quarta-feira, 31 de março de 2010

JUVENTUDE


Se por acaso perceber que sua sombra espelhada no chão,
não tem somente o seu espectro, e que além do seu corpo,
duas asas estão ali como se quisessem levantar vôo.
E em delírios rumar em direção ao infinito... em festa,
e em risos ludibriar as rudezas da vida e bailar noite adentro.
Não estranhe tal atitude da sua alma, ela esta no melhor do seu tempo.
É o tempo da juventude... tempo de sonhar.
Mas, se, contudo isso, e depois da sombra com asas,
escutar um barulho dentro do peito, como se fora um terremoto,
e perceber que algo bate dentro do corpo, como se fora explodir,
e neste ímpeto, não conter as emoções, chorar sem querer,
rir sem ter graça, ou cair em solidão no meio de uma imensa multidão,
e sentir que na verdade a alma pulsa demasiadamente, escandalosamente,
querendo pular do corpo e sair em disparada pelos caminhos do destino,
livre, desatada, pronta para os combates da vida, cheias de desafios e devaneios,
não pense que a loucura tomou conta da sua existência,
e que sua lucidez desgarrou-se do seu existir, e foi embora.
Não... não é nada disso...
é apenas a juventude em fantasia, desfilando no palco da vida.
É o tempo de acreditar, crer...
viver um grande amor, ou cair em lagrimas por ele.
E se ao longo da vida...
sua sombra sempre espelhar no chão com asas,
e sua alma querer sair do corpo, desvairadamente,
como uma bailarina enlouquecida,
querendo bailar com algumas borboletas,
tudo em nome do amor.
“ isto é juventude... juventude eterna.”

Ari Mota

terça-feira, 30 de março de 2010

TRIAGEM


Faça uma triagem de seus pares sem menosprezar as
diferenças.
Faça escolhas de convivência, trace sua estrada,
delimite seu território.
Afaste-se dos que querem que você seja um deposito
de magoas e ressentimentos.
Afaste-se de almas que querem deixar em suas mãos
o que não lhe pertence.
Afaste-se dos que querem lhe sugar o equilíbrio
e a paz.
Afaste-se dos que gritam, ou encontram-se em desesperação.
Não permita que descarreguem em você os medos que você
não tem.
Não atue absorvendo lagrimas que não são suas,
nem gritos não são seus.
Não se deixe corroer de ódios imaginários, e nem carregue
bandeira de ninguém.
Disperse apressadamente dos falantes, e daqueles que promovem
a desinteligência.
Perca toda a sua prudência, e desapareça dos que não sabem ouvir.
Faça uma triagem com quem andas...
Escolha as almas que estarão com você por toda a sua vida.
Mas, permaneça ao lado daquelas que não irão lhe consumir,
não irão restringir seus vôos, ou ofuscar seu brilho.
Escolha seus amores com a alma, não os acorrente ao corpo,
nem direcione seu caminho.
Pactue um amar a liberdade do outro, sem cobrança,
até o fim.
Não permita que tomem posse de sua alma,
afaste-se dos que querem que você afaste de si mesmo.

Ari Mota

domingo, 28 de março de 2010

SENNA E O POLÍTICO


Entre os dois há uma pequena diferença, um ínfimo abismo.
Senna exaltava a grandeza que cada um carrega dentro da alma,
o que temos de melhor, o que temos de humano, de caráter,
de sobriedade,
ele não fazia brilhar só nossas manhãs de domingo,
iluminava nossos sonhos.
Na sua simplicidade revolvia nossos desejos adormecidos,
despertava-nos a vitória aprisionada no peito,
nossa infinita vontade de vencer.
Suas vitórias eram nossas, como eram nossas, sua força
e sua coragem,
tinha o poder de repartir... sentíamos coadjuvantes no seu cockpit.
Mas, quando naquela curva o destino o levou...
um pouco de nós também se foi.
Ficou o vazio... ficamos sem referencia de vitória,
de conquista.
E desde então, a mídia nos empurra estes ante-heróis...
estes políticos,
os Valério’s, os Arruda’s, os Dirceu’s, que exaltam nossa pequenez,
o que temos de pior, o que temos de ignorância, de desonestidade.
Ofuscam nossos dias, destroem nossa auto-estima,
corroem nossos sonhos,
e na sua arrogância nos faz insignificantes diante das leis, da justiça.
Desperta-nos,  mais que perplexidade e indignação,
desperta impotência.
Não reparte, nem distribui... tira-nos, empobrece-nos,
somos seus coadjuvantes apenas na hora dos votos.
Entre a destreza de Senna e a esperteza do político...
estamos nós.
Somos cobaias sociais, manipuláveis, meras estatísticas, frágeis.
Entre os dois há uma pequena diferença, um ínfimo abismo,
uma tênue distancia.
A torpeza do político nos reconhece como uma coisa,
a delicadeza do Senna nos reconhecia como amor.

Ari Mota

sexta-feira, 26 de março de 2010

A PERDA DA AUTENTICIDADE



















Não espelhe a edificação da sua vida em um teclado de computador,
e nem queira definir seu destino acionando a tecla “Enter,”
e nem eximir sua responsabilidade com o viver, impelindo o “delete.”
O mundo coorporativo induziu-nos a aceitar os copistas de plantão,
os amantes plagiadores, do “Ctrl + c e do Ctrl + v, carentes de criatividade,
inovadores de discursos fáceis, revolucionários das ausências de autenticidade,
armazenadores de arquivos em Pen Drive, saqueadores de idéias.
Estagiários especialistas em papel carbono, sempre no vácuo de alguém,
aprendizes e não criadores, Trainees poliglotas que desenvolvem o nada.
Não use o teclado como se fora um caminho, uma estrada que te conduz a um lugar.
E não queira por analogia fazer da sua vida um “Ctrl + c e um Ctrl + v.”
Seus amores o querem autêntico, puro, criador de sonhos e esperança,
não dê um “Ctrl + c” em almas diferentes, e a incorpore na sua.
Sua autenticidade é inviolável, como seus sentimentos e desejos.
Não procure em outros quintais, o que esta entulhado no seu,
não busque em outras almas, o que aprisionou na sua,
não escute a pulsação de outros corações, se não conseguiu ouvir o seu,
não queira sentir em outros lábios, os beijos que não deu.
Não dê um “Ctrl + c” em felicidades alheias, e as traga para dentro da sua alma,
seja autêntico no sonho, no pensar, no agir e reagir.
A perda da sua autenticidade estará quando der um “Ctrl + c” em outras vidas,
e com um “ctrl + v” a incorporar em seu caminho, em sua trajetória,
e fazer sua liberdade prisioneira de outros sonhos.
Seja autêntico,
ame a vida da forma que ela apresentou-se a você.

Ari Mota


quinta-feira, 25 de março de 2010

UM JANTAR COM A ALMA



Às vezes é preciso desconstruir paradigmas,
demolir algumas pontes,
obstruir algumas estradas, abandonar algumas avenidas
e fazer uso de algumas trilhas.
Às vezes mais que preciso... é refazer os caminhos,
redefinir o pensar.
E interromper esta vida louca, esta voracidade do conseguir,
do conquistar.
É hora de voltar-se para dentro da alma,
destes infindos caminhos desconhecidos,
é hora de suspender esta impetuosidade do consumir,
do ter,
do endinheirar-se.
É hora de abandonar esta agenda alucinante, este amealhar coisas,
poderes.
É o momento de se recolher... mas, prepare sua casa para te receber.
Limpe as gavetas...
jogue fora as quinquilharias do passado sem perder a própria história.
Desapegue das inutilidades que guardou,
dos  calendários antigos, das cartas de amor que não respondeu,
das canetas sem uso, dos beijos que não deu
os chaveiros inúteis, dos amores perdidos,
das medalhas na cabeceira da cama, dos desejos escondidos,
das fotos nuas de Brigite Bardot.
Abra o armário, jogue fora todos os ressentimentos,
todas as magoas que te incomoda, todos os amores que não vingou.
Limpe toda a casa... prepare um lindo encontro... com flores e velas,
perfumes, musicas, borboletas e alegria,
jogue na sala pétalas de rosas vermelhas,
e convide sua alma para jantar.

Ari Mota

terça-feira, 23 de março de 2010

A ESPERA DE UMA MENSAGEM


Caso o seu olhar ultrapassar os limites do horizonte,
e dar-se conta que não mais olha, e nem vê...e  sua visão perder-se no nada,
e aperceber-se que em busca, espera em vão...o novo, o inusitado,
e um nó brotar garganta adentro, e rolar na cama em vigília,
sem dormir,
como se no amanhecer uma mensagem viesse para mudar a sua vida,
o seu destino,
e pela manha abruptamente abrir a porta e desesperadamente olhar para rua,
e fixar os olhos na esquina esperando a grande virada,
a  grande mudança,
ou mirar-se para o telefone, na esperança de ouvi-lo tocar,
e tudo mudar,
ou aguardar na varanda o carteiro passar, e ali postar o seu futuro,
o seu amanhã,
ou plugar-se ao computador esperando um e-mail para alterar sua vida,
sua história.
Há... tudo isso é duvida, e a vida é uma dúvida,
ou isto é  ânsia por si só... agonia... sem alucinações... solidão de alma.
Não espere...
o seu destino não está em poder de alguém, ou em outros sonhos,
não espere uma mensagem chegar de outros universos,
de outros olhares.
Não espere a mágica dar outra forma ao seu existir.
Entre alma adentro...tudo estará lá,
a sua espera,
Desvende-a... na descoberta encontre suas respostas,
na duvida a certeza.
A certeza que a grande mensagem da vida,
estará na eterna possibilidade de se reconstruir,
e ser livre para sempre,
com amor.

Ari Mota

 

domingo, 21 de março de 2010

O RECICLADOR


Quando a vida lhe exigir crescimento...
Utilize todos os meios  para a intelectualidade, absorva tudo,
retire dos livros todos os sentimentos, e das palavras todas as emoções.
Conheça a lógica, o abstrato, o imensurável, e a eficácia da inteligência,
percorra todos os cantos do mundo, todas as culturas, e semânticas da vida,
não desperdice o tempo, nem deixe ociosa a mente... exercite a alma.
Estude nas melhores casas de ensino do planeta, escute os sábios contemporâneos,
vasculhe o passado e tire dele, toda a experiência que a humanidade teve,
aprenda novas línguas, novos hábitos, procure entender novos credos,
se possível viaje pelo cosmo... mesmo em sonho, e diligencie novas existências.
E gradue-se, faça uma pós-graduação, e depois mestrado...
E saia pelos caminhos da vida fazendo crescer os outros e você mesmo.
Mas, na verdade... e depois de tudo isso,
não queira criar novos métodos e nem novos projetos, que mude o mundo,
as grandes idéias,  o destino as trouxe nos braços da duvida,
e o acaso depositou na memória de alguns a descoberta.
Se, contudo persistir a suspeita que ainda lhe falta algo.
Olhe... pela janela.
É hora de aprender na escola da vida, o que o livro não contém.
Na sua esquina existe um catador de papel, o reciclador.
Ele será doravante seu único e maior professor.
E em metáfora...
Faça como ele... entre alma adentro catando os papeis da sua vida.
São rascunhos que você jogou pelo caminho,
são papeis amarrotados... das cartas de amor que não mandou,
são fotografias enrugadas pelo tempo que você não moldurou,
são pedaços de cetim das fantasias que usou,
são fragmentos que espalhou pela estrada onde passou.
Recolha-os...
É hora de reciclar os sentimentos,  as magoas, os desencantos.
Faça uma triagem do que viveu, separe o que valeu.
O que sobrou o transforme em adubo para a alma,
seja ternamente um reciclador.

Ari Mota

sexta-feira, 19 de março de 2010

O DESINFORMADO



Acordei...
Pluguei meu mundo à tecnologia disponível, para atualizar-me,
e fiquei desinformado.
Despejaram tanta barbárie no nascer do meu sol, na minha manhã,
que desesperado corri no calendário de trás da porta... e era 2010,
pávido e incerto fui até a minha calçada, e não era uma rua medieval.
Acordei  ávido, acreditando na metamorfose da ração humana,
em um novo homem destilando verdades e com profunda deferência,
para com os outros e  para consigo mesmo... e não o encontrei.
Desfilavam  em frente a minha existência, multidões de bárbaros,
mergulhados na mais pura incivilidade, na mais feroz impolidez,
habitantes da mais inóspita urbanidade, cruéis, insanos,
carregados de mentiras e  revestidos da mais terrível indiferença.
Acordei...
E encontrei os mesmos pastores conduzindo suas ovelhas,
cerceando seus vôos, aprisionando suas almas, inibindo seus desejos.
Encontrei os mesmos moços fingindo seus amores, negando seus abraços,
negando seus beijos.
Acordei... pluguei ao mundo... minha alma de poeta,
em busca de amor, e  nada encontrei.
Na descoberta, na busca, na inocência de um menino,
na pureza de espírito, na sutileza de existir,
fiquei desinformado.

Ari Mota

quarta-feira, 17 de março de 2010

SONHE


Sonhe...
Mas, o faça em doses pequenas... como se bebesse em cálice de cristais,
com toda a delicadeza.
Sonhe...
Mas, diligencie o foco para almejar o “ SER. “
Se sonhar em ‘TER’, sem empenhar-se poderá curvar-se ao desapontamento,
e frustrar-se de uma esperança.
Acautele-se...
Sonhar em demasia é entrar em delírios existenciais.
E se subtrair projetos disponíveis no palco da vida, e chamá-los de seu,
é hipocrisia.
Plagiar sonhos, arrebatar idéias,
e viver em território onde somente verbaliza os desígnios... é pura utopia.
Sonhar em excesso, devanear do por do sol ao chegar das estrelas,
é distanciar-se da lucidez.
Sonhe mas não plante na esquina seu espectro, para ficar assistindo a vida,
desfilar em sua frente.
Lute primeiro e quando o corpo fatigar negocie com a alma e sonhe ao luar.
Sonhe em construir uma grande alma, não uma grande coisa.
Sonhe em... desconstruir as incertezas e o medo.
Sonhe em... retirar do peito esta infinita insatisfação.
Sonhe, sem procurar em outros destinos o seu.

Ari  Mota

segunda-feira, 15 de março de 2010

OBSTÁCULO



Se o destino inadvertidamente deixou cair um obstáculo em sua vida,
procure avaliar a dimensão da pedra que rolou na sua estrada.
Se for de geometria transponível, tome distancia e salte sobre ela,
e siga o seu caminho.
Se for mediana, contorne-a e também, dê continuidade a sua trajetória.
Mas, se por acaso sua extensão for imensurável,
interromper o seu caminhar, e sua visão do horizonte,
e ofuscar seus sonhos.
Prepare-se...
Transpassá-la necessitará de um plano, de uma estratégia,
terás que ouvir o silêncio, ouvir a alma, e acalmar-se.
São obstáculos da existência, são partes do seu crescimento,
e não poderá seguir em frente sem operar com equilíbrio,
mover-se com sensatez,  exprimir-se com prudência,
e agir com coragem.
Cada passo terá que vir da alma, de dentro, da mais pura essência.
Não poderás voltar... terás que subir... ultrapassar o obstáculo.
Terás que escalar os degraus do medo, e da incerteza.
Quando a vida jogar em sua estrada... um obstáculo,
não se atemorize... inicie uma subida,
e durante a jornada, entre uma canção e um riso,
garimpe sonhos e ousadia,
quando no topo...
Estarás livre.

Ari Mota

sexta-feira, 12 de março de 2010

BIOGRAFIA


Quando o horizonte da vida apresentar-se em mistérios,
não tenha medo de prosseguir.
A retidão do caminho vez por outra e sempre, é uma ilusão,
haverá de encontrar subidas e curvas pela estrada.
Não receie da força que terás que ter,
e nem tampouco o equilíbrio para se manter em pé.
Que tenha instrumentos que atenue a severidade do existir,
e que possa percorrer toda uma vida sem grandes imprevistos.
E que não se fragmente pelo caminhar...
e nem deixe pedaços espalhados por onde passar.
E que em retrospectiva...
Possa olhar para trás... não para apanhar os cacos,
mas...
Para ver fragmentos da alma que semeou com todo o sentimento,
com todo o seu amor.
Quando o horizonte da vida lhe apresentar uma grande avenida,
não busque subterfúgios, nem tenha o dom de iludir-se,
não espere calmaria em sua viagem, nem céu de brigadeiro em seu vôo.
Mas... viva sem macular sua alma,
sem repugnar outras vidas, outros destinos.
Permita somente o fragmentar da alma, ela é resiliente... suportará,
e seu maior antídoto será eternamente o amor.
Se a vida lhe cobrar coragem, tenha-as... participe de todas as batalhas,
não se fragmente de medo, e nem em covardia.
Lute... até o fim.
E que, ao assinar sua biografia não tenha vergonha de publicá-la.

Ari Mota

quarta-feira, 10 de março de 2010

ARME-SE DE ROSAS



Pela manha arme-se para enfrentar o seu dia...
Aplique em sua face uma mascara enodoada de rudeza,
agregue em seus gestos, movimentos de indelicadeza,
e comunique-se com o mundo com toda a rispidez que lhe é peculiar,
e depois distribua grosseria e abra em leque sua ignorância, sua deselegância,
hostilize e exponha sua tendência agressiva com as pessoas e a vida.
Arme-se, faça da espada a lei, não tenha preço para a conquista,
colecione inimigos, desafetos, faça da sua existência uma guerra,
conquiste coisas, amplie seu território, colecione ouro e jóias,
apodere-se do destino dos fracos e destrua os justos,
cerceie a liberdade e os vôos dos que estão subjugados a você.
Este é o homem atual... contemporâneo... mediático.
Pela manha arme-se para enfrentar o seu dia...
Não sobreponha disfarce em seu rosto, olhe com beleza,
reúna em seu abraço gestos de ternura... e delicadeza,
transmita confiança, perseverança e paz,
e depois com clareza abra em leque sua força e elegância,
exponha sua infinita vontade de unir, repartir e dividir.
Arme-se, faça de uma rosa a sua lei, conquiste almas,
colecione amigos, afetos,
conquiste pessoas e idéias,
apodere-se da liberdade,
destrua as divisórias,
distribua rosas... sonhos.
Este é o homem do amanha... eterno... universal.
Ama a vida...
Pela manha arme-se... levante como um bárbaro e sua espada,
ou desperte como um jardineiro semeando rosas e amor.

Ari Mota

terça-feira, 9 de março de 2010

O COLO


Se uma dor forte brotar dentro do peito...
E você  for tomado por um vazio estranho, um nada, uma ausência,
e se seu olhar perder-se no horizonte da existência, sem rumo,
e seus passos perder o norte do caminhar, e perceber que vagas pela vida,
e se na sua face escorrer uma lagrima vinda em prantos da alma,
e seu soluço incomodar o silencio, estremecer o corpo e sua essência,
e aperceber-se que foi subjugado pelos caprichos da solidão.
Não... não tem como escapar... você precisa de colo... de afago.
Não se atreva ao isolamento, tão pouco se envergonhe em pedir socorro.
Quando pequenino, um Anjo o acalentava, o aquecia, o tinha no colo,
atenuava seus medos, suavizava seus pesadelos, não o deixava na escuridão,
e em noites de tempestades... contava historias de amor, e paixão.
E passaram os dias, as estações... você se fez homem, se fez mulher... cresceu.
O seu Anjo, o colocou na estrada da vida, nas trilhas do destino... o desceu do colo,
aconteceu o tempo da escolha, do arbítrio, da intenção fugitiva e você partiu.
E a vida lhe permitiu todos os caminhos, todos os atalhos, todos os vôos,
amou, desamou, sofreu, perdeu, venceu, colheu rosas, feriu com os espinhos.
E hoje, ao abrir a porta... a solidão entra sorrateiramente e se instala no seu coração.
Peça socorro... clame seu Anjo... implore seus carinhos, seus afagos.
Ele sempre esteve por perto... ao seu lado,
e em todas as esquinas que passou,
em todos os bares que entrou,
viu todas as vezes que caiu,
e todas as vezes que levantou.
Ele sempre esteve ao seu lado, e estará... por toda a vida.
“ oferecendo colo e amor “

Ari Mota

domingo, 7 de março de 2010

MULHER




Eu só queria um barco
e você tornou-se um porto a me esperar . 
Eu só queria lhe contar os meus segredos
e você tornou-se a guardiã de todos eles.
Eu só a queria como fêmea
e você tornou-se a minha companheira.
Eu só a queria como terra fértil 
e você como se não bastasse, germinou vidas.
Eu só a queria submissa
e você tornou-se força, luz no meu caminho.
Eu só queria um beijo
e você roubou-me o coração.
Eu queria apenas um olhar
e você apoderou-se dos meus olhos.
Eu queria ficar só
e você transformou-se em solidão
só pra ficar ao meu lado.
Eu queria apenas um sorriso
e você entregou-se toda a mim.
Eu queria na verdade dizer
que te amo.
E que além de M U L H E R
é um pouco de mim
e eu um pouco de você.

Ari Mota

sexta-feira, 5 de março de 2010

O SEMEADOR


A vida invariavelmente será sempre um eco...
tudo que emitir voltará para dentro de sua alma.
De nada adiantará viver toda uma vida manifestando carência,
sem jamais oferecer afeto.
E nem existir vertendo lagrimas,
sem destilar sorrisos e alegrias.
E tampouco fomentar conflitos existenciais,
sem atingir excelências em coerência e harmonia.
E ser um arremessador de pedras em destinos,
sem ser um semeador plantando flores pelos caminhos.
E nem arvorar-se em juiz e sair julgando sentimentos e vidas,
sem voltar-se para si, para a alma e se encontrar.
Não se apresente no palco da vida como vitima,
desponte para o existir... como guerreiro.
E não se apresente como professor insolente,
conviva com seus pares como um eterno aprendiz.
Não imponha suas idéias como um ditador,
envolva-se com os  mistérios da convivência,
transforme-se em um líder, sem impostura.
Não relacione com o mundo como um cobrador,
mais viva como um vendedor de sonhos.
Quando o eco da vida retornar para dentro de sua alma,
que você possa transbordar de alegria e paz.
Ao semear sonhos... colha ousadia,
ousadia de viver livre,
de viver com amor.

Ari Mota

quarta-feira, 3 de março de 2010

VOAR




Se porventura em uma dessas curvas da vida...
um abismo surgir em sua frente... não se assuste,
é a vida implorando a você uma decisão... talvez a maior delas,
e a um passo do abismo, ela lhe pedir que decida:
Pular ou Voar. Não  hesite...
Se pular poderá cair em território nocivo...
Se voar poderá escolher onde pousar.
E em pulando poderá ir direto ao fundo, ao lodo,
e o sedimento poderá macular sua alma.
E em voando poderá tornar-se livre,
a liberdade será o antídoto da sua existência, estarás em paz.
Se pular ficará prisioneiro do preconceito e da pequenez humana,
serás, refém do medo e da covardia.
Se voar, buscarás horizontes, estarás em expansão,
crescerás,  por almejar a plenitude.
Se um abismo surgir a sua frente não hesite: Pule ou Voe.
Pulando cairás nos braços do medo e ficarás menor.
Voando terás o abraço da ousadia, ficarás do tamanho do universo.
Esses abismos estarão sempre nos caminhos da alma,
e nem sempre te levarão para o fundo.
Na verdade são essências, substancia da vida, natureza das coisas.
São energias que dimensionarão... ódio e amor.
Assim será seu destino, sua caminhada, sua vereda até o fim.
E o ódio nos leva para baixo, o amor nos exalta... nos faz voar.

Ari Mota

segunda-feira, 1 de março de 2010

A VISITA DE UM ANJO


Anos atrás, em uma madrugada fria, acordei...
E alguém estava sentado ao meu lado, segurando em minhas mãos,
era um olhar de tamanha pureza, me observando... que não tive medo,
ela me tocava ternamente, suavemente... sorria docemente para mim,
aqueceu-me por inteiro, abraçou-me com carinho, tocou minha alma,
sussurrou-me segredos de amor e ternura, e depois me beijou na face,
desde então me sinto protegido, parece-me que estou  amparado até o fim.
Anos atrás, recebi uma visita inusitada... que alterou a minha vida.
Antes... me auto flagelava perante as dificuldades do existir,
revestia de tristeza e melancolia pelos pequenos obstáculos que aparecia,
antes dos combates já me dava por vencido e sempre perdia,
cultuava a sombra em vez do sol, amava o conflito em vez da harmonia,
falava mais que ouvia, gritava, gesticulava e em pavor fugia do silencio,
Hoje... e depois daquela visita, rasgo-me em risos, e felicito o meu dia,
brinco com a rudeza do cotidiano,  e me divirto com os meus erros,
vivo o agora... a emoção do encontro e a de estar com quem se ama,
como um guerreiro... sei que é preciso ter coragem para ser feliz.
E sou...
Anos atrás recebi uma visita, tomou minhas mãos e abraçou minha alma,
na emoção do encontro, na paz que se alojou dentro do peito,
eu inadvertidamente não percebi que ela carregava algo nas costas,
somente quando saiu pela janela... num vôo livre,
percebi que era um ANJO.

Ari Mota

domingo, 28 de fevereiro de 2010

A LÂMPADA E A VIDA


A vida por analogia... parece uma lâmpada acesa,
com correntes elétricas que flui continuamente do positivo para o negativo,
e que incandesce um filamento de tungstênio, e se faz luz.
A vida por analogia... tem suas correntes elétricas,
que as chamo de sentimentos, e são positivas e negativas,
e que incandesce a alma, e também se faz luzir.
A vida por ser demais... oferece-nos o livre arbítrio,
e teremos que pautar nossa trajetória em dois caminhos,
um... vamos delinear a intensidade do amor, e da doação,
o outro... vamos expor nossa consciência nociva e nosso desamor.
E a vida vai nos recepcionar conforme nossa apresentação,
poderemos assumir qualquer dos papeis, no teatro da existência.
A vida na verdade, será sempre uma lâmpada acesa,
e a escolha será sempre nossa... construir ou desconstruir.
A lâmpada terá uma vida útil, e após... a jogamos no lixo.
Nossa alma é infinita, imortal, jamais poderemos desfazer-se dela,
e o filamento que a faz incandescer-se, chama-se consciência.
A vida por analogia... parece uma lâmpada acesa,
e que nosso foco possa ampliar e iluminar vidas,
e não permitir a escuridão a quem quer que seja.
Que nosso foco ilumine o amor,
a tudo e a todos.

Ari Mota

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

O REGENTE













Transite pela vida com reservas, olhe com ternura,
mas desacredite em palavras prontas.
Evite os que manipulam sentimentos, lidam com facilidade com as palavras.
Evite os que querem reger seus passos e sonhos.
Evite as invencionices sociais, conceitos pífios e regras tendenciosas.
Evite ter que decidir em segundos... na vida sempre haverá um amanhã,
e depois do sol, quando a alma repousar, encontrará a verdade...
nem que seja somente a sua.
Evite os gritos, os desesperos e desesperados.
Ame o silêncio...
Transite compassadamente pelo dia... sem medo.
Não olhe com superioridade e não permita que o façam com você.
Transite como um regente da própria vida.
Seja o maestro dos seus sonhos, direcione a batuta para a sua alma.
Componha a sua melodia, transcreva a sua partitura,
e que em versos possa apresentar no palco da vida... o seu show.
Transite pela vida como uma estrela em noites de luar.
Seja o maestro de si mesmo.
Com amor.

Ari Mota

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

SONHOS DE UM POETA



Confrontar um Engenheiro e um Poeta é singular, quase irrevogável,
na essência, um fala em exatas, o outro na sutileza do viver,
ambos... buscam o segredo da vida, a volatilidade da existência,
e o antagonismo das idéias e opiniões, resulta em beleza, e amor.
Tenho um amigo Engenheiro...
descreve com propriedade sobre a água em nossas vidas,
e diz, que dois átomos de hidrogênio e um átomo de oxigênio compõem a água,
que são  70 % do nosso corpo.
Disse-me que 99% da água do planeta é salgada, e somente 1 % é doce, potável,
e que ela é a fonte da nossa existência.
Como a vida não me quis como Engenheiro, tornei-me Poeta.
Nossos percentuais são iguais, diferem na interpretação,
entendo que 70 % das almas vagam pela vida sem uma fonte de desejo,
e que 99 %  delas, morrem de medo da liberdade e que somente 1% sonham.
Como Poeta... e respeitando o Engenheiro:
Entendo que a  fonte da vida é o sonho...
Portando... sonhar é alimentar a alma eternamente.
Tenho sonhado desde menino.
E meu sonho é possível, viável.
“Sonho jamais perder a capacidade de amar.”

Ari Mota

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

O TRAPEZISTA


Houve um tempo em minha vida, que fui trapezista desvairado.
Desesperado apresentava-me na arena da vida, como um deslumbrado afoito.
Vivia apresentando-me no palco social com acrobacias deselegantes e desritimadas.
Sem técnica despencava das alturas, e a rede de proteção sempre me amparava.
Quis o aplauso antes do aprimoramento, cai varias vezes.
Como buscava notoriedade, de um balanço ao outro, me lancei até como palhaço.
Não calculava o risco, nem conhecia o medo.
Parece que não... mas foi o tempo do crescimento, sobrevivi.
Hoje...
Entro no circo da vida e quando na arena não busco o publico e nem aplausos.
Eu e minha alma só buscamos harmonia e sensatez.
Quando no trapézio da vida, equilibro-me com mais solidez, mais consciência.
Hoje, retiro a rede de proteção e subo com os olhos vendados.
Em silencio imagino o alvo, e salto... para a vida como se fosse o ultimo vôo.
Sei dos riscos e continuo não tendo medo... por isso sou um eterno aprendiz da vida.
Salto...
Sempre para dentro de mim mesmo em busca de liberdade.
Se cair... e o destino não me permitir continuar como trapezista,
Vou ser poeta nas estrelas.

Ari Mota

domingo, 21 de fevereiro de 2010

O RETROVISOR


Minha vida transcorreu até agora em dois tempos,
quando despertei para o mundo, instalei um retrovisor ao meu lado.
Na medida em que ia passando os dias e as coisas, e minha vida fluía,
sempre, e em quase todos os momentos olhava no retrovisor da minha existência,
procurava ganhar velocidade, e em busca... dobrava em todas as esquinas,
passava fugazmente em todas as avenidas e ruas... sempre sem destino.
Afoito corria desesperado pelas auto-estradas em busca de essência,
e o retrovisor era consultado incessantemente, olhava mais para ele do que para frente.
E fui deixando para trás alguns valores, algumas pessoas, alguns amores,
e via ao longe desaparecer dos meus olhos toda uma vida.
Como eu tinha que chegar... não sabia a onde? O que fazia era acelerar.
E em uma dessas curvas da vida, perdi o retrovisor,
passei a ter somente como visão, a parte frontal do meu caminho.
Perdi a referência do passado, e por onde andei...
Reconheci e reencontrei com a saudade,
fez-me falta valores, pessoas e amores,
aprendi que o meu caminhar, embora olhando para frente,
é uma estrada que me leva para dentro... dentro da alma.
Nada adiantará os retrovisores, e o que deixei para traz,
se no final da jornada prestarei contas da minha viagem.
Hoje ando sem retrovisor... olho somente para frente,
e para dentro da minha alma... para não me perder
e me encontrar.

Ari Mota

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

A ALMA



Falta-lhe... ouvir a alma.
Esta angustia que carregas no peito,
é a desconexão que tens com ela.
Escute-a, seu sinal é quase impercebível,
sempre ela nos acena, sem cenas gestuais.
E as vezes, e sempre em metáfora,
fala conosco durante toda a vida,
e nós não a entendemos.
Sua alma não é uma sombra que te acompanha,
ela indelevelmente te sustenta.
Seu espectro na parede pode não representar sua imagem,
esteja em sintonia com suas vontades e desejos,
ela tende a nos levar a felicidade.
Você é apenas esta beleza exterior,
ela é a sua interior.
Se apegue a ela intensamente,
valse madrugada adentro... rosto colado ao dela,
ame-se fervorosamente,
apaixone-se loucamente,
entregue-se em abraços aos braços dela.
Caminhe suavemente nos entardeceres com suavidade.
Procure a paz que você merece e ela também.
Sua alma não é uma sombra que te acompanha,
ela é sua beleza interior.
Olhe para ela com ternura,
que ela te alicerçará eternamente...
com amor.

Ari Mota

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

O AMIGO CADEIRANTE



Passei em frente à casa de um velho amigo, ele não estava.
Anos atrás sofreu um grande acidente...
Mas, sua alma o carregava no período de coma... e ele resistiu.
Perdeu todos os dados do celebro, lhe restou somente à alma,
Iniciou a maior batalha da sua existência, recompor o que perdera,
como o seu celebro estava vazio, teve que recadastrar toda a sua vida,
reaprendeu todos os sentidos... inclusive amar.
Teve que reconstruir todos os amigos, e recuperar sua história,
e em fazendo encontrou vazios, abandonos e ausências.
Aceitou algumas perdas outras ainda não, trava combates para vencê-las.
Perdeu... amigos, amores, planos, houve um dia que não encontrava nem a esperança.
Mas ele, sabemos, não tem uma vida comum como a nossa... ele insisti,
faz mais para sobreviver que qualquer um... e não se considera um sobrevivente,
e nem exemplo de nada, apenas entende que este é o seu papel, é o que pode fazer.
Disseram-me, que uma metamorfose apossou-se de sua alma,
e que doravante só lhe resta ser feliz...
E que tem retirado lá dentro do peito um sorriso jamais visto,
faz festa consigo mesmo diante do espelho,
e passou a olhar para os outros com amor,
para a vida com ternura,
e para o destino... sem odiá-lo.
Passei em frente à casa de um velho amigo, ele não estava.
Mas, deixara uma placa na porta,
“aqui a tristeza pula de alegria”
Terminei meu dia feliz... e ele também.

Ari Mota

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

PIERRÔ APAIXONADO



Vai-se ao longe a festa...
Eram batalhas de confete, ataques de serpentinas,
eram beijos roubados as pressas e desejos em surdina,
carnaval de encantos, de pura magia...
Fui Pierrô apaixonado em noites de marchinha,
como uma rosa vermelha, tomei seu corpo aveludado,
e bebi no cálice da paixão, e valsei toda a madrugada,
e o clube nos recebia em júbilo... és minha eterna colombina.
Hoje...
Desprendeu-se da alegria, desgarrou-se da folia,
sem olhares de ternura... copo na mão,
festa química, fugaz, irascível... vazia de amor,
ninguém sai dela apaixonado, uma ilha de desencontro,
olhar em desvario, desfile das almas em solidão.
Tanto riso... quanta saudade...
Inda bem...
que eu, minha louca bailarina e algumas borboletas,
vamos ficar na montanha mais alta das Gerais... e bailar noite inteira.
Tudo em nome do nosso amor que é eterno.

Ari Mota

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

O RESPEITO


Tenho dois amigos de infância, ambos envelhecidos como eu,
lembram-me da distancia entre eles...
 
Um preso aos sonhos e caminho dos outros... o outro livre.
Um deles enroscava-se em sentimentos alheios, emoldurava-se na janela da vida,
aprisionava-se a outros olhares, tomava poeira dos que estavam em sua frente:
só para segui-los, ou tentar conduzi-los pelos destinos da existência.
Ele sempre procurava saber de nossos amores, segredos, e nossa essencialidade,
na verdade ele intervinha em nossas vontades, em nossos desejos, em nossos vôos.
Ele nos olhava... como um tratador de ovelhas, e nós, só o queríamos como um amigo.
Dia desses... o encontrei berrando num galpão, com uns incautos... e um Deus surdo.
Tive a impressão que não mudara... continua como tratador de ovelhas.
Quando jovens tínhamos sonhos diferentes, caminhos difusos.
Mas, o outro amigo “o livre“, não é melhor nem maior... é ele.
Suscita a individualidade, aspira somente carregar sua própria alma,
caminha solto, sem amarras, nunca prendeu ninguém a sua vontade,
venera o livre arbítrio, permeia os vôos e os saltos sobre os abismos do medo,
respira o acaso do sorriso e jamais ofusca o brilho de outras almas, vive desatado.
O encontro sempre... recebe-me com um beijo na testa... é puro como uma borboleta.
Nunca quis acessar minha intimidade.... nem direcionar meu rumo, meu destino,
ele é meu melhor amigo... não sabe nada de mim... nem eu dele.
Há uma convivência pacifica entre nossas diferenças,
e de comum... o respeito.

Ari Mota

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

O ÚLTIMO DIA



Desperte e recepcione o dia como se fosse o último.
Olhe para você pelo menos hoje.... com ternura.
Olhe para os seus amores... despeça apenas com o olhar.
Faça como se não pudesse voltar...
E que estaria indo para uma viagem sem volta,
e que não caberia no porta-malas: coisas e nem ressentimentos.
E que sua vida seria apenas e tão somente o que deixou... o que fez.
Os bens não terão valor... não serão heranças.
E que possa reavaliar o que viveu...
Os valores serão os seus sentimentos e seus carinhos.
Desperte como se fosse o último...
Recepcione o dia como se fosse o primeiro e o derradeiro.
Transborde de alegria, insista em ser feliz.
Reinvente seus sonhos, seu andar, faça crescer a alma.
Não transite pela vida como uma coisa menor,
encante seus pares, seus amigos, relacione com o mundo.
Viva o dia como único e último, não desperdice emoções,
desperte a própria alma, não a deixe escondida dentro do peito.
A vida não é um risco... se veio para amar.
Recepcione seu dia, sua vida... faça festa no seu viver.
Desperte o amor que você aprisionou dentro da alma.
Não desperte com ressentimentos de ontem,
e não os leve para o amanha.
Transite pela vida isento de magoas,
desimpedido para amar.
Viva seu último dia com amor,
ele o tornará eterno.

Ari Mota


sábado, 6 de fevereiro de 2010

EU TE AMO



Sonhei... que...
ouvia vozes vindas da alma, murmúrios, ecos do passado,
palavras de outras vidas, sentimentos perdidos no tempo,
declarações não feitas ou não ouvidas, vozes ao vento,
ou não tive tempo ou o tempo não me permitiu, gritei e ninguém me ouviu.
ouvia vozes... eram gritos de outras existências,
gritava por amor e de amor... sozinho, perdido na imensidão do nada,
não entendi o sonho...
Mas, compreendi o sinal que a vida me enviou...
Então...
minha alma sussurrou-me docemente que eram lacunas de sentimentos,
declarações esquecidas, manifestações não verbalizadas,
as palavras brotavam incessantemente... vinham de dentro.
Corri nos livros e traduzi todas elas... e diziam “Eu te amo” em varias línguas:
Ek het jou lief  - Africano
Te dua – Albanês
Ich liebe dich – Alemão
Ana behibek – Arabe
Wo ai ni -  Chinês
Jeg Elsker DIG - Dinamarquês
Te quiero - Espanhol
Afgreki' - Etiópia
Mahal kita - Filipino
Je t'aime, Je t'adore - Francês
S'agapo - Grego
Aloha wau ia oi - Havaino
Ik hou van Jô - Holandês
Hum Tumhe Pyar Karte hae - India
I love you - Inglês
Ti amo - Italiano
Aishiteru – Japonês
Ro Haihu - Guarani
Jeg Elsker Deg - Norueguês
Ya tebya liubliu - Russo
Acordei assustado, tremulo... será que vivi tantas vidas,
em tantos lugares e não pude dizer “ eu te amo”
ou é para revalidar que na verdade “ eu te amo” toda uma existência,
e que estivemos em todas as vidas juntos... eternamente.

Ari Mota


sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

ACAUTELE-SE


Acautele-se das imposições sociais...
Nem todas as tendências enaltecem o caráter,
saiba nutrir suspeita... crie a duvida... duvide de regras coletivas,
estabeleça uma consciência intima, não terceirize os sentimentos,
eles são instrumentos do seu existir... são seus segredos, sua força.
Abandone o olhar dos críticos, dos que patrulham o seu viver,
tenha um olhar para você, para o seu caminhar.
Retire-se dos holofotes, escape dos que te vigiam.
Encontre-se... volte-se para dentro.
Cometa um desatino pela manha... caia em desvario,
olhe para o espelho e diga “eu me amo.” E reflita...
Quanto tempo eu não me amo? Quanto tempo eu não me olho?
Quanto tempo eu escondo atrás de maquiagens, de perfumes,
quantas mascaras troco ao dia... para esconder da minha própria face,
qual foi a ultima vez que eu falei comigo mesmo?
Tens... cedido o seu olhar para o mundo, e não consegue ver-se por inteiro.
Tens... destinado tempo integral aos outros e nega um tempo para a sua alma.
Tens... terceirizado os seus afetos, seus amores, seus encontros.
Tens... mecanizado o seu olhar... tornou-se autômato no abraço.
Acautele-se... não terceirize o amor.
Olhe com ternura...
E que no silencio da noite possa te encontrar.


Ari Mota

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

ESTRELAS EM FESTA



O universo... anos atrás concebeu duas estrelas.
Ambas nasceram no mesmo dia, com diferença de dois anos uma da outra.
Elas resplandecem no firmamento da minha vida.
São estrelas livres e de brilho próprio... são luzes no meu caminho.
Irradiam beleza, suavidade e amor.
Fizeram da minha existência um espetáculo indescritível.
Cintilam mais que o sol, iluminam minha alma, brilham nos meus olhos.
Transitam no meu cotidiano com leveza, mas possuem forças de um guerreiro.
Combatem seu dia com esmero, delicadeza e com destemor.
Um tem formação em humanas, o outro em exatas.
Diferem apenas na concepção das coisas, mas são iguais no amor.
Essas estrelas são os meus filhos: Thaty e Bruno... fazem aniversário... hoje.
São filhos do amor, da convivência sóbria, da relação destemida, da cumplicidade.
São filhos da reengenharia do afeto e da compreensão... são esperanças.
Minha alma em festa celebra esta sinergia de pais e filhos.
E reverencio o destino por permitir conhecer e conviver com estrelas desta grandeza.
E felicito a vida por amá-los.
P
   A 
      R 
         A
            B
               É
                  N
                      S               Ari Mota

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

PREPARE-SE



Quando a vida bater abruptamente em sua porta, prepare-se,
as vezes ela não tem hora, chega nas madrugadas, ou em noites enluaradas.
Vez por outra... esmurra com tamanha força, que faz tremer a alma,
não a tema, não saia desesperado pelos fundos... pedindo socorro,
não fique encolhido no canto do seu quarto... esperando ajuda,
não esconda o rosto, fechando com as mãos os olhos, não tenha nenhum receio,
aprume o peito, torne senhor de si, assuma a sua essência, sua estrada,
e as vezes e sempre, ela o quer apenas como companheiro,
não fuja e nem procure atalhos.
Tome sobre si o seu destino, encarregue-se dos seus combates.
Saia... afronte os seus medos, pule sobre seus abismos, sobre seus fantasmas.
Quando a vida bater sutilmente em sua porta, acalme-se.
Ela sempre vem nos buscar e nos incumbe de missões quase impossíveis,
não a tema... ela o convocará, e terás que opor resistência a forças invisíveis,
não fique temeroso em combater ou transformar-se em guerreiro,
ela... irá dispor de recursos para que você sobreviva.
Você receberá algumas armas imaginárias para combater o desamor.
Ela... lhe proporcionará gestos de ternura, para você distribuir abraços,
lhe dará compreensão, para você regar o mundo com amor,
dará uma estrada para que você transite carregado de verdade,
e o mais importante...lhe dará a escolha... ser feliz ou não.
A vida quando bater em sua porta, só irá lhe pedir ajuda,
para que faça desde planeta um lugar melhor.

Ari Mota

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

A AGENDA DA VIDA



Quando despertei para a vida,
imaginei que ela caberia em uma agenda,
e que era necessário só abrir a pagina do dia, e viver os afazeres.
E assim inicie minha trajetória.... e agendei o dia seguinte.
Recordo-me muito bem, achei que preciso era... somente sonhar,
e na inocência... na pureza do olhar... a preenchi para toda a minha vida.
Meu primeiro compromisso com a existência: “hoje tenho que ser feliz.”
Puro devaneio de menino... delírio de adolescente... quimera de juventude.
Agendar a vida... e ser feliz... pura fantasia, extrema utopia.
Obviamente... que em meu caminho encontrei pedras... e foram muitas,
ouve dias em que nem a agenda encontrei, a deixava pelo caminho,
os combates eram tamanhos, que a perdia pelas ruas e avenidas que passei,
não foi possível agendar absolutamente nada, corria desesperado pela vida.
Dia desses... em retrospectiva, encontrei a agenda da minha vida,
conquistei alguns sonhos, outros tantos nem sequer aproximei.
Hoje...
Na descoberta, e no alvorecer da minha plenitude,
tenho certeza que meu primeiro compromisso com a vida,
“hoje tenho que ser feliz” sustentou-me em todas as batalhas,
suportei todos os combates.
Agendei minha vida para ser feliz...
Eu e minha alma pactuamos ter esse compromisso pelo resto de nossos dias.

Ari Mota

domingo, 31 de janeiro de 2010

O PROTAGONISTA



Quando as cortinas abrirem para você, 
e deparar com o mundo te observando, aguardando o seu show,
não volte para os bastidores a procura de um protagonista para a sua vida.
Será você que deverá apresentá-la e vivê-la, com toda a intensidade,
não temas as vaias, busque incessantemente os aplausos.
Não quantifique a platéia, as vezes um apenas vale mais que uma multidão,
a encenação da sua trajetória será de sua interpretação,
e você não será o coadjuvante, e não terá equipe ou elenco,
estará sozinho no palco da vida...
Portanto... só lhe resta brilhar.
E este é o único papel que a vida lhe ofereceu.
Deixe marcas espalhadas pelos caminhos,
esqueça... nas esquinas do tempo, algumas obras de sua autoria.
Não será necessário ser famoso, primordial ser competente,
pode passar pela vida até de forma incógnita,
mas faça a diferença quando o mundo te encontrar.
Jamais procure um gestor para o seu destino... você é o seu destino.
E não tente encontrar seus segredos em outras almas,
a sua será eternamente a guardiã de todos eles.
Não busque um protagonista para a sua vida...
você é o ocupante deste cargo, dessa missão.
A sua apresentação formatará o seu destino,
apresente-se para a vida com amor.

Ari Mota