Ainda
não sei o que tenho escondido...
no meu
silêncio, nem no meu olhar,
e isso
me provoca a aventurar-me mais um dia,
às vezes
carregando a solidão mais profunda,
outras
vezes arrastando uma loucura indizível,
só para
me curar.
Passei a
não me esquecer, consentir a minha presença,
permitir
o difícil, o caminho, as minhas escolhas,
passei a
existir... aqui dentro... e não foi preciso sangrar,
e tudo
me foi assim... a chave só me abre por dentro,
não
carrego nada que não foi feito para morar em mim,
jamais
permiti morrer em minha alma... a
vontade de amar.
Apreendi
não ter expectativa de ser salvo,
eu... é
que sou o mentor da minha travessia,
e assim
tenho existido, sem desistir,
já não
me explico... só vivo,
e aqui
dentro não existe caos, me adapto aos temporais,
me
desperto, experimento-me e
reconfiguro-me, antes de ir.
Não
permito o meu existir evaporar-se,
e o que
me define não está fora,
sutilmente
desfila dentro da minha alma em profusão,
desmistifico
a felicidade do amanhã... e vivo o hoje,
e me
relaciono com o tempo... como se fosse uma ventania,
uma
fugaz ilusão.
Sei
tanto de mim, que não aceito ninguém dizer quem eu sou,
já fui
espera, procura, leveza e tempestade,
nunca
precisei ser melhor que ninguém,
a não
ser de mim mesmo,
sou o
meu refugio,
não
espero validação de alguém.
já
agreguei tantas almas à minha,
e doei
as partes mais verdadeiras de mim,
ofereci com leveza o que sou,
e também
removi outras tantas,
e lhes
ofereci a minha distancia e o meu vazio,
e o fiz
para não me ferir,
e tudo
foi mágico... apreendi a recalcular a rota,
olhar o
caminho com mais lucidez,
o que
era sonho transformei em destino,
existir
me foi um espetáculo,
doeu...
mas me libertou.
Ari Mota
terça-feira, 24 de fevereiro de 2026
DOEU... MAS ME LIBERTOU
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