasculhar o passado, remastigar em aflição as saudades,
restaurando em melancolia as derrotas...
E remoendo em inquietação as magoas e as verdades.
Existir é um extasiar diante do inusitado e do medo, mas continuar,
não é permitir o esvaziamento da energia da alma, e perdê-la ao vento.
Meu caminho...
bifurca em vários trechos, tento atalhos,
veredas em imaginação... às vezes me perco, outras me encontro...
vou sozinho,
tenho uma luz própria, vem da minha alma... sou pura tentativa,
só não sou e nem parte faço... desta solidão coletiva,
desta ausência de perspectiva...
e amor.

Ari Mota

sábado, 14 de julho de 2012

ANTAGONISMO DO CAMINHO

Um dia...
o destino inadvertidamente esqueceu em meu caminho:
uma caneta e uma espada.
Confesso... a espada brilhou nos meus olhos,
sua lamina com a agudeza dos seus gumes, deu-me coragem,
atrevimento.
Até pensei que doravante meus confrontos, meu corpo-a-corpo,
seria de um soldado de infantaria e iria me trazer todas as vitórias,
em contentamento,
e eu iria combater em todos os terrenos com todo o destemor.
Por um tempo a portei no coldre, a carreguei no ombro,
deu-me força, vitalidade.
Houve um momento... com ela em punho,
quase... sai por ai, julgando os outros sonhos,
e sentenciando outros vôos, este é meu testemunho.
Mas... sorte que nunca a usei, nem a desembainhei em luta,
e com ela nunca feri, nem sangrei.
E o tempo passou... ela não só pesou no corpo, como na consciência.
Um dia... em desilusão a abandonei pelo caminho.
E em delírios... resolvi utilizar a caneta, transformei-me em poeta.
Obvio é... sou quase uma peça de museu, uma coisa em desuso,
sou um escritor prolixo, um escriba difuso, com uma rima em abuso.
Transcrevo linhas atrevidas, teclo sempre a palavra: amor.
Sou às vezes obstinado, repetitivo... em dizer:
É preciso ter coragem para ser feliz, sempre.
Minha escrita é lúdica, quase incompreensível, ataco sem machucar,
sangro às vezes sem ferir, travo diálogos com a própria alma.
Redijo somente para os loucos, e aos que ainda insistem em amar.
Falo aos que ainda conseguem ver as borboletas, os anjos,
e dançam com loucas bailarinas, se emocionam diante de um Jequitibá,
e em devaneios extasiam-se perante uma flor.
Componho para os que tracejam um caminho, em esperança.
Para os que jamais irão abrandar a luta, ou desistir,
poeto para os que dançam com o medo,
e não fazem segredo do seu aguerrir.
Sei que é pouco... ínfimo até,
mas, falo para os que sabem dos perigos do cotidiano,
e sem engano, continuam... enfrentam os temporais,
o mar bravio... as incertezas do destino, os ventos... a maré.
Um dia... abandonei a espada, que todos a tem em mãos,
a portam como um troféu, um símbolo de poder,
e ficam assim, toda uma vida, e são... mais um na multidão,
perambulam como autômatos... nesta coletiva solidão.
Eu... virei poeta, silêncio... olho para a vida com amor,
sou quase isolamento... em tudo encontro beleza,
poetizo a vida... com singeleza...
hoje, sou contemplação.

Ari Mota

domingo, 1 de julho de 2012

UMA ALMA EM SOBREAVISO

Houve um tempo que tentei voltar, desistir...
Mas eu não sabia... o destino estava atrás de mim,
removendo o caminho,
destruindo as pontes, as referências, os retornos...
Quando olhei para traz encontrei um nada abismal,
não tinha como voltar sozinho,
além da solidão, do frio... e o vazio do regresso,
morreria ao meio do vendaval.
E fui apreendendo a apagar o passado,
mas... bom mesmo, e ao meio de tudo isso,
foi que, consegui colocar na minha bagagem:
Valores... de alguns, que comigo conviveram.
Coragem... de outros, que ao meu lado enfrentaram os temporais.
Valentia... de outros tantos, que me ensinaram nunca desistir,
e assim tem sido minha viagem.
Como não posso e nem consigo voltar,
fui apreendendo a morrer... todos os dias,
e renascer no alvorecer dos meus sonhos, em todas as manhãs,
nelas... sempre encontro um novo dia,
uma nova vida, um novo olhar.
E existir tem sido um acinte a teimosia, um passeio descomunal,
não desisto...
mesmo estremecendo diante da incerteza,
rompo às vezes o silêncio de mim mesmo e de forma visceral,
aprendi a me destemer,
sem se acabar, ou achar que vou morrer,
e assim... como desconheço o voltar,
tenho ido... um passo de cada vez, e sei que posso,
sim eu posso...
dentro de cada um, existe, “um” outro... que pode mais,
uma... outra alma em sobreaviso, em prontidão,
e eu acredito neste outro... que na verdade sou eu mesmo,
que me acalenta em madrugadas de aflição.
Houve um tempo que tentei desistir, voltar.
Mas eu não sabia... o destino só me deu uma direção... ir, caminhar.
Em vista disso, eu sei somente seguir... com todo o destemor.
Vou ao chão muitas, das vezes... e levanto...
Porque, o que busco nesta minha passagem... aqui,
é amor.

Ari Mota

domingo, 24 de junho de 2012

PROVER A ALMA DE SONHO

Para todos os reinícios... recomeço,
arrisque mais um tanto... e depois mais uns...
sem desistir nenhuma vez.
Todavia, se a incerteza acomodar ao seu lado, como uma ventania,
use a força do vendaval para mudar, sair do lugar,
descortinar todas as duvidas, e desnudar o talvez.
Nem que irresoluto, esteja com medo, nem que o peito arda de solidão,
ou que a insônia traga desespero... e a madrugada roube a ilusão.
Não permita... esvaziar a alma,
pode ser que você passe a consumir a si próprio,
e, ficará... vazios, onde deveriam existir sonhos.
E de todas as patologias... a autofagia da alma,
é a mais perversa delas, a que vai lhe abater,
e subtrair-lhe a calma,
não só nesta vida, como em outras que viverá,
não se deve fugir dos combates, dos embates que o dia nos dá,
se o fizer neste existir... morrerá para sempre,
ofereça resistência... arrisque mais uma vez.
Reabasteça a alma para as intempéries do destino,
destes invernos que chegam sem avisar.
Recolha-se, realinhe-se...
Faça uma reengenharia no olhar,
traceje um novo caminho, nem se sozinho,
tiver de continuar.
Existir é assim... tem suas estações.
Prepare-se, são sucessivas transformações,
a vida tem seus invernos, mas também seus verões.
Não esqueça, de prover sua alma de sonhos,
se, vazia... terás que nutrir-se, da sua própria substância,
e tênue é nossa energia.
E existir é assim... tudo, num tempo muito curto, pode esgotar.
Proveja de sonho... a sua alma,
arrisque mais um tanto...
Continue... nada termina... nem o amor, nem as batalhas,
só mudam de tempo,
e de lugar.

Ari Mota

sábado, 16 de junho de 2012

A FORÇA DA ALMA

A vida é uma grande arte... e inacabada,
não tem como dar a última demão,
ela sempre terá que ser retocada.
E todas as vezes que o silencio anteceder a calmaria,
olhe para dentro...
abra o peito, arranque da alma toda a força,
equilibre-se em si mesmo, rompa todos os temores,
e prepare-se, um dia... inadvertidamente,
pode ser que você seja interrompido pelo barulho das ventanias.
E assim tem sido a minha vida, não será diferente da sua.
Portando... avigore a coragem,
no isolamento da noite, ou nos passos na rua.
Quando tirarem-lhe o chão e não ter aonde ir... nem ficar,
ainda lhe resta uma vicissitude... voar,
e isso é só para quem sonha, e sonhar é possuir asas invisíveis.
E depois... ria de si mesmo e recomece... tenha a avidez do recomeçar.
Quando a aridez do caminho lhe fizer companhia,
e a solidão lhe abraçar em agonia,
olhe para frente, levante o olhar.
Você é maior que todos os universos, maior que o infinito,
ouse no desafio... ao inusitado, nem que seja no grito.
E o que você precisa é uma correção de rumo,
uma trajetória mais lúdica... a vida tem que ser um prazer,
mesmo quando acabar o caminho e no intimo sentir-se... sozinho.
Existir é a arte de se refazer...
E tudo fica ínfimo, tênue: ganhar ou perder,
se tudo é uma ilusão... até perder-se em solidão.
Abra o peito, arranque da alma toda a força, e siga,
desapareça ao meio das ventanias, em busca dos sonhos.
Abra o peito, arranque da alma toda a força,
e se nela ficar vazios... e para não perder a ternura,
à preencha de alegria e brandura,
sem perder todas as outras grandezas:
um abraço, um beijo ardente, uma cama quente,
e o voar das borboletas, o bem-te-vi, o beija-flor,
mais se, contudo, nos reinícios... inda ficar vazios,
coloque na alma, mais...
amor.

Ari Mota

domingo, 10 de junho de 2012

A DISTÂNCIA DO NOSSO AMOR


Eu às vezes te procuro...
Só a encontro do outro lado da distância que nos separa,
e eu a queria assim... abraçada, a minha alma,
quase dentro de mim.
Hoje, a cama em desalinho... reclama por você,
e a insônia invade a minha calma.
E eu tento mensurar o tempo que dura a sua ausência,
e na descoberta vejo que não tem fim.
Às vezes encontro um intervalo entre nós,
um “nada” que nos envolve, uma dor imensa,
uma saudade... sem partida,
um adeus... sem despedida,
um “quase nada” entre eu... e você.
São vazios desnecessários, solidão descabida,
eu às vezes te procuro...
Só a encontro do outro lado do sonho,
como uma miragem, uma aragem desvalida.
O amor precisa pactuar o nosso encontro,
um tem que sentir o perfume do desejo,
o outro... abraçar, sentir a pele, o sabor do beijo.
Eu às vezes te procuro... necessito da sua singeleza.
E só... a encontro do outro lado... fria... na tela de um computador.
Mas, o que eu queria... era um passeio de mãos dadas.
Eu queria o toque, contar minhas histórias,
ouvir as suas, e depois... enlouquecidos,
dançar ao meio das borboletas, rir... chorar,
e em desvario... abraçar teu corpo, amar.
E depois, roubar-lhe um suspiro e lhe ofertar uma flor.
Eu às vezes te procuro...
E... só encontro o abandono que nos separa,
a distância do nosso amor.
Tudo isso, são delírios de um poeta,
que em saudades, encontra... vazios,
precisa da suavidade do aproximar-se, do calor da alma.
E você... está sempre do outro lado, distante,
escondida... na indiferença de um monitor.

Ari Mota

domingo, 3 de junho de 2012

ACENDER A PRÓPRIA LUZ


Se ficares olhando em retrospectiva...
E não conseguir mensurar as mudanças da alma,
e um desassossego insistir em ficar e demorar a sair,
e depois, uma angustia descabida, uma dor desconhecida,
apossar do riso, e fazê-lo afogar no próprio vazio, sem sobreaviso,
e uma ausência de si mesmo... transformar tudo em escuridão.
Talvez... sua trajetória não foi evolutiva... inerte,
não caminhou em busca da própria luz,
ninguém nasce o que é... tudo é feito de mudanças:
Altera-se, aprende, perde, caminha sozinho,
seca as lagrimas, as devora em noites de desespero,
ri, e continua...
Viver é provocar o medo...
é aprender a existir até com o arrepio da solidão.
E o tempo nada ensina, se dele nada extrair.
A vida é como um túnel... a luz sempre estará um pouco adiante,
como se fosse um horizonte.
E para alcançá-la... tem que quebrar todos os paradigmas,
desprender-se de todas as verdades, e de todas as mentiras,
refazer todos os caminhos, renavegar em todos os mares,
reparar todos os abraços, reconstruir todos os olhares.
E viver é isso... é uma empolgação descomprometida,
é um... agarrar ao imponderável fim... e assim,
vividamente... desprender, de todos os temores, e hesitação.
Acorde sempre com saudade do poder que você nunca teve,
e desafie você mesmo... ao novo, ao inusitado,
só você, sabe... quem és, esta busca é só sua.
Abandone tudo que te capture, te ofusque, e que não te seduz,
desapegue da pequenez dos que o tratam com desdém,
e não reconhece a sua própria luz.
Só quem se liberta... evolui.
Seja de suas asas... o gestor,
faça da sua alma, luz...
amor.

Ari Mota

segunda-feira, 28 de maio de 2012

ALMA QUÂNTICA


Eu que ávido por saber...
jamais entendera sobre quântica.
Hoje, as 06h30min quando o sol, tímido... descortinava,
uma “catadora de Papel” ministrou a melhor das aulas.
Ao colocar o lixo, pediu-me se poderia abri-lo,
queria retirar latinhas e o mais importante, os lacres.
Pois, com eles trocaria por cadeiras de rodas,
e que para o asilo ela doava:
“é pouco, mais é o que posso fazer”
- faço com toda a minha energia.
E eu... que sempre quis quantizar a energia do amor,
em metáforas... e como virei poeta, entendi tal grandeza,
que diante de tamanha transcendência, e beleza,
emudeceu-me.
Diante de mim... perplexo, estava uma alma quântica.
Parecia um anjo azul, um adulto índigo,
irradiava uma luz interior,
quantizava a energia molecular dos sentimentos.
Era toda... brandura, uma infinita doçura.
O mundo ficou menor, e tudo se apequenou:
o dinheiro, a soberba, a avidez do lucro,
inclusive... eu.
Quis entender como quantizar a energia do amor,
entender de quântica... e consegui,
nem Albert Einstein, nem Max Planck,
deram-me esta descoberta.
Eu que ando tentando inventar um novo mundo,
e libertar-me do que me limita,
e ando provocando com a minha poesia,
um reformar da inteligência, um reequilíbrio da alma,
com mestria,
quantizei a energia do afeto.
- e... é um ato apenas,
um lacre apenas,
uma atitude apenas,
singeleza...
amor.
Nada mais.

Ari Mota

domingo, 20 de maio de 2012

ANTIVÍRUS PARA A ALMA


Se...
um espaço vazio brotar visceralmente dentro do peito,
e o vento da ousadia não mais esvoaçar rente aos seus sonhos,
e o medo vier... impiedosamente lhe fazer companhia,
e a dúvida instalar como um invasor em agonia,
e lhe tirarem o vôo livre, o arbítrio, sua imensa determinação,
e depois... inibirem os saltos profundos dentro de si mesmo.
Podarem o riso, e fazerem o que for preciso,
para neutralizar o que tem de autentico e de verdade,
e depois... deixá-lo em aflição.
Se...
fores invadido...  e restringirem o seu abraço,
querendo alterar o seu rumo, direcionando seus desejos,
alojando dentro do peito a incerteza e o desamor...
Não tenha dúvida... um vírus adentrou na sua alma,
contaminou o seu caminhar, corrompeu o seu olhar,
entrou sem sua permissão, aprisionou o seu grito,
inibiu o seu acesso a alegria, e em demasia,
o transformou em solidão.
Terás que aceder ao seu destino, por outro caminho.
Mas, não ponhas a andar, sem a avidez de um guerreiro.
Nem transite desatento sem ver... nos outros a indelicadeza.
Nem desperte indefesso para passar o seu dia.
Talvez... onde você está, não seja um lugar bom para se viver,
tenha coragem de mudar tudo isso,
e faça tudo sem perder a delicadeza.
Invadiram sua alma... só por vê-lo feliz,
só por vê-lo amando, dançando com aquela louca bailarina,
contando estrelas, escrevendo poemas, virando poeta,
passeando em alucinação com algumas borboletas,
cuidando do bonsai, sentindo o perfume da flor.
Se...
Perceberes que um vírus invadiu a sua alma,
tenha calma.
Não tenha medo... vou te contar um segredo.
Só tem um antivírus...
o amor.

Ari Mota

domingo, 13 de maio de 2012

CATIVAR O MOMENTO

Volte...
vez por outra no passado, para buscar o que viveu,
e depois mergulhe na ilusão do amanhã para buscar os seus sonhos,
mais volte em ligeireza... para o seu agora,
este é o seu grande momento.
Volte... algumas vezes onde a inocência se perdeu,
e nada traga... nada busque, nem remoa angustias vividas,
não ouça o eco dos soluços, nem filtre as lagrimas vertidas,
jogue-as, esparrame-as ao vento.
Vá...
entranhe-se na distancia do amanhã, na certeza da dúvida,
e que nada possa encontrar... além dos segredos do existir.
E depois venha viver e cativar este instante,
e em êxtase viver este momento... senão ele passa,
e um vazio arromba a sua alma,
escancara a sua lucidez, o deixa à margem,
sem alento, sem vontade de continuar.
Não ande a procura do que passou, nem tema o que vai chegar,
podes embrutecer a ousadia e abandonar o atrevimento,
e morrer... antes de arriscar.
Cativas o agora, este momento...
Ouça a musicalidade do mundo, aperceba as pessoas,
o murmúrio de um rio, o cantar dos bem-te-vis,
a visita das borboletas, a coerência de um abraço,
a sutileza de um carinho, o descobrir de um caminho,
e ame em demasia... além do extremo de si mesmo,
ria, dance, sinta uma linda melodia,
antes, que tudo se torne cansaço.
Cativas este momento, ele é único... ímpar,
coloque harmonia no olhar, não viva em descompasso.
O agora... pode ser o último instante, o último esplendor,
amanhã... sozinho... em solidão,
podes não ter ninguém para cativar,
morrer de amor.

Ari Mota

domingo, 6 de maio de 2012

OS GRITOS DA ALMA


Há dentro de mim um embate, um antagonismo sem fim,
tenho um em desanimo... grita o não, o outro em alegria... grita o sim,
há um corpo pedindo descanso, uma alma provocando o rejuvenescer,
às vezes a percebo... arrastando o corpo em desespero,
um querendo ir embora... o outro chegando como se tudo fosse...
agora.
Dia desses o corpo doía, e a alma em descompasso... ria.
Sei que um às vezes provoca o outro... mais tudo isso sou eu,
corpo em desconcerto, alma que renasce todas as manhãs.
Meu corpo cansado, já não mais baila ao ritmo de um rock and roll,
aí... aparece a alma enlouquecida dançando na chuva,
brincando em baixo de um temporal.
E quando a noite cai, o frio vem machucando os ossos,
o corpo corre e esconde em baixo de um cobertor,
mas, minha alma em solavancos desperta em sonhos,
e vai dançar em devaneios... sozinha em noites de solidão.
Um é impaciente, sempre quer adormecer, o outro juvenil... busca viver.
Um descansa, o outro ainda grita por desejos.
Um quase abandonou o tanger do abraço, o outro ainda quer beijos.
Um às vezes enrosca com o medo, o outro é pura ousadia.
Um às vezes senta a beira do caminho, o outro continua,
quase vai sozinho.
E tudo isso vira beleza, harmonia.
Um tem a face carrancuda, o outro ri em demasia.
Um já não acha graça, o outro ainda sonha.
E tudo parece um disparate... mais é pura simetria.
Um quase já não fala, o outro em silencio,
insiste em ser poeta, fala de amor.
Um às vezes já não procura água para regar a si mesmo,
o outro cultiva um bonsai, e uma flor.
Bom mesmo... é que este conflito sou eu.
Na verdade esta guerra aqui no peito completa-me,
me faz continuar, evoluir... me acalma.
Hoje, quando olho no espelho já não me vejo.
Envelhecido...
Hoje... sou mais alma.
E isso me basta.

Ari Mota

domingo, 29 de abril de 2012

ALMAS LIVRES


Existir é assim... um dia você descobre...
que é preciso desatar os nós, despregar os medos,
romper os rótulos, rebentar os lacres, alterar as formulas,
e livre... redescobrir os vôos, e enfrentar os ventos.
Ser livre é mais que uma ousadia...
é mais que um transformar, é mais que um redescobrir-se,
ser livre é uma imersão em si mesmo,
é libertar todas as almas... em encantamentos.
E livre mesmo... fiquei, quando desavistei os outros,
os deixei seguir em silêncio e sozinhos.
Livre mesmo... foi quando os perdi de vista,
os deixei com suas escolhas, dobrando as esquinas do destino,
descobrindo seus caminhos.
Livre mesmo... fiquei quando o meu foco... foi para dentro,
passei a olhar para mim,
e desapeguei-me... do que não era meu.
Livre mesmo... foi quando passei a sorrir,
sem precisar olhar no espelho, e dizer que estava feliz.
Livre... foi quando descobri que embora não tendo nada,
tinha todos os sonhos do mundo.
Livre mesmo... foi quando virei silêncio,
e manso passei a olhar sem culpa, e ver sem condenar.
Hoje... envelhecido, sou todo livre...
E a todos e a mim mesmo:
Prontifico-me nas decolagens, e abraço forte nas aterrissagens.
Existir... viver, não passa de um risco, de um talvez,
aprendi não aprisionar ninguém, que queira em vôo livre...
levantar.
Somente consegui libertar minha própria alma,
quando as outras... também as deixei livres,
para amar.
Livre mesmo... fiquei quando, com todo o destemor,
olhei para todas as almas, sem repreendê-las, e com afago,
e de todos os sentimentos... só de um fiquei refém:
o amor.

Ari Mota

domingo, 22 de abril de 2012

O AMANHÃ


Um dia... e faz tempo.
Olhei pela janela do meu horizonte,
a procura do meu amanhã, das minhas perspectivas,
e atemorizei-me com a dúvida, com as incertezas banais.
Quase desisti dos combates, quase voltei para os braços do medo,
quase fiquei parado nas curvas do tempo,
esperando o passar dos temporais.
Um dia... e faz tempo.
Desconfiei da existência do meu amanhã,
do tempo que haveria de vir, do resto do meu existir.
Intentei conjecturar a sua face, incorporar o seu conteúdo,
e desapontei-me com o vazio do olhar, e nada encontrei.
Por um triz não me aprofundei na solidão,
e por pouco menos, quase fui ao desespero,
e por muito perto, quase no abandono de mim mesmo, não amei.
Mas... resiliente... e sem a certeza do amanhã,
passei a esculpi-lo dentro da minha alma,
e fazê-lo existir... antes de acontecer.
E assim... é o meu amanhã, ele é hoje, sem demora.
Amo, mesmo antes do alvorecer,
abraço... afago... acarinho, antes de ir embora.
Não quero um dia, desdizer: eu devia.
Nem tão pouco, descobrir que tudo foi muito pouco,
e que faltou fazer mais.
E depois, no lamento e na culpa,
descobrir que o amanhã é apenas uma suposição,
angustias existenciais.
Um dia... e faz tempo.
Tive que esculpir aqui dentro... o amanhã,
como sou um ser inacabado, alma destemida,
nada mais, temo.
Nem passado, nem futuro,
hoje... é toda a minha vida.

Ari Mota

sábado, 14 de abril de 2012

CONSTRUINDO O PRÓPRIO TEMPLO


Já andei me procurando...
Vasculhando os templos, os monastérios.
Buscava uma coisa maior que eu,
maior que os meus mistérios,
e por vezes, procurei... nos outros, as minhas verdades,
e a ausência de perspectiva que eu inventei estar aqui dentro.
Assevero... fiquei a deriva... por muito tempo,
confuso, e refém destes vendedores de fé, mercadores de inocência,
estes, que aprisionam o sonho, e não permitem os porquês.
Espantei com a vileza das ações, com a vastidão dos enganos,
atemorizei com a avidez dos lucros, e com o arrancar da lucidez.
Depois, assustei com o extorquir da candura, com a falta de censura,
e com os templos cheios... de doentes de alma, vazios... em solidão.
Enojei-me de todos eles... E na descoberta...
Vi... que não me foi necessário formatar meu caráter em nenhum deles,
cresci livre.
E desde então... iniciei uma obra sem fim,
construo em calmaria... um templo dentro de mim:
Sem dogmas, sem as duvidas, sem as malditas cercas.
Fiz da minha alma, a primeira a ser amada, me amo... assim.
Sou leveza, sou silencio...
Transcendo os meus medos, as minhas angustias... a minha aflição.
Hoje... sou menos desespero, sou mais contemplação.
Já busquei uma coisa maior que eu, maior que o meu existir.
E sem intermediários, contatei... o arquiteto de tudo isso,
e ele chegou suave, como brisa em noites de luar.
Apresentou-se, sem nome... sem religião.
Abri a minha alma como se fosse um templo,
e calmamente ele instalou-se ali, em quietude.
Eu o olho sem medo, e ele a mim, sem nada a cobrar.
Às vezes me oferece colo, compreensão,
outras vezes, sou eu... como nada tenho,
ofereço... a minha admiração.
Já andei me procurando... hoje sou um construtor,
tracei o caminho, norteei o horizonte,
edifico na alma o ‘meu templo’
com amor.

Ari Mota

quinta-feira, 5 de abril de 2012

COISAS DO CORAÇÃO... DA ALMA.


Antes achei que era... coisas do coração,
e fui colocando nele... a sua ausência, o inundei de vazios,
e inventei que você tinha renunciado a mim,
e que entre nós, nascera um deserto em desespero,
e que estava sozinho.
E depois, que você tinha passado como um temporal, uma ventania,
um caso descomprometido, um encanto em desalinho.
Cheguei a achar... que você era um disfarce, um engano,
um capricho do existir... uma fantasia.
Tentei mensurar o tempo da sua ausência,
e descobri que na verdade, você nunca me deixou,
nunca foi embora,
mergulhou através da corrente sanguínea, sem demora.
E certeza foi... espalhou para dentro,
ficou maior que o meu coração,
transfigurou-se na minha alma, passou a ser eu,
em transformação.
E hoje vive aqui dentro do meu peito,
e eu que sou meio que sem jeito,
demoro a te achar.
Vive as escondidas, outras vezes irrompe atrevida,
outras... silenciosa, teimosa... finge que não me vê,
não me abraça, foge dos meus beijos, muda o olhar.
Mas... o que eu quero... é você aqui dentro...
pode fazer barulho, gritar em destempero,
emburrada... franzir a face, cingir os lábios,
e me abandonar um segundo inteiro.
Depois... como uma bailarina louca,
sapatear em noites de solidão... com toda a emoção,
e em desejos sussurrar... que me ama,
depois, quieta adormecer de cansaço,
no meu abraço,
sem ir embora... que fique agora
e para sempre.
São temporais, são ventanias... mas tudo passa,
tudo acalma.
O que há entre nós... são coisas do coração,
são coisas da alma.
Eu te amo.

Ari Mota

sábado, 31 de março de 2012

FEITIÇOS... PARA A MINHA ALMA


Tentei de varias maneiras... fiz algumas formulas em fascinação,
debrucei nos escritos empoeirados pelo tempo,
até alguns ingredientes comprei.
Ensaiei alguns relâmpagos... com os meus abraços,
provoquei estrondos com os meus beijos...
E depois, fiz silencio com os meus afagos,
e percebi que cintilou o meu olhar... quando te encontrei.
Mas, tudo foi tão pouco,
tinha que criar uma irresistível tentação,
um encantamento, para tudo perdurar, durar para sempre,
e fazê-la ficar assim bem perto... dentro do meu coração.
Evoquei força astral, até uma intervenção sobrenatural,
fiz tudo em magia, calmaria... virei até solidão.
Mas, tudo ainda era muito pouco, ínfimo até,
era tudo um quase nada, um talvez... só faltava acabar.
Eu que não queria ficar no abandono,
fiz todos os feitiços para você me amar.
Por um tempo procurei reciprocidade,
mais pudera... era na minha mocidade,
ocasião de colher, e não espalhar semente,
reclamava carinho, calor, corpo ardente.
Hoje, envelhecido...
Com aparência de um mago em descompasso,
descobri que antes eu sabia... hoje, nem tanto,
e de amor pouco sei, ou se sei... só o meu,
e dos outros nada cobro, nem espero ou pouco faço.
Amar é uma propositura íntima, um oferecer,
é um aparar a grama, rastelar as folhas secas,
podar os galhos que ultrapassam as cercas,
é regar a flor.
Hoje, envelhecido...
Enfeiticei... a minha própria alma, a inundei de amor.
E quem me ama... olha-me assim: como sou,
e quem não me descobre,
e não percebe este feitiço que trago na alma,
nunca me amou.

Ari Mota



quinta-feira, 22 de março de 2012

OS LIMITES QUE CONSTRUÍMOS


Há... que tirar de dentro toda a força, toda a mudança,
e encarar o assombro da rudeza humana.
E depois, redefinir o sonho, e reescrever a esperança,
e não esperar nada das aparências, nada de alguém,
nem da falta de solidez quando se fracassa,
nem tão pouco esperar aplausos da débil massa,
o que temos que fazer é recomeçar... seguir em frente.
Há... que se, saltar para dentro, em perseverança,
pois, o que necessitamos, é irmos para o nosso interior,
combater a indolência que reside em nossa alma.
Promover equilíbrio ao descompasso do mundo e dos homens.
Colocar vida... na letargia do olhar, renascer,
desacreditar nos discursos vazios, não alimentar o desamor,
nem a voracidade do poder.
Estamos construindo limites para o nosso grito,
e silenciando a nossa dor.
É hora... de abandonar os paradigmas, os dogmas, as inverdades.
Tudo o que foi criado, cerceou o nosso vôo, o nosso salto,
inibiu a nossa liberdade, aprisionou a nossa consciência.
É hora, de deixar pelo caminho a inércia, mudar profundamente.
Porque a alma transcende o corpo, emite luz, irradia amor.
Agora é a hora do inverso... nós é que vamos conspirar para o universo,
difundir o que temos de energia, de fulgor.
Não haverá limites para quem muda a si próprio,
nem para aos que desconstroem o próprio medo, sem mutilações.
Enxugam a própria lagrima, e descortinam os seus segredos,
e escancaram suas imperfeições.
Nossos limites são cercas invisíveis,
temos que romper o inusitado, mudar.
Nossa alma transcende o corpo, emite luz, irradia amor.
Os limites que construímos,
desconstruiu a nossa capacidade de amar...
os outros,
e nós mesmos.

Ari Mota

terça-feira, 13 de março de 2012

O TEMPO NÃO EXISTE

Pode levar um tempo, uma vida... pode ser até um quase existir,
mas que a descoberta seja como um sopro vindo de dentro,
e te faça ver:
Que o tempo não existe, ele é uma ilusão,
não tem princípio, nem fim,
está escondido absurdamente entre estes dois extremos.
Ele nada mais é... que este instante, o que você vive, e faz acontecer.
Ele na verdade é o tamanho do seu sonho, da sua ousadia,
da sua coragem para evolucionar,
é fugaz como uma ventania, efêmero como uma aflição,
embriagante como a loucura, célere como a estúpida agonia,
ele aproxima em silêncio, fantasiado de calmaria,
e depois como um temporal dilacera a alma, sem sangrar.
Cuidado para não fazer do tempo uma contagem...
do seu desespero.
Ele pode iludir a pressa, e aprisionar o andar,
e em desalinho afastar você... de você mesmo.
Como o tempo não existe, é uma imensa ilusão,
antes, que tudo acabe... antes, que tudo vire solidão,
alinhe-se... o seu tempo é o agora.
Busque o riso sem artifícios, e a alegria sem embriaguez,
e não seque as lágrimas sem razão,
nem tão pouco esqueça pelo caminho... a lucidez.
O único tempo... é o tempo do alinhamento,
entre você e o seu sonho.
E sonhar é um processo ínfimo, sem muita explicação.
Alinhe-se... o seu tempo é o agora.
A vida pode não lhe oferecer outra chance,
não espere, flua como gotas de orvalho ao vento,
pulverize carinho, alegria... pode ser só com o olhar,
seja feliz, hoje... amanhã, pode não dar tempo.
Regue a sua alma, como o jardineiro faz com a flor,
trabalhe... o seu corpo como se fosse um bonsai,
porque tudo se esvai.
Faça do seu tempo... um reedificar,
neutralize a rudeza do cotidiano,
cresça para dentro,
exista por amor.

Ari Mota

quarta-feira, 7 de março de 2012

MULHERES E ROSAS


Não a deixe em céu aberto, a menos que queira bronzear-se.
Se não querendo, não permita que o sol venha ferir essa membrana tênue,
que guarnece tamanha beleza e adorna essa silhueta escultural.
Pela manhã...
como uma rosa vermelha, tome seu corpo e acaricie-o em sentido contrario,
toque sua pele de forma macia...
sinta a aveludes de seus contornos como se fossem pétalas.
Depois...
regue-a suavemente com águas cristalinas salpicadas de estrelas, abrace-a.
No meio do dia...
leve-a a beira mar, alimenta-a de ternura e afago.
Caminhe...
e tome suavemente suas mãos, e apresente-a ao mundo como uma rainha.
No entardecer em baixo de um Jequitibá tome vinho...
e depois tome os seus lábios, a beije por inteiro,
roube o seu perfume, enrosque em seus cabelos, sinta a sua alma.
E quando a lua se fizer presente...
leve-a à varanda conte histórias de loucuras e estrelas,
antes do amor...
Não à trate como opção, a tenha como prioridade.
Estenda sempre tapetes vermelho, ela não anda... desfila.
Ande sempre com purpurina, e aproveite o vento quando ela passar... 
ela brilha, tem que brilhar.
Faça poemas de amor e os sussurre docemente, faça-os dar arrepios, 
seja afável, a tenha em seus braços com ternura.
A cultive como uma flor e a ame como mulher.
Tudo isso são metáforas... em nome do amor.
Se não tiveres coragem para tal loucura...
basta afetuosamente dizer: eu te amo.
E ficar ao lado dela... toda uma vida, 
e amá-la de todas as maneiras.

Ari Mota


Este poema publiquei em Janeiro/2010... ele é eterno, como a beleza de uma mulher.