domingo, 28 de fevereiro de 2010

A LÂMPADA E A VIDA


A vida por analogia... parece uma lâmpada acesa,
com correntes elétricas que flui continuamente do positivo para o negativo,
e que incandesce um filamento de tungstênio, e se faz luz.
A vida por analogia... tem suas correntes elétricas,
que as chamo de sentimentos, e são positivas e negativas,
e que incandesce a alma, e também se faz luzir.
A vida por ser demais... oferece-nos o livre arbítrio,
e teremos que pautar nossa trajetória em dois caminhos,
um... vamos delinear a intensidade do amor, e da doação,
o outro... vamos expor nossa consciência nociva e nosso desamor.
E a vida vai nos recepcionar conforme nossa apresentação,
poderemos assumir qualquer dos papeis, no teatro da existência.
A vida na verdade, será sempre uma lâmpada acesa,
e a escolha será sempre nossa... construir ou desconstruir.
A lâmpada terá uma vida útil, e após... a jogamos no lixo.
Nossa alma é infinita, imortal, jamais poderemos desfazer-se dela,
e o filamento que a faz incandescer-se, chama-se consciência.
A vida por analogia... parece uma lâmpada acesa,
e que nosso foco possa ampliar e iluminar vidas,
e não permitir a escuridão a quem quer que seja.
Que nosso foco ilumine o amor,
a tudo e a todos.

Ari Mota

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

O REGENTE













Transite pela vida com reservas, olhe com ternura,
mas desacredite em palavras prontas.
Evite os que manipulam sentimentos, lidam com facilidade com as palavras.
Evite os que querem reger seus passos e sonhos.
Evite as invencionices sociais, conceitos pífios e regras tendenciosas.
Evite ter que decidir em segundos... na vida sempre haverá um amanhã,
e depois do sol, quando a alma repousar, encontrará a verdade...
nem que seja somente a sua.
Evite os gritos, os desesperos e desesperados.
Ame o silêncio...
Transite compassadamente pelo dia... sem medo.
Não olhe com superioridade e não permita que o façam com você.
Transite como um regente da própria vida.
Seja o maestro dos seus sonhos, direcione a batuta para a sua alma.
Componha a sua melodia, transcreva a sua partitura,
e que em versos possa apresentar no palco da vida... o seu show.
Transite pela vida como uma estrela em noites de luar.
Seja o maestro de si mesmo.
Com amor.

Ari Mota

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

SONHOS DE UM POETA



Confrontar um Engenheiro e um Poeta é singular, quase irrevogável,
na essência, um fala em exatas, o outro na sutileza do viver,
ambos... buscam o segredo da vida, a volatilidade da existência,
e o antagonismo das idéias e opiniões, resulta em beleza, e amor.
Tenho um amigo Engenheiro...
descreve com propriedade sobre a água em nossas vidas,
e diz, que dois átomos de hidrogênio e um átomo de oxigênio compõem a água,
que são  70 % do nosso corpo.
Disse-me que 99% da água do planeta é salgada, e somente 1 % é doce, potável,
e que ela é a fonte da nossa existência.
Como a vida não me quis como Engenheiro, tornei-me Poeta.
Nossos percentuais são iguais, diferem na interpretação,
entendo que 70 % das almas vagam pela vida sem uma fonte de desejo,
e que 99 %  delas, morrem de medo da liberdade e que somente 1% sonham.
Como Poeta... e respeitando o Engenheiro:
Entendo que a  fonte da vida é o sonho...
Portando... sonhar é alimentar a alma eternamente.
Tenho sonhado desde menino.
E meu sonho é possível, viável.
“Sonho jamais perder a capacidade de amar.”

Ari Mota

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

O TRAPEZISTA


Houve um tempo em minha vida, que fui trapezista desvairado.
Desesperado apresentava-me na arena da vida, como um deslumbrado afoito.
Vivia apresentando-me no palco social com acrobacias deselegantes e desritimadas.
Sem técnica despencava das alturas, e a rede de proteção sempre me amparava.
Quis o aplauso antes do aprimoramento, cai varias vezes.
Como buscava notoriedade, de um balanço ao outro, me lancei até como palhaço.
Não calculava o risco, nem conhecia o medo.
Parece que não... mas foi o tempo do crescimento, sobrevivi.
Hoje...
Entro no circo da vida e quando na arena não busco o publico e nem aplausos.
Eu e minha alma só buscamos harmonia e sensatez.
Quando no trapézio da vida, equilibro-me com mais solidez, mais consciência.
Hoje, retiro a rede de proteção e subo com os olhos vendados.
Em silencio imagino o alvo, e salto... para a vida como se fosse o ultimo vôo.
Sei dos riscos e continuo não tendo medo... por isso sou um eterno aprendiz da vida.
Salto...
Sempre para dentro de mim mesmo em busca de liberdade.
Se cair... e o destino não me permitir continuar como trapezista,
Vou ser poeta nas estrelas.

Ari Mota

domingo, 21 de fevereiro de 2010

O RETROVISOR


Minha vida transcorreu até agora em dois tempos,
quando despertei para o mundo, instalei um retrovisor ao meu lado.
Na medida em que ia passando os dias e as coisas, e minha vida fluía,
sempre, e em quase todos os momentos olhava no retrovisor da minha existência,
procurava ganhar velocidade, e em busca... dobrava em todas as esquinas,
passava fugazmente em todas as avenidas e ruas... sempre sem destino.
Afoito corria desesperado pelas auto-estradas em busca de essência,
e o retrovisor era consultado incessantemente, olhava mais para ele do que para frente.
E fui deixando para trás alguns valores, algumas pessoas, alguns amores,
e via ao longe desaparecer dos meus olhos toda uma vida.
Como eu tinha que chegar... não sabia a onde? O que fazia era acelerar.
E em uma dessas curvas da vida, perdi o retrovisor,
passei a ter somente como visão, a parte frontal do meu caminho.
Perdi a referência do passado, e por onde andei...
Reconheci e reencontrei com a saudade,
fez-me falta valores, pessoas e amores,
aprendi que o meu caminhar, embora olhando para frente,
é uma estrada que me leva para dentro... dentro da alma.
Nada adiantará os retrovisores, e o que deixei para traz,
se no final da jornada prestarei contas da minha viagem.
Hoje ando sem retrovisor... olho somente para frente,
e para dentro da minha alma... para não me perder
e me encontrar.

Ari Mota

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

A ALMA



Falta-lhe... ouvir a alma.
Esta angustia que carregas no peito,
é a desconexão que tens com ela.
Escute-a, seu sinal é quase impercebível,
sempre ela nos acena, sem cenas gestuais.
E as vezes, e sempre em metáfora,
fala conosco durante toda a vida,
e nós não a entendemos.
Sua alma não é uma sombra que te acompanha,
ela indelevelmente te sustenta.
Seu espectro na parede pode não representar sua imagem,
esteja em sintonia com suas vontades e desejos,
ela tende a nos levar a felicidade.
Você é apenas esta beleza exterior,
ela é a sua interior.
Se apegue a ela intensamente,
valse madrugada adentro... rosto colado ao dela,
ame-se fervorosamente,
apaixone-se loucamente,
entregue-se em abraços aos braços dela.
Caminhe suavemente nos entardeceres com suavidade.
Procure a paz que você merece e ela também.
Sua alma não é uma sombra que te acompanha,
ela é sua beleza interior.
Olhe para ela com ternura,
que ela te alicerçará eternamente...
com amor.

Ari Mota

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

O AMIGO CADEIRANTE



Passei em frente à casa de um velho amigo, ele não estava.
Anos atrás sofreu um grande acidente...
Mas, sua alma o carregava no período de coma... e ele resistiu.
Perdeu todos os dados do celebro, lhe restou somente à alma,
Iniciou a maior batalha da sua existência, recompor o que perdera,
como o seu celebro estava vazio, teve que recadastrar toda a sua vida,
reaprendeu todos os sentidos... inclusive amar.
Teve que reconstruir todos os amigos, e recuperar sua história,
e em fazendo encontrou vazios, abandonos e ausências.
Aceitou algumas perdas outras ainda não, trava combates para vencê-las.
Perdeu... amigos, amores, planos, houve um dia que não encontrava nem a esperança.
Mas ele, sabemos, não tem uma vida comum como a nossa... ele insisti,
faz mais para sobreviver que qualquer um... e não se considera um sobrevivente,
e nem exemplo de nada, apenas entende que este é o seu papel, é o que pode fazer.
Disseram-me, que uma metamorfose apossou-se de sua alma,
e que doravante só lhe resta ser feliz...
E que tem retirado lá dentro do peito um sorriso jamais visto,
faz festa consigo mesmo diante do espelho,
e passou a olhar para os outros com amor,
para a vida com ternura,
e para o destino... sem odiá-lo.
Passei em frente à casa de um velho amigo, ele não estava.
Mas, deixara uma placa na porta,
“aqui a tristeza pula de alegria”
Terminei meu dia feliz... e ele também.

Ari Mota

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

PIERRÔ APAIXONADO



Vai-se ao longe a festa...
Eram batalhas de confete, ataques de serpentinas,
eram beijos roubados as pressas e desejos em surdina,
carnaval de encantos, de pura magia...
Fui Pierrô apaixonado em noites de marchinha,
como uma rosa vermelha, tomei seu corpo aveludado,
e bebi no cálice da paixão, e valsei toda a madrugada,
e o clube nos recebia em júbilo... és minha eterna colombina.
Hoje...
Desprendeu-se da alegria, desgarrou-se da folia,
sem olhares de ternura... copo na mão,
festa química, fugaz, irascível... vazia de amor,
ninguém sai dela apaixonado, uma ilha de desencontro,
olhar em desvario, desfile das almas em solidão.
Tanto riso... quanta saudade...
Inda bem...
que eu, minha louca bailarina e algumas borboletas,
vamos ficar na montanha mais alta das Gerais... e bailar noite inteira.
Tudo em nome do nosso amor que é eterno.

Ari Mota

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

O RESPEITO


Tenho dois amigos de infância, ambos envelhecidos como eu,
lembram-me da distancia entre eles...
 
Um preso aos sonhos e caminho dos outros... o outro livre.
Um deles enroscava-se em sentimentos alheios, emoldurava-se na janela da vida,
aprisionava-se a outros olhares, tomava poeira dos que estavam em sua frente:
só para segui-los, ou tentar conduzi-los pelos destinos da existência.
Ele sempre procurava saber de nossos amores, segredos, e nossa essencialidade,
na verdade ele intervinha em nossas vontades, em nossos desejos, em nossos vôos.
Ele nos olhava... como um tratador de ovelhas, e nós, só o queríamos como um amigo.
Dia desses... o encontrei berrando num galpão, com uns incautos... e um Deus surdo.
Tive a impressão que não mudara... continua como tratador de ovelhas.
Quando jovens tínhamos sonhos diferentes, caminhos difusos.
Mas, o outro amigo “o livre“, não é melhor nem maior... é ele.
Suscita a individualidade, aspira somente carregar sua própria alma,
caminha solto, sem amarras, nunca prendeu ninguém a sua vontade,
venera o livre arbítrio, permeia os vôos e os saltos sobre os abismos do medo,
respira o acaso do sorriso e jamais ofusca o brilho de outras almas, vive desatado.
O encontro sempre... recebe-me com um beijo na testa... é puro como uma borboleta.
Nunca quis acessar minha intimidade.... nem direcionar meu rumo, meu destino,
ele é meu melhor amigo... não sabe nada de mim... nem eu dele.
Há uma convivência pacifica entre nossas diferenças,
e de comum... o respeito.

Ari Mota

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

O ÚLTIMO DIA



Desperte e recepcione o dia como se fosse o último.
Olhe para você pelo menos hoje.... com ternura.
Olhe para os seus amores... despeça apenas com o olhar.
Faça como se não pudesse voltar...
E que estaria indo para uma viagem sem volta,
e que não caberia no porta-malas: coisas e nem ressentimentos.
E que sua vida seria apenas e tão somente o que deixou... o que fez.
Os bens não terão valor... não serão heranças.
E que possa reavaliar o que viveu...
Os valores serão os seus sentimentos e seus carinhos.
Desperte como se fosse o último...
Recepcione o dia como se fosse o primeiro e o derradeiro.
Transborde de alegria, insista em ser feliz.
Reinvente seus sonhos, seu andar, faça crescer a alma.
Não transite pela vida como uma coisa menor,
encante seus pares, seus amigos, relacione com o mundo.
Viva o dia como único e último, não desperdice emoções,
desperte a própria alma, não a deixe escondida dentro do peito.
A vida não é um risco... se veio para amar.
Recepcione seu dia, sua vida... faça festa no seu viver.
Desperte o amor que você aprisionou dentro da alma.
Não desperte com ressentimentos de ontem,
e não os leve para o amanha.
Transite pela vida isento de magoas,
desimpedido para amar.
Viva seu último dia com amor,
ele o tornará eterno.

Ari Mota


sábado, 6 de fevereiro de 2010

EU TE AMO



Sonhei... que...
ouvia vozes vindas da alma, murmúrios, ecos do passado,
palavras de outras vidas, sentimentos perdidos no tempo,
declarações não feitas ou não ouvidas, vozes ao vento,
ou não tive tempo ou o tempo não me permitiu, gritei e ninguém me ouviu.
ouvia vozes... eram gritos de outras existências,
gritava por amor e de amor... sozinho, perdido na imensidão do nada,
não entendi o sonho...
Mas, compreendi o sinal que a vida me enviou...
Então...
minha alma sussurrou-me docemente que eram lacunas de sentimentos,
declarações esquecidas, manifestações não verbalizadas,
as palavras brotavam incessantemente... vinham de dentro.
Corri nos livros e traduzi todas elas... e diziam “Eu te amo” em varias línguas:
Ek het jou lief  - Africano
Te dua – Albanês
Ich liebe dich – Alemão
Ana behibek – Arabe
Wo ai ni -  Chinês
Jeg Elsker DIG - Dinamarquês
Te quiero - Espanhol
Afgreki' - Etiópia
Mahal kita - Filipino
Je t'aime, Je t'adore - Francês
S'agapo - Grego
Aloha wau ia oi - Havaino
Ik hou van Jô - Holandês
Hum Tumhe Pyar Karte hae - India
I love you - Inglês
Ti amo - Italiano
Aishiteru – Japonês
Ro Haihu - Guarani
Jeg Elsker Deg - Norueguês
Ya tebya liubliu - Russo
Acordei assustado, tremulo... será que vivi tantas vidas,
em tantos lugares e não pude dizer “ eu te amo”
ou é para revalidar que na verdade “ eu te amo” toda uma existência,
e que estivemos em todas as vidas juntos... eternamente.

Ari Mota


sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

ACAUTELE-SE


Acautele-se das imposições sociais...
Nem todas as tendências enaltecem o caráter,
saiba nutrir suspeita... crie a duvida... duvide de regras coletivas,
estabeleça uma consciência intima, não terceirize os sentimentos,
eles são instrumentos do seu existir... são seus segredos, sua força.
Abandone o olhar dos críticos, dos que patrulham o seu viver,
tenha um olhar para você, para o seu caminhar.
Retire-se dos holofotes, escape dos que te vigiam.
Encontre-se... volte-se para dentro.
Cometa um desatino pela manha... caia em desvario,
olhe para o espelho e diga “eu me amo.” E reflita...
Quanto tempo eu não me amo? Quanto tempo eu não me olho?
Quanto tempo eu escondo atrás de maquiagens, de perfumes,
quantas mascaras troco ao dia... para esconder da minha própria face,
qual foi a ultima vez que eu falei comigo mesmo?
Tens... cedido o seu olhar para o mundo, e não consegue ver-se por inteiro.
Tens... destinado tempo integral aos outros e nega um tempo para a sua alma.
Tens... terceirizado os seus afetos, seus amores, seus encontros.
Tens... mecanizado o seu olhar... tornou-se autômato no abraço.
Acautele-se... não terceirize o amor.
Olhe com ternura...
E que no silencio da noite possa te encontrar.


Ari Mota

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

ESTRELAS EM FESTA



O universo... anos atrás concebeu duas estrelas.
Ambas nasceram no mesmo dia, com diferença de dois anos uma da outra.
Elas resplandecem no firmamento da minha vida.
São estrelas livres e de brilho próprio... são luzes no meu caminho.
Irradiam beleza, suavidade e amor.
Fizeram da minha existência um espetáculo indescritível.
Cintilam mais que o sol, iluminam minha alma, brilham nos meus olhos.
Transitam no meu cotidiano com leveza, mas possuem forças de um guerreiro.
Combatem seu dia com esmero, delicadeza e com destemor.
Um tem formação em humanas, o outro em exatas.
Diferem apenas na concepção das coisas, mas são iguais no amor.
Essas estrelas são os meus filhos: Thaty e Bruno... fazem aniversário... hoje.
São filhos do amor, da convivência sóbria, da relação destemida, da cumplicidade.
São filhos da reengenharia do afeto e da compreensão... são esperanças.
Minha alma em festa celebra esta sinergia de pais e filhos.
E reverencio o destino por permitir conhecer e conviver com estrelas desta grandeza.
E felicito a vida por amá-los.
P
   A 
      R 
         A
            B
               É
                  N
                      S               Ari Mota

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

PREPARE-SE



Quando a vida bater abruptamente em sua porta, prepare-se,
as vezes ela não tem hora, chega nas madrugadas, ou em noites enluaradas.
Vez por outra... esmurra com tamanha força, que faz tremer a alma,
não a tema, não saia desesperado pelos fundos... pedindo socorro,
não fique encolhido no canto do seu quarto... esperando ajuda,
não esconda o rosto, fechando com as mãos os olhos, não tenha nenhum receio,
aprume o peito, torne senhor de si, assuma a sua essência, sua estrada,
e as vezes e sempre, ela o quer apenas como companheiro,
não fuja e nem procure atalhos.
Tome sobre si o seu destino, encarregue-se dos seus combates.
Saia... afronte os seus medos, pule sobre seus abismos, sobre seus fantasmas.
Quando a vida bater sutilmente em sua porta, acalme-se.
Ela sempre vem nos buscar e nos incumbe de missões quase impossíveis,
não a tema... ela o convocará, e terás que opor resistência a forças invisíveis,
não fique temeroso em combater ou transformar-se em guerreiro,
ela... irá dispor de recursos para que você sobreviva.
Você receberá algumas armas imaginárias para combater o desamor.
Ela... lhe proporcionará gestos de ternura, para você distribuir abraços,
lhe dará compreensão, para você regar o mundo com amor,
dará uma estrada para que você transite carregado de verdade,
e o mais importante...lhe dará a escolha... ser feliz ou não.
A vida quando bater em sua porta, só irá lhe pedir ajuda,
para que faça desde planeta um lugar melhor.

Ari Mota

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

A AGENDA DA VIDA



Quando despertei para a vida,
imaginei que ela caberia em uma agenda,
e que era necessário só abrir a pagina do dia, e viver os afazeres.
E assim inicie minha trajetória.... e agendei o dia seguinte.
Recordo-me muito bem, achei que preciso era... somente sonhar,
e na inocência... na pureza do olhar... a preenchi para toda a minha vida.
Meu primeiro compromisso com a existência: “hoje tenho que ser feliz.”
Puro devaneio de menino... delírio de adolescente... quimera de juventude.
Agendar a vida... e ser feliz... pura fantasia, extrema utopia.
Obviamente... que em meu caminho encontrei pedras... e foram muitas,
ouve dias em que nem a agenda encontrei, a deixava pelo caminho,
os combates eram tamanhos, que a perdia pelas ruas e avenidas que passei,
não foi possível agendar absolutamente nada, corria desesperado pela vida.
Dia desses... em retrospectiva, encontrei a agenda da minha vida,
conquistei alguns sonhos, outros tantos nem sequer aproximei.
Hoje...
Na descoberta, e no alvorecer da minha plenitude,
tenho certeza que meu primeiro compromisso com a vida,
“hoje tenho que ser feliz” sustentou-me em todas as batalhas,
suportei todos os combates.
Agendei minha vida para ser feliz...
Eu e minha alma pactuamos ter esse compromisso pelo resto de nossos dias.

Ari Mota

domingo, 31 de janeiro de 2010

O PROTAGONISTA



Quando as cortinas abrirem para você, 
e deparar com o mundo te observando, aguardando o seu show,
não volte para os bastidores a procura de um protagonista para a sua vida.
Será você que deverá apresentá-la e vivê-la, com toda a intensidade,
não temas as vaias, busque incessantemente os aplausos.
Não quantifique a platéia, as vezes um apenas vale mais que uma multidão,
a encenação da sua trajetória será de sua interpretação,
e você não será o coadjuvante, e não terá equipe ou elenco,
estará sozinho no palco da vida...
Portanto... só lhe resta brilhar.
E este é o único papel que a vida lhe ofereceu.
Deixe marcas espalhadas pelos caminhos,
esqueça... nas esquinas do tempo, algumas obras de sua autoria.
Não será necessário ser famoso, primordial ser competente,
pode passar pela vida até de forma incógnita,
mas faça a diferença quando o mundo te encontrar.
Jamais procure um gestor para o seu destino... você é o seu destino.
E não tente encontrar seus segredos em outras almas,
a sua será eternamente a guardiã de todos eles.
Não busque um protagonista para a sua vida...
você é o ocupante deste cargo, dessa missão.
A sua apresentação formatará o seu destino,
apresente-se para a vida com amor.

Ari Mota

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

VIAGEM



Se por ventura depois de correr o mundo,
visitar os lugares mais exóticos do universo,
deleitar nas praias mais azuis do planeta,
saborear da mais fina gastronomia, além mar,
e sentir-se frustrado, incompleto, insatisfeito.
Se suas malas sempre estiverem prontas, arrumadas,
em busca de um lugar melhor, mais bonito.
E se na estação olhar a linha do trem com ansiedade,
ou fitar com impaciência as decolagens nos aeroportos,
ou simplesmente transformar a espera em sofrimento.
E se desaperceber da grandeza das pessoas, e suas culturas,
e não agregar nenhum valor ao que viu e viveu.
Há... com absoluta certeza... você não está em viagem ou viajou,
na verdade, não conseguiu chegar a lugar nenhum, e nada viu.
Lamentavelmente isto é fuga...
Você está fugindo de você... tentando escapar da própria alma.
Esconder do próprio eu, e evitar o espelho da consciência,
e esquivar-se dos fracassos, dos medos e angustias.
É preciso mapear um novo rumo, realinhar novos sonhos.
E viajar para dentro...dentro da alma...e se encontrar.

Ari Mota

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

VOO



Quando moço...
tinha o habito de carregar de volta para casa... o mundo,
levava de rastos pelo chão a torpeza humana,
transportava no ombro a temeridade da critica,
arrastava junto à alma, a duvida e a incerteza da vida,
por vezes rojando-se pelos caminhos, quase me perdi.
Quando moço...
deixava-me guiar por lideres eloqüentes... vis,
imputava-me transgressões, culpa e imperfeições,
maculava-me de intenções submissas... era cativo,
estava encarcerado no medo, na demasiada falta de ousadia.
Vê... que o tempo decorreu... pintou meu cabelo de branco,
fez rugas no rosto e na alma...
Hoje, filtro a minha existência, depuro minha convivência...
Libertei-me do medo, da critica e da duvida.
Quando volto para casa, volto livre... sem carga,
leve... sou portador de sentimentos que me libertam,
penso sem cercas... sem divisórias... sem muros,
meus voos imparciais... levam-me ao infinito,
em busca de liberdade.

Ari Mota

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

OUSAR



Cometa uma ilicitude contra o tempo,
aposse todos os dias de uma parte do silêncio,
apodere-se invariavelmente de uma parte do seu dia,
roube algumas horas de sua existência,
furte um período de sua vida,
para você ficar com você.
E depois...
Desabilite sua alma da rispidez do cotidiano,
desarme-a do confronto inevitável do subsistir,
desligue-a por algum tempo da insensatez humana.
E depois...
Há... e depois... saia por ai... tente voar,
se não conseguir... tente correr.
Se por ventura... nem voar e nem correr,
feche os olhos... sinta o perfume da flor,
Roube de uma boca proibida... um beijo.
Ouse... e ouça uma linda melodia...
Dance na praça com uma louca bailarina,
ou cante uma linda canção de amor.
Desabilite sua alma da rispidez do cotidiano,
atreva... a ser feliz.


Ari Mota



terça-feira, 26 de janeiro de 2010

ESCOLHA



Encontrarás apenas dois caminhos em sua vida,
e ambos serão construídos com o seu próprio andar,
e ao longo de sua trajetória terás o direito de escolha,
                         ser feliz ou não...
A vida lhe proporcionará esta prerrogativa de opção,
                             escolher...
Poderás ter toda a emoção do amor, do encontro, do riso,
distribuir afeto, e edificar convivência, e ser feliz.

Mas, também poderá ter atitudes de um bárbaro... de um bruto,
sair desconstruindo vidas, e semeando desencontros.
                    Terás que ter coragem.
                       Terás que escolher.
A escolha sempre será sua... não responsabilize ninguém.
                              Escolha.

Ari Mota

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

DESACELERE


Desacelere...
Sem perder o ímpeto pela vida,
sem diminuir a velocidade do destino,
sem esvaecer a intensidade da luta,
sem abrandar o desejo,
sem atenuar o combate.
Desacelere...
Mas, não descuide do amor que carregas na alma,
nem deixe extinguir a esperança que trazes no peito,
tampouco faça sumir a possibilidade de sempre achar a saída.
Desacelere...
Sem que desapareça o brilho nos olhos, e a força do corpo,
não inutilize a capacidade de recomeçar sempre... todos os dias,
e nem caia em desuso, atualize-se, renove-se... aprenda a todo o momento.
Desacelere...
Sem desvairar-se com o que fez, ou com o que é,
e não fique conturbado com a rudeza da vida,
não entregue-se ao desanimo ou a inoperância.
Desacelere...
Para conseguir contemplar o dia... visualizar o amanha,
encontrar valores humanos... amar.
Desacelere...
Vale mais encontrar o caminho do que ganhar velocidade.
Desacelere...
Procure olhar para si... olhar para dentro... olhar para a vida,
e se encontrar.

Ari Mota


sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

O ALPINISTA E A VIDA


A vida é um Everest invisível...
Para você viver os minutos, as horas, os dias... toda a sua vida,
terás que ser audacioso e ter um impulso arrojado de alma,
ela lhe cobrará atitudes como se fora um alpinista em noites de tempestade,
e irá reclamar imperiosamente e destemidamente sua decisão...
estarás a todo instante no seu limite, na fronteira da coragem com o medo,
e estará cobrando olhares de ousadia e sentimentos intrépidos, em prol da existência,
e glorificará sua impassibilidade diante do extremo, do perigo em viver o momento.
E para viver o momento, o minuto seguinte... terás que ser um alpinista...
E em sendo... terás que encontrar equilíbrio e sensatez.
Apreenderá a planejar os sonhos,
definir cada passo, cada toque, cada andar.
E jamais estarás suscetíveis as coisas menores.
Olharás sempre para o pico... aonde se quer chegar.
E aprenderás que para atingir o topo, não se caminha só...
Terás que estender as mãos, amparar e ser amparado,
aquecer e ser aquecido...
Um sempre dependerá do outro... para existir.
A vida é um Everest invisível...
Não caminhe só...
Os equipamentos utilizados para esta singular subida,
são outros... são sentimentos.
Bastará amar incondicionalmente...
Tudo e todos...
“ que chegarás “

Ari Mota

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

RELUTE


Não procure nas coisas, nas pessoas... a sua felicidade.
Não busque no exterior o que esta dentro de você.
Busque uma trilha nova para o seu caminhar.
Não acredite nas convenções, nos hábitos humanos.
O homem fracassou no exemplo... não siga trilha de outros.
A sua verdade não esta com ninguém, ela reside em sua alma.
Desbrave novos caminhos... reinvente sua vida.
Não procure em outros quintais a sua liberdade.
Reinvente o seu olhar, olhe a vida de outro ângulo... diferente.
Não procure respostas em palavras que não sejam as suas.
Mantenha a sua existência dentro de uma verdade.
Renove o seu viver...
Assuma uma postura relutante... quebre os paradigmas.
Relute em prol do seu vôo livre...
Relute contra esses discursos inverídicos... inexatos.
Relute contra lideres que utilizam da falsa persuasão.
Abra o peito... faça uma trilha que o leve até sua alma.
Seja você o seu próprio mestre, o seu próprio líder.
Ilumine você, os seus caminhos...
Brilhe... como está... e como veio ao mundo,
participe desde espetáculo que é a vida,
ame de forma intensa a si próprio,
que terás sentimentos para amar
o resto.

Ari Mota  

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

UM PURO OLHAR





Olhe para a vida com amor... 
Ao levantar e banhar-se,
não lave somente o corpo,
faça uma assepsia em sua alma,
respire fundo, entre peito adentro,
retire resíduos de medo ou magoa,
encare seu dia afetuosamente.
Levante disposto ao combate,
sem usar o grito ou as mãos.
Tenha como arma... a palavra e o argumento.
Trave uma batalha com a sua alma, acalme-se.
Você não está em guerra...
Desarme-se...
Gestos brutos, e palavras mal colocadas... são armas.
Ferem...
O corpo imita a natureza, temos nossos terremotos.
Nossa alma vez por outra, tende a pular do corpo:
Gritar de desespero, de medo, de angústia.
Modere-se...
A vida é isso mesmo, algo incompreensível,
Inatingível, uma viagem indecifrável, pura ilusão.
Não podemos alterar destinos, maldizer o dia.
Serenai...
Não interfira em opiniões, não julgue sentimentos.
Procure o silêncio, há nele uma melodia encantadora,
encontrarás tolerância e sabedoria...
Olhe para vida com amor...
Ela ternamente lhe encontrará.

Ari Mota

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

NASCER E MORRER


Fui convidado a participar de uma conferência... eu e minha alma.
Acordamos mudar nossas atitudes, nossas vidas,
realinharmos nossos olhares, nossa existência.
Ela sugeriu que morrêssemos todos os dias...
Em morrendo, iríamos desaprender a rispidez do dia,
a descortesia dos rudes, a insensatez dos vis,
a indelicadeza dos brutos, a aspereza dos desequilibrados,
e a incivilidade dos líderes, e o gosto tosco dos afoitos.
E em morrendo, olvidaríamos a intolerância, a indiferença,
estaríamos por analogia desvanecendo o desamor, o ódio.
Literalmente dissipando do nosso peito o que nos fere.
Estaríamos morrendo nitidamente puros, límpidos...
E que renascêssemos todas as manhas com o por do sol...
E que despertássemos sorrindo, livres... renovados,
fazendo florescer todas as esperanças, todos os sonhos.
E que viveríamos até o final do dia desarmado, em paz,
transmitindo afeto, respeito e deferência a todos.
Tenho nascido todos os dias... e melhor... com mais sensatez.
Minha vida incorpora verdades, e reveste-se de serenidade.
Tenho morrido todos os dias...
Mas... quando nasce o sol... a vida me concebe em festa,
cada dia ao vir à luz, venho amando...
cada dia mais a vida.

Ari Mota

O HOMEM E O PLANETA


Em algum momento do passado, foi nos concedido a terra para nossa existência,
na verdade, ela é nossa nave para esta viagem nos caminhos do universo,
e como se não bastasse foi nos ofertados também o livre arbítrio e o tempo...
Teríamos o poder da decisão e um período para executar nossa missão.
Teríamos que evoluir e como um cavaleiro seríamos eternamente o seu mantedor.
Sustentaríamos essa nave com toda a sua beleza e força, seríamos os seus guardiões.
Com desvelo, olharíamos para os rios, para as borboletas, para os gafanhotos, e o jequitibá.
Não iríamos interferir no ecossistema, nem na individualidade das pessoas... nem na alma.
A liberdade nasceria no gesto, nas palavras, na crença e na ideologia... não teríamos fronteiras.
Respeitaríamos as diferenças, o maior e o menor... conduziríamos com harmonia nossas vidas.
Mas, o tempo passou... desconstruímos o que nos foi dado como baliza... perdemos o foco.
Tornamo-nos predadores, subjugamos o bem em remição ao mal... barbarizamos o existir.
Negamos com mesquinhez a gentileza de servir, com sentimento vil, menosprezamos o doar,
e com olhares de desdém não sentimos a dor do próximo... individualizamos o repartir.
Ficamos menos humanos... temos que reinventar alguns sentimentos e criar outros.
Há uma nova era aproximando... um novo realinhamento.
O homem carece de rever suas atitudes e consciência.
Buscar dentro da própria alma... sua fé.
Realinhar seus sonhos e seus amores.
Reinventar a verdade... e o bem.
Retomar sua evolução e a do planeta.

Ari Mota


quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

HAITI



Encontrei no silêncio a resposta...
Não consegui expressar em palavras, o que ouvi.
Uma lagrima rolou face abaixo...
E pelas ruas de Porto Príncipe no Haiti.

Encontrei na resposta o silêncio...
Ficamos abraçados de emoção, quase morri.
Um soluço brotou dentro do peito.
E pelas ruas de Porto Príncipe no Haiti.

Fiquei pequeno... por não fazer nada.
Fiquei em silêncio...
Em silêncio...
Silêncio...
Como as ruas de Porto Príncipe no Haiti.

Ari Mota

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

OBRAS INACABADAS


Procure terminar a tela que iniciou, e a escultura que começou,
não passe por esta vida como um artista de obras inacabadas,
nem Vicent Van Gogh, que teve uma vida de fracassos... o fez,
sofria da alma, não conseguiu vencer o medo da vida, sucumbiu a ele,
mas, dentro da tamanha esquizofrenia que tinha... terminou todas as telas.
E François Auguste René Rodin que paradoxalmente teve toda sua obra rejeitada,
confundida como um esboço... dava-se a impressão que não acabara nenhuma delas,
e na verdade o escultor baseava-se no conceito “non finito”... era seu estilo.
E assim... é nossa vida... temos que terminar nossas obras.
Não há que deixar para um outro dia, amanha ou talvez quem sabe... no futuro.
Temos que ser hoje... construir agora... não podemos ser metade, temos que ser inteiro.
Não viva meia vida, nem meio amor... viva com toda a intensidade... com toda paixão.
Não faça meio carinho... a tome por inteira... ame-a com os poros, com a alma.
Não recite parte de um poema... se possível declame todos eles... com ternura.
Acalme... silencie... termine o que começou... pode ser um abraço, um beijo, um afago.
E na sua tela... na tela da sua vida inicie o seu esboço espectral... maravilhosamente,
que ao terminar seu auto-retrato não espelhe arrogância, nem prepotência,
e que deixe estampado sua face em risos, seu semblante em verdade, seu olhar em amor.
E que ao esculpir o próprio corpo, ele tenha a sutileza de um anjo estendendo os braços,
e que fique catalogado na história da arte... como o homem que veio do céu.
Não passe por esta vida como um artista de obras inacabadas...
Faça tudo terminar... menos o amor.

Ari Mota

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

437 ANOS DE AMOR



Eu vivi em outros lugares, em outras vidas, em outras camas,
já senti outros perfumes, já afaguei outros corpos, já amei outras almas.
Morri de amor por diversas vezes, abandonei, parti e nunca voltei,
já deixei alguém me esperando toda uma vida, por diversas vezes,
fui extremamente estúpido com algumas, intolerante com quase todas.
Entre uma rosa e uma espada, dei preferência a que fazia sangrar, matar.
Já vivi outros amores, em outras tantas vidas que vivi, que passei, que sonhei.
Passei noites em tabernas... bêbado de solidão, revestido de bárbaro, sem coração.
Foram tantas vidas desfeitas, tantos amores inacabados, tantos beijos desejados.
Que o destino me fez voltar, e viver tantas vezes fosse necessário... tudo.
Já vivi 437 anos de amor, sem declarar uma única vez... eu te amo.
São vidas passadas... aprendizagem atroz, eterna procura, permanente busca.
E hoje, alcancei meu último estágio de vida... de amor, de ternura, de sonho.
Encontrei-te...
Levei todo esse tempo... e agora renunciei a todas as vidas que vivi.
Só para ficar docemente ao seu lado até o fim.
De guerreiro e bárbaro, transformei-me em poeta.
Hoje entre uma rosa e uma espada... tornei-me um jardineiro.
Em noites de frio, abraço-te docemente, como nunca o fiz.
Sussurro em sua alma, todo o meu amor.
Eu te amo...
Para sempre...

Ari Mota

sábado, 9 de janeiro de 2010

AUSÊNCIA, SOLIDÃO E LOUCURA



Minha vida transcorreu em três tempos... todos simultaneamente.
Houve o tempo da ausência, o tempo da solidão, e o tempo da loucura.
Quando despertava para a vida, esses tempos apossaram-se da minha alma.
Procurei combatê-los incansavelmente, não consegui êxito, fui derrotado.
Passaram sobre mim, desesperadamente, fiquei em pedaços, fragmentado.
Quando o tempo da ausência aproximou dos meus dias, tive medo,
faltaram-me coisas, amores, amigos, perspectivas e sonho,
inexistiram caminhos, trilhas, fui acometido pelas incertezas e a duvida.
E quando o tempo da solidão veio abalroar minha existência,
imergi no isolamento, fugi das pessoas e do mundo, fiquei só.
Retirei-me do convívio, afastei de mim mesmo, escondi, corri, quase morri.
Perdi alguns amores, alguns dos melhores amigos, e o chão onde nasci.
E o tempo da loucura, sempre me abordava... desde menino... e eu não entendia.
Mas hoje, com os cabelos grisalhos, e a face envelhecida... é o melhor do meu tempo.
Assumi definitivamente a loucura...
E o tempo da ausência o transformei, no tempo do crescimento, fiquei maior,
foi a época que repus o que perdi, reconquistei coisas e amores, vivi.
E o tempo da solidão o transformei, no tempo do isolamento, realinhei minha vida,
assumi certas saudades, alguns vazios, certos descaminhos... compreendi.
Hoje estou no tempo da loucura...
Sou feliz... por ter sobrevivido aos percalços do tempo, não abro mão do riso, da alegria.
Tenho dançado... e sempre acompanhado de uma bailarina louca, e algumas borboletas.
Decidi ser feliz agora... hoje... minha alma e eu não permitimos a entrada da tristeza.
Não temos mais tempo para coisas pequenas...
Decidimos enlouquecer de amor pela vida... que nos resta.

Ari Mota

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

O ASTRONAUTA POETA


Quando menino, época de escassez, ausência de caminhos, de perspectiva,
resolvi não seguir trilhas de ninguém, e abri sozinho o meu mundo de sonhos.
Mas, eu tinha um vizinho... poeta imortal... mestre das mantiqueiras,
artífice das palavras, gênio das escritas e sentimentos, falava de amor,
de mulheres, de carinho, de caricias... e de declarações em noites enluaradas,
em prosa recitava em êxtase a lua como a guardiã das paixões e dos namorados,
eram versos que falavam de desencontro, encontro, amores possíveis e impossíveis,
como era menino, não compreendia de amor, e resolvi alcançar a lua...
procurar essas emoções.
Aventei a hipótese de enamorar uma linda mulher entre as rochas lunares...
em beijos e abraços.
A incerteza tomou conta de minha alma...ser astronauta ou poeta?
Então, me maravilhei com “ De La Terra à La Lune, de Júlio Verne, viajei com eles,
e não cheguei lá.
Eram sonhos utópicos, noites embriagantes de fantasia, medo do amanha,
medo de não amar.
Com 15 anos quando Neil Alden Armstrong, pisou no mar da Tranqüilidade... na lua,
minha inocência se deu conta da incerteza...
Quis ser astronauta, porque não sabia ser poeta.
E um dia...num vôo imaginário, estava eu fazendo serenata ao luar..na lua.
Fui recitar poemas de amor, a procura de você...não te encontrei.
Na descoberta...pra de achar e te amar... abandonei o sonho de ser astronauta.
Tornei-me poeta só pra te encontrar.

Ari Mota

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

MULHERES E ROSAS

















Não a deixe em céu aberto, a menos que queira bronzear-se.
Se não querendo, não permita que o sol venha ferir essa membrana tênue,
que guarnece tamanha beleza e adorna essa silhueta escultural.
Pela manhã...
como uma rosa vermelha, tome seu corpo e acaricie-o em sentido contrario,
toque sua pele de forma macia...
sinta a aveludes de seus contornos como se fossem pétalas.
Depois...
regue-a suavemente com águas cristalinas salpicadas de estrelas, abrace-a.
No meio do dia...
leve-a a beira mar, alimenta-a de ternura e afago.
Caminhe...
e tome suavemente suas mãos, e apresente-a ao mundo como uma rainha.
No entardecer em baixo de um Jequitibá tome vinho...
e depois tome os seus lábios, a beije por inteiro,
roube o seu perfume, enrosque em seus cabelos, sinta a sua alma.
E quando a lua se fizer presente...
leve-a à varanda conte histórias de loucuras e estrelas,
antes do amor...
Não à trate como opção, a tenha como prioridade.
Estenda sempre tapetes vermelho, ela não anda... desfila.
Ande sempre com purpurina, e aproveite o vento quando ela passar...
ela brilha, tem que brilhar.
Faça poemas de amor e os sussurre docemente, faça-os dar arrepios,
seja afável, a tenha em seus braços com ternura.
A cultive como uma flor e a ame como mulher.
Tudo isso são metáforas... em nome do amor.
Se não tiveres coragem para tal loucura...
basta afetuosamente dizer: eu te amo.
E ficar ao lado dela... toda uma vida,
e amá-la de todas as maneiras.

Ari Mota

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

O XAMÃ E O POETA


















Acordei assustado...
vinha de dentro do peito uma batida que não era do meu coração,
uma batida cadenciada, de repente... senti uma dor imensa na alma,
dor de saudade, sentimento perdido no tempo, perdido em outras vidas.
Entendi ser sons de atabaque num ritual afro em noites enluarada,
depois achei ser sons de Taiko em madrugadas de neve, em terras nipônicas,
senti um vento gelado trazer entre nevoas, sons celtas em noites chuvosas,
depois confundi com a suntuosa cadência do Olodum, em dias de sol.
Na verdade minha alma, deixou escapar sons de outras existências,
maravilhei-me com aquele tambor em minha alma...era meu lado primitivo.
O tambor dava-me acesso através do ritmo à força da vida... ao meu principio,
através dele viajei por outros mundos, era uma ponte entre a terra e as estrelas,
e o caminho que me permitiu viajar no centro do mundo, no coração da mãe-terra.
Nas minhas descobertas, me achei em um Xamâ, em busca de resposta, de amor.
Aquele som vinha do passado, época de procura, de busca, de desencontro, de dor,
vez por outra uma lagrima brotava lá de dentro da alma... era de saudade,
amores desfeitos, olhares perdidos, camas vazias, noites silenciosas e frias.
Os tambores... as vezes soam dentro da alma, uma angustia surge nos olhos,
vidas passadas, escondidas, nutrem um som imaginário no meu peito.
Em pranto volto a mundos imaginários, vidas desconhecidas, sem nome.
De guerreiro tornei-me um escritor.
De selvagem transformei-me em lucidez.
De primitivo tornei-me sonhador.
De Xamã virei poeta...

Ari Mota

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

LOUCURA


















Se uma linda canção te acordar pela manha, levante sorrindo.
Mas, se ao lado de sua cama, uma bailarina louca, te convidar para dançar,
e se seu quarto for tomado por um bando de borboletas... todas te olhando,
e na transversal um arco íris cobrir sua cama... toda desarrumada,
e sua voz embargada, não conseguir dizer não... não se assuste.
Isso é loucura...
Somos acometidos vez por outra desses devaneios, dessas doces fantasias.
Mas, não estranhe tais aparições, são coisas da alma... ela brinca conosco.
Nos leva a sonhos absurdos, mundos imaginários, sensações diferentes,
faça o que nunca fez, entregue-se a loucura, estenda os braços...
levante para o sonho, sinta o perfume da insensatez... só por um dia.
É um presente que sua alma lhe oferece, ela tem visto seus combates,
isso tudo, é pra quebrar a sua sisudez, você perdeu o sorriso, o brilho,
esqueceu a alegria no bolso do seu paletó, no último cabide do guarda-roupa.
Tem saído para viver um dia lindo de sol, com guarda chuva e galocha.
Mas, dance, se preciso um dia inteiro, e será aplaudido por todos,
pelo menos eu e as borboletas vamos espiar aquele beijo maluco,
que vais roubar daquela bailarina louca...ame, apaixone-se...
Toda paixão tem um pouco de loucura, e toda loucura é uma doce paixão.
Enlouqueça só por um instante, dance para a vida...dance para você.
Surpreenda o mundo com sua alma enlouquecida, estamos enfastiado de almas enfurecidas.
Viva uma loucura... uma unica vez...



Ari Mota