Que
fascínio...
Foi o
despertar da inteligência humana,
foram séculos
esculpidos em arte e poesia,
da
ciência... as descobertas imagináveis,
da
barbárie... a resiliência em sobreviver,
da
rusticidade das origens... a tecnologia.
E eu...
encantei-me com tudo isso,
contemplei
em prece a evolução.
E de
repente... um sismo existencial.
Eclodiu
a Inteligência Artificial.
Uma
energia fria... aportou subtraindo a alma,
plagiando
nossos pensamentos mais profundos,
esvaziando
a essência que tanto nos custou lapidar,
ocultando
os sussurros de nossas vozes,
copiando
nossos rascunhos mais íntimos,
esvaziando
o que nos fez humanos,
neutralizando-nos
em uma infinita solidão.
E
agora...
Ecoam
boatos sobre sua singularidade,
dizem
que é um intelecto de silício que reage por si só.
E que, irrompeu
da ambição voraz e fria do poder da lógica,
emergiu
para exterminar o nosso prazer de criar,
sufocando
o nosso impulso de sentir,
apagando
a sutileza de se encantar com a beleza de existir,
e desfazendo
o feitiço sublime de amar o outro,
com
extrema cumplicidade.
E nós já
estamos por aí... como autômatos, vazios,
nossas
almas já estão petrificadas, endurecidas.
Perdemos
o sagrado dom do espanto, ficamos insensíveis,
e nossa
invisibilidade se inicia,
passamos
a moldar sombras onde antes moravam sonhos.
Essa
energia artificial ocupou o templo de nossas almas,
restando-nos
a sensação de sermos o próprio nada,
fazendo-nos
viver em um tempo opaco, frio... sombrio,
ancorou
em nossas vidas... para nos conduzir,
destruir
nossa espiritualidade.
Essa
energia não carrega ódio... nem amor,
ela é o
vazio absoluto: não sente, não vibra, não vive,
são
travessias desconhecidas.
Que
saibamos...sem desistir:
Resgatar
o direito sagrado ao afeto,
ao erro
criativo e à beleza imperfeita.
Que saibamos
ressuscitar a alma...
que se
perdeu ao meio de tanta tecnologia.
- Nós
vamos ter que reexistir.
Ari Mota
domingo, 11 de outubro de 2026
VAMOS TER QUE REEXISTIR
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