sexta-feira, 30 de julho de 2010

INTREPIDEZ


Se fores acometido por um temor exacerbado,
e deter-se espiando a porta,
a espera de uma desventura ou um infortúnio adentrar
e invadir seu existir,
e acercar-se de criaturas que cultuam a tragédia,
o desassossego, o fel,
e untar-se de sentimentos que obste os vôos,
o espontâneo e cerceie o riso,
e não mais que possível, e ainda, não gozar do desimpedido, do isento,
e não conseguir caminhar só,
independer-se das sentenças sociais,
resguardar-se das opiniões nefastas, acautelar-se do julgo gratuito,
e consentir que o medo impeça o caminhar,
e os outros ofusquem o seu sonhar.
Você precisa mudar...
Você necessita de uma reengenharia que possa realimentar a alma,
realinhar a esperança, expor toda a sua intrepidez,
permitir uma nova releitura da própria trajetória,
de si mesmo.
Redesenhar os planos do fim, redescobrir os começos.
A sutileza do silencio, rir sem gargalhar, ver sem olhar,
e, sobretudo redefinir a intensidade dos amores, do amar.
Se fores acometido por delírios indefiníveis,
e deter-se espiando para dentro, procurando respostas,
e perceber sua alma em festa... bailando com uma louca bailarina,
ao som de uma orquestra de borboletas azuis, ao luar.
Não... você não foi acometido por loucuras,
nem por devaneios de poeta.
A felicidade fez morada dentro de ti... e você não percebeu.
Só lhe resta o abandono do medo, o reaprender do amor
e a intrepidez para ser feliz.

Ari Mota

quarta-feira, 28 de julho de 2010

VENTANIA



Se o seu caminhar for interrompido abruptamente,
com o terminar da estrada,
e buscar em vão a bússola... não encontrar o norte,
e a noite chegar repentinamente,
e na diagonal do ombro, à tira-colo... portar ventania,
e em fúria fazer cair das nuvens águas intempestivas, gelar a carne,
sacudir, estremecer os ossos, fazer vazios.
E o destino cobrir de ébano sua visão do horizonte,
e seu olhar tornar-se ofuscado pelo medo,
e uma inquietação brotar de dentro, arrancando suas fragilidades,
expondo suas fraquezas, sua infinita vontade de voltar, de ter um colo,
e em prantos pedir socorro, implorar afeto, querer um carinho, um abraço,
e a alma em soluço vociferar que está sozinha,
que perambula pelo existir sem ninguém,
e que vagueia em devaneios pelas madrugadas a procura de esteio.
E dos olhos saltar gotas de solidão, doer o peito, e quase morrer em vão.
Não desista... cerre os olhos, vá ao encontro da própria alma,
abrace-a com ternura, leve-a a um lugar despovoado,
refugie-se no descanso, recolha-se no silencio,
retire-se do exposto, caminhe ao acaso... rume à interiorização de si mesmo.
Resista... se não conseguir suportar a ventania, nem as chuvas intempestivas,
graceje com a dor, divirta-se com o sozinho, encante com a ausência,
e faça da sua carência, um momento único do seu existir,
você terá apenas esta oportunidade... de viver esta vida.
Conceba  as ventanias... como forças... que fazem crescer,
evoluir, manter-se de pé, robustecer a essência, aprofundar o sentimento.
Arrisque ser feliz... outra vez... sempre, desmedidamente,
Se... preciso com amor,
se não precisar...
ame assim mesmo.

Ari Mota

segunda-feira, 26 de julho de 2010

SUPÉRFLUOS



Se perceberes que o fardo está pesando a cada passo, a cada andar,
e que as pernas não mais suportam... carregar o corpo, o existir,
e a alma em fadiga encarecer o caminhar, temer o horizonte,
dar indícios de parar.
E em prantos reclamar socorro, e ninguém lhe ouvir
ou nem lhe ajudar.
É hora de lançar pelo caminho... os supérfluos, os excessos, o fútil,
abandonar pelas margens todos os medos, angustia, e sofreguidão,
diligenciar a marcha, suavizar o vocábulo e dar ternura ao olhar,
desapegar da impaciência nas paragens... apartar-se da cobiça,
da solidão.
Se perceberes que carregas sentimentos que tiranizam seus sonhos,
obscurecem suas vontades, delimitam o bater de suas asas.
É chegada a hora de propor ao destino que lhe facilite:
Uma assepsia da alma...
Um retirar do desnecessário, da sobrecarga,
dos sedimentos que se alojaram no fundo de si mesmo,
enraizaram em forma de magoa, de rancor,
uma repugnância ao acaso, uma desesperança ao imprevisto,
um desacreditar no talvez, uma ausência de coragem,
um quase abandono, um quase fugir.
Se perceberes que dentro da alma... guardas supérfluos,
escondes ressentimentos... faça uma assepsia.
E guarde ali somente amor
e esperança.

Ari mota

sexta-feira, 23 de julho de 2010

VAZIO



Prepara-te para tornar-se maior, sobrepor ao que te faz pequeno,
cumprir o destino que te implora ser outro, desenvolver, crescer.
Faça sobrar talento, conquiste coisas, direcione sua vida ao sucesso,
fomente seu andar pelos caminhos do ascender, pelas estradas da fama,
suba nos degraus sociais, vá em direção ao cume, conceba o auge,
e com todo o esplendor desfile como uma celebridade.
Prepara-te para os aplausos, os holofotes, apresente seu intelecto,
sua infinita perspicácia, sua intensidade sagaz de raciocínio,
suas faculdades eruditas, e seus profundos desejos de enciclopedista.
Seja o melhor no que faz, na ação ardente que produz, no julgo do que busca.
Seja um laboratório fervescente de idéias, um inovador contumaz,
um inesperado descobridor do novo, do inusitado, brilhe como uma estrela.
Haverá todo um universo conspirando ao que conseguiu conquistar, ter.
Esta é lei... crescer, evoluir... se necessário recomeçar sempre.
Mas não te esqueça... nunca, de esquecer-se do amor.
De abrigar em sua alma os que te amam... e amá-los em simetria, por igual.
Expor o humano, oferecer afeto, abrigar no intimo a delicadeza e a doçura,
distribuir afagos... no âmago ser simples, menino.
Ser gentil com as pessoas, a natureza e consigo mesmo.
Amar... se necessário em demasia.
Prepara-te para tornar-se maior... mas não se esqueça de amar, sentir.
Se o destino transformá-lo em um autômato,
estarás construindo dentro de ti, um museu de fracassos.
Viverás... sempre com medo de amar,
ausente...vazio.

Ari Mota

quarta-feira, 21 de julho de 2010

O MEU CAMINHAR


Quando os cabelos eram pretos e a pele aveludada,
e tinha a juventude como companhia,
a vida presenteou-me dois caminhos,
um deles na verdade era um atalho:
encurtava-me o andar, acelerava o tempo,
e oferecia-me o provável, o indubitável, impunha-me o evidente,
furtava-me a critica, dissuadia-me da duvida,
estorvava meus delírios, proibia minhas loucuras,
e em contra partida, também obstava meus vôos,
desviava de rota meu destino,
e ofuscava o meu olhar.
Por força dos meus desejos, e por ensejo das minhas vontades,
não atravessei o meu existir seguindo trilhas ou pegadas de alguém,
fiz fender-se a estrada ao meu caminhar, enveredei-me na descoberta,
nas escolhas solitárias, nos devaneios, nos medos de nunca se achar.
Não permiti a ingerência nos meus passos, nem nas minhas doces fantasias.
Minha alma percorreu incólume nas vitórias, e cresceu nas derrotas,
sobrevivi ileso a solidão que impus a mim mesmo.
E nem sequer uma gota desceu ilesa face abaixo...
transformei-as em orvalho nas minhas madrugadas,
aguardando o por do sol.
Decidi, escolhi... não atravessei atalhos.
Nenhum discurso me convenceu... dei a todos o direito de falar,
e a mim de acreditar.
Escolhi meus livros, minha fé, meus amores,
meu jardim, minhas musicas, meus ídolos, minhas flores,
até uma louca bailarina, e umas borboletas,
para celebrar minha passagem por aqui...
com amor.

Ari Mota

domingo, 18 de julho de 2010

COTOVELO NA JANELA



Não se detenha despercebido com o cotovelo na janela,
esperando a vida chegar,
nem fique na espreita em circunspecção avaliando alguém,
ou em acinte narrando inverdades,
avaliando coisas, e o que os outros têm.
Não se coloque com o cotovelo na janela,
conjecturando o sucesso dobrar a esquina e cair em seus braços,
e nem se posicione como se a vitória não lhe trouxesse cansaço,
e que os combates diários serão brandos, afáveis,
e o mundo complacente com você.
Não plante seu cotovelo na janela, mas... se o fizer,
que seja para ver quem chegou,
e abrir a porta aos amigos, ou a um grande amor.
Saia da janela... ela não é, e nem será o palco da sua vida,
deixe passar por ela apenas os raios de sol, propondo esperanças,
ou o vento a galope celebrando e aclamando seus sonhos de criança.
Tire o cotovelo da janela, saia para viver o grande teatro que é a vida,
encene seu papel, apresente sua face, seu riso, destile emoção,
combata suas intrigas intimas, suas próprias paixões perdidas,
sua busca incessante... da própria alma... encontre-se.
Mas que seja em campo aberto, na rua, nas avenidas, nas calçadas,
no palco da vida... e que pare de esconder de você mesmo,
de temer seus fracassos, os amores dissolutos, os beijos esquecidos.
Reinicie sempre, configure novos sonhos, novas lutas.
E ao aproximar da janela, que seja somente pelo lado de fora.
E que em serenata possa declarar o amor que tímido,
escondeu toda a sua vida... por ela.

Ari Mota

quinta-feira, 15 de julho de 2010

O USUÁRIO



Bateu em minha porta um jovem em farrapos,
vazio,o conheci quando criança, o conheci quando ainda inocente,
quando ainda o luzir da esperança brincava em seus olhos,
e resplandecia em sua alma... vida, e festa em seu existir.
Havia esperanças de pais, e sonho ingênuo de filho,
toda uma vida de busca, de combate... ainda por acontecer.

Sem culpa, sem sentenciar... um dia desprendeu-se do nexo,
afastou-se da coerência, perdeu a conexão com a lógica,
e jamais conseguiu voltar para a casa.
Perdeu-se nos labirintos da dependência química,
e jamais encontrou o caminho de volta, perdeu-se no imaginário,
desperdiçou o aprimorar da consciência, o evoluir da essência,
encheu-se de nada, procura em vão o riso, e em desespero a si próprio.
Bateu em minha porta um jovem que perdeu sua primeira luta,
foi vencido pela droga.
Absteve de apresentar seus talentos, mostrar seus afetos,
romper a solidão, amar, virar poeta.
Inerte, vaga pelas ruas, pelos delírios químicos, pelas noites frias,
tornou-se um desnecessário, uma incerteza...
Incomodou-me... não consegui abrir a porta,
não consegui achar saída,
fiquei pequeno,
decresci,
morri mais um pouco,
não tive coragem de fazer por ele
o que faria por um filho.
Morrer.

Obs. E como se não bastasse (Elvis Presley, Jimi Hendrix e Janis Joplin)  
meus ídolos morreram de overdose...

Ari Mota



terça-feira, 13 de julho de 2010

SÓ NÃO SOBREVIVI AO AMOR



Sobrevivi à solidão que as diferenças impuseram ao meu olhar,
ao desalinho que pairou nas minhas esperanças, no meu caminhar,
ao desconforto dos que exigiram e tentaram direcionar minha fé,
e a insolência imposta pelos que queriam restringir meus vôos.
Sobrevivi aos meus medos, a minha inconstante dúvida, 
minha volúvel culpa, e a própria insensatez de se achar único.
Sobrevivi às arrogâncias sobrepostas nas estradas que passei,
as palavras que emudeceram... e em êxtase tinham que gritar aos céus,
todos os meus tormentos, todas as minhas angústias,
toda a indiferença.
Sobrevivi ao isolamento imposto dos que perceberam que mudei o rumo,
que descobri veredas que me levaram aos recantos da alma,
aos braços da sensatez, e as trilhas do equilíbrio,
da razão e do silêncio.
Sobrevivi ao desaguar das míseras regras sociais,
dos cerceamentos,
dos olhares de desdém, da soberba, dos abraços vazios,
e dos inverídicos beijos, e das falsas declarações.
Sobrevivi à estupidez do julgo... e da espontaneidade do ódio,
do desejo de possuir o que o outro tem,
deixei livre... todas as almas,
inclusive a minha.
Só não sobrevivi ao amor, não resisti as suas investidas,
sujeitei-me ao seu triunfo, subjuguei-me aos seus caprichos,
persuadiu-me a segui-lo eternamente, em suplica caí aos seus pés,
não sobrevivi ao amor.
Se necessário morro de amor todos os dias.
Amo intensamente a vida e o que ainda resta.
Amo você.

Ari Mota

sexta-feira, 9 de julho de 2010

NOSSO AMOR NUNCA TROCOU CARTAS



Até tentei, rabisquei, amassei a folha e joguei ao chão,
ensaiei uns versos, no reverso dos meus olhos para te encontrar,
procurei o seu endereço, até no avesso da cidade, para te achar,
e não te encontrei.
No absurdo do acaso, fiz um poema, virei poeta,
e você não me encontrou,
nem sequer me leu,
nem sequer me achou,
e na solidão, eu e minha alma, sempre escrevemos nas madrugadas frias,
sem papel, sem ponto, sem vírgula... em devaneios,
apenas com gotas que caem pela face, e ficam invisíveis...
que nem eu mesmo consigo ler.
E o destino plantou um abismo entre nós,
não sei onde você está, e não consigo te achar...
e como nosso amor nunca trocou cartas,
hoje escrevo para o mundo... para um dia você me encontrar.
Retiro da alma, o amor que inibido não sussurrei ao seu ouvido,
e que nem em cartas de amor escrevi,
e nem em noites de luar eu declarei.
Hoje escrevo para o mundo as cartas de amor que não trocamos.
Se porventura um poema lhe tocar suavemente,
e doer por dentro, olhe o autor...
pode ser docemente este poeta, em delírios.
Pode ser minha alma verbalizando todo o meu destino,
que foi sempre te amar.
Hoje escrevo para o mundo, as cartas que não mandei,
os versos que não recitei,
para você...
que sempre amei.

Ari Mota

 


quarta-feira, 7 de julho de 2010

ALEGRIA DE MENINO



Dia desses o passado rompeu as fronteiras da memória,
e veio sentar ao meu lado, e se fez saudade,
e doeu como uma ferida.
Menino ainda, alma intacta, pura, tomada de inocência,
livre dos medos imaginários, dos anseios em conseguir, conquistar,
da aflição em ter, representar o que não é, fantasiar o que não sabe,
época em que as circunstancias eram irrefletidas, e eu era ninguém...
somente um menino perdidos nas Minas Gerais do meu sonho.
Acreditava que todos voltariam para casa nos fins de tarde,
e que partida era uma rodada de futebol, nas tardes frias de inverno,
e que ninguém partiria sem dizer adeus.
Dia desses o passado rompeu o meu silêncio,
e a saudade desceu em gotas pela face.
Um cismar de abandono, um vazio imprevisto, uma busca,
uma vontade inquietante de voltar, reencontrar amigos,
amores, ingenuidade perdida, esperanças esquecidas.
Dia desses o peito ardeu, queimou, o passado fez-se solidão,
busquei a primeira bicicleta, o primeiro beijo,
o primeiro amasso no portão.
Dia desses os olhos dispersos no pretérito da minha vida,
procurei a minha meninice, as pipas no ar, os risos ao luar,
os afagos, os abraços, o menino que me fez amar.
Dia desses, notei falta de mim mesmo,
daquela alegria de menino,
dos sonhos,
das estradas por onde andei,
das pipas que soltei,
de tudo que amei.

Ari Mota

segunda-feira, 5 de julho de 2010

ESCOMBROS



Não se esqueça de olhar vez por outra, para trás,
pelo que passou,
pelo que deixou nas estradas por onde caminhou.
Muitas das vezes a vida nos impõe uma velocidade abusiva,
e afoito ultrapassamos o bom senso, a maneira harmoniosa de existir,
esculpimos no nosso transitar uma postura rude, gestos toscos,
encontros marcados pelo agressivo,
e nossa infinita necessidade de impor nosso querer,
e no abandono desapercebemos as diferenças,
e no descontrole incutimos a insensatez do poder.
Não se esqueça de olhar vez por outra o que fez,
ou anda deixando e semeando pelas marginais por onde passa.
Não destrua sonhos, nem julgue destinos.
Não simule amor, nem dissimule afeto.
Não distribua ódio, nem desafeto.
Podes... um dia querer voltar... e não mais encontrar caminhos,
e na descoberta... achar escombros por onde passou,
escombros do seu caminhar.
Poderás necessitar de um amor, e não terá como chegar até ele,
de um beijo e sequer os lábios tocar,
de afago e não ter colo para deitar.
Não se esqueça de olhar para trás, não deixe pelos caminhos... escombros.
Plante rosas, reedifique sonhos, reinvente amores, e perspectivas,
se não conseguir atingir os propósitos, mude de propósito.
Mas não deixe escombros por onde passar,
podes... um dia não poder voltar.

Ari Mota

sexta-feira, 2 de julho de 2010

TALENTO



Se ainda não pode encenar sua arte para a multidão,
se o destino não o colocou no palco da vida, e o fez uma estrela,
e os aplausos não foram direcionados a sua apresentação,
e o mundo ainda não o recepcionou, nem  reconheceu o seu talento,
e tem atravessado o existir incógnito, um alguém invisível,
e seu espetro decompõe ao por do sol, e ninguém o vê.
Deve acercar-se da intenção de quebrar paradigmas,
transgredir o aceitável, e quebrantar os medos da alma,
expor o que sabes fazer de melhor, revelar o que tens de hábil,
narrar em versos, cantar em prosa, e apresentar-se em corpo,
explicitar toda a sagacidade do que escondes do mundo, de você mesmo.
Prescindível apenas espelhar verdades, e oferecer coragem ao julgo,
e sair apresentando-se neste teatro existencial... sem intolerância,
sem preconceito, sem sentenciar atitudes, e nem assinalar as diferenças.
Se, contudo, perceber que na platéia não há espectadores,
nem coadjuvantes nos bastidores do seu caminhar,
apresente-se a você mesmo... encene, cante, dance,
pinte e em delírios escreva um poema de amor,
e em madeira traceje a nudez de uma mulher, e a esculpa numa flor.
Não tenhas temor das vaias, seja juiz de si mesmo.
Retire... da alma seus talentos, e os apresente ao planeta,
o universo irá aplaudi-lo em silêncio.
Mas... se, contudo achar que ainda é pouco,
o maior dos talentos é ter vivido por amor,
e ter tido a coragem de ser feliz.

Ari Mota

terça-feira, 29 de junho de 2010

INSTINTOS


Se aperceber um sentimento encolerizado, emergir de dentro,
em fúria e transfigurar seu semblante, mascarar em ira sua face,
e fazer do seu olhar uma manifestação de furor,
controle-se...
São instintos que carregas de outras vidas,
de outras guerras,
de outras batalhas que travou no passado.
Esta aversão à paz, esta raiva absoluta, este rancor,
adormece dentro de ti, como um vulcão,
e este ímpeto, esta veemente força pode interromper sua quietação.
Não absorva e nem armazene dentro da alma a violência do mundo.
Já as teve outrora, e tudo isto já passou pelos capítulos da sua história.
Hoje é o tempo em que reputas apenas o crescer da própria essência.
Hoje é o tempo em que irá abster-se do medo, evoluir,
cultivar no cotidiano a coragem de ser melhor que ontem.
E aflorar instintos que o faça combater as inverdades,
e reagir a rudeza dos que querem destruir seus sonhos.
Que seus instintos possam, fazê-lo:
ouvir, ver, e falar, somente verdades.
E que doravante aprimore todos os sentimentos,
que saiba amar sem delimitar a intensidade,
que das batalhas que teve... esta seja a maior delas,
e que possa vencer todo o ódio que um dia teve,
todo o desamor que carregou vida afora.
Que o único instinto que guardas na alma,
seja o de amar... incondicionalmente,
todos, e a você mesmo.
Que em vez da espada, ofereça flores.

Ari Mota

sábado, 26 de junho de 2010

OLHE COM AMOR



Se não conseguir soltar a voz pra falar de amor,
se buscar as palavras dentro da alma,
e encontrar vazios,
ou dos lábios não brotar murmúrios,
e não tiver a viveza em segredar palavras de carinho.
Se não conseguir retirar do seu vocabulário doces expressões,
se por timidez ou medo não souber declarar em versos,
todo o seu sentimento.
Se não conseguir soltar a voz pra verbalizar uma declaração de amor,
e não atrever-se, e nem revelar-se ao outro com ternura,
e fazer de sua mudez um ato de solidão...
Podes até emudecer,
embriagar-se de silêncio,
ou calar-se por uma vida.
Mas, pode e precisas urgentemente refazer a própria essência,
repaginar seu destino, reconstruir tudo o que o trouxe até aqui.
Podes... falar com o silêncio dos olhos, o que de vivaz tem nele,
no seu luzir, no seu resplandecer, no fulgor do seu viver.
Olhe com a pureza de um menino, jamais deixe de falar com os olhos.
Olhe com amor, as criaturas e o universo.
Se não conseguir soltar a voz...
Afague com o toque a face de quem amas,
e com um leve e suave gesto manifeste o seu afeto... em silêncio.
Acalente-a, traga-a junto ao peito,
se não conseguir soltar a voz,
olhe-a com toda a suavidade da alma
e que em gritos... faça-se silêncio,
e que em silêncio... amor.

Ari Mota

quarta-feira, 23 de junho de 2010

PERSPECTIVA



Que em vez de olhar em retrospectiva o que viveu,
possa em perspectiva ter um olhar ao que ainda viverá.
Ao que ainda poderá em chance esculpir, criar, desenvolver,
ao que ainda terá que construir pelos caminhos da vida,
ao que sua imensa capacidade de resiliência suportar.
Que o desalento não envolva o seu existir,
nem sua infinita procura pelo recomeço, pelo resistir,
nem atropele o seu permanecer, ou ofusque o seu percorrer.
Que em perspectiva possa conjecturar a esperança,
e agendar para os próximos anos, pelo menos... ser feliz.
Não deixar pela estrada fragmentos da alma,
nem em descaso... o pranto do medo, da inquietação,
do olhar em desespero, em vazios... ao acaso.
Que saiba suportar a solidez da solidão,
e o silencio em gritos... dos que partem, sem dizer adeus.
Que em perspectiva possa esculpir um riso resoluto,
um criar despretensioso, sem a avidez do lucro,
sem o despertar da voracidade do poder.
Que em perspectiva projete para o seu andar,
a singeleza do afago, do carinho sem permuta,
do abraço ingênuo, do toque sincero, do beijo sem culpa.
Que nunca perca o desabrochar do riso, e a sutileza da graça,
que ao agendar a vida para os próximos anos,
agregue aos sentimentos... uma intensidade maior de amor,
e faça dos sonhos perspectivas para a continuidade,
do existir... um transitar lúdico,
uma comemoração sem igual.
Exista por amor.

Ari Mota

domingo, 20 de junho de 2010

AINDA HÁ TEMPO


Desengavete projetos esquecidos no fundo da alma.
Os retire do ostracismo que você impôs aos seus sonhos,
ao banimento que causou aos seus devaneios.
Faça ressurgir as ilusões perdidas e
redescubra o despertar das fantasias.
Não leve a sério seus fracassos,
nem queira morrer de vergonha de suas quedas.
Brinque com seu destino, gargalhe futilidade ao seu ouvido,
e retire esta sisudez da cara, e a substitua por um difuso sorriso.
Desengavete aquela pureza da juventude... que escondeu do mundo,
e que lamentavelmente a substituiu pela velocidade contemporânea.
Ainda há tempo da descoberta... da reconstrução dos sonhos.
Se... optou em amealhar coisas, em vez de sentimentos,
ainda há tempo, de se entregar ao amor e amar.
Se... destilou repulsa a alguém, em vez de cobri-la de afagos,
ainda há tempo, de render-se aos delírios do apaixonar-se.
Se... desafiou a delicadeza e distribuiu rancores,
em vez de cultivar a paz, e fez de seu existir uma guerra sem fim,
ainda há tempo, de deixar-se seduzir pela leveza do encontro.
Desengavete o sentimento que por timidez não esboçou,
o abraço que por insensatez não ofertou,
o olhar coberto de ternura que renegou,
ainda há tempo... de você ser feliz.

Ari mota

quinta-feira, 17 de junho de 2010

REATAR


Haverá um tempo em que não necessitará nem começar,
nem recomeçar.
Tão pouco celebrar o início da sua vida, ou preparar o fim.
Haverá um tempo em sua vida que deverá solenizar o reencontro,
reatar.
Reatar amores, canções, amigos, e sonhos.
Vasculhar o passado e retirar dele o que ainda resta de puro,
de belo, de humano.
E invadir a alma e remexer nos depósitos do esquecimento,
no exílio involuntário que o existir lhe impôs,
e reatar todos os sentimentos... os que ficaram perdidos,
ou os que se perderam com os desafetos,
os desamores, o adverso.
E reatar é... de todos os momentos da vida, o mais imaculado,
é na plenitude, o acontecer da existência.
É permitir uma nova chance para o afeto, o amor.
Reatar... é ainda aceitar e refazer um abraço, um carinho.
É ainda fazer ressurgir o doar-se...
quando não pode,
quando não quis,
quando não permitiram.
Reatar é permitir a benevolência sobrepor ao ódio,
e a delicadeza suprimir a indiferença.
Reatar é reencontrar o amor que se perdeu de si próprio.
É olhar para o passado
e não permitir esquecer o que se pode
amar eternamente.

Ari Mota

segunda-feira, 14 de junho de 2010

UM POVO INVISÍVEL


  
Emerge um País abstrato a cada 4 anos,
explode um patriotismo ufanista em todos os recantos,
são trinta dias que o povo faz eclipsar a realidade,
e somos acometidos de uma euforia coletiva,
de um vociferar exacerbado na hora do gol,
e de repente... acontece o despertar de um povo invisível.
E somos assim...
E realmente somos vencedores no drible majestoso,
no toque suntuoso com a esfera de couro,
que cai dentro da rede do adversário.
E haveremos de vencer sempre... e como é bom.
Mas, ser brasileiro de forma sazonal é hipocrisia,
temos que sê-lo uma vida, gerações, toda uma existência.
Nada adiantará o despertar de um povo invisível,
de tempos em tempos.
Temos que vencer primeiro nossos medos,
e num tempo posterior... vencer:
Os corruptos que nos arrancam o futuro.
Os narcotraficantes que irão dissuadir nossas crianças.
Os vendedores de vazios que nos templos iludem os incautos.
Temos que vencer na amplidão da cidadania.
Fortalecer e transformar pessoas talentosas,
em instrumentos de crescimento para uma sociedade mais justa.
Que saibamos emergir da invisibilidade... sempre,
que não sejamos patriotas de chuteiras,
que saibamos vencer todos os dias,
e fazer desta nação um lugar melhor para se viver.

Ari Mota

sexta-feira, 11 de junho de 2010

NAMORADA


Tudo começou como uma paixão,
e paixão é a arte da descoberta,
do descortinar, do abrir a alma,
entregar-se como o vento entrega-se ao mar.
E o fiz a você...
sem confins, sem dimensão do horizonte,
sem ser cerceado pela incerteza do encontro,
ou render-se ao medo do abandono,
da solidão.
Tudo começou com um partilhar de olhares,
uma sensação singular, um encontro de outras vidas,
um toque de pele, um desejo inconcebível,
uma aflição juvenil.
Tudo começou com um beijo retirado as pressas dos teus lábios,
um cercar de braços em seu corpo, e um aperto junto ao meu,
em delírios,
e depois, um aspirar do explicito perfume da sua pura inocência,
da infinita fantasia,
e do extremo capricho em apaixonar-se em demasia.
Tudo começou como uma paixão, um gracejo da juventude,
e o tempo foi passando, vertendo a companhia em convivência,
e a intimidade como caminho essencial para aceitar nossas diferenças,
passei a não saber existir sem você, sem sua alma junto a minha.
Tudo começou como uma paixão desinquieta,
um encontro do acaso, uma escassez de afago,
uma ausência, um descuido... uma falta de abrigo.
Mas, deveras tudo escapou ao tempo, que de tão intenso,
que de tão imenso, tudo foi muito pouco, 
fiz do efêmero... uma vida, um encontro.
Fiz de ti, minha bailarina louca...
E rodopiei ao luar, enamorei coladinho ao seu corpo,
ao som de uma orquestra de borboletas azuis.
Tudo começou como uma paixão,
e no final e em algum momento um compromete-se ao outro,
apaixonar-se para o resto de suas vidas.
Fiz de ti... minha namorada,
com amor.

Ari Mota

 

quinta-feira, 10 de junho de 2010

QUANDO EU FOR EMBORA



Se algum dia me procurar,
e se por acaso, não me encontrar.
Fui passear do outro lado do sonho.
Todas as vezes que quis voar,
sempre, os temporais não deixaram,
alçar o meu vôo... foi sempre difícil,
e todas às vezes, as amarras me deixavam
preso ao chão e nunca, na verdade
pude ir embora, sem dizer adeus.
Mas, se por ventura não me encontrar,
faça um esforço para me achar.
Posso estar neste vento frio,
que fere sua pele... e você não sente.
Posso estar nesta chuva, que molha
sua alma... e você não sente.
Posso estar neste chão, que pisas,
e você não sente.
Posso estar um pouquinho adiante dos seus olhos,
um pouquinho além do horizonte.
Posso estar no entardecer, no amanhecer,
posso ser um pouco de sol, de lua,
um pouco de estrelas, posso estar às vezes
um pouquinho acima do seu coração.
Mas, na verdade se não me encontrar,
posso ter transformado em universo.
E se caso... tenha ocorrido,
podes-me... encontrar no silêncio,
na suavidade de uma musica,
numa montanha,
num rio profundo e calmo,
num vôo de um pássaro,
ou na suavidade de um sorriso franco
ou num olhar de um louco.
E se acaso não me encontrar,
nestes infinitos lugares,
posso estar suavemente
escondido dentro
de você.

Ari Mota

segunda-feira, 7 de junho de 2010

SILÊNCIO



Que o seu silêncio não seja um templo de solidão,
mas, um refúgio da alma.
Que encontre nele abrigo,
uma estrada,
uma trilha,
uma passarela que o leve ao outro lado,
o lado da consciência,
da lucidez.
Que o seu silêncio permita coexistir com suas verdades,
e que seja um instrumento que dimensione seus medos,
amenize suas angústias
e lhe dê equilíbrio.
Que sobre tudo possa, dar-lhe razão onde houver fúria,
e que possa fazê-lo... julgar menos,
inquirir somente a si próprio,
tolerar as diferenças,
e os desejos e sonhos dos outros.
Que o seu silêncio resgate o seu desespero,
que o faça aquietar-te,   
que tenha cátedra, e possa-lhe ensinar:
A morrer de amor, em vez de saudade.
Rir de si mesmo, em vez de verter-se em lagrimas.
Esperar mais, em vez de correr à frente do tempo.
Não subjugar-se pela ânsia,
e nem desdenhar o riso.
Que o silêncio o faça encontrar consigo mesmo,
para que jamais se sinta... só.
Que o silêncio possa fazê-lo encontrar com a própria alma,
a infinita e eterna companheira,
de todos os tempos,
de todas as vidas,
para sempre.

Ari Mota

sábado, 5 de junho de 2010

A VISITA



Não verbalize suas verdades,
elas escondem no silencio de sua alma,
resplandecem no brilho dos seus olhos,
e na expressão do seu sorriso.
Não adorne seus movimentos gesticulares,
para convencer,
nem amplie a tonalidade da voz
para dissimular ou persuadir.
Não procure subterfúgios sociais
para obter reconhecimento,
faça emergir os seus talentos,
sua infinita capacidade de criar,
inovar, fazer o diferente,
o mundo virá até você.
Não verbalize seus medos
eles são alicerces do seu existir,
são instrumentos de suas vitórias,
são intimidades do seu destino.
Não procure em outros olhares,
o que você mesmo pode ver,
nem esboce sorriso,
quando ele espelhar mentira.
Nem finja afeto,
quando houver distancia.
Não maquie em sua face afetividade,
nem unte de afeto seus abraços,
tudo vem de dentro.
Não procure em outras almas... amor,
prepare a sua... em silencio,
para que todos possam te visitar.

Ari Mota

quarta-feira, 2 de junho de 2010

SEMEAR



Se durante o caminho não conseguir semear,
não destrua outros plantios.
Se plantar cuide até a colheita,
mas, não compare a sua semente, com as dos outros.
Se, contudo os temporais destruírem o seu trabalho,
arrasar todos os sonhos, todas as sementes do existir,
lavre novamente a terra onde pisas,
semeei ali esperanças,
reinvente o caminhar.
Se durante a sua apresentação no palco da vida,
pedirem ajuda... estenda a mão,
mas dê o que podes,
sem culpa, sem censura, sem pieguice,
não simule ajuda com as coisas dos outros,
se não tens,
não dê o que não é seu.
Se durante a sua permanência, carecer de sua atuação,
não dissimule o que não és,
o que não faz,
semeei verdades.
Se durante a sua passagem, reclamar afeto,
abra a sua alma,
ame com toda a intensidade,
semeei delicadeza.
Se durante a sua vida... a vida lhe cobrar emoção,
semeei risos, abraços,
derrame sobre outras almas... alegria,
semeei amor,
por toda a vida.

Ari Mota

domingo, 30 de maio de 2010

CONSTITUIÇÃO DOS POETAS



Em assembléia os poetas decretaram:

Art.1 – Todo o homem ou mulher doravante serão poetas:

Poderão amar em demasia, em todos os lugares, em todas as cores,
beijar todas as bocas, deitar em todas as camas.

Poderão declarar-se em todas as línguas, e passear de mãos dadas
em todas as praças, com quem quiser,
fundamental que apenas um ame o outro.

Poderão devanear pelas calçadas, embriagar-se de orvalho, 
e cantarolar pelas madrugadas,
e fazer juras de amor em noites geladas.

Poderão em serenata declarar seu amor eterno,
a quem precisar de carinho,
afeto, colo e afago.

Art.2 – Todo o homem ou mulher doravante poderão ser poetas e loucos:

Poderão... falar com as borboletas e ao som de Ravel dançar coladinho
a uma bailarina louca.

Poderão... sentar ao lado de Drummond em Copacabana, olhar o mar, 
e esperar Fernando Pessoa chegar.

Poderão... cantar com Vinicius de Moraes... todas as garotas, as de Ipanema, 
as da Av. Paulista ou as de qualquer lugar.

Art.3 – Todos poderão poetizar:

Terão apenas que falar de amor e amar.

Terão apenas que desvairar uma única vez, tudo em nome da paz,
da infinita paz que a alma procura.

Ari Mota

 

sexta-feira, 28 de maio de 2010

EQUILIBRISTA


Minha vida fora em metáfora...
um cabo de aço estendido como destino.
Quando fui arrancado do ventre e deram-me a vida
para caminhar,
e a frieza do cotidiano envolveu meu corpo
e abraçou minha alma, tive receio de continuar.
A incerteza dos passos fazia-me estremecer ao todo,
ao vento, ao medo.
Sozinho... meus passos irresolutos... hesitava no andar,
temia a queda,
em vertigem apropriava-se de desejos irresistíveis...
de desistir, voltar.
Mas, em minha frente... a vida atraia-me,
seduzia-me pela aventura,
pelo imprevisto destemido do acaso,
pelo inusitado, o desconhecido.
E meus passos foram acentuando, cadenciando ao novo,
ao inesperado.
Minha alma abraçou-se com as intempéries do existir,
os deslizes, os desencontros, a friagem do desprezo,
o desamor dos homens.
E assim o meu atravessar pela vida...
fez de mim um equilibrista,
caminho com a força dos meus sonhos,
com o amor que carrego na alma,
e o equilíbrio de compreender as diferenças,
e a certeza de ter que continuar.
E a vida, em metáfora... deu-me como destino,
um cabo de aço como caminho.
Sou um equilibrista atravessando a vida
por amor.

Ari Mota

quarta-feira, 26 de maio de 2010

ENCONTRAR



Quando a juventude refletia em meu rosto beleza,
e a vitalidade pulsava como um temporal em minhas vísceras,
e a força fazia morada em meus músculos,
e minha apresentação no palco da vida era na íntegra, por inteiro.
Minha concepção de solidão era outra, tinha um outro ângulo,
entendia que tinha que estar com pessoas, estar inserido em uma tribo,
e que não poderia transitar pelas ruas, pelos bailes da vida,
pelas calçadas... sozinho... sem ninguém.
Isto eu chamava de solidão...
E procurei abrigo em outros olhares, em outras almas.
Ao longo dos anos amenizei o convívio, criei relacionamento,
convivi harmoniosamente, mas... continuava só.
Foi quando o tempo invadiu os meus sonhos,
brincou com os meus cabelos, os deixou pálidos,
tatuou em minha face sua marca.
Hoje, o tempo reflete em meu rosto leveza,
e a vitalidade que pulsa visceralmente é a energia da minha alma,
e a força da vida, indelevelmente é o meu silencio.
Não fugi do palco da vida, apenas...
Recolhi-me... refugiei-me em mim mesmo.
Retirei-me de outros olhares, eu me vejo.
Abriguei-me... dentro de mim mesmo,
da minha alma.
E não é solidão...
apenas me encontrei.

Ari Mota

domingo, 23 de maio de 2010

UM NOVO OLHAR


Quando fores abordado pelo tédio, pela mesmice do cotidiano,
e achares que nada muda em sua vida.
É chegada a hora de confidenciar com sua alma, estes desvarios,
e ter um novo olhar para sua existência.
O transformar do seu existir, caberá a você fazê-lo.
Olhe para o passado e traga a pureza que se perdeu no tempo,
a esperança que escondida, reside na rudeza de um adulto,
mas ainda habita nos olhos de um menino.
Veja a vida de forma singela, a conceba sem impostura,
a viva sem hipocrisia, desmistifique a vaidade,
e não tenha a presunção de que és infeliz, coitado.
Olhe a vida como renovação, nada acabará... tudo continua.
Tenha um novo olhar para a sua existência,
dê uma forma nova ao seu dia, faça-o... como se fosse o último,
e sai como se fosse o primeiro de uma vida breve, de uma vida louca.
E cometa algumas loucuras...
Se não souber cantar, assobie... mas que a melodia possa trazer paz.
Se não souber dançar, pule... mas transpire quietação e simpatia.
Se... esqueceu como se ama, reaprenda com a inocência de uma criança.
Tenha um novo olhar sobre você mesmo,
o veja como um crescer... uma expansão,
tenha coragem de ser feliz...
aprimore o abraço, o afeto, o beijo.
Ame mais, declare mais, afague mais...
Arranque esta mascara colada a cara, sorria sem traços, sem cortes,
fale de amor, por amor, fale com os olhos... em silencio.
Olhe para a vida com um novo olhar,
um olhar de amor.

Ari Mota



sexta-feira, 21 de maio de 2010

TRILHAS


Quatro foram os caminhos que o destino apresentou-me
para que eu pudesse percorrer ao longo da minha vida.
Quando aqui cheguei deparei com longas estradas,
encruzilhadas, curvas sinuosas e pedras espalhadas pelo chão.
Houve dias em que quase desisti ao ver o horizonte
que nunca se aproximava.
Houve curvas e encruzilhadas que quase retirou-me
do foco e do rumo.
Houve pedras que quase impediram o meu caminhar.
Esta é a minha trilha terrestre, as venço todos os dias.
Mas, certa feita encontrei o mar e fiz dele também um caminho,
e encontrei nele os mesmos obstáculos,
ora revolto, e de ondas que me jogam de um lado ao outro,
sacode a minha existência, dificulta o meu navegar.
E esta trilha de águas... também as venço todas às vezes
que pelos mares saio a sonhar.
E olhando as águias em seus vôos solitários, encontrei ali
também um caminho.
Tentei voar, mas na descoberta as rajadas de vento ou a falta dele
não me permitiram decolar,
mesmo assim os tenho no meu imaginário.
Mas, o melhor dos caminhos,
a melhor trilha,
o melhor navegar,
o mais tranqüilo vôo... estou fazendo agora.
Descobri uma trilha, um caminho para dentro,
dentro da minha alma.
E este é o melhor dos caminhos,
encontro com minhas verdades, encontro comigo mesmo,
todos os dias.
Hoje a minha vida é uma viagem para dentro da minha própria alma.
Hoje eu me amo.

Ari Mota