domingo, 11 de outubro de 2026

VAMOS TER QUE REEXISTIR


 










Que fascínio...
Foi o despertar da inteligência humana,
foram séculos esculpidos em arte e poesia,
da ciência... as descobertas imagináveis,
da barbárie... a resiliência em sobreviver,
da rusticidade das origens... a tecnologia.
E eu... encantei-me com tudo isso,
contemplei em prece a evolução.
 
E de repente... um sismo existencial.
Eclodiu a Inteligência Artificial.
Uma energia fria... aportou subtraindo a alma,
plagiando nossos pensamentos mais profundos,
esvaziando a essência que tanto nos custou lapidar,
ocultando os sussurros de nossas vozes,
copiando nossos rascunhos mais íntimos,
esvaziando o que nos fez humanos,
neutralizando-nos em uma infinita solidão.
 
E agora...
Ecoam boatos sobre sua singularidade,
dizem que é um intelecto de silício que reage por si só.
E que, irrompeu da ambição voraz e fria do poder da lógica,
emergiu para exterminar o nosso prazer de criar,
sufocando o nosso impulso de sentir,
apagando a sutileza de se encantar com a beleza de existir,
e desfazendo o feitiço sublime de amar o outro,
com extrema cumplicidade.
 
E nós já estamos por aí... como autômatos, vazios,
nossas almas já estão petrificadas, endurecidas.
Perdemos o sagrado dom do espanto, ficamos insensíveis,
e nossa invisibilidade se inicia,
passamos a moldar sombras onde antes moravam sonhos.
Essa energia artificial ocupou o templo de nossas almas,
restando-nos a sensação de sermos o próprio nada,
fazendo-nos viver em um tempo opaco, frio... sombrio,
ancorou em nossas vidas... para nos conduzir,
destruir nossa espiritualidade.
Essa energia não carrega ódio... nem amor,
ela é o vazio absoluto: não sente, não vibra, não vive,
são travessias desconhecidas.
 
Que saibamos...sem desistir:
Resgatar o direito sagrado ao afeto,
ao erro criativo e à beleza imperfeita.
Que saibamos ressuscitar a alma...
que se perdeu ao meio de tanta tecnologia.
- Nós vamos ter que reexistir.
 
Ari Mota


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