terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

DOEU... MAS ME LIBERTOU


 








Ainda não sei o que tenho escondido...
no meu silêncio, nem no meu olhar,
e isso me provoca a aventurar-me mais um dia,
às vezes carregando a solidão mais profunda,
outras vezes arrastando uma loucura indizível,
só para me curar.
 
Passei a não me esquecer, consentir a minha presença,
permitir o difícil, o caminho, as minhas escolhas,
passei a existir... aqui dentro... e não foi preciso sangrar,
e tudo me foi assim... a chave só me abre por dentro,
não carrego nada que não foi feito para morar em mim,
jamais permiti morrer em minha alma...  a vontade de amar.
 
Apreendi não ter expectativa de ser salvo,
eu... é que sou o mentor da minha travessia,
e assim tenho existido, sem desistir,
já não me explico... só vivo,
e aqui dentro não existe caos, me adapto aos temporais,
me desperto,  experimento-me e reconfiguro-me, antes de ir.
 
Não permito o meu existir evaporar-se,
e o que me define não está fora,
sutilmente desfila dentro da minha alma em profusão,
desmistifico a felicidade do amanhã... e vivo o hoje,
e me relaciono com o tempo... como se fosse uma ventania,
uma fugaz ilusão.
 
Sei tanto de mim, que não aceito ninguém dizer quem eu sou,
já fui espera, procura, leveza  e tempestade,
nunca precisei ser melhor que ninguém,
a não ser de mim mesmo,
sou o meu refugio,
não espero validação de alguém.
 
já agreguei tantas almas à minha,
e doei as partes mais verdadeiras de mim,
ofereci com leveza o que sou,
e também removi outras tantas,
e lhes ofereci a minha distancia e o meu vazio,
e o fiz para não me ferir,
e tudo foi mágico... apreendi a recalcular a rota,
olhar o caminho com mais lucidez,
o que era sonho transformei em destino,
existir me foi um espetáculo,
doeu... mas me libertou.
 
Ari Mota