segunda-feira, 28 de maio de 2012

ALMA QUÂNTICA


Eu que ávido por saber...
jamais entendera sobre quântica.
Hoje, as 06h30min quando o sol, tímido... descortinava,
uma “catadora de Papel” ministrou a melhor das aulas.
Ao colocar o lixo, pediu-me se poderia abri-lo,
queria retirar latinhas e o mais importante, os lacres.
Pois, com eles trocaria por cadeiras de rodas,
e que para o asilo ela doava:
“é pouco, mais é o que posso fazer”
- faço com toda a minha energia.
E eu... que sempre quis quantizar a energia do amor,
em metáforas... e como virei poeta, entendi tal grandeza,
que diante de tamanha transcendência, e beleza,
emudeceu-me.
Diante de mim... perplexo, estava uma alma quântica.
Parecia um anjo azul, um adulto índigo,
irradiava uma luz interior,
quantizava a energia molecular dos sentimentos.
Era toda... brandura, uma infinita doçura.
O mundo ficou menor, e tudo se apequenou:
o dinheiro, a soberba, a avidez do lucro,
inclusive... eu.
Quis entender como quantizar a energia do amor,
entender de quântica... e consegui,
nem Albert Einstein, nem Max Planck,
deram-me esta descoberta.
Eu que ando tentando inventar um novo mundo,
e libertar-me do que me limita,
e ando provocando com a minha poesia,
um reformar da inteligência, um reequilíbrio da alma,
com mestria,
quantizei a energia do afeto.
- e... é um ato apenas,
um lacre apenas,
uma atitude apenas,
singeleza...
amor.
Nada mais.

Ari Mota

domingo, 20 de maio de 2012

ANTIVÍRUS PARA A ALMA


Se...
um espaço vazio brotar visceralmente dentro do peito,
e o vento da ousadia não mais esvoaçar rente aos seus sonhos,
e o medo vier... impiedosamente lhe fazer companhia,
e a dúvida instalar como um invasor em agonia,
e lhe tirarem o vôo livre, o arbítrio, sua imensa determinação,
e depois... inibirem os saltos profundos dentro de si mesmo.
Podarem o riso, e fazerem o que for preciso,
para neutralizar o que tem de autentico e de verdade,
e depois... deixá-lo em aflição.
Se...
fores invadido...  e restringirem o seu abraço,
querendo alterar o seu rumo, direcionando seus desejos,
alojando dentro do peito a incerteza e o desamor...
Não tenha dúvida... um vírus adentrou na sua alma,
contaminou o seu caminhar, corrompeu o seu olhar,
entrou sem sua permissão, aprisionou o seu grito,
inibiu o seu acesso a alegria, e em demasia,
o transformou em solidão.
Terás que aceder ao seu destino, por outro caminho.
Mas, não ponhas a andar, sem a avidez de um guerreiro.
Nem transite desatento sem ver... nos outros a indelicadeza.
Nem desperte indefesso para passar o seu dia.
Talvez... onde você está, não seja um lugar bom para se viver,
tenha coragem de mudar tudo isso,
e faça tudo sem perder a delicadeza.
Invadiram sua alma... só por vê-lo feliz,
só por vê-lo amando, dançando com aquela louca bailarina,
contando estrelas, escrevendo poemas, virando poeta,
passeando em alucinação com algumas borboletas,
cuidando do bonsai, sentindo o perfume da flor.
Se...
Perceberes que um vírus invadiu a sua alma,
tenha calma.
Não tenha medo... vou te contar um segredo.
Só tem um antivírus...
o amor.

Ari Mota

domingo, 13 de maio de 2012

CATIVAR O MOMENTO

Volte...
vez por outra no passado, para buscar o que viveu,
e depois mergulhe na ilusão do amanhã para buscar os seus sonhos,
mais volte em ligeireza... para o seu agora,
este é o seu grande momento.
Volte... algumas vezes onde a inocência se perdeu,
e nada traga... nada busque, nem remoa angustias vividas,
não ouça o eco dos soluços, nem filtre as lagrimas vertidas,
jogue-as, esparrame-as ao vento.
Vá...
entranhe-se na distancia do amanhã, na certeza da dúvida,
e que nada possa encontrar... além dos segredos do existir.
E depois venha viver e cativar este instante,
e em êxtase viver este momento... senão ele passa,
e um vazio arromba a sua alma,
escancara a sua lucidez, o deixa à margem,
sem alento, sem vontade de continuar.
Não ande a procura do que passou, nem tema o que vai chegar,
podes embrutecer a ousadia e abandonar o atrevimento,
e morrer... antes de arriscar.
Cativas o agora, este momento...
Ouça a musicalidade do mundo, aperceba as pessoas,
o murmúrio de um rio, o cantar dos bem-te-vis,
a visita das borboletas, a coerência de um abraço,
a sutileza de um carinho, o descobrir de um caminho,
e ame em demasia... além do extremo de si mesmo,
ria, dance, sinta uma linda melodia,
antes, que tudo se torne cansaço.
Cativas este momento, ele é único... ímpar,
coloque harmonia no olhar, não viva em descompasso.
O agora... pode ser o último instante, o último esplendor,
amanhã... sozinho... em solidão,
podes não ter ninguém para cativar,
morrer de amor.

Ari Mota

domingo, 6 de maio de 2012

OS GRITOS DA ALMA


Há dentro de mim um embate, um antagonismo sem fim,
tenho um em desanimo... grita o não, o outro em alegria... grita o sim,
há um corpo pedindo descanso, uma alma provocando o rejuvenescer,
às vezes a percebo... arrastando o corpo em desespero,
um querendo ir embora... o outro chegando como se tudo fosse...
agora.
Dia desses o corpo doía, e a alma em descompasso... ria.
Sei que um às vezes provoca o outro... mais tudo isso sou eu,
corpo em desconcerto, alma que renasce todas as manhãs.
Meu corpo cansado, já não mais baila ao ritmo de um rock and roll,
aí... aparece a alma enlouquecida dançando na chuva,
brincando em baixo de um temporal.
E quando a noite cai, o frio vem machucando os ossos,
o corpo corre e esconde em baixo de um cobertor,
mas, minha alma em solavancos desperta em sonhos,
e vai dançar em devaneios... sozinha em noites de solidão.
Um é impaciente, sempre quer adormecer, o outro juvenil... busca viver.
Um descansa, o outro ainda grita por desejos.
Um quase abandonou o tanger do abraço, o outro ainda quer beijos.
Um às vezes enrosca com o medo, o outro é pura ousadia.
Um às vezes senta a beira do caminho, o outro continua,
quase vai sozinho.
E tudo isso vira beleza, harmonia.
Um tem a face carrancuda, o outro ri em demasia.
Um já não acha graça, o outro ainda sonha.
E tudo parece um disparate... mais é pura simetria.
Um quase já não fala, o outro em silencio,
insiste em ser poeta, fala de amor.
Um às vezes já não procura água para regar a si mesmo,
o outro cultiva um bonsai, e uma flor.
Bom mesmo... é que este conflito sou eu.
Na verdade esta guerra aqui no peito completa-me,
me faz continuar, evoluir... me acalma.
Hoje, quando olho no espelho já não me vejo.
Envelhecido...
Hoje... sou mais alma.
E isso me basta.

Ari Mota

domingo, 29 de abril de 2012

ALMAS LIVRES


Existir é assim... um dia você descobre...
que é preciso desatar os nós, despregar os medos,
romper os rótulos, rebentar os lacres, alterar as formulas,
e livre... redescobrir os vôos, e enfrentar os ventos.
Ser livre é mais que uma ousadia...
é mais que um transformar, é mais que um redescobrir-se,
ser livre é uma imersão em si mesmo,
é libertar todas as almas... em encantamentos.
E livre mesmo... fiquei, quando desavistei os outros,
os deixei seguir em silêncio e sozinhos.
Livre mesmo... foi quando os perdi de vista,
os deixei com suas escolhas, dobrando as esquinas do destino,
descobrindo seus caminhos.
Livre mesmo... fiquei quando o meu foco... foi para dentro,
passei a olhar para mim,
e desapeguei-me... do que não era meu.
Livre mesmo... foi quando passei a sorrir,
sem precisar olhar no espelho, e dizer que estava feliz.
Livre... foi quando descobri que embora não tendo nada,
tinha todos os sonhos do mundo.
Livre mesmo... foi quando virei silêncio,
e manso passei a olhar sem culpa, e ver sem condenar.
Hoje... envelhecido, sou todo livre...
E a todos e a mim mesmo:
Prontifico-me nas decolagens, e abraço forte nas aterrissagens.
Existir... viver, não passa de um risco, de um talvez,
aprendi não aprisionar ninguém, que queira em vôo livre...
levantar.
Somente consegui libertar minha própria alma,
quando as outras... também as deixei livres,
para amar.
Livre mesmo... fiquei quando, com todo o destemor,
olhei para todas as almas, sem repreendê-las, e com afago,
e de todos os sentimentos... só de um fiquei refém:
o amor.

Ari Mota

domingo, 22 de abril de 2012

O AMANHÃ


Um dia... e faz tempo.
Olhei pela janela do meu horizonte,
a procura do meu amanhã, das minhas perspectivas,
e atemorizei-me com a dúvida, com as incertezas banais.
Quase desisti dos combates, quase voltei para os braços do medo,
quase fiquei parado nas curvas do tempo,
esperando o passar dos temporais.
Um dia... e faz tempo.
Desconfiei da existência do meu amanhã,
do tempo que haveria de vir, do resto do meu existir.
Intentei conjecturar a sua face, incorporar o seu conteúdo,
e desapontei-me com o vazio do olhar, e nada encontrei.
Por um triz não me aprofundei na solidão,
e por pouco menos, quase fui ao desespero,
e por muito perto, quase no abandono de mim mesmo, não amei.
Mas... resiliente... e sem a certeza do amanhã,
passei a esculpi-lo dentro da minha alma,
e fazê-lo existir... antes de acontecer.
E assim... é o meu amanhã, ele é hoje, sem demora.
Amo, mesmo antes do alvorecer,
abraço... afago... acarinho, antes de ir embora.
Não quero um dia, desdizer: eu devia.
Nem tão pouco, descobrir que tudo foi muito pouco,
e que faltou fazer mais.
E depois, no lamento e na culpa,
descobrir que o amanhã é apenas uma suposição,
angustias existenciais.
Um dia... e faz tempo.
Tive que esculpir aqui dentro... o amanhã,
como sou um ser inacabado, alma destemida,
nada mais, temo.
Nem passado, nem futuro,
hoje... é toda a minha vida.

Ari Mota

sábado, 14 de abril de 2012

CONSTRUINDO O PRÓPRIO TEMPLO


Já andei me procurando...
Vasculhando os templos, os monastérios.
Buscava uma coisa maior que eu,
maior que os meus mistérios,
e por vezes, procurei... nos outros, as minhas verdades,
e a ausência de perspectiva que eu inventei estar aqui dentro.
Assevero... fiquei a deriva... por muito tempo,
confuso, e refém destes vendedores de fé, mercadores de inocência,
estes, que aprisionam o sonho, e não permitem os porquês.
Espantei com a vileza das ações, com a vastidão dos enganos,
atemorizei com a avidez dos lucros, e com o arrancar da lucidez.
Depois, assustei com o extorquir da candura, com a falta de censura,
e com os templos cheios... de doentes de alma, vazios... em solidão.
Enojei-me de todos eles... E na descoberta...
Vi... que não me foi necessário formatar meu caráter em nenhum deles,
cresci livre.
E desde então... iniciei uma obra sem fim,
construo em calmaria... um templo dentro de mim:
Sem dogmas, sem as duvidas, sem as malditas cercas.
Fiz da minha alma, a primeira a ser amada, me amo... assim.
Sou leveza, sou silencio...
Transcendo os meus medos, as minhas angustias... a minha aflição.
Hoje... sou menos desespero, sou mais contemplação.
Já busquei uma coisa maior que eu, maior que o meu existir.
E sem intermediários, contatei... o arquiteto de tudo isso,
e ele chegou suave, como brisa em noites de luar.
Apresentou-se, sem nome... sem religião.
Abri a minha alma como se fosse um templo,
e calmamente ele instalou-se ali, em quietude.
Eu o olho sem medo, e ele a mim, sem nada a cobrar.
Às vezes me oferece colo, compreensão,
outras vezes, sou eu... como nada tenho,
ofereço... a minha admiração.
Já andei me procurando... hoje sou um construtor,
tracei o caminho, norteei o horizonte,
edifico na alma o ‘meu templo’
com amor.

Ari Mota

quinta-feira, 5 de abril de 2012

COISAS DO CORAÇÃO... DA ALMA.


Antes achei que era... coisas do coração,
e fui colocando nele... a sua ausência, o inundei de vazios,
e inventei que você tinha renunciado a mim,
e que entre nós, nascera um deserto em desespero,
e que estava sozinho.
E depois, que você tinha passado como um temporal, uma ventania,
um caso descomprometido, um encanto em desalinho.
Cheguei a achar... que você era um disfarce, um engano,
um capricho do existir... uma fantasia.
Tentei mensurar o tempo da sua ausência,
e descobri que na verdade, você nunca me deixou,
nunca foi embora,
mergulhou através da corrente sanguínea, sem demora.
E certeza foi... espalhou para dentro,
ficou maior que o meu coração,
transfigurou-se na minha alma, passou a ser eu,
em transformação.
E hoje vive aqui dentro do meu peito,
e eu que sou meio que sem jeito,
demoro a te achar.
Vive as escondidas, outras vezes irrompe atrevida,
outras... silenciosa, teimosa... finge que não me vê,
não me abraça, foge dos meus beijos, muda o olhar.
Mas... o que eu quero... é você aqui dentro...
pode fazer barulho, gritar em destempero,
emburrada... franzir a face, cingir os lábios,
e me abandonar um segundo inteiro.
Depois... como uma bailarina louca,
sapatear em noites de solidão... com toda a emoção,
e em desejos sussurrar... que me ama,
depois, quieta adormecer de cansaço,
no meu abraço,
sem ir embora... que fique agora
e para sempre.
São temporais, são ventanias... mas tudo passa,
tudo acalma.
O que há entre nós... são coisas do coração,
são coisas da alma.
Eu te amo.

Ari Mota

sábado, 31 de março de 2012

FEITIÇOS... PARA A MINHA ALMA


Tentei de varias maneiras... fiz algumas formulas em fascinação,
debrucei nos escritos empoeirados pelo tempo,
até alguns ingredientes comprei.
Ensaiei alguns relâmpagos... com os meus abraços,
provoquei estrondos com os meus beijos...
E depois, fiz silencio com os meus afagos,
e percebi que cintilou o meu olhar... quando te encontrei.
Mas, tudo foi tão pouco,
tinha que criar uma irresistível tentação,
um encantamento, para tudo perdurar, durar para sempre,
e fazê-la ficar assim bem perto... dentro do meu coração.
Evoquei força astral, até uma intervenção sobrenatural,
fiz tudo em magia, calmaria... virei até solidão.
Mas, tudo ainda era muito pouco, ínfimo até,
era tudo um quase nada, um talvez... só faltava acabar.
Eu que não queria ficar no abandono,
fiz todos os feitiços para você me amar.
Por um tempo procurei reciprocidade,
mais pudera... era na minha mocidade,
ocasião de colher, e não espalhar semente,
reclamava carinho, calor, corpo ardente.
Hoje, envelhecido...
Com aparência de um mago em descompasso,
descobri que antes eu sabia... hoje, nem tanto,
e de amor pouco sei, ou se sei... só o meu,
e dos outros nada cobro, nem espero ou pouco faço.
Amar é uma propositura íntima, um oferecer,
é um aparar a grama, rastelar as folhas secas,
podar os galhos que ultrapassam as cercas,
é regar a flor.
Hoje, envelhecido...
Enfeiticei... a minha própria alma, a inundei de amor.
E quem me ama... olha-me assim: como sou,
e quem não me descobre,
e não percebe este feitiço que trago na alma,
nunca me amou.

Ari Mota



quinta-feira, 22 de março de 2012

OS LIMITES QUE CONSTRUÍMOS


Há... que tirar de dentro toda a força, toda a mudança,
e encarar o assombro da rudeza humana.
E depois, redefinir o sonho, e reescrever a esperança,
e não esperar nada das aparências, nada de alguém,
nem da falta de solidez quando se fracassa,
nem tão pouco esperar aplausos da débil massa,
o que temos que fazer é recomeçar... seguir em frente.
Há... que se, saltar para dentro, em perseverança,
pois, o que necessitamos, é irmos para o nosso interior,
combater a indolência que reside em nossa alma.
Promover equilíbrio ao descompasso do mundo e dos homens.
Colocar vida... na letargia do olhar, renascer,
desacreditar nos discursos vazios, não alimentar o desamor,
nem a voracidade do poder.
Estamos construindo limites para o nosso grito,
e silenciando a nossa dor.
É hora... de abandonar os paradigmas, os dogmas, as inverdades.
Tudo o que foi criado, cerceou o nosso vôo, o nosso salto,
inibiu a nossa liberdade, aprisionou a nossa consciência.
É hora, de deixar pelo caminho a inércia, mudar profundamente.
Porque a alma transcende o corpo, emite luz, irradia amor.
Agora é a hora do inverso... nós é que vamos conspirar para o universo,
difundir o que temos de energia, de fulgor.
Não haverá limites para quem muda a si próprio,
nem para aos que desconstroem o próprio medo, sem mutilações.
Enxugam a própria lagrima, e descortinam os seus segredos,
e escancaram suas imperfeições.
Nossos limites são cercas invisíveis,
temos que romper o inusitado, mudar.
Nossa alma transcende o corpo, emite luz, irradia amor.
Os limites que construímos,
desconstruiu a nossa capacidade de amar...
os outros,
e nós mesmos.

Ari Mota

terça-feira, 13 de março de 2012

O TEMPO NÃO EXISTE

Pode levar um tempo, uma vida... pode ser até um quase existir,
mas que a descoberta seja como um sopro vindo de dentro,
e te faça ver:
Que o tempo não existe, ele é uma ilusão,
não tem princípio, nem fim,
está escondido absurdamente entre estes dois extremos.
Ele nada mais é... que este instante, o que você vive, e faz acontecer.
Ele na verdade é o tamanho do seu sonho, da sua ousadia,
da sua coragem para evolucionar,
é fugaz como uma ventania, efêmero como uma aflição,
embriagante como a loucura, célere como a estúpida agonia,
ele aproxima em silêncio, fantasiado de calmaria,
e depois como um temporal dilacera a alma, sem sangrar.
Cuidado para não fazer do tempo uma contagem...
do seu desespero.
Ele pode iludir a pressa, e aprisionar o andar,
e em desalinho afastar você... de você mesmo.
Como o tempo não existe, é uma imensa ilusão,
antes, que tudo acabe... antes, que tudo vire solidão,
alinhe-se... o seu tempo é o agora.
Busque o riso sem artifícios, e a alegria sem embriaguez,
e não seque as lágrimas sem razão,
nem tão pouco esqueça pelo caminho... a lucidez.
O único tempo... é o tempo do alinhamento,
entre você e o seu sonho.
E sonhar é um processo ínfimo, sem muita explicação.
Alinhe-se... o seu tempo é o agora.
A vida pode não lhe oferecer outra chance,
não espere, flua como gotas de orvalho ao vento,
pulverize carinho, alegria... pode ser só com o olhar,
seja feliz, hoje... amanhã, pode não dar tempo.
Regue a sua alma, como o jardineiro faz com a flor,
trabalhe... o seu corpo como se fosse um bonsai,
porque tudo se esvai.
Faça do seu tempo... um reedificar,
neutralize a rudeza do cotidiano,
cresça para dentro,
exista por amor.

Ari Mota

quarta-feira, 7 de março de 2012

MULHERES E ROSAS


Não a deixe em céu aberto, a menos que queira bronzear-se.
Se não querendo, não permita que o sol venha ferir essa membrana tênue,
que guarnece tamanha beleza e adorna essa silhueta escultural.
Pela manhã...
como uma rosa vermelha, tome seu corpo e acaricie-o em sentido contrario,
toque sua pele de forma macia...
sinta a aveludes de seus contornos como se fossem pétalas.
Depois...
regue-a suavemente com águas cristalinas salpicadas de estrelas, abrace-a.
No meio do dia...
leve-a a beira mar, alimenta-a de ternura e afago.
Caminhe...
e tome suavemente suas mãos, e apresente-a ao mundo como uma rainha.
No entardecer em baixo de um Jequitibá tome vinho...
e depois tome os seus lábios, a beije por inteiro,
roube o seu perfume, enrosque em seus cabelos, sinta a sua alma.
E quando a lua se fizer presente...
leve-a à varanda conte histórias de loucuras e estrelas,
antes do amor...
Não à trate como opção, a tenha como prioridade.
Estenda sempre tapetes vermelho, ela não anda... desfila.
Ande sempre com purpurina, e aproveite o vento quando ela passar... 
ela brilha, tem que brilhar.
Faça poemas de amor e os sussurre docemente, faça-os dar arrepios, 
seja afável, a tenha em seus braços com ternura.
A cultive como uma flor e a ame como mulher.
Tudo isso são metáforas... em nome do amor.
Se não tiveres coragem para tal loucura...
basta afetuosamente dizer: eu te amo.
E ficar ao lado dela... toda uma vida, 
e amá-la de todas as maneiras.

Ari Mota


Este poema publiquei em Janeiro/2010... ele é eterno, como a beleza de uma mulher.


quinta-feira, 1 de março de 2012

O ÚLTIMO PROJETO DE VIDA


Lembro-me, e como lembro...
E como durou... fustigou a alma,
como o vento faz no arvoredo e o mar bravio... no rochedo.
Foi exaustivo, bateu sem parar.
Mas, consegui romper os paradigmas que me obrigaram a acreditar,
nas cercas que plantaram no meu caminho,
e o rumo a tomar.
Eu que achei que tinha que espelhar... nos outros,
sorte... tive, o destino me fez irromper sozinho,
atrevi a fazer... tudo do meu jeito.
Como a velhice acomodou-se em silêncio dentro de mim,
tive que em calmaria instituir uma rara reengenharia...
para o meu fim.
Em delírios... virei poeta.
Depois, como quem rouba o sonho de si mesmo, e arquiteta,
passei à Projetista.
Estou me reconstruindo, me fazendo menos egoísta.
Construo pontes que me levam além da solidão,
e asas que me propulsam para dentro, dentro do meu coração.
Sou Engenheiro, do meu... existir, calculo os vôos, os saltos livres,
tenho uma formula que até dimensiona a distancia entre eu, e o sonho.
Vivo mais leve, em devaneio às vezes... mais feliz... mais risonho.
E hoje, sei que sou um Arquiteto de mim mesmo,
brinco com as letras, com as borboletas, embora sisudo, às vezes mudo,
faço do meu jeito.
Como ainda tenho muito trabalho, tenho muitos reparos,
ando meio que desesperado, às vezes em agonia,
tento encurtar a noite... e esticar o dia,
o tempo tem sido como uma ventania, e o relógio como um ventilador.
Tenho que corrigir algumas falhas, aparar o jardim,
regar o meu Jequitibá, cultivar o meu Bonsai... antes que ele desmaia,
e não permitir que o último projeto, se perca, se esvaia.
Porque, ele é um olhar sobre o que vivo, sobre o que vivi.
E o meu último projeto é olhar em retrospectiva,
o que fiz... e o que ainda farei...
por amor.

Ari Mota

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

NÃO ESPERE A ALEGRIA PASSAR

Faz tempo...
Inda estava perdido, nas Gerais dos meus sonhos... em agonia,
sondava o destino, a espera de uma carona.
E me vi assim... sentado a beira do caminho, esperando a alegria,
eu achei que ela vinha pronta, embalada em papel crepom,
e que era só abrir e usar, e ela estaria sempre ao meu lado,
seria minha sombra, seria eu, seria o que sou,
e fiquei ali em solidão como quem a vida... espiona,
e ela jamais passou.
Como já esbarrei com a tristeza...
na descoberta reconheci a alegria como um processo experimental,
tem que ser misturada aos sonhos, dosada com atrevimento,
fermentada com ousadia, e degustada com destemor.
E depois depositada na alma... dentro de si mesmo,
num salto colossal.
Alegria é isso... não se compra, nem está à venda,
não se acha, nem encontra ali na curva do acaso,
nem se busca como uma encomenda.
Alegria... brota, germina de forma visceral.
E quando pronta... se leva... distribui,
entrega em domicílio, coloca com sutileza no coração.
Passa-se através de um beijo, de um olhar,
de um abraço descomprometido,
de um sorriso atrevido,
é como uma oração.
Alegria é orar... e orar não é pedir.. é oferecer.
Como já esbarrei com a tristeza,
não mais fico esperando a alegria passar.
Sei o tamanho da expressão de um sorriso,
o faço estar em todo o rosto, o busco na alma,
com leveza.
Depois...
ofereço com amor.

Ari Mota

sábado, 11 de fevereiro de 2012

TESTAMENTO DE UM POETA


Eu, um tímido escritor, cidadão do cosmo, aprendiz de poeta,
residente e domiciliado onde o vento brinca de solidão.
Estando em magistral juízo,
e em pleno gozo de minhas virtudes intelectuais,
e sem nenhuma interdição.
Livre de qualquer induzimento,
lavro o presente testamento, revestido de delírios e liberdade,
no qual exaro minha última vontade:
Ao longo do meu existir não consegui amealhar coisas,
como inda tenho a sutileza do olhar,
vou doar a minha contemplação.
Só agora no final, que ando economizando sentimentos,
não... por não ofertá-los, mas, por tê-los em demasia.
Fui me achando, vasculhando a minha alma, me encontrando,
claro... que houve noites de desespero, mas... alvorecer de teimosia,
sobrevivi ao medo de mim mesmo... e foi como um ritual.
E hoje, resolvi... sentado em uma esquina do meu destino,
deixar a quem assim querer, minhas riquezas, em desatino.
Obvio... que todas são subjetivas, não dá para tatear com mãos,
somente... senti-las de forma visceral.
Estou deixando meus versos, meus poemas,
minha coragem em ser feliz, e minhas loucuras... para nunca desanimar.
Tenho ainda as batalhas que travei... com as minhas duvidas, meus dilemas,
confesso... perdi em varias delas, mas, foi ali que cresci para dentro.
Como inda tenho a sutileza do olhar,
vou doar a minha contemplação.
Ando encarando tudo com carinho, mesmo quando perco o caminho.
Percebo o acordar do sol, e o seu crepúsculo vespertino,
as borboletas em algazarra, brincando de ciranda em torno do Jatobá,
e ainda... extasio-me aos acordes de uma canção, dedilhada em um violino,
que me acalma, faz graça com minha alma,
emociono-me com a delicadeza de uma flor,
de um sorriso verdadeiro, de regras justas, de escolhas,
de amigos, de ausência e de saudade.
Portando ofereço o que sou... silêncio.
E minha maior herança... amor.
Nada mais tenho a lavrar,
dou, assim, por concluído este meu testamento particular.

Ari Mota

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

MEU CORPO TEMPORARIAMENTE ME HOSPEDA


Tardei a entender algumas coisas... uma das últimas,
foi que meu corpo temporariamente me hospeda,
e o que vejo, não sou eu, sou apenas um disfarce.
Sou casca, exterioridade, um vulto, um espectro,
uma imagem difusa.
Olho e não me vejo, se vejo não me acho,
minha aparência desvitaliza, finda... vira terra seca.
Ela é apenas a superficialidade de mim, uma imagem confusa.
E ai, o tempo fluiu, e na descoberta, vi que...
Eu sou, o que não se vê, eu sou o de dentro, sou o meu sonho,
o invisível do meu ser,
e o olhar que tenho sobre a minha passagem por aqui, sou alma.
Quando necessito me encontrar, salto profundamente,
enraízo-me na própria essência, que me recebe em calma.
Antes espelhava solidão, olhava com sofreguidão,
hoje me recolhi, virei remanso, sou mansidão,
ando comigo...
Não deixo a carência de mim, dominar o meu eu,
descubro-me, me acho... encontro-me.
Danço em devaneios com minha pequenez,
e bailo ao som dos meus soluços.
Rasgo-me de rir dos meus medos,
e das vezes que perdi o caminho.
Sou suscetível as mudança, arrisco nos abraços,
para não caminhar sozinho.
Tardei a entender algumas coisas...
Continuo não compreendendo outras tantas.
Só sei... que antes achava que eu era aquele que o espelho refletia.
Hoje, tenho outra perspectiva de mim,
sou compreensão, evolução... sou uma energia.
E que além de tudo e depois de tudo... um sonhador,
que brinca de ser poeta.
Recita: é preciso ter coragem para ser feliz.
E em silêncio poetiza
o amor.

Ari Mota

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

ENVELHECIDO, TORNEI-ME RETICÊNCIAS...

Visível foi... que o tempo roubou a minha rijeza juvenil,
mas também levou a pressa, a impaciência, a inquietação.
Perdi pelo caminho, a força muscular, a robustez da resistência,
sei até que fiquei vulnerável, e com alguma limitação,
e antes que o destino me leve à lucidez, ou me deixe senil,
inda fantasio-me de ilusão, inda viajo na utopia do vento,
aposto na vida que ainda me resta,
na estrela que brilha nos meus sonhos,
e insisto ainda extrair da alma algum talento.
Quando jovem, fui ponto final... desistia sem demora,
hoje envelhecido tornei-me reticências...
mudo, renovo-me... antes de ir embora.
E quando era para abaixar as velas, ancorar o barco,
olhei a imensidão do mar...
não teve jeito, tive que continuar.
Estranho... tenho lidado mais com a velhice,
parece-me o tempo da pausa absoluta, pura contemplação.
Quando jovem tudo era fugaz como um vendaval.
Hoje, sou reticências... nada termina, tudo esta por terminar,
existir é uma obra inacabada, em busca de perfeição.
Como sou resiliente, ando buscando atalhos, outro caminho.
Antes, ia... em todos os lugares, subia nas montanhas,
saltava em mergulho nas cachoeiras, farreava em noites inteiras,
vagueava em madrugadas frias, para não ficar sozinho.
Hoje o tempo inibiu os meus movimentos, a sutileza do andar.
Tenho grossas lentes, que ofuscou até o colorido do olhar.
Mas... sou livre... ando para dentro, dentro de mim.
Troquei o barulho do mundo, pela calmaria da minha alma.
Falo com o olhar... virei silencio... desvisto todos os meus medos.
Quando jovem fui ponto final... desistia sem demora.
Mas, agora...
envelhecido tornei-me reticências... um poeta, um escritor,
ando reconstruindo os meus enredos,
e colocando nas minhas narrativas,
e na minha vida:
amor.

Ari Mota

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

A DESINTELIGÊNCIA HUMANA

Que meus sentimentos sejam apenas delírios e alucinação,
de um poeta em descompasso.
Que... o que eu sinto e vejo, seja breve como uma ventania.
E que eu possa compreender, e mudar, se... preciso, os destinos,
o meu e de outros, sem fazer do existir... uma agonia.
Que eu possa crer sem disfarce, nos sonhos... sem fazê-los, solidão.
Que em vez de destruir, edifique os desenganos,
e combata os que estão roubando a inteligência dos humanos.
E que assuste menos, todas as vezes que olhar o mundo, os homens...
Principalmente aqueles que querem despovoar o caminho.
Pois, os observo com incerteza, os tenho como predadores de essência,
conectam-se apenas através da distancia, reverenciam a ausência.
Existem no singular, e vivem na tribo do “eu sozinho”.
Interagem mais com as maquinas, com a tela fria de um computador.
Perderam o encanto do encontro, a melodia,
o olhar na alma, a força da pele, o bálsamo de uma flor.
Foram acometidos de uma desinteligência sem igual.
Individualistas, autômatos... vagueiam em busca de um Deus.
Cegos... o quer perdido na folha pálida de um livro.
Buscam nos templos e nos discursos vazios,
o toque, a transcendência de um ser supremo, de um criador.
Que meus sentimentos sejam apenas delírios e alucinação,
de um poeta em descompasso.
Onde houver vazios que eu chegue com a sutileza do abraço,
e quando encontrar pelo caminho, alguém vencido pelo cansaço
saiba oferecer o riso e nada impor.
E depois... há? e depois... conceber a vida... a alegria.
Encontrar a si mesmo, e instalar na alma um Deus.
Não importando o nome, nem o rito, nem a magia, nem o lugar.
Ele pode estar no vento, no sol, na beleza de um rouxinol.
Que eu possa desmistificar a desinteligência humana,
e fazê-los enxergar o amor.

Ari Mota

sábado, 7 de janeiro de 2012

ESCANCARAR O ABRAÇO


É...
O amor tanto que tentou... um dia tomou de assalto a minha alma,
quando ele virou ali na curva do tempo, na esquina do meu destino,
e olhou para mim como se fora roubar-me a solidão,
eu, ainda transportava candura no olhar... e inda era menino,
desconhecia o risco da entrega,
e não sabia lidar com tamanha emoção.
E o amor adentrou como um temporal, uma inundação,
não tive tempo de fugir... nem dele, nem de mim,
só foi possível escancarar o abraço,
e afagá-lo em desatino.
Custou-me... mas irrompeu, desnudou a timidez juvenil de outrora
E meio que sem jeito, me declarei... fui perdendo o medo,
e a temeridade de dizer “eu te amo.”
Certa feita... quase pedi socorro... queria o seu desapego da minha pele,
o seu desgrude da minha essência, do meu existir,
queria devanear sozinho, quase pedi a sua ausência, o seu desatrele,
e ele insistiu... jamais quis partir.
Já... debati em desespero, quase uma vida, e ele não foi embora.
E depois...
Ele foi tomando os meus vazios, incitando os meus desejos,
provocando os meus delírios, invadindo as minhas dúvidas,
foi ficando como uma coisa pegada a mim,
agarrado aos meus devaneios... enraizou para dentro,
cintilou nos olhos, perpetuou no meu riso, e esculpiu os meus beijos.
Hoje envelhecido... pactuei com o tempo, nada me tirar, nem ele.
E antes, que tudo acabe... amo em demasia, em teimosia.
Hoje... mudei a maneira de me declarar,
não mais... grito ao vento, nem ao mundo.
A louca bailarina já não recebe flores, nem “eu te amo.”
Grito em silêncio... abraço com a alma...
que calma,
ama com o olhar.

Ari Mota


sábado, 31 de dezembro de 2011

PLANO DE VÔO PARA A ALMA


Bom mesmo... foi que inventaram a magia do tempo,
e depois, colocaram dentro dele o extraordinário fenômeno... viver,
e não conseguiram dimensionar a fugacidade da sua existência,
nem a ilusão de que ele não existe,
ou que nada faz, para tudo acontecer.
E assim... embriagamos-nos no engano da espera,
remasterizamos nossos desejos em renovação,
reformamos nossas vontades, e começamos tudo outra vez,
como se tudo fosse ser diferente,
sem talvez iludirmos com o abandono, com a solidão,
e na descoberta... ver que tudo é pura quimera.
Mas, que venham... novos tempos, vamos começar de novo.
E em êxtase brindar os ciclos que chegam e que vão,
e construir um plano de vôo para alma,
encher o tempo de esperança,
e olhar para si mesmo... com mais confiança,
e sempre tomar uma outra direção.
E na dúvida... saltar, atrás de nossas verdades,
sem temer o caos absoluto e este mundo contraditório,
fugir sim... das ideologia, sem fugir de si mesmo,
planear um pulo para dentro, sem negar o descaminho,
voar como se acima do Himalaia estivesse,
mesmo sozinho,
a procura da ousadia de ser livre,
e a coragem de ser feliz.
E depois... planar acima do vôo contemplativo de um Condor,
e em rasantes enlouquecidas,
aterrissar dentro de nós mesmos,
e desvestir o que de tímido,
esquecido,
temos
de
amor.

Ari Mota

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

REINVENTAR OS ELOS COM A ALMA


Quando a dúvida enroscar nos seus sonhos,
agarrar nas suas vontades, como se fora sufocar o grito,
e depois encarcerar o salto, desnortear o vôo, inibir os desejos,
fazê-lo ficar aprisionado no ceticismo de si mesmo,
na incerteza de continuar,
e atemorizado descrer na luta, apequenar-se no combate, e ficar aflito.
Talvez...
tenha que ressurgir... e emergir do nada que tens, e que carregas,
e aceitar que se perdeu na imensidão do medo,
no vazio visceral que renegas.
Você que quis nascer para o mundo...
esqueceu de desabrochar para si mesmo, nascer para dentro.
Agora, terás que brotar em delírios e ter coragem de ser feliz...
e ser você.
Às vezes o que falta é nascer para nós mesmos.
E... há que se ter o vértice para dentro,
e abandonar a exteriorização do intimo, do essencial,
do entranhável, do profundo que se tem pelo existir, e se encontrar.
E em silencio, reinventar os elos com a alma.
Reaparecer em aventura, atrever-se ao risco, brincar de ilusão.
Recriar os acasos, dançar com a dúvida, e rebentar de emoção.
Viver tem que ser um acinte ao medo,
uma provocação ao temor de tudo acabar.
Viver é bailar a beira de um penhasco,
é reedificar os tombos, sacudir as lagrimas... e continuar.
E depois... reconfigurar as perspectivas, e prosseguir.
Crer em si mesmo, na esperança... ter um novo olhar.
E em equilíbrio, reatar os elos com a alma,
e arrancar do peito toda a amargura,
todos os ressentimentos,
e amar.

Ari Mota

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

A INTENSIDADE DOS SENTIMENTOS


Há... os que o procuram uma vida, desatinam na escolha,
desvairam na busca, perdem-se nas madrugadas.
E às vezes em desespero, e em desalento,
soçobram no vazio de si mesmo, do próprio sentimento,
e fingem contentamento na frieza estúpida das baladas.
Humilham-se na ilusão do encontro, no avolumar da solidão,
e voltam... dilacerando a calma, em estreiteza... em desilusão,
continuam sós... e em desejos.
Querem um afago, um amasso no portão... e beijos,
precisam de um olhar, de um toque na pele, de rosas vermelhas,
de um declamar em delírios, de um desvario, e de uma flor.
Depois pedem um suspiro enlouquecido, e um corpo aquecido,
uma melodia que verseja emoção, e que fale de amor.
Mas... às vezes ele chega como uma brisa descomprometida.
Invade a alma, aloja-se num canto em quietude,
vem como se fosse perpetuar no tempo, e em brandura.
Agarra de forma visceral em nosso existir, vira ternura.                                      
senta ao nosso lado e toma nossas mãos... em solitude,
permanece em risos pela vida afora.
Outras vezes chega manso... fica ao nosso lado em calmaria,
e depois vira tempestade, ventania,
e vai embora.
E isso, é a temporalidade do amor.
O estado interino de sua efervescência,
o que de fugaz é sua passagem, sua existência.
Em tal caso... não o viva de forma eterna,
mas, enquanto dure... o sinta com toda a intensidade,
com todos os poros, com todo o capricho...
E antes que se finda, e antes que se desabe.
Apenas o tenha com todo o sentimento,
antes que ele acabe.
É preciso ter coragem para amar...
brincar de amor.

Ari Mota

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

NÃO EXISTA COMO SE NÃO TIVESSE GENTE DENTRO DE VOCÊ


Quando descortina a vida... ela vem carregada de nada,
cruza os braços e espera o nosso combate,
fica ali na espreita, fria, nos olhando... indolente.
E o destino joga em nosso colo, o medo.
Uns correm em desespero, outros o encaram,
uns perdem, outros o domam, ou o amansam por uma vida,
e seguem, em frente.
Mas, há os que permitem o seu triunfar, perdem a calma,
a coragem para ser feliz... esvaecem o alento,
o desassombro que permeia na fúria do inusitado, do vento,
e sofrem de solidão de alma.
Não ousam iluminar a si próprio e vivem em desassossego,
faltam-lhe ajustar o foco, em si mesmo,
despejar luz sobre a negrura visceral,
resplandecer em contentamento,
refletir sua verdade num feitio textual.
E luzir para fora, antes de ir embora.
Talvez, faltam-lhes, preencher este vão que carregam no peito,
este vazio que prospera, este olhar fútil que se adultera,
esta inércia que inibe o reconstruir de cada derrota,
e a indolência em desistir na primeira queda,
este medo de refazer o caminho, e redescobrir uma nova rota.
Talvez tenham que aceitar estes sismos, estes tremores inexplicáveis,
esta sofreguidão querendo saltar em soluços, esses tropeços existenciais.
Talvez o que lhes faltem, é romper em ousadia e acontecer,
olhar para dentro, e lá de amor... preencher.
Destilar simplicidade, não ser multidão, não ter no olhar rudeza,
amar o silêncio, as pessoas... e falar somente em beleza,
e nem se achar que em tudo... é o epicentro.
Não exista como se não tivesse gente dentro...
nem amor,
em você.

Ari Mota

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

ABRIGO


Se a rudeza da rua, o incomodar em aflição,
e olhares autômatos passarem ao seu lado,
como espectros em solidão.
Não se assuste, são... desatinos da multidão, extrema cegueira,
assemelham-se no vil, no mísero olhar de desdém,
na desimportância de existir.
Igualam-se no vulgar, no comum dos homens.
Mas os concebam... assim: nem menores, nem maiores,
vieram para ofuscar suas próprias verdades,
e fazerem luzir suas infinitas mentiras.
Estão passando por aqui... apenas, por um acaso,
não vieram para evoluir.
Foram aprisionados pelas crenças religiosas,
e pela esperteza maquiavélica do sistema,
e das políticas mentirosas.
São desesperanças coletivas, de fácil logro e enganos,
amam coisas, moedas, rubis, ficaram... desumanos,
e não estão e nem são livres.
Mas... não se atormente com tudo isso, faça diferente.
Não se esqueça de criar na alma um refugio urbano,
onde você possa entrar todos os dias em calma,
e abrigar ali os seus sonhos, e devaneios,
e em silêncio... brincar de quietude,
e em sossego, teimar em ser feliz,
com todo o destemor
e depois...
olhar para o mundo com carinho,
e para você mesmo,
com amor.

Ari Mota

domingo, 20 de novembro de 2011

PEDAÇOS DA MINHA ALMA


Pensei,
antes de partir... e antes dos adeuses,
deixar um pedaço do meu coração,
e depositar ao lado do seu, em solidão.
Depois achei que era muito pouco,
relutei... e resolvi deixar um beijo ardente na boca,
mas, fugaz era o tocar dos lábios, um enlace banal.
Resolvi abraçar-te como nunca abracei,
com todo o corpo, um toque visceral,
logo vi que talvez... fosse ainda ficar vazios,
como ir sem ficar, como ficar sem partir.
Tive que pactuar com o destino a minha ausência,
ir embora, sem deixar de existir.
Não teve jeito... virei poeta,
coloquei nos versos, pedaços de mim, pedaços da minha alma,
passei a ficar nas palavras, em cada expressão,
do desespero da partida, ficou a certeza da despedida.
Estou calmo e tudo hoje me aquieta,
não estou em desassossego, nem sou mais inquietação.
Só assim, pude te olhar em silêncio,
e tudo hoje é calmaria.
Continuo te amando até o fim... em demasia.
Pensei, antes de partir... deixar um pedaço da minha alma.
Não consegui... a deixo por inteiro com todo o esplendor,
se um dia sentir a minha falta,
dentro dela,
ainda tem
 amor.

Ari Mota