O melhor de mim estava no
começo...
A expressão do meu olhar era
de perguntas, ceticismo.
Era de dúvida mesmo!... e o
fiz para ter certeza do que estava vendo.
E nem tudo, que me
disseram... acreditei.
Nem tudo que li, me...
convenceu.
Espantei-me com tudo isso, e
para não ficar um vazio,
carreguei a alma de resiliência
e sonho... e nada em mim esmoreceu.
Fui tecendo os meus dias...
fui construindo as minhas buscas,
e tudo foi sucedendo,
mudando... e assim vivi... e a tudo experimentei.
Enojei-me com alguns, outros
em demasia... amei,
fiz alguns ensaios, tomei
distancia e fui... saltei,
houve abismos... que quase
não consegui atingir o outro lado,
quase me enrosquei pelo
caminho... quase fiquei em desalinho.
Mas, fui me reconstruindo, desapegando
das ninharias,
estremeci com as escolhas, com
as triagens que fiz,
e com todas as noites de
agonia... que passei,
mas, fui me dilapidando,
extraindo as cascas mortas,
desvestindo-me, despojando da
mesquinhez do ter coisas, sem ser livre.
Lembro-me bem... um dia,
em desespero fui bisbilhotar
o futuro, ele me olhou acintosamente,
vi que ele não me queria lá,
nem me receber... franziu a testa.
E como não tive outra forma
de me antepor, fui com o passado conversar,
e falamos dos desacertos, dos
tombos, dos consertos... do levantar.
Mas... nem o temor do futuro,
nem o que ficou perdido no passado,
acalenta-me tanto: como o “presente”...
que me abraça,
afaga a minha alma, e com ela
me eleva, me faz voar,
faz-me pulsar enlouquecido
pela vida... faz-me festa.
E assim...
vivi com vários “eus”... e
fui descartando alguns... pelo caminho,
outros... desfiz, por
ausência de convivência, e tive que seguir sozinho,
outros tantos... rejeitei por
incompatibilidade intelectual, achava-se o tal.
Recusei a companhia de vários
“eus”, e outros foi um desprazer.
E assim...
Fui transmudando-me, me
refundido, sem nenhum certificado de grandeza,
hoje luto... só para ser o
melhor de mim.
Das mesas que participei, nunca
fui o centro, e nunca pretendi,
ali não se define o sonho
pessoal e este não abro... mão.
Sou mais que matéria em
evolução, sou alma fugindo da solidão,
não vou conseguir iluminar
todos os caminhos, pela vida... afora.
O melhor de mim na verdade
não estava no começo,
descobri depois de um longo
tempo... que, nem no fim.
O melhor de mim estará... num
raio de amor, na minha luz,
que vou deixar na sua alma,
- depois de ir embora.
Ari Mota
2 comentários:
Vai deixar sim! A resiliencia que o torna resistente e deu-lhe a possibilidade da reconstrução , creio é o que mais importa. Abraços, Ari.
"Lembro-me bem... um dia,em desespero fui bisbilhotar o futuro, ele me olhou acintosamente,vi que ele não me queria lá, nem me receber... franziu a testa."
Amigo querido, sempre me emociono com este imenso dom de falar com a alma. Agora aqui me encantei com tua dor - busca- jornada. Senti-me de mãos dadas ... ora quantas vezes assim estou. Mas não soube escrever desse martírio só meu, e que sei que passsa, é humano, e como sabes tão bem dizer em minúncias...
Encantei-me com a ida em desespero ao futuro. Sim, sim, intentamos ir, mas ele nos rejeita. É assim. Ele não existe. Ele ainda será. E, nosignora e nos franze a testa.
Saberá ele que nossa alma o conhece? Que a nós é dado essa possibilidade de sabê-lo, só que para nosso bem, esquecemos.
Que lindo, amigo. Você é belo!!!!!!
Ah.... vim agradecer por me seguir. É madrugada, sou o sono vivo. rs Mas não me contive, tive que falar do meu sentimento ao lê-lo!
Amigo, Memórias tb está aberto.
Ando meio devagar, ms ando...
Beijos no teu coração resiliente e poeta!!!!!!!!!!!!!
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